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The Advantage of Data Augmentation and Skip Connections

Os grupos de discussão passaram a ser adotados em pesquisas com jovens a partir da década de 1980 e têm contribuído para a elaboração de tipologias: de desenvolvimento (mudanças biográficas); geracional; do meio social (origem social e orientação biográfico- profissional); de formação educacional (relacionadas aos tipos de escola); de gênero (análise

das diferenças biográficas e escolhas profissionais de jovens de ambos os sexos) (Bohnsack, 1989; apud Weller, 2006). Quapper (2001) enfatiza que o esforço epistemológico para a construção de uma nova visão sobre as juventudes requer a ida a campo, integrar-se aos jovens, ouvir suas vozes, olhar e entender suas ações. E mais do que identificar ações, é necessário compreender e interpretar suas práticas sociais.

Callejo (2001) destaca três motivos para a formação intencional de grupos como fonte de informações para se conhecer e compreender os meios sociais:

• a espontaneidade e interatividade possibilitadas pelo grupo (validade pragmática);

• a aproximação na relação observador – observado (os participantes dos grupos não perdem o lugar de sujeitos);

• a circulação e recepção dos discursos que podem ser ricos para a análise de conteúdo e dos emissores (relevância da linguagem dos discursos).

Entretanto, o autor destaca que mesmo oferecendo algumas vantagens, há situações em que os grupos não estão entre as melhores fontes de dados para uma pesquisa. Desse modo, é necessário ao/a pesquisador/a estar atento/a ao objeto, ao desenho da investigação e aos procedimentos metodológicos mais adequados às especificidades do estudo.

Como destaca Weller (2006) o método possibilita que os indivíduos reconstruam dentro do grupo suas experiências sociais e coletivas, destacando entre elas as experiências conjuntivas ou experiências comuns por eles vivenciadas (cf. Mannheim, 1982). No decorrer da atividade de investigação social, o/a pesquisador/a será apresentado a práticas sociais que lhes são alheias o que exigirá uma maior imersão no campo de pesquisa bem como o rigor metodológico que lhe permita realizar interpretações fidedignas da realidade social pesquisada.

A vantagem de se trabalhar com grupos de discussão ultrapassa a justificativa da economia de tempo na coleta de informações. A utilização do método exige maior dedicação do/a pesquisador/a, uma vez que em determinadas situações poderá ser necessário dispensar até três horas na realização de um grupo. A riqueza do método encontra-se nas discussões que emergem dos grupos, às quais representam o modo como as argumentações, as opiniões são geradas, expressas, refutadas ou assimiladas pelos indivíduos na vida cotidiana (Flick, 2004).

Weller (op. cit.) destaca cinco vantagens para a realização de grupos de discussão em pesquisas com jovens: por estarem entre pares, os jovens podem ficar mais à vontade o que pode possibilitar uma interação que reflete com maior naturalidade a realidade cotidiana; por pertencerem ao mesmo meio social, é possível captar detalhes e sutilezas desse convívio; o

grupo proporciona uma interatividade que se aproxima daquelas existentes em outros momentos da vida cotidiana, e o entrevistador passa a ser um mero observador diminuindo assim a sua interferência; o grupo pode ser um encontro para os jovens discutirem e pensarem sobre temas que ainda não tinham pensado; o grupo pode corrigir fatos distorcidos, uma vez que em grupo pode ser mais difícil que os jovens sustentem histórias inventadas, porque correm o risco de serem questionados pelos colegas. Desse modo, se considera que é possível atribuir uma maior confiabilidade aos fatos narrados coletivamente.

O método em questão proporciona, ainda, compreender experiências e práticas sociais, coletivas e individuais, representativas de determinado meio social a partir da interação entre os participantes do grupo. A partir do método é possível avançar para além das opiniões individuais dos sujeitos pesquisados, privilegiando a riqueza das opiniões coletivas que emergem do encontro (Mangold, 1960; apud Weller, 2006). Nesses grupos são apresentadas as orientações coletivas do grupo social, que são prévias e provenientes da prática social coletiva.

Callejo (2001) enfatiza que o grupo de discussão não é um grupo em si, porque o grupo é um horizonte a ser alcançado com a reunião, e só se constitui quando os participantes deixam de se perceberem como indivíduos. Isso aconteceria quando os sujeitos deixassem de se expressar na primeira pessoa do singular, ou seja, utilizando o termo “eu” e passassem a se incluir e a incluir os demais participantes no discurso, utilizando o “nós”. Assim, esse processo de reagrupação que pode se transformar em grupo permitiria a construção de uma identidade coletiva.

Entretanto, Weller (op. cit.) considera que no momento em que as pessoas concordam em participar da atividade proposta e se encontram em uma sala dispostas a interagirem há a constituição de um grupo. Considera-se que os participantes originam-se de um mesmo meio social e aquele espaço físico configura-se, apenas, como um lugar para a construção do conhecimento.

O grupo de discussão permite promover o encontro de vários indivíduos, colocando-os frente a frente. Segundo Marcel Mauss (1985, apud Callejo, 2001) existem graus de obrigatoriedade que condicionam o ato voluntário de aceitar participar da composição de um grupo de discussão: - o interesse pelo tema a ser debatido na reunião, o que implica em um alto grau de reflexividade empírica; o escasso envolvimento com o processo de investigação, onde ocorre uma reflexividade empírica mínima, mas também pouco ou nenhum envolvimento com o que é dito; - vínculo com uma organização, o que o obriga a participar da

reunião; - participa da reunião em função da relação que tem com quem os convoca, porque conhece o entrevistador, etc.

Assim, Callejo (op. cit.) enfatiza que a interação presencial proporcionada por um grupo de discussão pode ser um problema. Primeiro porque nem todas as pessoas dispõem de tempo livre ou estão dispostas a falarem por algum tempo com indivíduos desconhecidos e segundo porque nem todos têm a possibilidade de ser deslocar para lugares distantes e de difícil acesso. Entretanto, apesar disso, se enfatiza que essa interação presencial é imprescindível.

O grupo de discussão é um espaço para a circulação pública de discursos. Os discursos resultantes da reunião são discursos públicos o que prevê: - tendência ao consenso cortês e politicamente correto (Ibáñez, 1994a, p.51, apud Callejo, 2001, p 68); - enquanto uma reunião pública, o grupo torna-se um esforço para aparentar, causar impressão; - pode ser um problema para investigar questões que não afloram em situações públicas.

O autor ressalta que, necessariamente, o grupo de discussão é um encontro entre pessoas desconhecidas. A reunião do grupo de discussão se produz a partir de uma demanda de investigação, o que traz os seguintes questionamentos dos participantes para quê e para quem a investigação.

Uma das justificativas para que os participantes não se conheçam previamente à realização do grupo fundamenta-se na idéia de que estes devem construir o objeto da investigação na interação do grupo de discussão e não previamente. Callejo (op. cit.) enfatiza que outros autores como Fuller (1993, Callejo, op. cit.) são flexíveis em relação à possibilidade de que os grupos sejam formados por conhecidos quando, por exemplo, os temas da investigação sejam considerados ilegais ou tabus, porque nesse caso a proximidade entre os participantes pode dar mais segurança para aqueles que tenham algo a dizer.