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Chapter 6: Conclusions

6.3 Thesis relevance

Mayer et al. (1995) desenvolveram um modelo multidimensional da confiança, no qual são apreciadas dimensões como a disponibilidade de quem confia para confiar, a fidedignidade do depositário da confiança, entre outras; a fidedignidade do depositário da confiança é medida pelas suas características e acções, ou seja, pelas suas capacidades, benevolência e integridade.

Figura 6 - Modelo de Confiança

Fonte: Adaptado de Mayer, Davis e Schoorman (1995) e Felício (2007)

O modelo, como referido anteriormente na Figura, trata-se de um modelo multidimensional que engloba inúmeras dimensões e é composto por seis preposições que reflectem essas dimensões (Mayer et al., 1995, p.716, 720, 722, 726, 728), nomeadamente,

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a) Primeira preposição: “Quanto maior a propensão de quem confia para confiar, maior a confiança no depositário da confiança antes da disponibilidade de informação sobre o depositário da confiança”,

b) Segunda preposição: “Confiança num depositário da confiança será função da capacidade, benevolência, e integridade do depositário da confiança e da propensão do que confia para confiar”,

c) Terceira preposição: “O efeito da integridade na confiança será mais saliente inicialmente antes do desenvolvimento de informação relevante da benevolência”, d) Quarta preposição: “O efeito da benevolência percebida na confiança irá aumentar ao longo do tempo com o desenvolvimento do relacionamento entre as partes”,

e) Quinta preposição: “O tomar de risco num relacionamento é função da confiança e do risco percebido dos comportamentos de confiança”,

f) Sexta preposição: “Os resultados dos comportamentos de confiança irão conduzir à actualização das percepções anteriores da capacidade, benevolência, e integridade do depositário da confiança”.

Mayer et al. (1995) opinam que a fidedignidade do depositário da confiança é declarada pelas características ou acções do mesmo, ou seja, as que se encontram expressas na segunda preposição (isto é, capacidade, benevolência, e integridade). Assim, evidencia-se:

a) Capacidade: trata-se do conjunto de habilidades, competências, e características, que permitem a um indivíduo ter influência num domínio específico,

b) Benevolência: trata-se do grau no qual um indivíduo quer fazer bem para o que confia, pondo de parte qualquer motivação de benefícios egocêntricos,

c) Integridade: trata-se da percepção do que confia sobre a aderência do depositário da confiança a um conjunto de princípios considerados aceitáveis pelo que confia.

Mayer e Davis (1999) referem que a forma como estes factores são agrupados em fidedignidade é idiossincrático, tanto entre indivíduos como entre situações, tal significa que o impacto de cada um dos factores na fidedignidade (subsequentemente na confiança)

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depende da situação/contexto. Foi desenvolvido um conjunto de questões para cada um destes factores (isto é, capacidade, benevolência, e integridade) e para a confiança, como é visível no Quadro seguinte. Mayer e Davis (1999) aplicam uma escala Likert de cinco pontos.

Quadro 7 - Questões para Avaliar a Capacidade, Benevolência, Integridade e Confiança

Variável Questões

Capacidade Esta gestão é bastante competente no desempenho da sua função A gestão é conhecida por ser bem sucedida nas coisas que tenta fazer A gestão tem grande conhecimento acerca do trabalho que é necessário fazer Sinto-me bastante confiante nas capacidades da gestão da nossa empresa A gestão tem capacidades especializadas que podem fazer melhorar o nosso desempenho

A gestão de topo é bem qualificada

Benevolência A gestão interessa-se bastante com o meu bem-estar

As minhas necessidades e aspirações são importantes para a gestão da empresa

Conscientemente a gestão não faria nada que me afectasse A gestão olha realmente para o que é importante para mim A gestão sairia do seu mundo para me ajudar

Integridade A gestão da nossa empresa tem um forte sentido de justiça Nunca necessitei de saber se a gestão manterá a sua palavra A gestão tenta fortemente ser justa nas negociações com outros As acções e os comportamentos de gestão não são muito estáveis Eu gosto dos valores que regem a gestão

Princípios íntegros parecem guiar o comportamento da gestão

Confiança Gostava realmente de ter um boa forma de ter um olho na gestão da empresa Eu estaria disposto a deixar a gestão ter o controlo completo sobre o meu futuro nesta empresa

Se fosse à minha maneira não deixaria a gestão ter nenhuma influência sobre matérias que são importantes para mim

Estaria tranquilo confiando à gestão uma tarefa ou problema crítico para mim mesmo que eu não pudesse controlar as suas acções

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Mayer et al. (1995) opinam que a confiança é definida como a predisposição de um indivíduo para ser vulnerável às acções de outro indivíduo. Este conceito inclui outra dimensão, em que existe separação entre a confiança e os seus resultados (por exemplo, cooperação, partilha informação), e tenta abranger todas as diferentes perspectivas abordadas anteriormente (Mayer e Davis, 1999). Também é importante referir algumas novas considerações ao modelo e à própria confiança, por parte de Schoormann et al. (2007), mas que necessitam de um estudo mais aprofundado, como por exemplo: a confiança não é mútua, nem necessariamente recíproca, ao contrário da confiança das relações de liderança (relação entre líder e subordinado, por exemplo); inclusão de novas direcções no estudo da confiança, p.ex., o papel das emoções e afectos, violações de confiança e reparo de confiança.

A confiança é entendida como sendo um fenómeno complexo e multidimensional. Nesse sentido, o papel das emoções desempenha um elemento chave para determinar como e em que circumstâncias a confiança se torna em desconfiança, segundo Lewis e Weigert (1985). Lewicki et al. (1998) argumentam que a confiança e a desconfiança são dimensões distintas. Schoorman et al. (2007) opinam que, segundo a definição no dicionário Webster a desconfiança é a carência ou escassez de confiança, embora Schoorman et al. (2007) corroboram uma perspectiva diferente e tradicionalista e argumentam que os conceitos de confiança e desconfiança situam-se em pólos opostos no mesmo contínuo tal como opinam McKnight e Chervany (2001).