5. Results and Discussions
5.1 The most influential factors of labour productivity
Cerca de um ano depois do emblemático artigo de Betty de Oliveira, o Pastor Ebenézer Gomes Cavalcânti (1911-1979), um líder respeitado na Convenção Brasileira, publicou artigo em O Jornal Batista com o título Antonio Teixeira de Albuquerque até 1886, onde escreveu:
Os quatro missionários pioneiros [Bagby e Taylor] pertenceram à Igreja Batista de Santa Bárbara, que fora organizada em 10-9-1871, na província de S. Paulo, efetivamente a primeira do Brasil, se adotarmos o critério denominacional e não o frágil critério puramente nacional. A ela não pertencera Antonio Teixeira de Albuquerque, e sim à Segunda
Igreja Batista no Brasil, conhecida como a Igreja da Station, ou
melhor: “o TEIXEIRA foi membro da Igreja da Estação de Sta. Bárbara”, também em S. Paulo, como consta da retificação da primeira ata (sessão de 10-5-1883). Aquela segunda igreja fora organizada em janeiro de 1879. Aquelas igrejas merecerão, oportunamente, um estudo à parte, inclusive para que se desfaça um dos nossos piores equívocos
históricos. 145 [grifos meus].
Cavalcânti declarou que considerar a igreja de Salvador, BA, como a primeira igreja do Brasil era na verdade “um dos nossos piores equívocos históricos”. Embora revele sua simpatia pela tese “1871, Santa Bárbara”, Cavalcânti, notavelmente, não fez referência ao artigo de Betty de Oliveira que havia sido publicado no ano anterior.
No entanto, o artigo de Cavalcânti fez Reis Pereira se movimentar. Alguns meses depois, mas já em 1968, Reis Pereira apresentou sua tese sobre o marco inicial batista como proposta na assembléia da Convenção Brasileira em Fortaleza, CE, com a finalidade de estabelecer definitivamente “a data exata da comemoração de nosso primeiro centenário”. 146 A proposta 147 foi encaminhada à Comissão de Assuntos
Eventuais nos seguintes termos:
De quando em quando surgem entre os batistas brasileiros interrogações a respeito de qual seja, realmente a data e o local exato do início da obra batista brasileira. Seria 1871, em Santa Bárbara, São Paulo? Ou 1882, em Salvador, Bahia?
144 OLIVEIRA, Betty Antunes de. Entrevista concedida a Alberto Kenji Yamabuchi. Tijuca, RJ. 18 dez. 2007. 16h30m.
145 CAVALCÂNTI, Ebenézer. Antonio Teixeira de Albuquerque até 1886. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 29 nov. 1967, p. 5-6.
146 PEREIRA, J. dos Reis. A data do centenário. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 10 mar. 1968, p. 3. 147 Id. p. 3.
Como nos aproximamos de nosso primeiro centenário e para evitar estudos e decisões de última hora, como aconteceu recentemente, aos irmãos metodis tas brasileiros, na véspera das comemorações de seu centenário, fazemos uma proposta sobre a matéria, atendendo às seguintes razões:
1. O primeiro missionário batista que trabalhou no Brasil foi T. J. Bowen, em 1859, mas ninguém sugeriu qualquer comemoração centenária relacionada com essa data que, aliás, passou despercebida para os batistas brasileiros. É que o trabalho de Bowen durou pouco e não produziu frutos, que se saiba.
2. A Igreja fundada em Santa Bárbara pelos colonos norte-americanos ali estabelecidos após a Guerra da Secessão, era uma Igreja de língua inglesa, destinada a servir exclusivamente aos colonos. 148 3. Essa Igreja, bem como outra por ela organizada com os mesmos
fins, em 1879, no local denominado Estação, desapareceu, sem deixar traço, de tal modo que não se pode determinar hoje o lugar em que ela se reunia.
4. Essa Igreja não visava a evangelização dos brasileiros, embora tivesse visão missionária, visto que escreveu à Junta de Richmond solicitando-lhe o envio de missionários para iniciarem trabalho batista entre brasileiros. Detidos pela barreira da língua e entregues aos seus trabalhos agrícolas, aqueles irmãos não encontram recursos para evangelizar a circunvizinhança.
5. O fato de Antonio Teixeira de Albuquerque ter sido batizado em Santa Bárbara não infirma a declaração anterior porque foi um acontecimento isolado, de iniciativa do batizando e sobre o qual não temos informações exatas.
Propomos, portanto:
a) que a data de 15 de outubro de 1882, quando foi fundada pelos Missionários William e Ana Bagby, Zacarias e Kate Taylor e pelo ex-padre A. Teixeira de Albuquerque a Primeira Igreja Batista da Bahia, seja considerada, oficialmente, a data do início da obra batista brasileira;
b) que essa decisão seja submetida a segunda votação na Convenção de 1969, o que permitirá aos estudiosos apresentar e publicar quaisquer objeções durante o corrente ano;
c) que essas possíveis objeções sejam estudadas por uma Comissão a ser designada pelos Corpos Docentes dos três Seminários da Convenção.
A proposta de Reis Pereira “foi unanimemente aprovada”, 149 mas a sua homologação ficou para 1969, na assembléia da Convenção Brasileira em Niterói, RJ. 150 O propósito foi o de conceder o prazo de um ano para que toda e qualquer objeção à proposta de Reis Pereira pudesse ser estudada pela Comissão eleita pela assembléia de 1968.
148 Léonard observou que os batistas, presbiterianos e metodistas , colonos norte-americanos de Santa Bárbara, não se interessavam em atrair para suas igrejas os brasileiros, “no que aliás imitavam os membros de todas as colônias estrangeiras”. LÉONARD, Émile -Guillaume. O protestantismo
brasileiro: estudo de eclesiologia e de história social. Trad. de Linneu de Camargo Schützer. 2ª.
edição. Rio de Janeiro/São Paulo: JUERP/ASTE, 1981, p. 75.
149 PEREIRA, J. dos Reis. História dos batistas no Brasil (1882-1982). p. 309.
150 Ata da Nona Sessão realizada no dia 27 jan. 1969 no templo da Primeira Igreja Batista de Niterói, RJ. CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA. Anais, 1969, p. 21, 41-42.
Fortalecido com a decisão da assembléia da Convenção Brasileira em 1968 e antes mesmo de ver sua proposta homologada, Reis Pereira escreveu, em 13 de Outubro daquele ano, outro artigo alusivo à posição oficial sobre o marco inicial batista, sob o título No Dia Batista do Brasil: homenagem à mulher pioneira, 151
(nesse artigo, ele destacou a importância da mulher batista na evangelização do país). Na assembléia da Convenção Brasileira em 1969, Reis Pereira informo u que “não houve qualquer objeção durante o ano [1968]” 152 e, assim, sua proposta foi novamente submetida e aprovada em sessão. Todo o processo para definir a data do marco inicial do trabalho batista brasileiro naquelas assembléias da Convenção Brasileira revelou o espírito democrático dos batistas, mas houve um fato, no mínimo curioso: o relator da Comissão que estudaria as objeções à proposta de Reis Pereira foi o próprio Reis Pereira. 153
Em 1970, Reis Pereira, através de O Jornal Batista, reforçou sua proposta e também a posição oficial ao escrever no seu Editorial 154 de Março, que sua expectativa para 1982, o ano do centenário, era dos batistas brasileiros ultrapassarem a casa de um milhão de membros. Em Setembro, escreveu: O Dia Batista do Brasil
155 e 15 de Outubro, Dia Batista do Brasil. 156 E no mês de Outubro publicou, em O
Jornal Batista, Em 15 de Outubro os Batistas brasileiros fazem 88 anos. 157 11. 1971: Um Centenário que não foi Centenário.
Mas, em 1971, Cavalcânti voltou a tratar, de forma polêmica, o assunto a respeito do marco inicial do trabalho batista no Brasil. Fez publicar seu artigo Um Centenário Batista no Brasil em O Jornal Batista, em 12 de Setembro, o que seria, portanto, a edição daquele pretendido centésimo aniversário dos batistas de Santa Bárbara e do Brasil. Desta vez, Cavalcânti citou o artigo de Betty Antunes de
151 PEREIRA, J. dos Reis. No Dia Batista do Brasil: homenagem à mulher pioneira. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 13 out. 1968, p. 1.
152 PEREIRA, J. dos Reis. História dos batistas no Brasil (1882-1982). p. 309. 153 SANTOS, Marcelo. Op. cit. p. 59.
154 PEREIRA, J. dos Reis. Editorial. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 1 mar. 1970, p. 3.
155 PEREIRA, J. dos Reis. O Dia Batista do Brasil. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 13 set. 1970, p. 3. 156 PEREIRA, J. dos Reis. 15 de Outubro, Dia Batista do Brasil. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 27 set. 1970, p. 1.
157 PEREIRA. J. dos Reis. Em 15 de Outubro os Batistas brasileiros fazem 88 anos. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 11 out. 1970, p. 1.
Oliveira e criticou duramente todo o processo que elegeu “1882, Salvador, BA” como a posição oficial da Convenção Brasileira:
Não compreendo o desprezo a que os batistas relegam sua própria História, que se reconstitui sob o império de leis e não à base de sentimentalismo. Afinal, que igreja brasileira foi essa, a de 1882, na Bahia, constituída por quatro norte-americanos e um brasileiro?
[...] História não se faz por decreto, senão que resulta da pesquisa
dos fatos.
[...] Quando morrerem todos os patriotas nacionalistas, brasileiros e norte-americanos, se eu sobreviver a eles, proporei à Convenção Batista Brasileira que RETIFIQUE o lamentável equívoco de apagar mais de dez anos de História Batista no Brasil.
[...] Não foi ela [Igreja Batista de Santa Bárbara] a primeira a ser organizada no Brasil (não só no solo, mas na Nação, sob as leis do Império do Brasil), e não é verdade que isto ocorreu no dia 10 de setembro de 1871? E então? Voltemos ao berço, se somos historiadores e não meros historiógrafos. 158 [grifo meu].
A reação de Reis Pereira se deu na mesma edição, quando em nota da redação, 159 ao
final do artigo de Cavalcânti, prometeu réplica para o próximo número de O Jornal Batista, com explicações sobre os motivos que levaram a Convenção Brasileira aprovar a posição “1882, Salvador, BA”. A urgência se justificava: 1971 seria o ano do centenário dos batistas brasileiros para os defensores da posição insurgente.
Na edição seguinte, 160 Reis Pereira respondeu ao questionamento de Cavalcânti e também criticou o fato da objeção ser apresentada fora do tempo, vez que havia sido oferecido o prazo de um ano para as contestações, antes da homologação da proposta em 1969 pela assembléia da Convenção Brasileira.
Em 3 de Outubro de 1971, O Jornal Batista publicou, em primeira página, a cobertura do centenário da Igreja Batista em Santa Bárbara, sob a responsabilidade do Pastor João Falcão Sobrinho. Mas sua reportagem trouxe a seguinte informação:
Embora os batistas brasileiros reconheçam 15 de outubro de 1882, data da organização da primeira igreja batista brasileira, na Bahia, como a data batista do Brasil, rendemos nossa profunda homenagem àquele
punhado de desbravadores que no dia 10 de setembro de 1871, há um século, fundaram uma igreja batista em solo brasileiro, que foi a semente, o instrumento de Deus para o início dessa epopéia missionária de que, por Sua misericórdia, todos somos participantes.
Foi, pois, com a alma enternecida pela gratidão e o coração reverente de saudade e respeito, que participamos da celebração do centenário da
158 CAVALCÂNTI, Ebenézer. Um centenário batista no Brasil. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 12 set. 1971, p. 4-5.
159 PEREIRA, J. dos Reis. Nota da redação. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 12 set. 1971, p. 5. 160 PEREIRA, J. dos Reis. O centenário do início do trabalho batista no Brasil. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 19 set. 1971, p. 5.
organização da primeira igreja batista em solo brasileiro, na bela sexta- feira, 10 de setembro de 1971. 161 [grifo meu].
Certamente, mais um artigo problemático para a posição oficial, ou pelo menos para Reis Pereira. Providencialmente, o editor de O Jornal Batista inseriu um box 162 na primeira página da mesma edição de 3 de Outubro, onde destacou o dia 15 de Outubro com o Dia Batista do Brasil, conforme aprovado pela Convenção Brasileira.
Ainda no mês de Outubro de 1971, o mês do “Dia Batista do Brasil”, Reis Pereira investiu forte no O Jornal Batista. Publicou no dia 10 de Outubro o artigo Como Celebrar o Dia Batista do Brasil 163 na primeira página. Depois, no dia 15 de Outubro ele publicou três artigos: O Dia Batista do Brasil – homenagem aos fundadores, Há 90 anos foi fundada a Primeira Igreja Batista Brasileira e Em 90 anos: 2500 Igrejas. Aparentemente, as manifestações favoráveis à tese de Betty de Oliveira, através dos artigos de Cavalcânti e de Falcão Sobrinho estavam incomodando o editor de O Jornal Batista quanto à celebração do centenário batista em 1982.
Ainda em 1971, outro texto surgiu para dar força ao debate: foi publicado um opúsculo de Ruth Ferreira Mathews sobre a vida de Anne Bagby, através da União Feminina Missionária da Convenção Brasileira. Em sua obra, Ruth Mathews, à semelhança de Betty de Oliveira, pareceu desafiar a posição oficial, embora sua colocação não refletisse o pensame nto geral das mulheres batistas, como se verificará depois. Ao descrever a situação dos norte-americanos em Santa Bárbara, antes da chegada dos Bagby ao Brasil, Ruth Mathews escreveu:
Nessa colônia [Santa Bárbara] havia muitos crentes e entre eles um bom número de batistas. Estes se reuniram e, em 10 de setembro de 1871,
organizaram a 1ª. Igreja Batista do Brasil. Os cultos dessa igreja e
todo o seu trabalho eram realizados em língua inglesa e se restringia às famílias da colônia. 164 [grifo meu].
161 FALCÃO SOBRINHO, João. Um século depois. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 3 out. 1971, p. 1-2.
162 PEREIRA, J. dos Reis. 15 de Outubro: Dia Batista do Brasil. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 3 out. 1971, p. 1.
163 PEREIRA, J. dos Reis. Como celebrar o dia batista do Brasil. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 10 out. 1971, p. 1.
164 MATHEWS, Ruth Ferreira. Ana Bagby, a pioneira. Rio de Janeiro: União Feminina Missionária, 1972, p. 14.
Ruth Mathews era pesquisadora respeitada entre os batistas, porque já havia escrito a biografia do missionário norte-americano Lewis Malen Bratcher, 165 a pedido da Junta de Missões Nacionais em 1967 e publicada pela editora oficial da Convenção Brasileira, a Casa Publicadora Batista. Parece que o alcance de seu pequeno livro (com 35 páginas) ficou restrito ao círculo das mulheres batistas, membros da União Feminina Missionária da Convenção Brasileira, mas, considerando o contexto do debate, era mais uma voz paradoxal que fazia coro junto àqueles que defendiam a posição insurgente.
Além disso, em 1971, os batistas paulistas também se levantaram contra a posição oficial. O periódico Batista Paulistano, que por alguma razão não foi publicado no final do ano de 1971, reve lou no artigo 1971 e 1972 certa indignação pelo curso que levou o marco inicial batista para fora do Estado de São Paulo:
Este número é uma espécie de dupla face, pois é o último de 1971 e também o primeiro de 1972, de maneira que trataremos de assuntos acontecidos e por acontecer.
Do ano que se finda destacamos um fato que para os batistas e, especialmente os paulistas, foi de grande significado e que denominamos de UM CENTENÁRIO QUE NÃO FOI CENTENÁRIO.
Este ano os batistas brasileiros deveriam ter comemo rado o seu primeiro centenário, particularmente no Estado de São Paulo, berço de marcantes fatos na história brasileira.
[...] É um centenário que não foi comemorado como tal, cujas razões não desejo discutir, mas fica, pelo menos neste editorial, no jornal dos batistas do Estado de São Paulo, o registro do grande acontecimento, que embora venha a ser comemorado em época posterior e com origem em outro Estado, a nossa história registrará que em pequenina cidade, no
Estado de São Paulo teve início o Trabalho Batista no Brasil. 166
[grifo meu].
De qualquer modo, o ano de 1971 findou e com ele também qualquer outra possibilidade de ressuscitar a posição insurgente. Reis Pereira pôde, então, se organizar para preparar a celebração do centenário batista brasileiro para o ano de 1982.
Na assembléia da Convenção Brasileira em 1970, em Salvador, BA, já havia sido aprovada a formação de um Grupo de Trabalho, com o fim específico de elaborar o Plano Decenal da Convenção Brasileira, ou seja, um plano de desenvolvimento e crescimento da Denominação. 167 Todos os setores da Convenção
165 MATHEWS, Ruth Ferreira. O apóstolo do sertão. Rio de Janeiro: Junta de Missões Mundiais e Casa Publicadora Batista, 1967.
166 LOPES, Orivaldo Pimentel. 1971 e 1972. Batista Paulistano. São Paulo, jan./fev. 1972, p. 2. 167 CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA, Anais, 1970, p. 72.
Brasileira, bem como suas igrejas filiadas, deveriam atender às orientações do referido Plano, e, através do cumprimento de metas específicas e determinadas, contribuiriam para a projeção dos batistas em âmbito nacional. O foco do Plano Decenal era o centenário em 1982. A verificação do cumprimento das metas seria feita a cada biênio, a partir do ano de 1971.
No entanto, em 1971, a Junta Executiva da Convenção Brasileira resolveu preparar um Plano Integrado para as comemorações do centenário batista brasileiro em 1982. Esse Plano deu origem ao Plano Integrado para o Decênio do Centenário, que foi apresentado à assembléia da Convenção Brasileira em 1973, com o nome de Programa Integrado de Missões e Evangelização – PROIME. 168 O Programa atendia a ideologia missionária da Convenção Brasileira e estabeleceu os seguintes alvos a serem atingidos no ano de 1982, ano do centenário: 6.600 igrejas batistas, 1 milhão de membros, 120 missionários no exterior, 550 missionários nacionais, 3.000 alunos nos Seminários, tiragem de 60.000 exemplares de O Jornal Batista, 3.000 igrejas com pastores com dedicação integral e a publicação de uma nova História dos Batistas Brasileiros. Desses alvos, em 1982, só a publicação da história dos batistas foi alcançada. O autor da obra foi o Pastor José dos Reis Pereira.
Na mesma assembléia em que foi apresentado o PROIME, em clima festivo, a Primeira Igreja Batista da Bahia comunicou à Convenção Brasileira que havia mudado o seu nome para Primeira Igreja Batista do Brasil. 169 A partir de então, conforme observa Santos,
O Centenário passa a ser o centro da vida batista brasileira [...]. Em todos os setores da vida denominacional há grandes expectativas e muita euforia com relação às comemorações do Centenário. 170
Desse modo, a posição “1871, Santa Bárbara, SP”, estava fadada ao esquecimento. Em 1972, Reis Pereira publicou, através da Junta de Educação Religiosa e Publicações – JUERP, sua Breve História dos Batistas (que alcançou três edições e uma reedição especial em 2001), onde, mais uma vez, mas agora alcançando diretamente a academia batista, afirmou:
Assim, pois, com cinco membros fundadores, em 15 de outubro de 1882, foi organizada a Primeira Igreja Batista da Bahia e primeira igreja
batista brasileira. 171 [grifo meu].
168 CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA, Anais, 1973, p. 44-60, 335.
169 AMARAL, Othon Ávila. Jornal do secretário. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 18 fev. 1973, p. 1. 170 SANTOS, Marcelo. Op. cit. p. 64.
Colaborador direto de Reis Pereira em O Jornal Batista, Othon Ávila Amaral, também historiador, adotou, em 1975, uma posição curiosa quanto ao assunto:
Admitimos, inclusive reconsiderando posição anterior, que o Pastor Robert Porter Thomaz, bisavô de nossa Betty Antunes de Oliveira, tenha sido realmente o batizador do primeiro batista brasileiro [o ex-padre Antônio Teixeira de Albuquerque]. O primeiro pastor e batista brasileiro pertenceu a três igrejas batis tas: 1 – Igreja Batista da Estação, na Colônia de Santa Bárbara, organizada no dia 5 (domingo) de Janeiro de 1879; 2 – Primeira Igreja Batista do Brasil, organizada no dia 15 de Outubro de 1882 e, 3 – Igreja Batista de Maceió, organizada no dia 17 de Maio de 1885. Foi, aliás, o primeiro Pastor desta última. 172
Amaral admitiu que a Igreja da Estação teve em seu rol de membros um brasileiro, e essa foi a mesma situação da igreja fundada em Salvador, cuja filiação de Albuquerque justificava a última como a primeira igreja nacional.
Em um artigo de autoria de Mário Ribeiro Martins, que não concordou com Amaral a respeito de quem teria batizado Albuquerque (para ele, teria sido o Pastor Ratcliff), mais detalhes são revelados a respeito do trabalho de Santa Bárbara junto aos brasileiros:
Nomeados no dia 2 de Janeiro de 1881, Bagby e esposa chegaram ao Brasil em 2 de Março, descendo no Rio de Janeiro. No dia 16 de Abril de 1881, foram para Campinas estudar a língua. Em Maio Bagby aceitou o pastorado da Igreja Batista de Santa Bárbara, e ficou pregando lá e na Igreja da “Estação”. Em Junho seis pessoas foram batizadas e no fim de
1881 Bagby pregou 4 sermões em português [...]. A esta altura a Igreja Batista de Santa Bárbara perdeu as características de igreja purame nte norte -americana, porque já tinha um brasileiro como membro. Bagby já pregava em português e ele mesmo prometeu
estender “o Evangelho a regiões distantes”, o que fez enviando um nativo (Teixeira) juntamente com os Bagbys e os Taylors para fundar uma igreja na cidade mais católica da América Latina, Salvador, sede do arcebispado do Brasil. 173 [grifo meu].
Percebe-se que os articulistas demonstravam certa confusão quanto ao acerto histórico do marco inicial do trabalho batista no Brasil. Ao mesmo tempo em que admitiam a posição oficial, “Salvador, BA, 1882”, ofereciam também argumentos que contrariavam essa tese, fortalecendo os argumentos defendidos por Betty de Oliveira.
171 PEREIRA, J. dos Reis. Breve história dos batistas. 3ª. ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1987, p. 83. 172 AMARAL, Othon Ávila. Antônio Teixeira de Albuquerque: o primeiro metodista e batista do Brasil. O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 26 jan. 1975, p. 7.
173 MARTINS, Mário Ribeiro. Rio Largo: berço e túmulo de dois pioneiros batistas (Mello Lins e Teixeira de Albuquerque). O Jornal Batista. Rio de Janeiro, 9 fev. 1975, p. 5.
Provavelmente para consolidar a posição oficial, em 1976 Reis Pereira viajou para os Estados Unidos onde pesquisou documentos arquivados em Richmond. Em seu relatório publicado em 22 de Agosto de 1976, Reis Pereira se baseou em cartas enviadas por William Bagby à Junta de Richmond para afirmar:
A data de 15 de Outubro de 1882 foi escolhida porque nela foi fundada uma igreja batista brasileira que pregava o evangelho em português, uma