MARKET ORIENTATION AS FIRM LEARNING
3.2 CONSIDERING MARKET ORIENTATION AS A STRATEGIC CAPABILITY
3.2.1 The question ofvalue ofmarket orientation as capability
A relação existente entre os seres humanos e as cavernas remete a milhares de anos, quando estas eram os abrigos mais adequados que existiam na superfície da Terra. Com o passar do tempo, a espécie humana foi identificando e criando novas necessidades para a obtenção de seu bem-estar, tendo sempre os recursos naturais como fonte para o seu desenvolvimento. A tônica dessa suposta evolução se deu com a supressão de recursos e a modificação das paisagens naturais.
Desde as civilizações mais antigas, as cavernas são fonte de fascínio e repulsa, servindo de base para mitos e metáforas da evolução humana. Na Alegoria
da Caverna, do livro VII d’ A República do filósofo Platão, o ser humano, a princípio
aprisionado em uma caverna e com visão parcial do mundo externo por uma pequena fresta, somente se liberta de sua condição primitiva ao evoluir por meio do conhecimento filosófico e da educação, ao sair da caverna.
Posteriormente, no Século XVIII, ocorreu a revalorização da natureza, com a busca por paisagens menos modificadas, para fins terapêuticos e visando à renovação psíquica e espiritual (THOMAS, 2001; REJOWSKI et al., 2005). Não tardou para que as cavernas voltassem a ser procuradas pelos seres humanos, por
motivos religiosos e culturais (TRAVASSOS, 2010), para fins de estudo e, a partir do Século XX, para as práticas recreativas.
Se por um lado, a relação entre os seres humanos e as cavernas nos últimos milênios passou por diversas alterações, por outro lado, a dinâmica deste ambiente se processa em escalas temporais mais amplas, que remetem a milhares de anos. Durante todo este tempo, e até algumas décadas atrás, a maioria das mais expressivas cavernas do mundo, que abrigam formas de acentuado valor paisagístico, vestígios arqueológicos e a vida subterrânea, esteve protegida, sujeita apenas à própria dinâmica de desconstrução e reconstrução da paisagem.
Na contemporaneidade, o espeleoturismo se intensificou, no Brasil e no mundo, sujeitando as cavernas a um nível desconhecido de pressão, em função dos aportes de energia e massa gerados pela presença humana. Em algumas cavernas do mundo, o acumulado anual varia entre 500.000 e 1.800.000 visitas, em países como Áustria, Bélgica, China, Geórgia, Índia, Eslovênia e Espanha (CIGNA; BURRI, 2000). No Brasil, esta grandeza é bastante inferior, na casa das 30.000 a 50.000 visitas anuais, em cavernas como a do Maquiné, em Cordisburgo-MG, do Diabo, em Eldorado-SP e do Lago Azul, em Bonito-MS (LOBO et al., 2010a).
Os primeiros trabalhos de manejo de cavernas com base em parâmetros ambientais no Brasil foram realizados em Bonito, Mato Grosso do Sul, para as grutas do Lago Azul, de Nossa Senhora Aparecida, de São Miguel e o abismo Anhumas, entre a última década do século passado e a primeira do século atual (LOBO, 2006a). Especial destaque para os estudos de impactos ambientais realizados em 1999 no Monumento Natural gruta do Lago Azul, que englobaram a caverna homônima e a gruta de Nossa Senhora Aparecida. Trata-se da primeira iniciativa de identificação dos limites diários de uso do ambiente por meio da capacidade de carga em território nacional (SILVA, 2003; BOGGIANI et al, 2007). Na ocasião, foi empregado o método de capacidade de carga em trilhas de Miguel Cifuentes (CIFUENTES-ARIAS, 1992) em caminhamentos de visitação pré- estabelecidos.
Paralelamente, nos anos de 1990 foram desenvolvidas metodologias de capacidade de carga para cavernas com alto grau de fragilidade na Espanha e em outros países, que abrigam pinturas rupestres, minerais instáveis ou espeleotemas raros. Os trabalhos mais representativos foram feitos por: Hoyos et al. (1998), Sánchez-Moral et al. (1999), Calaforra et al. (2003) e Fernándes-Cortés et al.
(2006a). Estes autores utilizaram parâmetros atmosféricos para a determinação da capacidade de carga do ambiente. A ideia geral é encontrar um limite de uso cujos impactos consequentes não excedam as variações naturais do ambiente. Esta concepção resulta em volumes de visitação muito baixos, muitas vezes inviabilizando o espeleoturismo.
Estas duas formas de obter a capacidade de carga se basearam em linhas de problematização diferentes, para chegar a um resultado semelhante. Se em Cifuentes-Arias (1992), a visitação é inicialmente encarada como uma questão de disponibilidade e limitação espacial, em Hoyos et al. (1998) e outros na mesma linha, os limites para a visitação são dados em função da premissa de nenhuma alteração da atmosfera cavernícola. Embora ambos obtenham respostas adequadas aos princípios que adotam, entende-se que tais premissas não são as mais adequadas para a maioria das cavernas – aquelas que não possuem um fator limitante ambiental de extrema fragilidade. Desta forma, a presente pesquisa partiu de um questionamento simples, mas que ainda não obteve uma resposta definitiva para o manejo turístico de cavernas: como obter um limite diário de visitação em ambientes subterrâneos confinados em função de sua dinâmica atmosférica?
Para investigar esta questão, as fragilidades do ambiente continuaram em voga, mas sob outra perspectiva. A presente pesquisa considerou que os impactos do espeleoturismo são inerentes e indissociáveis de suas práticas (CIGNA; FORTI, 1988; CIGNA, 1993; GILLIESON, 1996). Além disso, partiu do pressuposto que o ambiente tolera certos níveis de alteração, considerando seu equilíbrio dinâmico e a sua fragilidade, compreendida como o grau relativo de perturbação, sem alteração definitiva de sua dinâmica natural (WATSON; LOVELOCK, 1983; CIGNA, 1993; ROSS, 1994; MANGIN et al., 1999).
Partindo desta compreensão do tema, foi feito um estudo de monitoramento e perfilagem atmosférica da caverna de Santana, em um intervalo temporal de dois anos, de forma a permitir a compreensão de suas variações naturais e das interferências do uso turístico. De forma complementar, foram feitas análises em amostras de espeleotemas da caverna, visando encontrar parâmetros mais evidentes tanto da dinâmica do ambiente quanto dos impactos da visitação. O presente estudo possui seus limites devidamente definidos, pois enfoca apenas parte dos parâmetros físicos que devem ser observados no manejo espeleológico, sem levar em conta aspectos ligados à biota subterrânea.
Para investigar o problema, foram estabelecidos protocolos de monitoramento atmosférico e de coleta de rochas, bem como de análises estatísticas e gráficas, com base nos trabalhos de Pulido-Bosch et al. (1997), Hoyos et al. (1998), Sánchez- Moral et al. (1999), Cigna (2002a, b) e Fernándes-Cortés et al. (2006a, b, c).
A escolha da caverna de Santana como local da pesquisa se deu por fatores de ordem prática e outros relacionados ao tema pesquisado. Do ponto de vista prático, foram considerados a facilidade de acesso ao local e o histórico de pesquisa já desenvolvido na caverna, tanto pelo autor desta pesquisa (LOBO, 2004, 2005, 2008a, b; LOBO; ZAGO, 2007) quanto por outros pesquisadores (BARBIERI, 1993; KARMANN, 1994; VIANA JR., 2002; SCALEANTE, 2003; CRUZ JR., 2005, entre outros). Sobre o tema pesquisado, a existência de grande volume de visitação na caverna, aliada a sua complexidade ambiental – composta por diversos níveis de galerias e distintos padrões de movimentação de energia e massa –, foram fatores decisivos para sua seleção.
Além do auxílio pontual para o manejo da caverna de Santana, o presente estudo buscou contribuir com o conhecimento sobre o manejo da visitação com base em determinantes ambientais, por meio da ampliação dos estudos espeleoclimáticos no Brasil e da obtenção de um método de capacidade de carga para cavernas ou trechos delas que não apresentem aspectos dominantes de fragilidade ambiental. 1.2. Objetivos
A presente pesquisa foi norteada pelos seguintes objetivos: Objetivo geral:
x Estabelecer parâmetros científicos para os limites de capacidade de carga espeleoturística em função da dinâmica atmosférica de uma caverna.
Objetivos específicos:
x Identificar possíveis impactos ambientais negativos causados pela presença humana no meio físico
x Identificar subsídios para a indicação dos limites aceitáveis de alteração das variáveis espeleoclimáticas em função da visitação turística
x Identificar, testar e validar indicadores ambientais espeleológicos aplicáveis ao manejo espeleoturístico.