3.3 Observations of aerosols
3.3.4 AOD measurements 2002-2006
Nuno Goulart Brandão (2005), afirma que é importante considerar a televisão como uma das instituições que domina a vida pública, veículo que imprime uma percepção do mundo em que vivemos, através da construção de uma teia de significados e de sentidos sobre diversas esferas sociais.Portanto, para entender como o refugiado é representado na mídia brasileira verificou-se nos meses de maio, junho, julho, agosto e setembro de 2015 os noticiários do Jornal Nacional, da Rede Globo, e do Jornal da Record, da Rede Record. A escolha desses telejornais se deve à expressiva audiência nos horários em que vão ao ar, considerando-os telejornais prime-time, comparado a outras duas emissoras de grande porte, SBT e Band. Segundo dados16 do Kantar Ibope, líder no
mercado de pesquisa de mídia na América Latina, o JN tem 26 pontos de audiência e o JR 9,3 pontos. A amostra consistiu na observação de 131 dias na íntegra dos telejornais, entre segunda e sexta-feira. Encontraram-se 61 peças relativas ao tema migração, excluindo-se temas como esporte (jogadores imigrantes, técnicos de outra nacionalidade, visita de atletas ao país), assuntos religiosos (como notas sobre o Papa Franscisco em repúdio à ataques terroristas), e turismo (visita ao país).
A descodificação de um documento pode utilizar-se de diferentes procedimentos para alcançar o significado profundo das comunicações nele cifradas. A escolha do procedimento mais adequado depende do material a ser analisado, dos objetivos da pesquisa e da posição ideológica e social do analisador (Chizzotti, 2006: 98).
No que respeita ao tratamento dos dados recolhidos, optamos por um conjunto de técnicas de Análise de Conteúdo das reportagens que permitem agrupar os dados, categorizando e uniformizando-os de forma a torná-los mais acessíveis a interpretações
16 Disponível em https://www.kantaribopemedia.com/dados-de-audiencia-nas-15-pracas-regulares-com-
base-no-ranking-consolidado-2111-a-2711/ Acesso em 15.10.16
XLIII (Bardin, 2009). A Análise de Conteúdo pode ser de dois tipos: análise dos “significados” (análise temática) e análise dos “significantes” (análise dos procedimentos). Para esse estudo optou-se por utilizar a primeira. Segundo Bardin, existem três diferentes fases da análise de conteúdo: 1) A pré- análise; 2) A exploração do material; e, 3) O tratamento dos resultados: a inferência e a interpretação (2009: 121).
Na Análise de Conteúdo, a ênfase que os pesquisadores imprimem à “objetividade” e ao levantamento de conteúdos “manifestos” revela as ambições científicas desde método no estudo dos fenômenos sociais e humanos. Segundo Bauer e Gaskell (2000:194), a sua utilização poderá contribuir para seis respostas possíveis a perguntas colocadas pelos pesquisadores: uma resposta descritiva (quantas notícias o jornal diário X publicou sobre um determinado tema, por exemplo imigração); uma resposta normativa, sobre a construção de constâncias ou “padrões” (por exemplo, quais são os “padrões” jornalísticos de cobertura da imigração); análises trans-secionais (por exemplo, dois jornais cobrindo uma notícia específica sobre imigração durante um mês); análises longitudinais (onde se compara, no mesmo contexto, a cobertura da imigração por um tempo longo); análises de indicadores culturais, em que, conjunto com análises de conteúdo longitudinais e outro tipo de análises qualitativas, se levantam mapas de tendências de comportamentos sociais (Ferin, 2004: 83).
Para a organizar a recolha dos dados optou-se por elencar como fontes de análise dois telejornais brasileiros. O primeiro é o Jornal Nacional (JN), produzido e transmitido pela Rede Globo desde sua estreia, em 1 de setembro de 1969, exibido no horário noturno, a partir das 20h30, de segunda-feira a sábado. A cobertura no exterior se deu a partir de 1973, onde a emissora assinou contrato com a agência de notícias United Press
International (UPI), e o JN passou a receber imagens do mundo inteiro, todos os dias, via satélite. Diante do sucesso das transmissões, a Globo decide montar escritórios fora do Brasil. O primeiro foi inaugurado em novembro de 1973, em Nova York, sob a chefia de Hélio Costa. O escritório de Londres foi aberto em 1974, já em 1999 era a capital portuguesa, Lisboa, quem recebia os conterrâneos e posteriormente, Tóquio. Ainda assim, existem correspondentes na Alemanha, Argentina, Itália e Israel. A cobertura atinge cerca de 5,5 milhões de telespectadores ao redor de mais de 130 países.
O segundo trata-se do Jornal da Record (JR), produzido e exibido pela Rede Record. O mesmo estreou em 1972, substituindo o antigo Jornal da REI, também vai ao ar de segunda-feira a sábado, a partir das 21h30. Atualmente faz a cobertura dos principais acontecimentos no Brasil e no mundo, com a produção de reportagens especiais e investigativas. Possui repórteres em todos os estados do Brasil, através das afiliadas da Rede Record, e também conta com correspondentes internacionais em seus escritórios
XLIV localizados nos Estados Unidos (Nova York e Washington D.C.), Europa (Londres e Lisboa), Ásia (Tóquio) e Oriente Médio (Jerusalém). O Jornal da Record também é exibido pela Record Internacional, alcançando mais de 150 países.
Em uma análise primária foram assistidos 131 dias de telejornais, na íntegra. O Jornal Nacional tem duração média de 45 minutos diários, contabilizando um total de 98 horas e 25 minutos assistidas, enquanto que o Jornal da Record, que possui em média 55 minutos de duração, obteve 109 horas e 16 minutos no total. Dentro desse panorama foram encontradas 61 matérias em que, de alguma forma, mencionavam o termo “imigração”. Verificou-se, porém, a pouca utilização do termo “refugiado”, apesar da quantidade de matérias sobre migrantes. Dentre as 61 notícias, nove delas abordavam o refúgio como temática.
Na fase da exploração do material, foram definidas de categorias (sistemas de codificação) de identificação do conteúdo a considerar como unidade base.
A exploração do material consiste numa etapa importante, porque vai possibilitar ou não a riqueza das interpretações e inferências. Esta é a fase da descrição analítica, a qual diz respeito ao corpus (qualquer material textual coletado) submetido a um estudo aprofundado, orientado pelas hipóteses e referenciais teóricos. Dessa forma, a codificação, a classificação e a categorização são básicas nesta fase (Bardin, 2009: 37).
Como mencionado acima, “a caracterização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos”. Portanto, foram utilizadas variáveis de forma (data, gênero jornalístico, espaço ocupado), conteúdo (personagens apresentados, nacionalidade e situação jurídica do imigrante, e várias temáticas) e discurso (narrativa, tom e argumentação dominante da peça, fontes) (Ferin, 2004).
Dentre as peças analisadas, salienta-se que foram excluídas as que tratavam de temas como esportes, turismo ou citações de pessoas públicas. Isto porque, não haveria relevância em avaliá-las, uma vez que o assunto em foco era o dos refugiados, e de forma mais ampla, da imigração. Também não foram incluídas peças que tratavam de emigração, por tão igualmente não ser de interesse deste trabalho.
XLV Optou-se por avaliar as notícias que falavam sobre imigração e não somente refugiados, para entender se os jornalistas teriam o cuidado de usar a nomenclatura correta, informando aos telespectadores que o refúgio e a imigração, mesmo que próximos, são realidades distintas e merecem destaque de forma equivalente. As 61 matérias assinaladas de alguma forma mencionavam a palavra “imigração”; e nesse conjunto incluem-se também as nove peças que falavam sobre refugiados. A seguir será mostrado a recolha e tratamento dos dados.