2.1 Outreach
2.1.3 The NCCR applicant profile and success rates
Conforme os registros da entidade executora, a inserção nas atividades produtivas e sua relação com as demais esferas da vida social é condição indispensável para a inclusão social por intermédio do trabalho no âmbito da Incubadora Feminina. E isso parece ensaiar um rompimento, pelo menos em termos de concepção, com o corriqueiro reducionismo economicista do conceito de inserção
social. Isto posto, é necessário entender as intenções e a forma como se dá o
processo de incubação.
O processo está dividido em três estágios:
¾ Estágio I: nos três primeiros meses de incubação as mulheres
recebem, de forma intensiva, alimentação balanceada, acompanhamento nutricional e controle do peso, oficinas sobre cidadania, gênero, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, importância da alimentação equilibrada e hábitos alimentares saudáveis, higiene pessoal, do ambiente e dos alimentos, além de noções de socioeconomia solidária e gestão empreendedora, capacitação profissional, atendimento médico, assistência psicológica para recuperarem a auto-estima e recompor suas vidas. Neste estágio, os filhos das mulheres incubadas são encaminhados para as escolas e/ou creches do bairro.
¾ Estágio II: Neste momento são priorizadas as seguintes
atividades: atividade produtiva no Ateliê da Incubadora com direito a 50% das vendas realizadas, atividade no Laboratório de Agricultura Urbana, onde aprendem a desenvolver seus componentes que futuramente serão aplicados nos quintais de suas residências. Elaboração de uma estratégia econômica que garanta a sustentabilidade econômica fora da Incubadora.
¾ Estágio III: Concluído o período de seis meses, termina o
processo de incubação. Cada mulher poderá acessar o Banco Palmas para pôr em prática o seu plano de negócios, engajando-se em alguns projetos produtivos do Banco, procurar o Balcão de Empregos e Serviços Solidários que também representa uma alternativa para esse público e implantar o projeto de agricultura urbana em suas casas. Todas as mulheres receberão acompanhamento técnico, por mais seis meses (Cartilha Incubadora Feminina – Vol II da Série Banco Palmas, uma prática de socioeconomia solidária, 2001).
De acordo com informações da coordenação do Projeto, já anteriormente citadas, os grupos produtivos ou empreendimentos econômicos solidários (EES) são formados de acordo com a aptidão das mulheres (identificadas durante as Oficinas Técnico-Pedagógicas), com o destaque que durante os seis meses de incubação elas têm acesso ao atendimento de suas necessidades básicas de saúde e
alimentação, até mesmo porque a segurança alimentar é também um de seus focos.
Ao final do processo, o Banco Palmas disponibiliza apoio técnico e financeiro, bem como o acesso à rede de parceiros, que é fundamental, seja para formação e/ou fortalecimento de empreendimentos individuais ou coletivos. Para a Assistente da IF, os empreendimentos que existem dentro da Associação representam, na prática, a possibilidade de inclusão.
A gente mostra os exemplos pra elas... porque aqui nós temos grupos de jovens e de mulheres que também estavam na mesma situação delas, mas que acreditaram e que está dando certo. Por isso que é importante o galpão de produção estar ali do lado. A Palmalimpe estar ali do lado; a Palmart também. Então dessa maneira a gente consegue fazer com que elas entendam que elas também são capazes. (Assistente da Incubadora Feminina).
Na última fase da incubação as mulheres são orientadas a dar prioridade à produção de roupas para a grife popular – a PalmaFashion - como estratégia para aumentar a comercialização dos produtos, podendo também optar por se integrar aos demais grupos, a saber: PalmArt – que produz peças artesanais diversas, especialmente em “fuxico” e crochê; Palmas Limpeza de Ambientes, grupo recém constituído que presta serviços de limpeza (faxina, lavagem de roupas etc.); o
Palmoricó41 –grupo ligado a atividades agropecuárias, no caso, a criação de aves; ou ainda, a Palma Natus, que manipula ervas medicinais e produz xaropes, sabonetes, xampus, entre outros produtos.
Segundo as orientações da equipe de coordenação da Incubadora Feminina, os produtos feitos pelas mulheres são comercializados com o apoio da ASMOCONP/Banco Palmas nas Feiras Solidárias que ocorrem quinzenalmente, aos sábados, na sede da Associação de Moradores, na Loja Solidária – Central Palmas
de Comercialização, que funciona permanentemente no mesmo local e nos diversos
eventos que ocorrem fora da comunidade.
Os recursos arrecadados com as vendas são divididos de forma
igualitária: a metade vai para a mulher que produziu e o restante é destinado à
manutenção da Incubadora, com a perspectiva de que, em longo prazo, o Projeto
41 Este grupo setorial integra as ações desenvolvidas através do Laboratório de Agricultura Urbana, que se localiza na sede da ASMOCONP. Lá as pessoas aprendem o manejo com a
agricultura orgânica na produção de hortaliças, frutas, plantas medicinais etc, bem como a criação de aves. Ao final da capacitação, recebem um microcrédito do Banco Palmas para que possam desenvolver nos quintais de suas residências o que aprenderam.
possa adquirir auto-sustentação. Todavia, no que se refere à inserção produtiva, observei que a sustentabilidade econômica dos empreendimentos é frágil e que os impactos em termos de geração de renda são mínimos.
A maioria das mulheres que passa pela Incubadora é sensibilizada para a formação de grupos, uma vez que a sobrevivência dos empreendimentos, bem como a troca de experiências, fortalece as iniciativas. A solidariedade, nesse aspecto, se constitui numa premissa básica para a sobrevivência dos empreendimentos
econômicos solidários.
A gente trabalha a questão do cooperativismo, da solidariedade... da economia solidária... que sozinha, taí o que está acontecendo com o individualismo: a exclusão! E a gente resgata muito aqui essa noção de solidariedade; que é possível trabalhar em equipe e que é mais viável e que duas juntas não quebra tão fácil, se for dez, se for vinte, a gente consegue fazer com que os problemas não sejam tão grandes. (Assistente da Incubadora Feminina).
Ainda de acordo com a fala da assistente da IF, foi iniciado o processo de acompanhamento pós-incubação, realizado através de visitas às residências das mulheres egressas.
A gente fez um levantamento de como era que estava a situação delas. A gente tentou identificar através de informações, através de visitas, como estavam realmente; porque isso é importante pra gente também. Até mesmo pra os projetos futuros que serão financiados a gente precisa ter essa noção. E aí a gente identificou um grande número de pessoas que já estão ocupadas, trabalhando. Ou de forma formal ou de forma informal. Essa foi a primeira vez que a gente tentou fazer esse resgate de como é que elas estão e o que estão fazendo. Então, muitas estão cuidando dos filhos, algumas estão trabalhando de costureira, e muitas estão na área de limpeza em ambientes. Tem também umas que estão trabalhando na área de artesanato e alimentação. Elas produzem e vendem na Feira, que acontece de quinze em quinze dias. (...) Tem algumas delas que estão aqui na Palmafashion; umas quatro ou cinco na Palmart... e sete na Palmas Limpeza de Ambientes (Assistente da Incubadora Feminina).
Foi destacado também que a realização desse trabalho só é possível pela ampla rede de parceiros e financiadores que foi estabelecida ao longo dos cinco anos de existência do Projeto.42 As principais parcerias são com o poder público, universidades e a sociedade civil: a) Prefeitura Municipal de Fortaleza, por meio da
42 Até o momento, o número de mulheres atendidas pelo projeto foi de, aproximadamente, 70
Fundação da Criança e da Família Cidadã (FUNCI)43; b) Núcleo de Pesquisa sobre
Gênero, Idade e Família da UFC (NEGIF); c) Comunidade Ecumênica de Serviços (CESE/Bahia); d) Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE); e) Agência de Desenvolvimento Solidário da CUT (ADS), entre outras entidades da Cooperação Internacional, como OXFAM e DED.
A visão de futuro da entidade é expandir a Incubadora, ampliando o número de vagas ofertadas, possibilitando que um número maior de mulheres possa passar pela incubação.
A gente poderia trabalhar com uma turma pela manhã e outra de tarde... Já pensou como seria interessante a gente trabalhar assim... porque mulher é o que não falta, não é verdade? E em situação de risco pessoal e social também, em comunidades como a nossa. (...) Então a gente espera expandir esse curso e que a gente possa atender mais mulheres... Se em cada local, além dos projetos do Governo, fizesse uma estratégia como essa, de pegar mulheres em situação de “risco total” e incluir elas, seria uma melhoria para a sociedade em todos os aspectos, porque aí você está melhorando a família, e se melhorar a família, melhora praticamente tudo. (Assistente da Incubadora Feminina).
43 Segundo informações do Coordenador do Banco Palmas, Joaquim de Melo Segundo, em
entrevista realizada dia 19 de março de 2005, atualmente, este financiamento é de R$1.600,00 (hum mil e seiscentos reais) mensais, que são destinados à alimentação das mulheres.
2.2. Porque falei de Flores – Relatos de Vida das Mulheres Egressas da