MARKET ORIENTATION AS FIRM LEARNING
3.2 CONSIDERING MARKET ORIENTATION AS A STRATEGIC CAPABILITY
3.2.3 The question of imitability of market orientation as a capability
Os espeleotemas são deposições minerais secundárias originadas por processos químicos de dissolução e precipitação, gerados por águas autogênicas, hipogênicas ou halogênicas (HILL; FORTI, 1995; FORTI, 2001). Eles se diferenciam da matriz rochosa, dos veios e intrusões minerais na rocha e da matéria orgânica, muito embora estes elementos primários sejam fundamentais para a sua formação (SELF; HILL, 2003). As algas e plantas que habitam as zonas fóticas de uma caverna orientam os espeleotemas em direção à luz, influenciando em sua formação (KASHIMA et al., 1987; FORTI, 2001), assim como as raízes de plantas, as fezes de animais (FORTI, 2001) e as bactérias (ERCOLE et al., 2001).
Outro agente responsável pela gênese e crescimento de espeleotemas é o intemperismo subterrâneo em ambiente vadoso (Figura 2.2). Sua participação é importante principalmente quando: a) o gradiente térmico é elevado; e b) a água de condensação é relativamente mais agressiva e/ou abundante, em consequência saturação hígrica do ar (CIGNA; FORTI, 1986; PALMER, 2007).
Figura 2.2 – Modelo conceitual ilustrando a relação entre espeleotemas e diversos fatores, dos quais
o gradiente espeleoclimático é substancial para a sua alteração: tufas mais próximas às entradas e estalactites nas zonas mais profundas. O esquema ilustra a diversidade de morfologias, não a
progressão de sua gênese (TABOROSI et al., 2005)
Os espeleotemas podem ser definidos como os modos de ocorrência ou a forma de um depósito mineral secundário em caverna (HILL; FORTI, 1995, 1997). Por sua vez, o mineral de caverna é um sólido homogêneo com uma composição química definida e um arranjo atômico tridimensional ordenado (SELF; HILL, 2003), que cresce naturalmente como um depósito secundário, ou seja, derivado de um mineral primário por meio de uma reação química (FORTI, 2009a). Mais de 250 minerais de caverna já eram descritos até o trabalho de Hill; Forti (1995), chegando próximo aos 300 na atualidade (FORTI, 2009a). Destes, apenas três podem ser considerados comuns: calcita, aragonita e gipsita. A deposição de um espeleotema em aragonita se diferencia da calcita por meio de impurezas de Sr2+, levando a um processo de supersaturação da aragonita e sua posterior deposição. Por sua vez, a gipsita tem sua origem na precipitação do Sulfato de Cálcio (CaSO4), podendo se originar na dissolução do gesso ou por oxidação da Pirita (S2Fe), entre outras origens menos comuns (WHITE, 2009).
Em sua maioria, os espeleotemas são brancos, pela predominância do íon Ca2+ nas formações. Todavia, sua cor pode variar, entre tons de vermelho, marrom, azul, verde e preto, o que ocorre em função de diversos fatores, como a presença de elementos traço na percolação, ácidos orgânicos ou mesmo a espessura das
camadas depositadas (VERHEYDEN, 2005). Além das causas naturais para variação da coloração, também podem ocorrer alterações por influência antropogênica. Chang et al. (2008) identificaram deposições pretas em espeleotemas de cavernas sul-coreanas, originadas pela presença humana.
A classificação dos espeleotemas, tradicionalmente, é feita por meio de dois caminhos distintos: a) pela sua morfologia; b) por sua origem. Ambos apresentam problemas clássicos. Quanto à morfologia, o problema é que espeleotemas distintos, muitas vezes compostos por minerais pertencentes a classes totalmente diferenciadas, são inseridos em um único grupo. Como exemplo, as estalactites, os canudos e as espatites podem gerar confusão, por serem formas semelhantes, mas com origens e composições minerais muitas vezes distintas (HILL; FORTI, 1995).
Quanto à origem, sua dificuldade de classificação ocorre porque em um mesmo espeleotema, podem ser envolvidos diversos processos de formação. A estalactite pode ser mais uma vez usada como exemplo: seu crescimento vertical ocorre pela precipitação de mineral em função do gotejamento – as águas circulantes. Por outro lado, seu espessamento horizontal ocorre por fluxo de capilaridade – as águas de exsudação. Além disso, existe uma grande parte dos espeleotemas em que não se conhece o processo exato de sua origem, o que leva à classificação imprecisa e sem propósito (HILL; FORTI, 1995). No Brasil, esta é uma das formas mais utilizadas de classificação de espeleotemas, a partir de um trabalho de Guimarães (1966), o qual é bastante difundido, por exemplo, em livros didáticos como Domingos; Santos (2000) e na literatura de divulgação espeleológica, como no trabalho de Lino (2001).
Na atualidade, a classificação mais bem aceita por mineralogistas que estudam os minerais de cavernas e espeleotemas é a sua ontogenia, o estudo de cristais individuais e seus agregados como corpos físicos, e não como espécie mineral. Trata-se de um sistema que pode ser usado para explicar tanto o crescimento e desenvolvimento quanto o motivo de existirem diferentes tipos de espeleotemas (SELF; HILL, 2003; SELF, 2004; WHITE, 2009). A Figura 2.4 apresenta alguns exemplos de espeleotemas, já classificados conforme a sua ontogenia.
Figura 2.3 – Alguns espeleotemas em cavernas brasileiras: a) cristal individual de segunda ordem,
tipo esqueleto, em ponta de estalactite na caverna de Santana, em Iporanga-SP; b) cristal agregado de primeira ordem, tipo coralito, na caverna Azuias, em Iporanga-SP; c) cristal agregado de primeira
ordem, tipo coralito, em forma de bolha, na gruta dos Túneis, em Lagoa Santa-MG; d) cristas agregados de primeira ordem, tipo agregados interativos, as helictites no salão Erectus, na caverna
do Diabo, em Eldorado-SP; e) koras, ou agregados, as colunas na gruta do Urubú-Rei, em Bodoquena-MS; e f) combinação entre associação de koras, um conjunto com estalactite,
escorrimentos e flores, no salão das Flores, em Iporanga-SP
Os espeleotemas também têm sido usados com importante fonte de informações pretéritas, sobre o ambiente e o clima. Davis (1999) estudou o pólen e outros microfósseis pleistocênicos na caverna Kartchner, EUA, contribuindo para a
reconstrução paleoambiental local. Fairchild; McMillan (2007) focaram nos espeleotemas como indicadores de períodos de chuvas e estiagem, linha também seguida no Brasil por Cruz Jr. (2003) e Cruz Jr. et al. (2005), com análises que remontam a 116.000 anos, baseadas em dados da caverna de Santana, no estado de São Paulo, e da gruta de Botuverá, em Santa Catarina.
Além do clima pretérito, o espeleoclima atual também pode interferir no crescimento e na morfologia dos espeleotemas. Em alguns casos, os espeleotemas podem ser usados para inferir padrões de circulação atmosférica. Alguns tipos de coralóides são formados a partir da deposição e evaporação de filmes d’água sobre a rocha. Na presença de uma circulação atmosférica constante ou cíclica, a face de um corpo rochoso em contato direto com o fluxo de ar permite aumentar a evaporação da água, com a liberação do CO2 e a deposição de minerais (QUEEN, 1981; PALMER, 2007; SELF, 2009). Buecher (1999) apresentou um estudo conclusivo dos fluxos de ar na caverna Karchner, EUA, com base na posição das pipocas – um tipo de coralóide – nas paredes. Em outro exemplo, Carreño; Urbani (2004) descrevem estalactites inclinadas na zona afótica de uma caverna venezuelana, direcionadas pelo vento; de igual modo, De Waele et al. (2009) apresentam a forma de crescimento de um macrocristal agregado de primeira ordem, de halita (NaCl), em cavernas no deserto do Atacama, Chile, com participação fundamental dos fluxos de ar na inclinação do eixo de crescimento vertical dos cristais sobrepostos. Queen (2009) desenvolveu um estudo sobre a espeleogênese de algumas cavernas das montanhas de Guadalupe, EUA, tecendo conclusões com base na posição e altura das pipocas nas paredes das cavernas.
Por fim, um estudo pioneiro feito por Prelovsek (2009) relaciona as variações sazonais das concentrações de CO2 da atmosfera cavernícola com as taxas de deposição de minerais nos espeleotemas, ampliando fronteiras para estudos futuros sobre o tema.