Chapter 2: Theory and analytical framework
3.1. The case study
Segundo Camargo o habitar doméstico é uma atividade que evolve mais do que o simples ato de nos inserirmos em um invólucro físico segundo as condições que, objetivamente, permitem e definem o modo como permanecemos lá. (Camargo, ibidem, 65) A autora investiga em que aspectos a condição concreta do habitar físico propicia aos habitantes relações tais, que vão além das materialmente evidentes; que envolvem os aspectos não palpáveis do habitar doméstico, como os da alma, do espírito, do sonho, da memória, das emoções do indivíduo – aspectos que fazem com que a casa, em sua objetividade concreta, passe a incorporar um significado subjetivo para quem a habita. De acordo com o “Dicionário da Arquitetura Brasileira” (Corona e Lemos, 1972; p. 462): Habitação Lugar no qual se habita. Constitui em arquitetura o abrigo ou invólucro que protege o homem, favorecendo sua vida no aspecto material e espiritual.
Já Peter King (2004) percebe uma “simbiose” entre as estruturas objetivas que encerram a casa física e as atividades que desempenhamos – privadamente – dentro dela, ou seja, de um lado, temos a casa como objeto físico: reconhecível e passível de avaliação objetiva, segundo critérios concretamente verificáveis, tais como, por exemplo, o projeto arquitetônico, suas relações de espaço e uso, os materiais utilizados,
– porém apoiado nessas condições objetivas –, está, o habitar doméstico, com todas as ações e interações de caráter, particular e individual, que envolvem tal atividade, as quais, como observa King, pelo seu caráter íntimo, ficam praticamente fora de monitoramento (King, ibidem; p. 60, 176).
Uma prova de que a memória afetiva age também no espaço doméstico é a de que muitas vezes, podemos passar longo período da vida buscando-se reencontrar, em novas casas, as boas impressões, que um habitar doméstico da infância deixou, marcadas no íntimo de uma pessoa, como no caso de Vittorio ao dizer que o terraço de seu apartamento dava a idéia de estar em uma casa, na sua infância ele morou em uma casa – ou, tentando-se evitar reviver alguma experiência doméstica especialmente dolorosa.
Peter King, dá um exemplo desse último caso, ao relatar o momento no qual, tendo em vista o falecimento de sua mãe, se viu, juntamente com seus irmãos, diante da tarefa de esvaziar a casa onde ela morara, pois à medida que os objetos que pertenceram à mãe eram retirados, como um processo de “des-animação”, tornava-lhes cada vez mais difícil a localização das memórias que sempre estiveram ali. Segundo o autor, aquele espaço, inicialmente “cheio das suas coisas, tal como fora até a última vez em que a vira”, tornava-se, aos poucos, um lugar “frio e antisséptico”. Como afirma King, se, por um lado, nesse processo, o espaço crescia em possibilidades de uso – “a casa de nossos pais tornava-se, agora, mais uma casa [..., que] poderia ser habitada por qualquer um” – para ele e os irmãos, aquele espaço “encolhia-se”, pois deixava de ser um lugar significante para ser uma simples concha com capacidade de abrigar mais um habitar – “... qualquer habitar” (King, ibidem; p. 154-155).
Outro a sentir o vazio deixado pela casa por ter seus objetos
“despersonalizados” é o autor português José Saramago ao recordar-se da
partida de seu tio: “[...] desapareceu num montão de escombros [...] aquela [casa] que durante dez ou doze anos foi o lar supremo, o mais íntimo e profundo, a pobríssima morada dos meus avós maternos, Josefa e Jerónimo se chamavam, esse mágico casulo onde sei que se geraram as metamorfoses decisivas da criança e do adolescente. Essa perda, porém, há muito tempo que deixou de me causar sofrimento porque, pelo poder reconstrutor da memória, posso levantar em cada instante as suas paredes brancas, plantar a oliveira que dava sombra à entrada, abrir e fechar o postigo da porta e a cancela do quintal onde um dia vi uma pequena cobra enroscada, entrar nas pocilgas para ver mamar os bácoros, ir à cozinha e deitar do cântaro de esmalte esborcelado a água que pela milésima vez me matará a sede daquele Verão. (Saramago, 2006; p. 15-16)
[...]
A construção era do mais tosco que então se fazia, térrea, de um único piso, mas levantada do chão cerca de um metro por causa das cheias, sem nenhuma janela na frontaria cega, nada mais que uma porta em que se abria o tradicional postigo. Tinha dois compartimentos espaçosos, a casa -de-fora,
arcas [...] . À noite, apagando o candeeiro de petróleo, sempre se podia distinguir pelas frinchas do telhado o cintilar de uma estrela vagabunda. [...] . Além das camas e das arcas, havia na casa -de-fora uma mesa de madeira em branco, isto é, sem pintura, de pernas altas, com um espelho velho, embaciado e com falhas na película de estanho, um relógio de capela e outras bugigangas sem valor. (Muito mais tarde, já tinham passado há muito os meus quarenta anos, comprei num antiquário de Lisboa um relógio semelhante que ainda hoje conservo, como algo que tivesse ido pedir emprestado à infância). [...] . Por cima da mesa, na parede branca, como uma galáxia de rostos, era onde se reuniam os retratos da família: [...] Estavam ali como santos no altar, como peças de um relicário colectivo, fixos imutáveis. A cozinha era o mundo. Havia duas camas, uma mesa que bamboleava no chão irregular e que de cada vez era preciso calçar para que não bandeasse, duas cadeiras pintadas de azul, a lareira com a „boneca do
lar‟ ao fundo, uma figura vagamente antropomórfica, de contorno sumário,
que desapareceu, como todo o resto, quando o tio Manuel, o mais novo dos tios maternos [...] , ficou com a casa depois de morrer a avó, para levantar no seu lugar uma construção hedionda para qualquer pessoa de mediano
gosto [...].” (Saramago, ibidem; p. 83-85)
A partir dessas considerações, podemos entender o papel da estrutura física da casa além do seu aspecto inicial, o de abrigar o nosso habitar doméstico e compreender que essa estrutura também abriga todas as coisas e objetos de grande importância e significado para nós que nela inserimos, ou seja, que a casa possui uma memória afetiva advinda de esse reunir de coisas e objetos vindos das mais variadas origens, portando com os mais distintos significados, e que até então estavam dispersos no mundo, em um só contexto resultaria em uma “colagem” – como diria King (ibidem; p. 60) – de significado pessoal, específico e particular para nós, o qual não só apóia o nosso habitar doméstico, mas é, mesmo, confundido com ele e com o sujeito que o habita.
Afinal, segundo Ecléa Bosi, durante o curso PST5720 – Cultura e Memória Social, ministrado no segundo semestre de 2005, no Instituto de Psicologia da USP:
“Ainda que a sociedade queira, de todos os modos, mostrar que os objetos
têm valor em si mesmos, é o sujeito, o causador histórico do valor dos objetos: somos nós que damos alma aos objetos, transformando sua neutralidade em apoio à nossa identidade.” (ao que a autora acrescenta) “O espaço que encerrou os membros de uma família durante anos comuns, há de contar-nos algo do que foram essas pessoas. Porque as coisas que modelamos durante anos resistiram a nós com sua alteridade e tomaram
algo do que fomos.” (Bosi, ibidem; p. 443)
A autora aponta um fato importante do habitar, o de que muitas vezes o habitar doméstico é compartilhado, portanto, tão importante quanto as coisas e objetos que possuímos guardados em nossa casa é com quem nela os partilhamos. É neste sentido que King afirma que muito do que temos em casa como querido não são apenas posses,
mas relações afetivas. Para o autor, uma função chave da casa seria “abrigar aquelas coisas e aqueles seres que amamos e queremos ver protegidos” (King, ibidem, p. 60). De forma semelhante, Chaney afirma que o que conta como casa, para qualquer pessoa, é definido por conexões emocionais – “a casa é onde está o coração” (Chaney, ibidem; p. 59).
Assim, ao me mostrar as fotos de suas irmãs na parede de seu quarto, as de seus pais e netas nas paredes da sala, Renato me dizia o quanto aquelas pessoas eram importantes para ele, elas vivem com ele em seu coração e por isso compõe a decoração de sua casa, assim como a bandeja de prata que ganhou de um amigo por ocasião de suas Bodas de ouro com sua esposa, mostra o quanto aquele casamento é importante para ele.
O cantinho da lembrança, como define Helena na casa de ela de Vittorio também indica o quanto os ancestrais são importantes para aquela família, o quanto deixam saudades.
Também os filhos que os visitam ou moram com eles fazem parte dessa relação de lar como espaço de afeto. Afinal, nada como a casa dos avós, pena que cada vez mais, pela decisão tardia de termos filhos, esses tem cada vez menos a possibilidade de desfrutar a convivência com os avós.
You must remember this, a kiss is just a kiss, A sigh is just a sigh, The fundamental things apply,
as time goes by.
And when two lovers woo, They still say "I love you,"
On that you can rely, No matter what the future brings,
as time goes by.
Moonlight and love songs, never out of date, Hearts full of passion,
jealousy and hate,
Woman need man, and man must have his maid, that no one can deny.
It's still the same old story, a fight for love and glory,
A case of do or die,
The world will always welcome lovers, as time goes by.
“A única verdadeira viagem, o único banho de juventude, seria não ir ao encontro
de novas paisagens, mas ter novos olhos, ver o universo com os olhos de outro, de cem outros, ver os cem universos que cada um vê, que cada um é.”
(Marcel Proust. In.: Sono Piccolo ma crescerò. Tradução minha)
Como dito anteriormente, as histórias de vida coletadas em situação de entrevista, são narrativas de imigrantes, portanto, neste capítulo analiso a construção de narrativas de dois imigrantes italianos, Renato e Vittorio, que se integraram na comunidade barrense.
Ao analisar as narrativas dos sujeitos de pesquisa constatei que esses preservam traços da cultura italiana, principalmente no que concerne aos hábitos alimentares, ao mesmo tempo em que cunharam uma nova identidade, uma identidade ítalo-brasileira. Tais narrativas são testemunho da passagem de uma existência peninsular para uma continental, nos quais o contraste entre o presente e o passado é fortemente marcado.
Segundo Paola Corti, o homem é naturalmente nômade, portanto os fenômenos migratórios são naturais e não o contrário. Apesar disso, a mudança de cenário, de hábitos, pode implicar em alterações senão identitárias, de percepção, ao nos defrontarmos com o outro.
Dentre encontros e desencontros pode haver desde a assimilação do discurso do outro, podendo ocorrer uma nova formação identitária, até uma total intolerância, muitas vezes representada por movimentos nacionalistas.
Neste cenário, o estudo sobre imigração tem ganhado importância em diversos campos da Literatura, História, Antropologia, Sociologia, Sociolingüística Interacional, que tem contribuído imensamente para o entendimento da imigração; sem desprezar as importantes contribuições dessas e de outras áreas de pesquisa, algumas das quais citadas neste trabalho, uma vez que lido com uma perspectiva interdisciplinar de pesquisa. Tenho a certeza de que a Análise do Discurso e o aparato desenvolvido pela Área dos Estudos da Linguagem contribuem para o estudo da migração.
Aqui, neste capítulo focalizarei apenas uma porção desta contribuição que é a investigação da contribuição de narrativas pessoais de experiências de imigração que resultam em transformações identitárias.
Nesta pesquisa concebo identidade como co-construção, que são estabelecidas em um processo contínuo de relações sociais, afinal, como bem coloca John Caputo: “somos seres históricos e sociais concretamente situados em uma outra tradição histórica, cultural e lingüística” (2001:34)
Neste capítulo, portanto, me proponho a analisar como são construídas narrativas de imigração, tendo como base a análise de entrevistas não-estruturadas em que sujeitos relatam suas estórias de vida. Seguindo Bastos (2005) utilizo o termo “estória de vida”, neste capítulo, de acordo com a proposta de Linde (1993), para diferenciá-lo do conceito “historia de vida” termo esse mais ligado aos estudos da Antropologia, História e Psicologia, de modo a focalizar a construção discursiva de narrativas, que não deixam de ser autobiográficas.
A análise de como as narrativas de imigração são construídas leva em consideração, principalmente, de que a(s) construções identitárias dos sujeitos de pesquisa são construídas discursivamente nos relatos dos entrevistados; como constroem discursivamente a importância do aprendizado da língua portuguesa e do casamento com brasileiras e como essa influência se estendem para outros aspectos de suas vidas sociais. Objetivo, portanto, a busca de uma maior compreensão de como os relatos de imigração são estruturados e, de como os narradores constroem a si e aos outros em suas estórias de vida. Dessa forma, nesse capítulo objetivo:
1. Analisar como os entrevistados estruturam suas narrativas para contar suas trajetórias de imigração, ou seja, como os diferentes aspectos da experiência de imigração presentes nos relatos são organizados tendo-se em vista o trabalho de (re)construção das identidades sociais;
2. Analisar como os narradores constroem suas experiências passadas tendo em vista a sua perspectiva de presente, ou seja, estando já integrados e sendo atuais membros da sociedade barrense e não simplesmente representantes da “colônia italiana” em Barra do Piraí.
Proponho que as identidades construídas ao longo das narrativas de estórias de vida dos sujeitos aqui pesquisados sejam entendidas, a partir de um conjunto de transformações sofridas por esses indivíduos que os levam, na sua forma de pensar e em suas ações cotidianas, a se alinhar a um sistema de coerência (cf. Linde, 1993). Processo esse, descrito como assimilado de forma gradual e que possui como principais características o próprio alinhamento dos sujeitos ao novo sistema de idéias, alinhamento este que os levou a um status social privilegiado. Essa crença é pautada, geralmente, pela sorte, boa ventura, boa fortuna, o que remete à proximidade com a divindade, tendo em vista que os tocados pela sorte são, de certa forma, os agraciados por Deus. Talvez, mais do que fazer fortuna, o significado de “fare la merica” esteja vinculado a integrar-se para viver de forma melhor do que no passado, dando melhor condição de vida a seus herdeiros.
Cabe ressaltar que, ao pesquisar o uso da perspectiva do presente levo em consideração que a narrativa é mais do que uma seqüência ordenada de eventos. Filio-me, deste modo, a estudos que problematizam a visão estritamente cronológica da narrativa, mais especificamente àqueles estudos que consideram ser a “perspectiva do presente” ou o “sentido do final” que orientam a construção narrativa (Ricouer, 1980, 1984; Brockmeier, 200; Mishler, 2002; Jarvinen, 2004, Santos, 2007).
5.1.1. Renato
Renato, italiano residente no Brasil, mais especificamente no bairro Belvedere, em Barra do Piraí, cidade situada no sul fluminense, tem 83 anos, é casado, tem dois filhos.
Na Itália, estuda somente até o quarto ano do ensino fundamental. Era o homem da casa, ajudava a mãe, pois o pai já havia migrado alguns meses antes de seu nascimento e retornava somente de tempos em tempos para a Itália, onde permanecia por poucos meses. Sendo assim, ele vem a conhecer o pai somente aos quatro anos de idade. Com a guerra o pai passa um longo período sem retornar ao Brasil. Deste período Renato guarda na lembrança os sacrifícios que sua mãe fazia a fim de suprir as necessidades da família.
Quando seu pai retorna em mil novecentos e quarenta e nove, decide trazer o Renato com ele para o Brasil por causa de sua profissão de alfaiate, profissão essa que Renato
desempenha por pouco tempo por aqui.
Ao chegarem ao Brasil, Renato aloja-se junto com o pai na casa de uma tia em São Cristóvão, mesmo estando entre familiares começa a estranhar os costumes da terra. Sua tia e primo esforçam-se para dar-lhe conforto. O primo cede a cama e passa a dormir em uma esteira, mas Renato não se adapta e procura um outro local, vai morar em um quarto na Paula Matos, rua do bairro de Santa Teresa. Passa por vários tipos de habitações, divide quarto com estranhos no Grajaú, e com amigos novamente na Paula Matos até que em mil novecentos e cinqüenta e sete casa-se com Maria e vão morar em Nilópolis. Como as condições de higiene do bairro eram péssimas e as crianças adoeciam constantemente decidem mudar-se para Barra do Piraí, onde Renato estabelece-se como comerciante e Maria continua a dar aulas de português em escolas da rede pública.
Já diz o ditado “santo de casa não faz milagre”, por isso, apesar da esposa ser professora de português, Renato fala um português, segundo suas próprias palavras, “torto como seu italiano” A comparação é interessante porque no período no qual Renato veio ao Brasil o italiano era aprendido na escola e por meio da televisão, entre familiares falava-se em dialeto, no caso de Renato, o calabrês, por ter tido pouco estudo o português e o italiano para ele eram claudicantes.
O casal teve um filho e uma filha e esses duas filhas e uma filha, respectivamente, ou seja, o casal atualmente tem três netas, duas formadas e uma completando os estudos universitários.
A filha de Renato seguiu os passos da mãe, tornou-se professora, assim como sua filha, ao passo que o filho assumiu o bar que foi do pai. Renato fez questão de comprar um imóvel para cada filho e de ajudar com os custos com a instrução das netas. Encontra na família sua grande realização.
5.1.2. Vittorio
Vittorio, italiano residente no Brasil, mais especificamente no centro de Barra do Piraí, cidade situada no sul fluminense, tem 72 anos, é casado, tem dois filhos e uma filha, um neto e três netas, na época da entrevista tinha somente duas netas, mas no ínterim seu
filho solteiro casou-se e teve uma filha.
Vittorio atribui o fato de estar casado até hoje por mérito da esposa que soube contornar suas ações imaturas dos primeiros anos de casamento.
Após entrevista do filho mais velho de Vittorio com suas tias na Itália, descobrimos que ao invés da versão que se encontra nessa entrevista de que a mãe de Vittorio teria falecido no parto, essa veio a falecer três meses após dar a luz, tendo tempo de amamentá- lo.
Três anos após o falecimento da esposa, o pai de Vittorio casa-se novamente e desse matrimonio resultam duas filhas. Vittorio convive muito bem com a madrasta, a ponto de essa tomar partido dele em relação às filhas. Vive, segundo ele, uma infância de príncipe, na Itália é chamado de Dom Vittorio, pelo prestígio de seu avô farmacêutico, seu pai médico e seu tio padre.
As lembranças da guerra estão vivas em sua memória, assim como a precariedade na qual a Itália se encontrava no pós-guerra. Levando-se em consideração esse cenário e o fato do avô materno ter uma boa situação no Brasil, como industrial, e prometer a parte que caberia a filha falecida ao único neto que deixara, caso Vittorio fosse morar com eles em Barra do Piraí, a família italiana concede a ida do primogênito ao Brasil para garantir-lhe um melhor futuro.
Aos treze anos, Vittorio vem para o Brasil de avião, é um dos pioneiros como passageiro de linhas aéreas.
Ao chegar ao Brasil comunica-se somente em italiano e em dialeto com os avôs, fica mudo durante um tempo, freqüenta aulas de português com um prestigiado professor de Barra do Piraí e somente quando se sente confiante passa a falar a língua portuguesa, apaixonando-se por ela.
Presta os exames necessários para continuar seus estudos e vai morar no Rio de Janeiro, no Alto da Boa Vista, para concluir o atual Ensino Médio e iniciar seus estudos na Faculdade de Direito. Após o primeiro ano de faculdade, começa a trabalhar na fábrica de macarrão do avô e presta somente os exames na faculdade, a fim de obter a graduação em