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A Junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos aprovou, em 1848, 79 a proposta para a abertura de um campo missionário no

Brasil e planejou evangelizar o povo brasileiro em 1850, 80 mas o primeiro missionário só seria enviado dez anos mais tarde, quando as condições para a obra missionária no país foram consideradas mais propícias.

O missionário pioneiro para o Brasil foi Thomas Jefferson Bowen (1814- 1875), que havia trabalhado na Nigéria, África, entre o povo ioruba. Bowen tinha retornado aos Estados Unidos em 1856, por conta de um colapso nervoso, causado pela malária, sofrido no campo missionário africano, mas resistia em permanecer de licença médica. Assim que houve a oportunidade para ser nomeado para o Brasil, o que se deu em 1859, Bowen tomou sua esposa, Lurenna Henrietta Bowen (1832- 1907), e sua filha Lurenna “Lula” (1858-1902) e partiu para o novo campo missionário, em 30 de Março de 1860. Desembarcou no Rio de Janeiro em 21 de Maio de 1860, onde fundou a Missão no Brasil. Sua maior esperança era alcançar os

74 OLIVEIRA, Betty Antunes de. Centelha em restolho seco: uma contribuição para a história dos primórdios do trabalho batista no Brasil. Rio de Janeiro: edição da autora, 1985.

75 PEREIRA, J. dos Reis. História dos batistas no Brasil (1882-1982). Rio de Janeiro: JUERP, 1982. 76 CRABTREE, A. R. Baptists in Brazil. Rio de Janeiro: The Baptist Publishing House, 1953. 77 MESQUITA, Antonio N. História dos batistas do Brasil de 1907 até 1935. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1940.

78 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Perseguidos, mas não desamparados: 90 anos de perseguição religiosa contra os batistas brasileiros (1880-1970). Rio de Janeiro: JUERP, 1999.

79 PEREIRA, J. Reis. Documentos para a história batista do Brasil. Revista Teológica: Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. Rio de Janeiro, no. 8, p. 55, dez. 1989.

negros procedentes da África para o Evangelho. Por isso, procurou trabalhar com os escravos africanos, já que dominava a língua ioruba (Bowen havia publicado um dicionário e gramática dessa língua em 1858 nos Estados Unidos). Esse investimento foi mal interpretado pelas autoridades brasileiras, porque suspeitaram que Bowen estivesse organizando uma revolta de escravos. Não há registros, mas suspeita-se que Bowen tenha sido preso por conta de suas atividades evangelísticas. 81 Além de

enfrentar problemas com as autoridades locais, Bowen sofreu novas crises de malária. Essa era a situação de Bowen no final do ano de 1860: sem saúde, sem condições para trabalhar livremente e sem recursos financeiros. Diante de todos esses problemas, sua esposa, Lurenna, decidiu que toda a família deveria retornar aos Estados Unidos, sem o conhecimento de Bowen e da Junta de Richmond. 82 No dia 9 de Fevereiro de 1861, a família Bowen embarcou de volta para a sua terra natal. O relatório de Bowen apresentado à Junta de Missões Estrangeiras (Junta de Richmond) da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos foi desanimador. A decisão da Junta foi a de suspender temporariamente qualquer investimento missionário no Brasil.

Além disso, outro fator que contribuiu fortemente para suspender o trabalho missionário em terras estrangeiras foi a Guerra Civil nos Estados Unidos, que começou em 12 de Abril de 1861 e só encontrou o seu fim em 9 de Abril de 1865. O Norte e o Sul daquele país se dividiram por causa de sérios conflitos de interesse econômico, mas o motivo mais popular dessa Guerra foi a questão da escravatura. Os estados do Sul, escravagistas, foram derrotados e, assim, muitos sulistas americanos foram obrigados a recomeçar suas vidas. Muitos tinham perdido bens e propriedades. O Governo Imperial do Brasil expressou, à época, desejo de ter imigrantes europeus, visando um intercâmbio que pudesse favorecer o desenvolvimento sócio- econômico do país e, para isso, abriu as suas fronteiras. 83 O Brasil se tornou, então, para muitos daqueles sofridos norte-americanos (segundo Machado, um número

81 PEREIRA, J. dos Reis. História dos Batistas no Brasil (1882-1982). p. 10. 82 OLIVEIRA, Betty Antunes de. Centelha em restolho seco. p. 81.

83 Jones registrou: “a falta de organização da tentativa de colonização européia fez com que o governo brasileiro abrisse, em agosto de 1865, um escritório em Nova York, que centralizasse toda a

propaganda feita pelos agentes consulares no Sul”. JONES, Judith Mac Knight. Soldado descansa!: uma epopéia norte-americana sob os céus do Brasil. São Paulo: Editora Jarde, 1967, p. 59.

estimado “entre 5 e 8 mil imigrantes”), 84 a esperança de uma nova vida. Betty de Oliveira registrou:

Entre todos esses emigrados podiam ser encontrados batistas, metodistas, presbiterianos, episcopais, católicos e os incréus. Dos três primeiros mencionados era a maioria. Entre eles havia os procedentes dos Estados Confederados, Sul dos EUA, mas havia, também, em pequena minoria, emigrados do Norte. No grupo existiam médicos, dentistas, militares, fazendeiros, simples agricultores, operários, trabalhadores, professores, Ministros do Evangelho, um jardineiro surdo-mudo, os trapacentos e até aventureiros buscando algum Eldorado! Nem todos eram norte- americanos, ainda que tidos como tais. Podemos imaginar que havia ricos, menos ricos e pobres nesse grupo; desiludidos do sistema político vigente naquele País; os frustrados e aqueles que haviam perdido os seus haveres e propriedades pelo fogo ou pela rapina; os que fugiram com receio de maus tratos ou prisão pelos do Norte; e também os escravagistas. 85

Um grupo se estabeleceu em Santa Bárbara, no interior da Província de São Paulo em 1866. Foi a colônia que melhor se adaptou ao Brasil. Dentre os imigrantes, havia batistas, presbiterianos e metodistas. Cada grupo religioso organizou como pôde os seus cultos, inicialmente realizados nas próprias residências e depois dividindo o mesmo espaço físico, uma casa comum, a Meeting-House, onde também se reuniam para as festas e outras atividades. 86

Com o tempo, presbiterianos, metodistas e batistas desenvolveram os seus trabalhos em Santa Bárbara, de tal modo, que cada grupo pôde fundar sua própria igreja. Assim, os presbiterianos organizaram sua igreja em Junho de 1870 e os metodistas, em 20 de Agosto de 1871. 87

Em 10 de Setembro de 1871, com cerca de trinta membros, foi organizada a Igreja Batista em Santa Bárbara, sendo Richard Ratcliff (1831-1912), um colono, o seu primeiro pastor e também o primeiro pastor batista no Brasil. 88 Em 12 de

Outubro de 1872, a Igreja de Santa Bárbara enviou carta à Junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, comunicando a organização da igreja e solicitando um estudo para a nomeação de missionários para o Brasil. 89

84 MACHADO, José Nemésio. A contribuição batista para a educação brasileira. Piracicaba, SP, 1993. Dissertação de Mestrado. UNIMEP. p. 50.

85 OLIVEIRA, Betty Antunes de. Centelha em restolho seco. p. 10. 86 Ibid. p. 33.

87 Ibid. p. 226, 230. 88 Ibid. p. 68, 100, 230.

Em 2 de Novembro de 1879, foi organizada a Igreja Batista da Estação, ainda em Santa Bárbara, atendendo parte do grupo – cerca de doze pessoas – que habitava em região distante da primeira igreja. 90

Os batistas de Santa Bárbara logo perceberam a necessidade de investimento maior para alcançar o povo brasileiro. Vários apelos foram feitos à Junta de Richmond para enviar missionários para o Brasil, além do pedido pelo reconhecimento do trabalho de Santa Bárbara como Missão oficial da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos. Devido aos esforços do Pastor Richard Ratcliff, que havia retornado aos Estados Unidos em razão do falecimento de sua esposa, Eunice, em 1876, a Junta de Richmond reconheceu o trabalho de Santa Bárbara e nomeou, em 1879, o Pastor Elias Hoton Quillin (c. 1822-1886), do Texas para o Brasil. Quillin foi o primeiro missionário texano para o estrangeiro 91 e sucedeu a Ratcliff no pastorado da Igreja de Santa Bárbara.

Antes da organização da igreja em Santa Bárbara, o general sulista Alexandre Travis Hawthorne (1825-1899) veio ao Brasil em 1868 para organizar uma nova colônia norte-americana. Visitou Santa Bárbara e depois, com permissão oficial do Governo brasileiro, viajou pelo país para escolher o local da nova colônia. No sul da Província da Bahia, Hawthorne foi recebido festivamente e decidiu que ali seria o lugar ideal. Assim, retornou aos Estados Unidos, mas não conseguiu levar adiante seu plano, porque duas situações graves impactaram sua vida pessoal: a doença de sua esposa e, depois, o falecimento de sua única filha. A morte de sua filha o levou ao desespero. Hawthorne não era cristão e parece que esse evento o levou a se converter à fé batista. Destacou-se em sua nova religião de tal modo que foi nomeado representante da Junta de Richmond para o Estado do Texas. Era, agora, um apaixonado por missões, e por isso retomou seus planos para o Brasil, mas agora com ênfase destacada: a de evangelizar o povo brasileiro. Mesmo com a nomeação de Quillin para o Brasil, Hawthorne conseguiu convencer a assembléia da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos em 1880 a reinvestir na missão no Brasil, que estava estagnada desde 1861. Como não possuía mais idade para ser nomeado missionário, Hawtho rne contatou e convenceu um casal de vocacionados, William Buck Bagby (1855-1939), recém consagrado pastor, e Anne Luther Bagby (1859-1942), para o campo brasileiro. A primeira a ser contatada por Hawthorne, no

90 OLIVEIRA, Betty Antunes de. Op. cit. p. 19. 91 Id. p. 109.

entanto, foi Anne que, à época, ainda era noiva de William. Ela tomou a decisão de trabalhar no Brasil, antes de conhecer a opinião de seu noivo. Em carta, datada de 11 de Junho de 1880, dirigida a William, Anne escreveu:

Imagine só! O General Hawthorne quer que eu vá já para o Brasil. Ele declara que o povo é bom e agradável, o governo favorável ao cristianismo, e, ainda, que o clima é excelente!

[...] Dizem-me que posso ir sozinha, mas que seria muito melhor se eu estivesse casada.

[...] Sr. Bagby, de maneira alguma quero interferir em seus planos. Estou disposta a manter nossa decisão [casamento]; estou pronta a ir sozinha

e esperar pelo senhor, ou irmos juntos. Afinal, decida como o senhor

achar melhor. 92 [grifo meu].

É notória a disposição de Anne para trabalhar, mesmo sozinha, como missionária no Brasil. Sua atitude, embora não insubmissa a seu noivo, revela ousadia e determinação, virtudes não muito esperadas em mulheres de sua época.

Enquanto isso, em 20 de Junho de 1880, era batizado na Igreja Batista da Estação, o ex-padre Antonio Teixeira de Albuquerque (1840-1887) pelo pastor- colono Robert Porter Thomas (1825-1897), bisavô da jornalista Betty de Oliveira. Albuquerque havia abandonado o sacerdócio católico na Província de Alagoas e fugido de sua terra por causa da perseguição religiosa. Casou-se em Recife com Senhorinha Francisca de Jesus no ano de 1878. Em Março de 1879, Albuquerque e sua família chegaram ao Rio de Janeiro. Nessa província, uniu-se aos metodistas e, depois de um tempo, recebeu convite para ajudar a escola aberta pelo Rev. Junius Newman em Piracicaba, SP. Naquela cidade, Albuquerque entrou em contato com os imigrantes norte-americanos e entendeu que a fé batista estava mais de acordo com as suas novas convicções. No dia em que foi batizado na Igreja da Estação, Albuquerque também foi ordenado pastor batista. Foi, portanto, possivelmente o primeiro brasileiro a se tornar batista e também o primeiro pastor nacional.

Em 1881, os Bagby foram nomeados “missionários adicionais para o trabalho no Brasil” [grifo meu] 93 já que, antes deles, tinham sido nomeados Bowen, em 1859, e Quillin, em 1879. Chegaram ao Brasil e foram diretamente para Santa Bárbara. William Bagby foi designado para pastorear as duas igrejas daquela cidade, substituindo a Quillin, que retornou aos Estados Unidos ainda em 1881. Os Bagby trabalharam durante algum tempo junto aos colonos batistas e ao mesmo tempo

92 HARRISON, Helen Bagby. Os Bagby do Brasil: uma contribuição para o estudo dos primórdios batistas em terras brasileiras. Rio de Janeiro: JUERP, 1987. (Série Os Batistas), p. 16.

aprendiam a língua portuguesa, graças ao apoio dos presbiterianos, que já administravam um colégio em Campinas, SP.

Outro casal de missionários norte-americanos se uniu aos Bagby: Zachary Clay Taylor (1851-1919) e Kate Stevens Crawford Taylor (1862-1892). Eles foram enviados também pela Junta de Richmond e chegaram ao Brasil em 13 de Fevereiro de 1882. Juntos e por motivos não bem esclarecidos, Bagby e Taylor deixaram Santa Bárbara e seguiram para Minas Gerais, onde estudaram o mapa do Brasil e escolheram a cidade de Salvador, na Bahia, “o melhor lugar para deitarem os alicerces do trabalho”. 94 A Província da Bahia foi durante a primeira metade do século XIX uma região muito próspera, como testemunhou um viajante inglês chamado James Prior em 1813:

São Salvador tem internamente os meios de se tornar a mais rica e poderosa região do Brasil; sua localização central, seus produtos, população, um extenso intercâmbio com outras partes da América, além da Europa e África, um bom porto e meios ilimitados de aumentar todas essas vantagens com um mínimo de esforço de um governo sábio e liberal, apontam-na como a verdadeira capital do país. 95

A região, no entanto, sofreu séria decadência econômica por causa dos conflitos gerados pela guerra da Independência em 1822 e também da concorrência internacional que provocou crises nos preços da cana-de-açúcar, do algodão e do fumo, os principais produtos de exportação daquela Província. Isso acrescentou sérios problemas sociais em região já conturbada por crises de outras naturezas provocadas pelas irmandades e ordens terceiras de Salvador. 96

Não obstante o quadro negativo que tinham pela frente, Bagby, Taylor e o ex- padre Albuquerque resolveram viajar para a então Província da Bahia, onde chegaram no mês de Agosto de 1882. Alugaram uma casa com um grande salão para os cultos. O propósito dessa obra foi o de evangelizar os brasileiros. Bagby já pregava na língua nativa e ainda contava com o auxílio de Albuquerque. A igreja foi organizada em 15 de Outubro de 1882, com cinco membros: os Bagby, os Taylor e Albuquerque (a esposa de Albuquerque, Senhorinha, ainda não havia se decidido pela fé batista). Para concluir formalmente a organização daquela Igreja, os Bagby e

94 HARRISON, Helen Bagby. Op. cit. p. 32.

95 PRIOR, James. Apud REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p. 40.

os Taylor pediram suas cartas de transferência 97 à Igreja de Santa Bárbara e Albuquerque fez o mesmo, mas solicitando a sua da Igreja Batista da Estação. Os primeiros convertidos da Primeira Igreja Batista da Bahia foram mulheres: Emília, uma empregada dos Bagby (filha de Anne, Helen Harrison afirmou que Emília “dificilmente escaparia dos esforços de mamãe em ganhar almas para Cristo” 98), a esposa de Albuquerque, Senhorinha e Mary O’Rorke, talvez a ama dos filhos dos missionários norte-americanos.

Pouco tempo depois, Bagby, Taylor e Albuquerque concordaram que precisavam expandir o trabalho batista pelo Brasil. Assim, em 1884, Bagby resolveu seguir para o sul, para o Rio de Janeiro onde organizou, com quatro membros, a Primeira Igreja Batista do Rio, “a Segunda Igreja Batista Brasileira”, 99 e, de lá, entendeu que podia pastorear também Santa Bárbara, que já contava apenas com uma igreja (a Igreja de Santa Bárbara desapareceu em 1910). A primeira conversão no Rio de Janeiro também foi de uma mulher, graças, mais uma vez, aos esforços de Anne: Castorina Adélia de Castro, empregada dos Bagby.

Albuquerque também saiu de Salvador, mas em direção a Alagoas, onde fundou a Primeira Igreja Batista de Maceió, em 17 de Maio de 1885, com dez membros. A Igreja de Salvador, então com 25 membros, ficou sob a liderança de Taylor. Mas Taylor ainda apoiou a organização da Primeira Igreja Batista do Recife, com seis membros fundadores, em 4 de Abril de 1886. A esposa de Taylor, Kate, muito atuante no ministério em Salvador, foi vítima de câncer e faleceu ainda jovem. Foi sepultada na Bahia em 1892.

O trabalho se desenvolveu rapidamente. Vinte e cinco anos depois da organização da Primeira Igreja Batista de Salvador, em 1907, os batistas contavam com 83 igrejas, 4.201 membros e 50 pastores e missionários. 100 Naquele ano foi criada, pela iniciativa dos missionários da Junta de Richmond, a Convenção Batista Brasileira, onde, pela primeira vez, se pensou no marco inicial do trabalho batista brasileiro. É, portanto, na origem da Convenção Brasileira, que se encontra a gênese da posição “1882, Salvador, BA” como tese oficial dos batistas brasileiros.

97 Carta de Transferência: entre os batistas essa é a forma burocrática que permite oficialmente a transferência de seus membros para igrejas batistas de mesma fé e ordem.

98 HARRISON, Helen Bagby. Op. cit. p. 35.

99 PEREIRA, J. dos Reis. História dos batistas no Brasil (1882-1982), p. 27.

100 AMARAL, Óthon Ávila. BARBOSA, Celso Aloísio Santos. O livro de ouro da CBB: epopéia de fé, lutas e vitórias. Rio de Janeiro: JUERP, 2007, p. 42.

4. O Início da Tradição da Posição Oficial “1882, Salvador, BA” como o Marco