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No decurso da prática pedagógica, foi fundamental promover uma interação com as famílias, interação esta baseada no respeito, na partilha, na responsabilização, mas, acima de tudo, na valorização das áreas fortes dos educandos. De acordo com Freire (2009), cabe ao professor ser compreensivo e colocar-se no papel das famílias e das suas dificuldades, ou seja, o autor esclarece que “ensinar exige bom senso” (p. 66). No entanto, esta postura não implica uma desresponsabilização dos pais e famílias em relação às atitudes e comportamentos dos filhos; pelo contrário, a escola deverá sempre apelar à participação ativa dos pais no percurso académico dos seus educandos. Por outro lado, o professor deve refletir sobre as razões que subjazem às situações emergentes do quotidiano escolar, agindo, numa fase posterior, como mediador desses mesmos acontecimentos.

Ao longo da semana em que efetuei a observação participante, constatei que a avó de um aluno, que atualmente era a encarregada de educação da criança face à emigração da mãe, havia sido convocada para duas reuniões com a professora cooperante no espaço de apenas quatro dias, devido ao mau comportamento e indisciplina do aluno.

Enquanto assistia ao diálogo entre a professora cooperante e a avó do aluno, em que esta referia que “Já não tenho idade para estas preocupações”; “ Todos os dias são queixas do meu neto”, decidi que comigo teria de ser diferente, não porque eu era melhor ou pior do que a docente, mas por querer que fosse diferente. Comecei por criar com o aluno em questão um diálogo aberto e sincero, dando-lhe oportunidade de me transmitir as suas preocupações, angústias e desejos. Assim, estabelecemos um compromisso de respeito e de dedicação um com o outro (Diário de Bordo, 19 de outubro de 2013).

Deste modo, apercebi-me da importância de criar um relacionamento com as famílias alicerçado no respeito mútuo e na confiança com o intuito de, num futuro profissional, conseguir estabelecer uma correta relação e interação professor-família. Para tal, é fundamental assumir um papel mediador e cooperativo com os encarregados de educação, no qual o elogio e a valorização da criança surgem de forma natural, em detrimento das constantes queixas e reclamações. Além disso, se o professor critica constantemente um educando, afasta o respetivo encarregado de educação, levando-o inclusivamente a desvalorizar a chamada de atenção efetuada pelo professor. É sempre muito mais vantajoso, quando o professor necessita de efetuar um feedback menos auspicioso, iniciar o diálogo pelos aspetos positivos para, posteriormente, abordar as áreas em que o aluno pode melhorar. Só assim será possível construir com as famílias elos de ligação fortes, levando os pais a constatar que os professores valorizam os seus filhos.

Assim, no último dia desta semana, quando a avó perguntou quais eram as queixas que tinha a fazer, não havia qualquer lacuna a apontar ao comportamento do aluno, apenas elogios e feedbacks positivos. A surpresa na cara da avó valeu todo o meu esforço em elogiar e não criticar o aluno, até porque me coloquei na perspetiva desta avó. Será que eu, enquanto pai, gostaria que criticassem constantemente o meu educando pelos mais diversos motivos? Penso que não! (Diário de Bordo, 19 de outubro de 2013).

Um professor que estabeleça uma interação de proximidade, diálogo e confiança com as famílias estará a contribuir para a diminuição da margem de manipulação das crianças, ou seja, quando o aluno tentar justificar aos pais uma ocorrência como consequência de um comportamento do professor ou situação inversa, existe abertura de ambas as partes para dialogarem e esclarecerem possíveis equívocos. Evita-se, assim, que os problemas persistam ou tomem outras proporções completamente desnecessárias, criando um mau clima relacional (Perrenoud, 1993). Do mesmo modo que o professor deve estabelecer uma excelente relação com os seus alunos, não pode olvidar a importância das interações com os pais, dado que o ensino “exige a disponibilidade para o diálogo” (Freire, 2009, p. 135).

Uma investigação recente demonstrou que um número elevado de pais considera que os professores apenas convocam os encarregados de educação para efetuarem reclamações ao nível do comportamento e do aproveitamento escolar negativo dos filhos, ou ainda para solicitarem a compra de novos materiais. Cabe aos docentes romper com este paradigma, criando momentos de partilha de informações, em que seja possível trocar ideias sobre os progressos e dificuldades dos alunos, as estratégias utilizadas, tanto na escola como em casa, para a criança ultrapassar as suas dificuldades.

É também relevante que os pais conheçam e participem na elaboração do Projeto Educativo de Escola (PEE), do Regulamento Interno (RI), inclusive do Projeto Anual de Turma (PAT), pois só assim poderemos apelar à participação das famílias na concretização dos objetivos expressos nos documentos enunciados. Enquanto o docente dá a conhecer a escola, acaba por se inteirar das necessidades e aspetos positivos de cada família.

Importa referir que os principais beneficiários de uma boa relação entre professor-família são os alunos, visto que as crianças sentem as suas aprendizagens, atitudes e comportamentos valorizados por parte dos adultos.

Após algum diálogo com a encarregada de educação, tentei aferir se teria algum tempo disponível para assistir a uma apresentação do filho. Tudo isto porque, aquando da realização de uma tarefa alusiva ao tabagismo e às suas consequências, o aluno referiu que a sua mãe era fumadora, situação que o entristecia. Porém, nesse momento não apresentou o trabalho,

pois coincidiu com um período em que sentia mais a sua falta. De salientar que a mãe acedeu prontamente ao meu pedido e aguardou pelo momento exato para surgir na sala de aula. O aluno ficou completamente surpreendido com a presença da mãe dentro da sala para assistir à sua apresentação, o que o deixou cheio de orgulho do seu trabalho, porquanto a sua mãe era a principal espetadora e estava ali a valorizá-lo. Na minha opinião, o envolvimento dos pais com a realidade escolar dos seus educandos constitui um aspeto fundamental em todas as escolas. Neste caso em concreto, estamos perante uma simbiose perfeita, cujo resultado final é o sucesso escolar daquele aluno (Diário de Bordo, 09 de novembro de 2013).

4.2.4 A Intervenção Pedagógica enquanto resposta à questão de Investigação-Ação.

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