A velocidade do vento foi avaliada através das médias calculadas em cada um dos galpões, durante a 4ª, 5ª e 6ª semana de avaliação, no turno da manhã e da tarde (Tabela 18) e através da análise da distribuição espacial, por meio de mapas de isolinhas desenvolvidos com o software Surfer®.
Através das médias, foi possível verificar que os valores de velocidade do vento na 4ª semana, no galpão automatizado foram inferiores aos do galpão tradicional e houve diferença estatística entre as médias (p<0,05).
De acordo com as médias, foi perceptível que na 4ª semana os valores foram muito inferiores aos da 5ª e 6ª semana, nos dois turnos, nos dois galpões.
Através dos mapas de isolinhas e da visualização da distribuição espacial da velocidade do vento ao longo dos galpões fica mais fácil entender o comportamento desta variável, uma vez que as isolinhas sinalizam os pontos de igual valor nos mapas.
Tabela 18 – Teste de médias da velocidade do vento (VV, em m.s-1), na 4ª, 5ª e 6ª semana, em
galpão automatizado e tradicional no turno da manhã e da tarde
Observações Automatizado Velocidade do vento (m.sTradicional -1)
Manhã 4ª semana 1,35 ± A* 1,50 A 5ª semana 2,04 B* 2,89 B 6ª semana 2,59 C* 2,34 C Tarde 4ª semana 0,39 Ans 0,41 A 5ª semana 1,82 B* 2,85 B 6ª semana 2,37 C* 2,80 B
Médias seguidas de ns nas linhas não diferem estatisticamente entre si pelo teste t (p>0,05) e médias seguidas de * nas linhas diferem estatisticamente entre si pelo teste t (p<0,05). Médias seguidas de mesmas letras maiúsculas nas colunas não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p>0,05).
Na Figura 16 estão expostos os mapas de isolinhas da velocidade do vento (m.s-1)
no turno da manhã e da tarde, da 4ª semana, nos dois galpões avaliados.
É possível observar pela intensidade das cores dos mapas, que no turno da tarde a velocidade do vento foi inferior as observadas do turno da manhã, pois no final da tarde a ventilação natural era reduzida drasticamente. Apesar de a velocidade do vento ser menor neste horário, os valores de temperatura do ar tendiam a cair e deixar o ambiente mais favorável ao conforto dos animais, assim os ventiladores do galpão tradicional não foram acionados no momento das coletas neste horário, ficando somente a ventilação natural ou espontânea agindo neste ambiente no momento da coleta de dados.
Devido ao pouco funcionamento dos ventiladores nesta semana, permanecendo quase sempre somente a ação da ventilação natural durante as coletas, é possível observar a distribuição irregular desta variável ao longo dos galpões.
Assim, no turno da tarde, na 4ª semana, os maiores valores das velocidades do vento durante as coletas foram registrados na parte frontal dos galpões, no lado leste, pois estes eram os locais que recebiam mais ventilação natural, uma vez que na parte frontal dos galpões não haviam árvores ou obstáculos, ficando o restante do ambiente prejudicado e sem muita circulação. Silva et al. (2013), em galpões de pressão negativa contendo frangos de corte encontraram os maiores valores de velocidade do vento próximo a entrada de ar do ambiente, onde havia renovação constante do ar e onde foram encontradas as melhores zonas de conforto térmico. Na parte frontal dos galpões, analisados durante este experimento, sempre havia tendência de amontoamento dos animais, possivelmente por este lugar proporcionar melhores condições de conforto térmico aos animais.
Figura 16 – Mapas de isolinhas para o atributo velocidade do vento (m.s-1) em galpões de
frangos de corte, na 4ª semana, no turno da manhã e da tarde
MANHÃ 4ª semana – Automatizado 4ª semana – Tradicional TARDE 4ª semana – Automatizado 4ª semana – Tradicional
Os mapas de isolinhas da velocidade do vento (m.s-1) no turno da manhã e da tarde,
Figura 17 – Mapas de isolinhas para o atributo velocidade do vento (m.s-1) em galpões de
frangos de corte, na 5ª semana, no turno da manhã e da tarde
MANHÃ 5ª semana – Automatizado 5ª semana – Tradicional TARDE 5ª semana – Automatizado 5ª semana – Tradicional
Os mapas do turno da manhã mostraram que os valores da velocidade do vento no galpão tradicional foram mais uniformes nesta semana, pois no mapa do galpão automatizado
existem muitas áreas com concentrações de linhas de contorno fechadas, que mostram que houve grande variação nos valores, ou seja, flutuações grandes nos valores. Dentro dessas linhas de contorno fechadas os valores de velocidade do vento foram maiores, enquanto que nas outras áreas os valores foram menores. Algo semelhante ocorreu com os valores do galpão tradicional no turno da tarde, porém com menor intensidade.
Queiroz (2014) em experimento na mesma região, utilizando galpões com orientação leste-oeste, porém de menor porte, encontrou valores de velocidade do vento na 5ª semana variando de 1,66 a 2,26 m.s-1 no turno da manhã e de 1,60 a 2,25 m.s-1 no turno da
tarde. Os valores encontrados por esta autora foram inferiores ao encontrados nesta avaliação, que chegaram a 3,60 m.s-1 no turno da manhã. Nos galpões avaliados neste experimento as
linhas de ventiladores contavam com 4 aparelhos e a distribuição das linhas no comprimento eram bem próximas, fazendo sempre com que houvesse grande intensidade de ventilação quando os equipamentos eram acionados.
Na Figura 18 estão os mapas de isolinhas da velocidade do vento (m.s-1) no turno
da manhã e da tarde, nos dois galpões avaliados, durante as avaliações da 6ª semana.
Na 6ª semana o funcionamento dos ventiladores do galpão automatizado foi praticamente intermitente, parando pouquíssimas vezes de funcionar, ocorrendo paradas esporádicas somente no começo da manhã (8:00 horas), horário onde os valores de temperatura eram mais amenos e o PSEC registrava condição ideal de IEC. Os ventiladores do galpão tradicional também funcionaram de maneira quase intermitente, porém eles demoravam mais a serem ligados no turno da manhã, sendo acionados somente a partir das 9:00 horas. Assim, nesta semana, as taxas de ventilação foram bem elevadas e semelhantes nos dois galpões.
Medeiros et al. (2005) observaram que o conjunto de variáveis ambientais de temperatura do ar, umidade relativa do ar e velocidade do vento mais recomendado, para frangos adultos destinados ao corte, seria de 26°C, 55% e 1,5 m.s-1, respectivamente. Os valores
de velocidade do vento encontrados neste experimento foram mais elevados que os recomendados por estes autores, porém é necessária essa maior ventilação devido as elevadas temperaturas encontradas na região onde os galpões estão inseridos. Mesmo com elevados valores de ventilação não foi possível controlar de maneira satisfatória a temperatura corporal dos animais, observada através da temperatura retal, como poderá ser visto em seguida, na Tabela 19.
Figura 18 – Mapas de isolinhas para o atributo velocidade do vento (m.s-1) em galpões de
frangos de corte, na 6ª semana, no turno da manhã e da tarde
MANHÃ 6ª semana – Automatizado 6ª semana – Tradicional TARDE 6ª semana – Automatizado 6ª semana – Tradicional