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Chapter 4. Study of Throw-verbs

4.2.1 The 400-sentence Corpus

Até o fim, como se viu, as mulheres capixabas estiveram presentes no movimento abolicionista do Espírito Santo. Nos festejos realizados na província do Espírito Santo em comemoração à promulgação da Lei Áurea, a Associação Libertadora Domingos Martins, o Club Abolicionista Dr. João Clímaco e a Libertadora Rosariense se fizeram presentes. A Libertadora organizou um cortejo cívico, em frente à Loja Maçônica no qual “A inteligente jovem D. Alice Castro, filha do tenente Castro, recitou um bonito discurso, exaltando o mérito dos que combateram pela causa da abolição, sendo ao terminá-lo muito aplaudida” (Folha da Victoria, 17/05/1888). Não faltaram menções ao símbolo da mulher abolicionista, e a Folha da

Victoria (17/05/1988) elogiou a princesa Isabel pelo “[...] coração magnânimo de uma mulher transformou-se em astro para iluminar a vasta extensão do colosso americano, adormecido miseravelmente nos braços da escravidão”.

No Espírito Santo, como em outras províncias do país, não se formou uma associação abolicionista exclusivamente feminina, nem por isso as mulheres estiveram excluídas do movimento antiescravista. No Rio Grande do Sul, as gaúchas não foram incluídas na diretoria do Centro Abolicionista de Porto Alegre, fundado em 1883, mas ocuparam funções semelhantes às que exerceram durante a Revolução Farroupilha e a Guerra do Paraguai (KITTLESON, 2005a, p. 130). A inserção das mulheres no movimento abolicionista capixaba representou a vitória do discurso de gênero, da retórica abolicionista de caráter feminino, que foi modelar para a conduta dos movimentos emancipacionistas locais. As mulheres capixabas assumiram seus novos papéis sociais e se posicionaram em uma esfera de discussão situada entre o privado e o público, que intercambiava cada vez mais elementos deste espectro, como demonstram a quantidade de sócias da Associação Libertadora Domingos Martins e a diversidade das funções exercidas pelas mesmas.

Ao contrário do movimento nacional como um todo, no abolicionismo da província do Espírito Santo a figura da mãe não foi a única e nem o principal caráter atribuído às mulheres. Os discursos e ações empreendidos em favor da campanha compartilharam com o restante do país um caráter feminizado, entretanto, os abolicionistas capixabas falaram para as mulheres, e não para seus corações. Eram elas chamadas para integrar a campanha abolicionista e não os sentimentos em si. A ênfase foi muito maior ao papel de esposa do que ao de mãe. Os nomes das senhoras capixabas que se destacavam na cena do abolicionismo eram sempre divulgadas por A Folha da Victoria e A Província do Espírito Santo acompanhados dos nomes de seus cônjuges, o que não significa tutela ou subordinação. Na realidade, “ser esposa” permitia às mulheres mobilidade e campo de atuação muito maior do que “ser mãe”. Das mães se esperava uma total dedicação aos filhos, quase um sacerdócio (RAGO, 1985, p. 80). Ao acompanharem os maridos em eventos e debates públicos e políticos, as mulheres estavam cumprindo o esperado para o papel de esposa, ainda que se posicionar politicamente neste espaço não representasse ruptura com os papéis tradicionais.

O processo que levou à extinção da escravidão reformulou as identidades de gênero da sociedade brasileira da época, incluiu novos atores sociais no espaço público das cidades e da esfera política de discussão. Para as mulheres, a ingerência no abolicionismo permitiu que acumulassem experiência de militância em

outros debates políticos, como na campanha pelo sufrágio feminino na virada do século XX (MOTT, 1988, p. 82). Um exemplo foi Maria Amélia de Queiroz, pernambucana e uma das principais líderes da sociedade abolicionista Ave Libertas, fundada em 1884. Maria Amélia mereceu o destaque de em 1887, discursar ao lado de José do Patrocínio e incentivar as mulheres a integrarem o movimento. As atividades da sociedade não cessaram com a assinatura da Lei Áurea, em 1888, suas sócias continuaram a trabalhar tendo como objetivo a alfabetização e a profissionalização dos escravos (FERREIRA, 1999, p. 69). Maria Amélia, através do prestígio obtido na militância abolicionista, após o 13 de maio, passou a dedicar seus esforços à causa republicana que acreditava ser o resultado natural da vitória da luta abolicionista, era a libertação moral do país. Em outubro de 1888, ela foi oradora da Terceira Conferência Doutrinária do Club Republicano Frei Caneca, do qual fazia parte e afirmou: “[...] queremos uma Pátria regenerada; é forçoso que nós não nos satisfaçamos simplesmente com aquela reforma [a abolição]” (FERREIRA, 1999, p. 70). O periódico A Folha da Victoria caracterizou Isabel Santos, integrante tanto da Libertadora Domingos Martins quanto do Club Abolicionista Dr. João Clímaco, como republicana (A Folha da Victoria, 22/05/1884), porém, nenhuma outra informação que denotasse o envolvimento de Isabel com o pensamento republicano e uma possível permanência de mulheres capixabas no debate político após a abolição foi encontrada.

Há certa lacuna historiográfica sobre a presença feminina em movimentos populares concomitantes ou posteriores à campanha abolicionista, como a Revolta do Vintém, em 1880 ou da Vacina, em 1904, que nos permitiriam avaliar o grau de sucesso dos abolicionistas em colocar as mulheres como partícipes do movimento. Mesmo que os usos das construções de feminilidade tenham atendido a objetivos específicos dos abolicionistas e as mulheres não tenham protagonizado o movimento, sua participação não pode ser vista como apolítica (KITTLESON, 2005b, p. 99). As identidades de gênero forjadas durante o processo de abolição foram centradas nas diferenças entre os sexos e não na inferioridade feminina. O sentimentalismo e as emoções mais exacerbadas passaram a ser vistas como características e não sintomas da fraqueza das mulheres. Ao adotarem o papel e a identidade social de mãe e esposa, ao contrário de permanecerem restritas ao lar, as mulheres estabeleceram uma ampliação da esfera privada e a tornaram pública.

3. LINGUAGENS DA FEMINILIDADE: PERFORMANCE, DISCURSO E