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Other halogenated compounds

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A. Measurement results

A.8 Other halogenated compounds

A abundância de informação, presente em uma sociedade industrial capitalista, não é novidade em pleno século XXI. É comum perceber que o volume despejado é maior do que a maioria das pessoas consegue filtrar. Wolf (1999) ainda completa que deve ser considerado a habilidade que os meios de comunicação de massa tem de se inserirem em todos os níveis sociais, e que é factível dizer que a sociedade vive com base em uma mediação simbólica destes meios.

Desta forma evidencia-se a tendência de vitimização e a classificação das correntes migratórias como ameaças. É característico dos telejornais a dramatização das notícias, uma vez que o público demanda este tipo de tratamento não somente pela forma de espetáculo que causam, mas também pelo olhar mórbido sobre as imagens reais que

XXXIV os meios oferecem. Para Vizeu, “a hegemonia da televisão sobre os demais media também traz como consequência que, entre os veículos de comunicação, ela é a que se apresenta como a maior fonte de informação sobre o mundo político e social dos países”. (2014: 37).

Como bem coloca Vilches (1996: 131), as generalizações que a audiência faz a partir dos programas televisivos servem como orientação para construir a sua realidade social. No Brasil, a televisão ocupa um papel de fundamental importância na formação da identidade nacional. A TV desempenhou um papel de vanguarda enquanto agente unificador da sociedade brasileira (Mattelart, 1989: 36). Dentro desse contexto, o jornalismo tem um papel de destaque. Diariamente, durante meia hora do horário nobre da TV, milhões de pessoas sentam em frente ao telejornal para assistir os fatos mais importantes do dia, de uma forma condensada (Vizeu, 2014: 37).

Assumindo a perspectiva de que a televisão é uma das principais fontes de socialização dos indivíduos, Gerbner (1996) centra-se nos efeitos a longo prazo de sua influência. Por meio da teoria do cultivo, o autor entende que os efeitos são gradativos e acumulativos e estabelecem na sociedade a seleção de conteúdos, determinando com base neles, sua conduta, atitudes e preconceitos. Para Gerbner, a televisão implanta valores comuns e desenvolve atitudes anti-sociais, pessimistas e até mesmo paranoicas em indivíduos com exposição prolongada frente à televisão.

Essas pessoas acabam por construir uma percepção da realidade por meio do que é dito pelo meio de comunicação que é diferente daquela construída pelas outras pessoas. A TV é ao mesmo tempo um meio técnico de produção e transmissão de informação e uma instituição social produtora de significados, definida historicamente como tal e condicionada política, econômica e culturalmente. Desta forma, a realidade social passa a ser semelhante à realidade retratada na televisão. Isso decorre da característica do meio que, ao contar as histórias cotidianas, está sob influência de um processo de marketing e de busca pela audiência, que tem como principal propósito cultivar determinados efeitos nos telespectadores.

Essa qualidade de representação, além de permitir uma “reprodução” da realidade de maneira fidedigna, permite ao meio televisivo “provocar” uma série de reações na sua audiência, algumas de caráter estritamente racional, mas outras fundamentalmente emotivas. No entanto, o tipo de provocação depende, em última instância, do manejo que os produtores e as emissoras fazem da representação, mais do que o representacionalismo em si mesmo. É aqui onde a institucionalidade televisiva tem um papel determinante (Gomez, 2005: 29)

XXXV A linguagem utilizada na televisão é outro fator que influencia no grau de veracidade das informações, pois a mesma tem capacidade de representar os acontecimentos de forma verossímil, naturalizando da forma mais precisa o ocorrido e tornando o espectador cada vez mais dependente. A influência da televisão não é algo isolado, já que pode considerá-la uma instituição social, que por sua vez está ligada a outras instituições, como a família, a escola, o sindicato, a igreja, o partido político, os movimentos sociais etc., com os quais compete na tentativa de fazer valer suas significações e predominar na socialização dos telespectadores (Gomez, 2005: 30)

A interação com o noticiário é pertinente para que as pessoas, frente à televisão sintam-se participantes de uma sequência interativa que implica diversos graus de envolvimento e processamento do conteúdo televisivo, como sugere o valor notícia de proximidade. Esse processo segue uma sequência passando pela atenção, compreensão, seleção, valoração, armazenamento e comparação com informações anteriores, e por fim a internalização e a produção de sentido perante o que foi aprendido.

Portanto, para que haja essa interação, são utilizadas algumas estratégias, que podem até mesmo ser consideradas como apelação emotiva, que é um recurso televisivo que resulta das combinações técnicas, como o imediatismo, provisão de imagens e ênfase discursiva, que permitem que a programação tenha uma associação audiovisual diferente da lógica tradicional da narração e escrita. O processo do conhecimento por aquilo que o sujeito considera relevante e não apenas de conhecimentos já disponíveis no cérebro do mesmo. A relevância não é uma qualidade intrínseca ao processo mental mecânico do conhecer. Nesta mesma direção, os trabalhos de Gardner (1985), sugerem que o mesmo desenvolvimento da capacidade cognitiva está culturalmente determinado e pode variar de uma cultura para outra.

Portanto, há uma característica geral da cultura de massa que se especifica posteriormente quando se aplica a um meio e a um género particulares: este mecanismo constitui um ponto de força da própria cultura de massa, garantindo a sua elevada capacidade de adaptação a públicos e contextos sociais diversos. A oposição entre processos de estandardização produtiva e exigências de individualização esbate-se numa espécie de linha mediana, o que representa um outro aspecto saliente da cultura de massa. O facto de “a fórmula substituir a forma” associa-se directamente à produção de massa que, sendo destinada a um consumo de massa, impõe a pesquisa de um denominador comum, de uma qualidade média para um espectador médio: sincretismo é o termo mais adequado para traduzir a tendência para homogencizar a diversidade dos conteúdos sob um determinador comum (Morin, 1962: 29 In Wolf, 1999: 101).

XXXVI De um modo fundamental, o uso dos meios de comunicação transforma a organização espacial e temporal da vida social, “criando novas formas de ação e de interação, e novas maneiras de exercer o poder, que não está mais ligado ao compartilhamento local comum” (Thompson, 2002: 14). Ainda assim, a responsabilidade dos indivíduos frente a questões como a criação de estereótipos sociais, por exemplo, é dividida com a mídia, que ao produzir seu discurso, apresenta-se como campo legitimador da percepção, do sentimento coletivo e dos mitos edificados. “Ela vai atuar na ordenação do campo simbólico que configura as representações no qual normas de condutas, valores e comportamentos são institucionalizadas” (Dadalto, 2012: 25).

Segundo Blumer (In Kunczik, 2002: 252) “Os meios de comunicação de massa desempenham um papel determinante na definição dos problemas sociais e podem ser vistos como o resultado final de um processo de definição coletiva, mas não como condições ‘objetivas”. Por outro lado, Kunczik faz um apontamento bastante pertinente de que também podem contribuir para que certos problemas sociais se tornem invisíveis, assim como na produção de práticas que se estabelecem na esfera pública nacional e local acerca de indivíduos, grupos ou comunidades. A consequência dessa explanação pode contribuir para o desenvolvimento de um imaginário que poderá alimentar o sentido social do conteúdo midiático produzido e ressignificado sobre o tema e sobre a população (Dadalto, 2012: 26). Por isso, no próximo tópico será explicitada a importância de compreender de onde vem e como são produzidas as notícias de âmbito internacional, que são veiculadas no Brasil.

8. A influência das agências no telejornalismo nacional

Grande parte dos países em desenvolvimento são incorporados em um sistema internacional que opera em favor dos países desenvolvidos. As raízes deste sistema estão centradas na dominação e exploração colonial e de algumas formas que perduram até hoje por meio de alguns mecanismos, entre eles os media. Segundo Somavia (1976: 48), “La estructura transnacional de poder se expresa a través de formas operativas funcionalmente diferenciadas, que tomadas en su conjunto representan un instrumental complejo cuyo objetivo central es consolidar y expandir su capacidad de acción e influencia a través del mundo”.

Nota-se que, recentemente, emergiram publicidades, comunicação e até culturas como parte dos instrumentos transnacionais, entre eles as agências de notícias. O sistema

XXXVII de comunicação transnacional foi desenvolvido com o apoio e o serviço de uma estrutura de poder, que inclui como parte fundamental a sociedade da informação. Através desta, valores e estilos de vida são transmitidos para países subdesenvolvidos, que estimulam o tipo de consumo e o tipo de sociedade transnacional exigido pelo sistema como um todo. Isso engloba políticas públicas, econômicas e sociais, visando a expansão do sistema. Para Somavia (1976: 49) “Si el sistema transnacional perdiera su control sobre la estructura de comunicaciones, perdería una de sus armas más poderosas; de ahí la dificultad de cambio”.

O sistema de comunicação transnacional conta com as agências de notícias, empresas de publicidade, programas de rádio e de televisão, filmes, revistas e quadrinhos, radiodifusão, radiofotos, "comics" internacionais, sendo a maioria originada nos países desenvolvidos, que reforçam os que não estão no mesmo nível social a estimular aspirações como um todo para formas de organização social e estilos de desenvolvimento imitativo dos países capitalistas desenvolvidos. Desta forma, a população dos países em desenvolvimento, carente de igualdades sociais, torna-se uma receptora passiva, sem julgamento crítico em relação à mensagem. Nestas condições, o público vai se convencer que o modelo transnacional de consumo e desenvolvimento é historicamente inevitável. “Assim, o sistema de comunicação cumpre a sua função principal: de penetrar culturalmente o homem subdesenvolvido para condicionar a aceitar os valores de uma estrutura de poder transnacional política, económica e cultural” (Somávia, 1976: 3).

Suaréz-Navaz (2008) distingue a comunicação como uma das principais dimensões presentes na abordagem teórica dos fenômenos transnacionais. Ao conteúdo das agências, é de relevância entender que, segundo Paterson (2006: 3), Boyd-Barrett & Rantanen (2002: 4) e Mattelart (1994: 28), a função elementar das mesmas é a importação e exportação de conteúdo jornalístico, especificamente aquele de origem internacional, além-fronteiras. O Brasil, porém, tem uma situação bem peculiar.

Grande parte dos países do mundo que dispõe de alguma agência nacional, elas têm uma de duas funções, ou ambas: ou servem para abastecer sua própria mídia nacional com cobertura internacional (Reuters, AFP, AP, EFE, ANSA, DPA nasceram assim) ou operam como “assessorias de imprensa” de seus governos para fora. O primeiro tipo é de input: exige manter uma vasta rede de correspondentes, o que tem alto custo operacional – por isso, só grandes empresas (sejam públicas ou privadas) conseguem manter. O segundo tipo é de output: mais barato e, em geral, mantido sob modelo estatal. Nós nunca tivemos nem uma coisa, nem outra (Aguiar, 2009: 13).

XXXVIII Optou-se por expor o assunto do transnacionalismo e das agências para pressupor a questão de que por conta de o Brasil carecer de agências de notícias com correspondentes brasileiros no exterior, tudo que o país recebe são matérias já formuladas com conteúdo estrangeiro, ou brevemente, dos seus escritórios e escasso correspondentes, e não há, no próprio território nacional, o estímulo da produção local, contendo pautas referentes a imigrantes ou refugiados dentro da nação. Isso, como consequência, faz com que notícias internacionais (que tem uma demanda maior), provindas de agências, sejam mais visíveis do que as nacionais, que requerem produção própria.

Um segundo levantamento a ser proposto é referente a hipótese do Agenda-Setting que, para Filho (1995: 169), significava que “as pessoas agendam seus assuntos e suas conversas em função do que a mídia veicula”. Onde para Maxwell McCombs e Donald Shaw, inspirados pelos estudos de Walter Lippmann, autor do livro Public Opinion, lançado em 1922, “depende-se dos meios de comunicação para se informar sobre os assuntos, personalidades e situações; para que possa-se experimentar sentimentos de apoio ou de repulsa e para conhecer aqueles pontos de atenção”. Partindo-se deste princípio e das questões levantadas anteriormente, é de se supor então, que graças à importação de notícias estrangeiras (pela falta de agências de notícias), a população brasileira tenha maior contato com os problemas da imigração e dos refugiados internacionais, do que dos nacionais, e como consequência, os assuntos de maior impacto e maior conhecimento da população são do exterior, e não o contrário.

Para Cohen “pode (a imprensa), na maior parte das vezes, não conseguir dizer às pessoas como pensar, tem, no entanto, uma capacidade espantosa para dizer aos seus próprios leitores sobre que temas devem pensar qualquer coisa” (1963: 13 In Wolf, 1999: 62). Torna-se perceptível que existe uma grande capacidade em estabelecer uma agenda a partir de determinados interesses, podendo ser políticos, ideológicos ou econômicos, a partir da necessidade de expor o novo e o extraordinário, visando atrair o telespectador, como ressaltam Lippmann, Lang e Noelle Neumann.

A hipótese do Agenda-Setting não defende que os mass media pretendam persuadir [...]. Os mass media, descrevendo e precisando a realidade exterior, apresentam ao público uma lista daquilo sobre que é necessário ter uma opinião e discutir. O pressuposto fundamental do Agenda-Setting é que a compreensão que as pessoas têm de grande parte da realidade social lhes é fornecida, por empréstimo, pelos mass media (Shaw, 1979: 96, 101).

XXXIX Essa hipótese atua justamente entre os veículos jornalísticos e o interlocutor. O conceito é elaborado por meio dos assuntos que a mídia irá pautar. Na operacionalização das empresas jornalísticas, alguns temas são considerados de particular importância em um determinado momento, ou pautado pelos media internacional, o que faz com que um assunto se torne destaque perante o público, conforme a visibilidade na mídia. A hipótese de Agenda-Setting é uma consequência da concorrência entre as empresas e, ao mesmo tempo, da insuficiente estrutura operacional.

Considerando o que foi levantado a respeito do transnacionalismo e das agências noticiosas, chega-se à conclusão de que elas podem atribuir outros valores à população que recebe as informações, e sobre os significado dos acontecimentos como regras do comportamento humano e institucional, além de, mesmo sem ser intencional, pautar a mídia nacional. Não há uma ruptura entre as agências de notícia e o Agenda-Setting, e sim um link, de que assim como a mídia influi sobre o que a população deve pensar, também a mídia internacional age perante a nacional.

a linguagem jornalística na televisão tem um traço especifico que a distingue, a imagem. A força da mensagem icônica para ele é tão grande, que para muitas pessoas, o que a tela mostra é o que acontece, é a realidade. Por isso, a TV ocupa, segundo ele, um status tão elevado, o que faz com que os telespectadores, especialmente os pouco dotados de senso critico, lhe deem credito total, considerando-a incapaz de mentir para milhões de pessoas (Rezende, 2000: 76).

Para Lippmann, a relação da população com a realidade não se dá de maneira direta. Embora ela ocorra de modo direto, a percepção que dela se tem não é direta, mas sim mediada por imagens formadas na mente. Assim, percebe-se a realidade não enquanto tal, mas sim enquanto imaginada. As pessoas agendam seus assuntos e suas conversas em função do que a mídia veicula. Se, por sua vez, como dito acima, a mídia exclui algum assunto, é plausível se pensar que a população fará o mesmo. E é o que se verá no capítulo a seguir.

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