2. Conceptions of populism
3.3 Thatcherism and neoliberalism
O comportamento epidemiológico foi composto pela série histórica de janeiro de 2003 a dezembro de 2013 e foi restrita a casos diagnosticados de hanseníase em residentes no município de Betim. Os dados foram provenientes do Sinan, disponibilizados pela Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais.
Justificou-se a utilização dessa fonte de dado secundária, uma vez que a capacidade operacional dos serviços de saúde e dos programas de controle influencia a evolução dos indicadores relacionados à hanseníase.
Os dados epidemiológicos foram coletados do Sinan disponibilizados pela Coordenação Estadual de Dermatologia Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais. As informações sobre a população residente estratificada por faixa etária foi obtida por meio do DATASUS e de estimativas populacionais, realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Sinan representa a fonte nacional de informações sobre agravos de notificação, apresenta ainda algumas limitações relacionadas à fidedignidade dos dados, à duplicidade de registros e à ausência de padronização no lançamento dos dados; entretanto, tem se aperfeiçoado a cada ano e vem se consolidando como uma importante fonte de dados em pesquisas em saúde.
Para realizar a avaliação epidemiológica do município, foram selecionados alguns indicadores que representassem a força e magnitude da doença, bem como indicadores que avaliassem a efetividade das ACH desempenhadas pelos serviços de saúde do município. Foram selecionados alguns indicadores recomendados pela Portaria nº 3.125 (BRASIL,
2010a) que aprova as diretrizes, para vigilância, atenção e controle da hanseníase, além disso foram criados alguns indicadores que retratassem o serviço de saúde.
O quadro 3 apresenta uma síntese dos indicadores do MS (2010a) selecionados para a avaliação epidemiológica da hanseníase em Betim. Esses indicadores foram retirados da Portaria nº 3.125 (BRASIL, 2010a).
QUADRO 3
Síntese dos indicadores selecionados para a avaliação epidemiológica da hanseníase em Betim, 2014
(Continua)
Indicador Utilidade Parâmetro
Coeficiente de detecção anual de casos novos de hanseníase por 100.000 habitantes. Medir a força de morbidade, magnitude e tendência da endemia. Hiperendêmico: > 40,00 casos/100.000 hab.
Muito alto: 20 – 39,99 casos/100.000 hab.
Alto: 10,00 – 19,99 casos/100.000 hab. Médio: 2,00 – 9,9 casos/100.000 hab.
Baixo: < 2,00 casos/100.000 hab. Coeficiente de detecção
anual de casos novos de hanseníase em menores de
15 anos de idade por 100.000 habitantes Medir a força de transmissão recente da endemia e sua tendência. Hiperendêmico: > 10,00 casos/100.000 hab.
Muito alto: 5 – 9,99 casos/100.000 hab.
Alto: 2,50 – 4,99 casos/100.000 hab. Médio: 0,50 – 2,49 casos/100.000 hab.
Baixo: < 0,50 casos/100.000 hab. Proporção de casos de
hanseníase com grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico,
entre os casos novos detectados e avaliados no
ano.
Avaliar a efetividade das atividades de detecção oportuna e/ou precoce
de casos.
Alto ≥ 10% Médio 5 a 9,9%
Baixo < 5%
Coeficiente de casos de hanseníase com grau 2 de
incapacidade física no momento do diagnóstico por 100.000 habitantes Avaliar as deformidades causadas pela hanseníase na população em geral e compará-las com outras doenças
incapacitantes
A OMS não definiu parâmetros para esse indicador. A meta global da OMS
é reduzir este coeficiente em pelo menos 35% de 2011 a 2015. No Brasil,
é reduzir em 13% de 2008 a 2015. Proporção de cura de
hanseníase entre os casos novos diagnosticados nos
anos das coortes.
Avaliar a qualidade da atenção e do acompanhamento dos casos novos diagnosticados até a completude do tratamento. Monitorar o
Pacto pela Vida (Portaria nº325/ GM de 21 de fevereiro de 2008). Bom ≥ 90% Regular: 75 a 89,9% Precário < 75%
QUADRO 3
Síntese dos indicadores selecionados para a avaliação epidemiológica da hanseníase em Betim, 2014
(Conclusão)
Indicador Utilidade Parâmetro
Proporção de examinados entre os contatos intradomiciliares registrados
dos casos novos diagnosticados no ano.
Avaliar a capacidade dos serviços em realizar a vigilância de contatos intradomiciliares de casos
novos de hanseníase para detecção de novos casos. Monitorar as ações da
programação das ações de vigilância em saúde
Programação das ações de vigilância em saúde Bom ≥ 75% Regular: 50 a 74,9% Precário < 50% Proporção de casos de hanseníase em abandono de
tratamento entre os casos novos diagnosticados nos
anos das coortes
Avaliar a qualidade da atenção e do acompanhamento dos casos
novos diagnosticados até a completude do tratamento
Bom < 10% Regular: 10a 24,9%
Precário ≥ 25% Fonte: Portaria nº 3.125 (BRASIL, 2010a).
Ao realizar uma exploração do banco de dados do Sinan, foi possível identificar variáveis de interesse que contribuiriam para compreender os principais modos de detecção dos casos de hanseníase e ainda os serviços que notificavam os casos de hanseníase e os serviços utilizados pelos usuários para tratarem da doença. O comportamento desses novos indicadores foi valiosa na avaliação dos serviços de saúde.
O quadro 4 ilustra os indicadores criados para esta pesquisa, como forma de completar a avaliação dos serviços de saúde.
QUADRO 4
Síntese dos indicadores criados para a avaliação dos serviços de saúde em Betim, 2014 (continua)
Indicador Utilidade Fórmula
Proporção dos casos de hanseníase notificados nos serviços de atenção
primária à saúde
Avaliar o quão os serviços de saúde da atenção primária à saúde estão preparados para o
diagnostico e notificação dos casos de hanseníase
X= número de casos novos diagnosticados nosserviços
de atenção primária à saúde/ total de casos novos
diagnosticados no ano de avaliação
Proporção de casos de hanseníase tratados nos
serviços de APS
Avaliar o quão os serviços de saúde da atenção primária à saúde estão preparados para o
acompanhar os casos de hanseníase diagnosticados no
ano de avaliação
X= número de casos novos em tratamento nosserviços
de atenção primária à saúde/ total de casos novos
diagnosticados no ano de avaliação
QUADRO 4
Síntese dos indicadores criados para a avaliação dos serviços de saúde em Betim, 2014 (Conclusão)
Indicador Utilidade Fórmula
Proporção dos casos de hanseníase por tipo de
detecção
Avalia o quanto a comunidade conhece sobre a
doença, bem como a sensibilização dos profissionais da atenção primária em identificar e encaminhar casos suspeitos da doença. Ainda avalia-se a
vigilância dos contatos domiciliares e a realização de
campanhas educativas para a detecção precoce de casos de
hanseníase.
X= Tipo de detecção/ Total de casos novos diagnosticados no ano de
avaliação
Os indicadores de avaliação dos serviços de saúde, uma vez que foram criados para este estudo não existiam parâmetros para classificação. Por esse motivo optou-se por realizar uma evolução de 2003 a 2013 desses indicadores para o município de Betim.