Segundo a Anvisa (2013),os seguintes dados devem ser avaliados:
“Os testes acima devem ser capazes de revelar resultados claramente “positivos” ou “negativos”, entretanto, alguns dos resultados dos testes acima não podem ser apresentados na forma de “positivo” ou “negativo” sob critérios pré-determinados, portanto são declarados inconclusivos após a aplicação de interpretações estatísticas e interpretação biológica adequada. Em casos inconclusivos ou fracamente positivos pode haver a necessidade da repetição do ensaio, eventualmente com a modificação do protocolo como, por exemplo, o espaçamento dos níveis das concentrações
Compostos que apresentam resultados “positivos” nos testes supracitados são potencialmente agentes carcinogênicos e/ou mutagênicos para seres humanos. Apesar da relação entre exposição a agentes químicos e carcinogênese se encontrar estabelecida em humanos, tem sido difícil a avaliação da transmissão hereditária de alterações provocadas por tais agentes, portanto os testes de genotoxicidade têm sido utilizados, principalmente, para a previsão de potencial carcinogênico.”
Como já descrito anteriormente, os testes padrão são suficientemente bem caracterizado e possuem controlos internos em que a repetição de um ensaio com resultados claramente positivo ou negativo não é justificado. Idealmente, deve ser possível declarar os resultados claramente negativos ou positivo, mas nem sempre é essa a situação que apresenta-se nos ensaios (International Conference on Harmonisation 2011).
Segundo a ICH S2-R1, ensaios comparativos vem demonstrando que os estudos in vitro geram tanto resultados falsos negativo como falsos positivo em relação a previsão de carcinogenicidade em roedores. A bateria de teste de genotoxicidade (in vivo e in vitro) detetam mecanismos que envolvam dano genético direto, portanto esses testes não são ideais para a avaliação de carcigenotoxicidade através de mecanismo não genotóxico. Os testes foram projetados para reduzir a incidência de falsos negativos. Por outro lado, um resultado positivo em qualquer ensaio de genotoxicidade nem sempre significa que o composto teste representa um
risco genotóxico/carcinogênico para humanos (International Conference on Harmonisation 2011).
Embora resultados positivos nos testes in vitro indiquem genotoxicidade intrínseca do composto, os testes in vivo é que determinarão a importância biológica desses sinais na maioria dos casos. Também, porque existem vários mecanismos indiretos de genotoxicidade que são observados acima de determinadas concentrações, dessa forma é possível estabelecer um limiar seguro para classe de fármacos que apresentam tais mecanismos. Nos testes in vitro é importante observar as propriedades intrínsecas das estirpes usadas nos estudos, a fim de descartar as anomalias geradas espontaneamente. O mesmo deve ser observado nos testes in vivo, onde mecanismos podem ser ou não relevantes para o homem (International Conference on Harmonisation 2011).
Os ensaios in vivo são vantajosos por levarem em consideração a absorção, distribuição, e excreção, aspetos que não são considerados nos estudos in vitro mas podem ser potencialmente relevantes para o uso humano. Além disso, o metabolismo tende a ser mais relevante nos testes in vivo que nos testes in vitro (International Conference on Harmonisation 2011).
Nos casos em que exista pequenos aumentos na genotoxicidade aparente nos testes in vivo e in vitro é necessário primeiro avaliar a reprodutibilidade e o significado biológico do teste. Nesses casos, observa-se uma falta de potencial genotóxico, sendo considerado um resultado negativo ou não relevante biologicamente. Não havendo necessidade de testes adicionais (International Conference on Harmonisation 2011).
Resultados positivos no teste de Ames devem ser devidamente avaliados nos testes mutagênicos e carcinogênicos in vivo para avaliar o potencial risco em humanos. Alguns testes in vitro podem gerar resultados falsos positivo que estão mais relacionados com aumento de artefactos em colônias. Tais achados podem acontecer devido a contaminação de culturas com aminoácidos (histidina - Salmonella typhimurium e triptofano - Escherichia coli) ou metabolismos específicos de bactérias (nitrorredutases bacterianas) (International Conference on Harmonisation 2011).
Raisa Sfalsini 2013 Estudos de Genotoxicidade 78
Os testes in vivo possuem a vantagem em relação ais testes in vitro pois avaliam a absorção, distribuição, excreção e metabolismo do fármaco teste em animais, que são potencialmente mais relevantes ao uso humano. Porém resultados in vivo também podem gerar resultados falsos positivo, como exemplo tem-se o aumento de micronúcleos que pode ocorrer sem a administração de qualquer agente genotóxico, ocorrerem devido a perturbações na eritropoiese. Sendo assim, é necessário avaliar os dados de genotoxicidade levando em conta todos os dados toxicológicos e hematológicos encontrados em outros estudos. Como exemplo pode- se citar a procarbazina, hidroquinona uretano e o benzeno que são substâncias genotóxicas, detetadas de forma segura pelos testes de medula óssea para lesões cromossómicas, mas tiveram resultados negativos/fraco/conflituantes em testes in vitro (International Conference on Harmonisation 2011).
Entretanto, há compostos para os quais muitos testes in vivo não fornecem informações adicionais úteis. Estes incluem compostos para os quais os dados sobre toxicocinética ou farmacocinética indicam que não são absorvidos sistemicamente e, por conseguinte, não estão disponíveis para os tecidos alvo. Como exemplos pode-se citar alguns agentes radiofármacos, antiácidos à base de alumínio, alguns compostos administrados por inalação e alguns compostos administrados dermicamente ou por outra via de administração tópica. Nos casos em que a modificação da via de administração não fornece uma exposição suficiente e nenhum ensaio de genotoxicidade adequado está disponível, pode ser apropriado fundamentar a avaliação apenas em testes in vitro. Em alguns casos, a avaliação de efeitos genotóxicos no local de contacto pode ser suficiente, porém tais ensaios ainda não foram utilizados amplamente (International Conference on Harmonisation 2011).
Pode-se realizar estudos adicionais para os compostos que obtiveram resultado negativo nos testes padrão de genotoxicidade, mas demonstraram um aumento no aparecimento de tumores nos testes de carcinogenia e possuem evidências insuficientes para estabelecer um mecanismo não genotóxico. Nesses casos, para elucidar o mecanismo de ação os ensaios adicionais podem incluir testes em condições modificadas para a ativação metabólica in vitro ou indução de tumorigénico in vivo para medição de danos genéticos em órgãos-alvo, tais como
quebra de cadeia de ADN, teste em fígado UDS, ligação covalente ao ADN (32P- postlabelling), indução de mutação em transgeneres ou caracterização molecular de alterações genéticas em genes relacionados ao tumor (International Conference on Harmonisation 2011).
Atualmente já estão disponíveis testes de micronúcleos em cão e macaco, são opções de espécies alternativas para avaliação de metabólitos humanos que não são devidamente evidenciados em roedores mas são formados em cão e macaco (International Conference on Harmonisation 2011)
Raisa Sfalsini 2013 Estudos de Carcinogenicidade 80