Inicialmente foram observadas as interações dos índices NDVI, TGSI e Albedo no núcleo de desertificação Irauçuba Centro Norte e no FLONA durante os períodos secos e chuvosos, os resultados foram apresentados em um gráfico do tipo radar (Figura 45).
Observa-se que os valores de NDVI apresentaram variações durante o período chuvoso, isso se deu pelo fato da precipitação ter ocorrido de forma a permitir o desenvolvimento da vegetação em ambientes semiáridos, ou seja, bem distribuída, as precipitações registrados no início do período chuvoso em todos os municípios localizados no núcleo de desertificação Irauçuba Centro Norte, provocaram a boa resposta da vegetação, verificado pelo alongamento do NDVI para valores não desertificados (ND) (LAMCHIM et al., 2016).
Figura 45 - NDVI, TGSI e Albedo para o núcleo entre os anos de 2000 a 2008
FS: FINAL SECO; FC: FINAL CHUVOSO; ND: NÃO DESERTIFICADO; D: DESERTIFICADO Fonte: Elaboração Própria
A Figura 45 destaca a sensibilidade do NDVI a precipitação, pois foram observadas mudanças mais acentuadas, especificamente nos anos 2000FC, 2001FC, 2004FC e 2006FC, isso demostra a sensibilidade deste índice a precipitação, não sendo, portanto adequado utilizá-lo individualmente para estudos de áreas desertificadas devido a sua imprecisão para identificação da desertificação (LAMCHIM et al., 2016).
Apesar deste comportamento verificado em alguns períodos chuvosos, observou-se que os períodos 2000FS, 2003FS, 2004FS, 2005FS, 2005FC, 2006FS, 2007FC, 2008FS e 2008FC apresentaram valores de NDVI superiores a 0,3 e inferiores a 0,4, a inserção destes pontos neste escore classifica estes valores de NDVI como de áreas desertificadas (ND) (Tabela 6). Por outro lado, valores situados acima da linha de 0,5 é característico de áreas não desertificadas, estes valores foram corroborados por Lamchim et al. (2016) quando encontraram valores de NDVI inferiores a 0,5 para áreas desertificadas (D) e valores de NDVI superiores 0,5 para áreas não desertificadas.
Portanto os valores de NDVI para o núcleo de desertificação Irauçuba Centro Norte variou mediante precipitação, contudo observando a evolução da vegetação ao longo do tempo, verifica-se que 9 dos 13 períodos analisados foram classificados como desertificados tanto em período seco ou chuvoso, isso é indicativo do baixo potencial de resposta da vegetação em consequência da escassez de chuvas e da pouca cobertura vegetal. Essas características podem ser resultantes da influência das áreas desertificadas sobre as condições do clima local.
Os valores de TGSI para o núcleo de Desertificação Irauçuba Centro Norte mostraram que todos os períodos foram caracterizados de áreas desertificadas (D) apresentando valores superiores 0,00 (Tabela 6). Com exceção dos períodos 2000FC e 2006FC todos os outros períodos foram superiores ao limite máximo de 0,20 proposto por Xião et al. (2006), sendo um indicativo da ocorrência da fração grosseira sobre estas áreas, os menores valores de TGSI foram verificados para os períodos 2000FC e 2006FC que estão associados para os períodos correspondentes a alto NDVI (Figura 45). A elevação do NDVI seguido pela redução do TGSI deve-se ao fato do aumento da cobertura vegetal, proporcionando ao solo, proteção a ação dos processos erosivos (HADEEL et al., 2010).
Portanto o TGSI classificou todos os períodos como sendo de áreas desertificadas (D), apenas dois períodos da série temporal analisada revelou redução do TGSI, no entanto, isso não representa melhoria da textura do solo, pois os valores
enaltecem a presente textura grosseira predominante no núcleo estudado, isso se deve ao fato da ocorrência de sobrepastejo, desmatamento, compactação, redução da infiltração de água do solo, estes fatores associado com práticas insustentáveis de agricultura como queimadas, contribuem para redução da vegetação e permite a intensificação da erosão tanto da água como do vento.
Os valores de albedo para os períodos 2000FC, 2001FC, 2004FC e 2006FC, foram classificados como não desertificados (ND), pois ficaram abaixo de 0,10 limite superior estabelecido por Lamchim et al. (2016) (Tabela 6) para áreas não desertificadas (ND). Estes valores foram encontrados no final do período chuvoso e correspondem as épocas em que foram observados altos valores de NDVI. O aumento da cobertura vegetal acarretou maior capacidade de absorção da radiação solar e diminuição da reflectância do solo devido ao efeito do sombreamento causado pelas plantas (LIU et al., 2017).
Os demais períodos analisados 2000FS, 2003FS, 2004FS, 2005FS, 2005FC, 2006FS, 2007FC, 2008FS e 2008FC, estiveram acima da linha de valor 0,10, que segundo Lamchim et al. (2016) correspondem a áreas desertificadas (D).
Nas Tabelas (10 e 13) observam-se correlações existentes entre o NDVI, TGSI e Albedo no núcleo de desertificação Irauçuba Centro Norte, no final do período chuvoso os valores de albedo foram reduzidos em relação ao NDVI que foram elevados. Correlações negativas entre NDVI e Albedo nos anos 2000FC e 2004FC deve-se ao fato da cobertura vegetal atuar recobrindo o solo, diminuindo a reflectância e causando mudanças nos padrões de energia da superfície terrestre.
Portanto a recuperação da vegetação afeta diretamente as mudanças das condições do meio, constituindo o passo inicial para reverter à desertificação, visto que uma boa cobertura vegetal foi seguida da redução do albedo de superfície, que é importante para melhorar o microclima da área tendo atuação benéfica sobre os efeitos da desertificação (LAMCHIM et al., 2016).
Em relação ao TGSI foram verificados valores de correlação negativa com o NDVI, verificado para os períodos 2000FC, 2004FC e 2006FC, ou seja, o aumento da cobertura vegetal deixou o solo mais protegido a ação dos processos erosivos, embora isso tenha ocorrido, não foi suficiente para causar mudanças na textura do solo, contudo mostrou que a textura da superfície do solo pode ser afetada pela cobertura vegetal.
Em síntese, o NDVI, TGSI e Albedo, foram capazes de produzir valores compatíveis com as áreas desertificadas, pois o comportamento destes é compatível com