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The relationship of Financial variables and technical efficiency:

CHAPTER 2: LITERATURE REVIEW

2.5. The relationship of Financial variables and technical efficiency:

A Tabela 3.10 apresenta os resultados obtidos no corpus mediante a categoria RAFN. A seguir, são apresentados em quadros e analisados em detalhe alguns dos aspectos considerados mais relevantes, em busca de responder os questionamentos que guiam esta pesquisa.

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Tabela 3.10: Frequências de RAFN, subcategorias e marcadores

Categorias 01A 01B 02A 02B 03A 03B

RAFN 63 60 46 45 30 29 RAFN(t) 17 17 16 17 10 10 RAFN(h) 3 3 1 1 2 2 RAFN(e) 11 9 - - 1 1 RAFN(r) 3 3 - - - - RAFN(c) 1 2 - - - - RAFN(+) 1 1 1 1 - - RAFN(i) - - 1 1 - - RAFN(f) - - - - 2 2 RAFN[x] 6 3 4

Na tabela acima, pode-se observar que a subcategoria com tópico (t) foi a que registrou mais ocorrências para a categoria RAFN, nos três pares de TOs e TTs, de modo equilibrado, quantitativamente, mas com uma proporção um pouco superior nos pares 02A/B (em torno de 34,8%) e 03A/B (33,3%) , se comparados ao par 01A/B (27%), uma vez que este foi o par que registrou a maior quantidade de ocorrências com a categoria RAFN. Seguiu-se a subcategoria encaixado (e), com destaque apenas no par 01A/B, justificado pelo caráter dialógico da obra. Os exemplos apresentados abaixo ilustram algumas dessas ocorrências.

Exemplo de RAFN(t)

(13) Pero volvamos a Allende. (01A) Voltemos a Allende. (01B)

O exemplo (13) apresenta uma ocorrência de RAFN(t) em que a alusão ao tópico sobre o qual se está propondo ―voltar‖ no diálogo é feita por meio de um nome próprio. Allende é o marido de María, amante do pintor Juan Pablo Castel, no romance El túnel. A fala ―voltemos a Allende‖ é feita pelo pintor, numa tentativa de retomar um assunto de seu interesse com Maria, mas que ela procura evitar. A expressão ―voltar a Allende‖ significa voltar a falar sobre um conjunto de aspectos concentrados nesse nome (o tópico) e que, com a simples menção, serão ativados. O tradutor utilizou a mesma escolha feita pelo autor para representar esse modo de RAFN(t). Por outro lado, no TT foi omitida a conjunção ―pero‖, utilizada no TO com valor de marcador conversacional que reforça a retomada de um assunto.

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Mediante a consulta às páginas do Corpus del Español (DAVIES, 2002-) e do

Corpus do Português (DAVIES; FERREIRA, 2006-), pelo mesmo critério de busca exata por

―volvamos a/voltemos a + [nome próprio (de pessoa)]‖46

, respectivamente em cada uma das duas línguas, observou-se um uso mais recorrente em espanhol, se comparado ao português. Os resultados retornaram 19 ocorrências em espanhol e 2 em português (―Agora, voltemos a Pelé‖ e ―Mas voltemos a José‖). Essa proporcionalidade nos resultados também foi observada pela busca avançada no Google, na Internet. A partir da busca pela estrutura exata de, por exemplo, ―volvamos a Juan‖, em espanhol, e ―voltemos a João‖, em português, a frequência foi de 9.490 e 902 ocorrências, respectivamente. Esses resultados indicam que a estrutura em questão (volver/voltar a + nome próprio de pessoa) é mais recorrente em língua espanhola do que em português e que o tradutor, ao conservar essa estrutura sem explicitar que o convite era para voltar a ―falar‖ de Allende, provavelmente buscou manter o nível de informalidade e a tensão narrativa presentes nesse diálogo.

Exemplo de RAFN(+)

(14) Hice esta afirmación mirando cuidadosamente

sus ojos; la hacía con mala intención (01A)

Fiz essa afirmação fitando cuidadosamente seus

olhos: e a fiz com má intenção (01B)

No exemplo (14), observa-se que o RAFN é dada pelo par ―esta afirmación‖ e ―essa afirmação‖, respectivamente em TO e TT. Independentemente das diferenças dêiticas em ―esta/essa‖, a ser abordadas no próximo capítulo, que estabeleceriam um ponto de maior ou menor proximidade espaço-temporal entre o enunciador e o momento em que a ―afirmação‖ foi feita, no caso de a distância temporal ser determinada em ambas as línguas por meio dos mesmos marcadores e com a mesma carga semântica, chama-se a atenção para os elementos na sentença que modalizam a projeção da fala e que acrescentam uma informação ou valoração.

O fato de fazer a ―afirmação‖ com ―má intenção‖, no TO foi representado como uma ação durativa, em função do uso do Pretérito Imperfeito do Indicativo, que lhe confere o

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Ambos os corpora possibilitam a busca exclusiva por categorias gramaticais específicas, por exemplo, verbo no infinitivo (VR) + nome próprio (NP), ou pela forma exata de um verbo seguida de uma categoria gramatical. Este último foi o critério de busca utilizado para realizar o teste com as estruturas ―volvamos a + NP‖ e ―voltemos a + NP‖.

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aspecto que denota duração ou ação em desenvolvimento47; no TT, para a mesma ação foi empregado o Pretérito Perfeito, dando um caráter conclusivo ou definido num momento do passado. Essa escolha temporal do tradutor, assim como o uso do demonstrativo ―essa‖, amplia a distância entre a ação narrada no texto e o leitor do TT, se comparada ao TO. A opção pelos dois pontos, na tradução do ponto e vírgula do original, também parece dar um caráter mais conclusivo à sentença que se segue, algo que no TO é apresentado como uma especificação ou acréscimo de um detalhe.

A presença discursiva do tradutor enquanto narrador é observada nesse exemplo (14), seja pela explicitação por meio de uma pontuação mais forte, seja pelo emprego de um tempo verbal de caráter mais conclusivo. Essa diferença encontrada na pontuação é importante para o presente trabalho, porque justifica a inclusão desse aspecto na análise, como um dos elementos que será abordado especificamente no Capítulo V, e que integra o procedimento adotado de triangulação dos dados e resultados.

Além desses aspectos, também se percebe a voz do tradutor na escolha lexical por ―fitando‖, de uso provavelmente mais restrito em língua portuguesa, na tradução de ―mirando‖, de uso mais amplo. Essa observação foi corroborada pela busca exata do termo ―fitando‖, no Corpus do Português (DAVIES; FERREIRA, 2006), que registrou um total de 256 ocorrências, correspondendo 52 casos à seção dos textos ficcionais do século XX. No

Corpus del Español (DAVIES, 2002), a busca por ―mirando‖ retornou 5970 ocorrências

totais, das quais 810 foram registradas na seção ficcional, também do século XX.

O próximo exemplo apresenta algumas diferenças na tradução de uma categoria de AP (RAPN), por meio de uma categoria de AF (RAFN).

Exemplo na tradução de RAPN(t)[x] por RAFN(t)[x]

O exemplo (15) introduz uma diferença entre TO e TT, decorrente de uma mudança na transitividade e, consequentemente, na apresentação do discurso. A diferença

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Conforme a definição do Diccionario de Uso del Español de América y España VOX (2005), o Imperfeito de Indicativo é um tempo durativo, que expressa uma ação considerada em seu desenvolvimento ou duração. (15) <RAPN(t)[x]> Muchos se han cuestionado la

existencia de ese Dios bondadoso (02A)

<RAFN(t)[x]> Muitos já questionaram a

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observada reside na escolha do processo ―questionaram‖ (questionar) para a tradução de ―se han cuestionado‖ (questionar-se). No TO, o fato é explicitamente representado como um ato de pensamento, uma vez que se trata de uma indagação ou interrogação feita por um grupo (―Muchos‖) para si mesmo, o que leva a pressupor um questionamento feito na forma de pensamento, como monólogo interior. A presença do pronome reflexivo ―se‖ denota, neste caso, uma ação verbal que recai sobre o sujeito gramatical ―Muchos‖, o que caracteriza a voz média em língua espanhola, conforme já observado neste mesmo capítulo, pois explicitamente o sujeito é afetado pelo processo de ―cuestionarse‖.

No TT, a representação pode ser interpretada, a princípio, de dois modos: como um ato de fala, em que o questionamento realizado por ―Muitos‖ recai sobre algo, o tópico (t), ―a existência desse Deus bondoso‖; ou como um ato de pensamento, em que na ação de questionar estariam implícitos os próprios participantes ―Muitos‖. Nesta segunda possibilidade de análise, o leitor do TT precisaria depreender um conteúdo implícito na sentença. Entre as acepções do processo verbal ―questionar‖, o Dicionário eletrônico Houaiss

da língua portuguesa 3.0 (2009), apresenta a forma ―pronominal‖, que corresponde aqui ao

uso dado no TO, no sentido de ―indagar-se‖ ou ―interrogar-se‖; e a forma ―transitivo direto‖, correspondente ao TT, no sentido de ―pôr em questão‖ ou ―fazer objeção a‖. Então, pode-se concluir que não só ocorre uma implicitação do que estava explícito no original, mas se cria também uma ambiguidade que não está no original, o que parece reforçar temas como a introspecção e dúvida, que podem estar relacionados ao existencialismo.

Na próxima seção, são analisados os resultados obtidos com a AP no corpus de estudo, concentrando a atenção nas (sub)categorias, marcadores e mudanças observadas que se mostraram em proeminência.