2. Montagu’s Exchange with Hammond
2.2 Hammond and Ovid
2.3.1 The Disappointed Lover
Uma das principais dificuldades com que me deparei desde cedo e, admito, «roubou» algumas das forças e ambições, prende-se com a impossibilidade de realizar as minhas propostas iniciais, acima referidas, devido à falta de recursos e limitações superiores bem como devido à escassa frequência e adesão dos jovens nos primeiros tempos do meu trabalho de estágio. Esta fraca adesão e frequência dos jovens nos primeiros tempos constituiu-se como uma das grandes dificuldades, não só do meu trabalho, mas de todo o trabalho a desempenhar pelos funcionários da Casa da Juventude de Rio Tinto. Em conversas informais mas preocupadas, chegávamos a
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justificar tal facto pelas más condições atmosféricas, pela dificuldade de acesso provocadas pelas longas obras do Metro e pela excessiva carga horária escolar. Esta foi, aliás, uma das minhas preocupações na elaboração do primeiro registo de estágio:
“percebi que o movimento e aderência à Casa não eram o esperado por mim. Contudo, e tal como conversei com a Alice, esta é uma época muito prejudicada pelas más condições meteorológicas, pela expansão e receio pela gripe A, e mesmo pelo período escolar em que os jovens e crianças se encontram” (Registo I); e uma confirmação num
outro registo: “a coordenadora da Casa já tinha confessado que este ano a adesão à
Casa estava a ser prejudicada pelo surto de gripe A. As visitas das escolas da zona à Casa da Juventude de Rio Tinto diminuíram significativamente devido aos planos de contingência das escolas, que proíbem as saídas e visitas de estudo. Para além disso, referiu também as condições climatéricas e o facto de cada vez mais os jovens terem o seu computador pessoal com acesso à Internet como possíveis causas deste “arrefecimento” da Casa” (registo de estágio III).
Outra das dificuldades, que tenho vindo já a referir neste capítulo, reside na curta duração do tempo de estágio que dificulta e, por vezes, impossibilita a realização de uma verdadeira intervenção ou acção prolongada e significativa com os jovens e público da Casa da Juventude de Rio Tinto. Estes escassos 4 meses apenas parecem servir o conhecimento do contexto de estágio, suas necessidades e potencialidades; este é o tempo necessário apenas para se iniciar uma relação de confiança e proximidade com os jovens. A propósito do conhecimento e da criação de relações, redigi: “Estamos a meio
do período de férias de Natal e as crianças e jovens já me assumem como uma técnica da Casa. Ainda que eu admita que a relação que têm com a Paula é mais próxima e de mais cumplicidade (uma vez que já se conhecem há alguns anos), vão construindo comigo uma relação tal que no dia seguinte já me cumprimentam e falam como se já nos conhecêssemos há muito tempo. Gosto de sentir isso. Gosto de estar a construir esta relação com eles” (registo de estágio XXVII). Seria necessária outra quantidade de
tempo considerável para podermos, de facto, desenvolver um trabalho prolongado e global e não um trabalho mais pontual e momentâneo (não descurando a potencialidade do mesmo nem a procura e aproveitamento de todas as oportunidades de aprender e agir a que nos conduz). Para além de dificuldade, a duração do tempo de estágio tornou-se uma limitação da acção uma vez que ter-se-ia tornado mais vantajoso realizar o meu estágio em período de férias de verão. Se nas curtas férias de Natal “as visitas
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aumentaram e muito, chegou mesmo a haver uma vez que já não havia tempo disponível e tivemos que arranjar outra solução. A Casa ganha outra vida, pelo menos é o que vejo por lá” (registo de estágio XXVII), nas férias de verão o ambiente e
trabalho da Casa da Juventude de Rio Tinto tornar-se-iam ainda mais interesses e pertinentes para mim enquanto estagiária. Contudo, e tal como aqui referi, este tempo foi muito importante para o estabelecimento de uma relação de comunicação com os jovens que inicialmente parecia estar comprometida. Chegava mesmo a repensar a minha postura no sentido de chegar até aos jovens. “Em todos os grupos que dinamizei
tentei manter um ambiente de à vontade e de proximidade fazendo com que percebessem que é bom, acima de tudo, poder e saber falar sobre assuntos que se podem tornar tabus”, por exemplo (registo de estágio XXII).
Contudo, em alguns casos foram-se estabelecendo relações cuja qualidade e função educativa poderiam estar a ser ameaçadas por uma demasiada proximidade e informalidade, que me aportavam a dúvida do dever ser e dever estar profissional. À medida que a minha presença no local de estágio e as relações se iam consolidando, comecei, em partilha com os restantes funcionários da Casa da Juventude de Rio Tinto, a aperceber-me da falta de conhecimento que tínhamos no que diz respeito aos verdadeiros interesses e tempos livres dos jovens. Questionávamo-nos acerca do que valorizavam, do que gostavam, afinal. Talvez fosse esta falta de conhecimento que levasse à sensação de fracasso e impotência após o término de determinada actividade ou workshop direccionados para os jovens.
A um nível mais prático mas que não pode ser omisso, outros grandes obstáculos prendiam-se com dificuldades económicas que limitavam os recursos materiais e, por vezes, humanos; com o contacto necessário e obrigatório com questões burocráticas morosas; com a dificuldade (que exigia esforço e flexibilidade) em adequar acções locais com exigências e planos gerais; e com a dificuldade em estabelecer um contacto estável e necessário com outras instituições externas à coordenação da Câmara Municipal de Gondomar.