RESEARCH METHOD
5.4 CONTROL VARIABLES
A interpretação das análises dos dados tomou por base a pesquisa bibliográfica realizada, sobretudo no que diz respeito ao nexo causal entre as alterações nos padrões de variabilidade temporal e espacial dos dados aferidos e nas possíveis consequências destes impactos no meio físico. Nesse sentido, os trabalhos de Villar et al. (1984a, b), Pulido-Bosch et al. (1997), Hoyos et al. (1998), Sánchez-Martos et al. (1999), Calaforra et al. (2003) e Fernández-Cortés (2006a, b) apresentaram as principais influências metodológicas para as interpretações obtidas. Também foram fundamentais as análises da circulação atmosférica de energia e massa, com base em Cigna (1967, 2004), Racovita (1975), Heaton (1986), Mangin; Andrieux (1988), Bourges et al. (2001), Badino (2004), Stoeva; Stoev (2005), Fernández-Cortés et al. (2006b) e Liñán et al. (2008).
A partir destas primeiras interpretações, foram desenvolvidas as discussões para a identificação de uma metodologia alternativa de controle de visitação, denominada de capacidade de carga espeleoturística. A base utilizada para tanto partiu dos trabalhos de Villar et al. (1984a, b), Cigna; Forti (1988), Cifuentes-Arias (1992), Cigna (1993), Hoyos et al. (1998), Cifuentes-Arias et al. (1999), Sánchez- Moral et al. (1999), Calaforra et al. (2003), Fernández-Cortés et al. (2006a), Boggiani et al. (2007) e Lobo (2005, 2008b).
7. RESULTADOS
7.1. Apresentação
Os resultados das pesquisas de campo são apresentados com vistas ao conhecimento da dinâmica atmosférica subterrânea e os possíveis impactos da visitação. Esta dinâmica e seus processos naturais são o ponto de partida para o estabelecimento de limites de uso dos ambientes subterrâneos, a partir da análise de um sinal de entrada externo ao sistema analisado, a presença humana, e da compreensão dos produtos resultantes desta interferência.
Os dados apresentados correspondem: a) à caracterização do espeleoclima; b) aos perfis espaço-temporais higrotérmicos, de gás carbônico e da pressão atmosférica; c) aos monitoramentos pontuais de concentração de CO2; d) às aferições e inferências de circulação atmosférica, por meio de instrumentos e da posição de espeleotemas; e) à compreensão da dinâmica atmosférica da caverna de Santana; e f) às análises das amostras de espeleotemas coletadas na caverna.
Para melhor organização dos resultados, exposição dos fatos e fenômenos observados, bem como suporte às futuras discussões e conclusões, os dados de monitoramento espeleoclimático serão apresentados, em um primeiro momento, divididos nas duas principais fases da pesquisa, o monitoramento anual e o monitoramento trimestral em detalhe. A exposição dos resultados foi organizada a
partir das zonas termoclimáticas obtidas durante os pré-testes da pesquisa, cujos resultados foram publicados em Lobo et al. (2009a):
x Zona Externa, com uma estação de monitoramento higrotérmico (Externa) e os dados de chuva regional
x Zona Transicional, com duas estações de monitoramento higrotérmico (Boca e Rio I)
x Zona Interna Típica, com duas estações de monitoramento higrotérmico (Rio II e III) acrescidas do monitoramento da temperatura da água do rio Roncador
x Zona de Baixa Amplitude Térmica, com cinco estações de monitoramento higrotérmico (Fafá, Rio Verde, Cristo, Encontro e Escada) acrescidas do monitoramento da temperatura superficial da rocha no salão do Encontro x Zona de Temperatura Estável, com três estações de monitoramento
higrotérmico (Discos, São Paulo e São Jorge).
Cabe ressaltar que tais zonas não são espacialmente precisas, podendo variar principalmente nos trechos de transição. Assim, a sua interpretação literal deve ser tomada com cautela.
Sobre as estações de monitoramento mencionadas nos tópicos acima, cabe ressaltar que algumas delas foram usadas apenas em uma das fases da pesquisa de campo.
A baixa variabilidade hígrica identificada na maioria das estações de monitoramento foi decisiva para o enfoque nos dados de temperatura. Nas séries de temperatura – do ar, da água e da rocha –, foram feitas análises estatísticas básicas e de séries temporais, interpretações visuais de gráficos, bem como análises de frequência de ocorrência de temperaturas específicas. Optou-se pela apresentação simplificada das séries de dados, com duas medidas estatísticas de dispersão – máximas e mínimas – e uma de tendência central – moda –, em função da necessidade de identificação de padrões naturais de variação e possíveis interferência antrópica nas variáveis. Na fase de monitoramento anual, considerando o período e o intervalo adotados para a coleta – 1° de abril de 2009 a 31 de março de 2010, com registros a cada 30 min –, as séries completas são compostas por 17520 dados (8760h) para cada variável ao longo de um ano completo, o que possibilitou cobrir quatro diferentes estações climáticas (verão, outono, inverno e
primavera). No entanto, os diversos problemas apresentados nos instrumentos de medição levaram a uma perda significativa de dados em algumas estações, sendo esta uma das razões para a realização do monitoramento trimestral em escala de detalhe, iniciado no dia 26 de junho de 2010 e encerrado em 30 de setembro de 2010, abrangendo quase todo o período do inverno – que se iniciou em 21 de junho e cujo término se deu em 23 de setembro de 2010.
Nesta terceira é última fase, considerando a diminuição do intervalo de coleta para cada 20 minutos, as séries completas são compostas por 6912 dados (2304h) para cada variável em cada ponto registrado.
Em seguida, são apresentados perfis temporais envolvendo as séries originais de dados e as funções de correlação identificadas, além dos perfis espaço- temporais feitos na caverna de Santana, considerando quatro variáveis: temperatura e umidade relativa do ar, gás carbônico e pressão atmosférica.
Durante a apresentação dos dados das estações monitoradas, especial atenção foi dada para os locais onde aparentemente existe a variação dos atributos espeleoclimáticos em função da presença humana, face à hipótese central desta tese, focada na obtenção de subsídios para a capacidade de carga turística de uma caverna. Para o mesmo fim, posteriormente também foram utilizados os dados de monitoramento de gás carbônico, realizados nos salões Bacon, Cristo e Flores.
Na sequência, são apresentados os resultados das análises físicas em superfície por meio de MEV, nas amostras de espeleotemas, bem como as análises químicas.
Por fim, são apresentados os vetores de dispersão e acúmulo de energia identificados na caverna de Santana, por aferição direta, inferência das correntes de ar e posição de alguns tipos de espeleotemas e pelas análises estatísticas e interpretações dos dados atmosféricos originados no monitoramento espeleoclimático.