2. Conceptions of populism
2.5 Approaching populism
A atenção ao primeiro contato, para Starfield (2002), envolve a agregação de vários atributos e conceitos, como acessibilidade, acesso e porta de entrada. “A atenção ao primeiro contato implica acessibilidade e uso do serviço a cada novo problema ou novo episódio de um problema para o qual as pessoas buscam atenção à saúde” (STARFIELD, 2002, p. 61). O conceito de acesso é diferenciado de acessibilidade, uma vez que esta compreende a questão geográfica, ou seja, é o modo como às pessoas chegam ao serviço. Já o acesso é entendido como o uso oportuno de serviços pessoais de saúde para alcançar melhores resultados possíveis, é a forma como a pessoa experimenta essa característica no serviço (STARFIELD, 2002, p. 225).
Para Starfield (2002), o acesso envolve a localização da unidade de saúde próxima da população a qual atende, os horários e dias em que está aberta para atender, o grau de tolerância para consultas não-agendadas e o quanto a população percebe a conveniência desses aspectos do acesso.
Ainda que o conceito de acesso geralmente seja compreendido como sendo semelhante à disponibilidade de serviços e recursos de saúde, deve-se também considerar necessariamente a importância de que estes estejam disponíveis no momento e no lugar de que a pessoa necessita; a forma de ingresso no sistema de saúde também deve ser clara. De fato, a comprovação do acesso consiste na utilização de um serviço e não, simplesmente, na existência deste (HORTALEet al., 2000; TRAVASSOS; MARTINS, 2004)
Outro conceito essencial que envolve a discussão da dimensão acessibilidade de primeiro contato é o atributo porta de entrada. Esse atributo implica acesso e uso do serviço de atenção primária a cada novo problema ou novo episódio de um problema pelo qual as
pessoas buscam atenção à saúde (STARFIELD, 2002, p.61), sempre como o primeiro atendimento procurado, exceto nos casos de urgência (ALMEIDA; MACINKO, 2006).
Longitudinalidade
Para Starfield (2002, p. 62):
A longitudinalidade pressupõe a existência de uma fonte regular de atenção e seu uso ao longo do tempo. Assim, a unidade de atenção primária deve ser capaz de identificar a população eletiva, bem como os indivíduos dessa população que deveriam receber seu atendimento da unidade, exceto quando for necessário realizar uma consulta fora ou fazer um encaminhamento. Além disso, o vínculo da população com sua fonte de atenção deveriam ser refletidos em fortes laços interpessoais que refletissem a cooperação mútua entre as pessoas e os profissionais de saúde.
A continuidade da atenção, outra expressão utilizada frequentemente para descrever o quanto os pacientes consultam com o mesmo profissional ou visitam a mesma unidade entre uma consulta e outra ou mesmo em um determinado período de tempo (STARFIELD, 2002, p. 62).
A justificativa de abordar o atendimento continuado na hanseníase deve-se ao caráter de processo infeccioso crônico, potencialmente degenerativo, com repercussões físicas, sociais e psicológicas, faz com que a longitudinalidade da atenção seja uma meta a ser alcançada na hanseníase (BRITTON& LOCKWOOD, 2004).
Integralidade
A integralidade implica que as unidades de atenção primária devem fazer arranjos para que o paciente receba todos os tipos de serviços de atenção à saúde, mesmo que alguns possam não ser oferecidos eficientemente dentro delas (STARFIELD, 2002, p. 62). Do ponto de vista da autora, a integralidade deve ser avaliada sob dois aspectos principais, em um primeiro ponto a disponibilidade de serviços, enquanto em outros foi determinada a extensão em que os serviços necessários foram prestados. Para Starfield (2002), a variedade de serviços que estão disponíveis deveria consistir de um núcleo que se aplicaria a cada população e serviços adicionais que estariam disponíveis para atender necessidades especiais que são comuns na população atendida.
A falha em reconhecer as necessidades e problemas é manifestada através de um subdiagnóstico sistemático dos problemas sabidamente comuns na população de pacientes ou pela evidência de falta de recebimento de serviços indicados naquela população (STARFIELD, 2002, p. 63).
Essa passagem vai de encontro às necessidades sociais que a assistência em hanseníase impõe aos diversos serviços que fazem parte do cuidado ao usuário. No que diz respeito à integralidade dos serviços prestados, pode-se citar aqui como exemplo algumas atividades inerentes aos serviços de APS, como: suspeição, diagnóstico, tratamento do caso, acompanhamento de possíveis complicações e vigilância após alta por cura (BRASIL, 2010a). São algumas ações atribuídas aos profissionais de serviços de APS que devem ser desempenhadas com alta qualidade no atendimento ao usuário com hanseníase.
Coordenação
Starfield (2002, p. 63), destaca que a “coordenação (integração) da atenção requer alguma forma de continuidade, seja por parte dos profissionais, seja por meio de prontuários médicos, ou ambos, além de reconhecimento de problemas (um elemento processual)”. A essência da coordenação é a disponibilidade de informações a respeito de problemas e serviços anteriores e o reconhecimento daquela informação, na medida em que está relacionada às necessidades para o presente atendimento (STARFIELD, 2002).
A coordenação da atenção requer alguma forma de continuidade, e esse é o grande desafio dos serviços de saúde, ou seja, coordenar o cuidado por parte dos profissionais por meio de prontuários, ou serviços de referência e contrarreferência, além de reconhecer problemas de saúde das populações adscritas.
Por exemplo, os problemas observados em consultas anteriores ou pelos quais houve algum encaminhamento para outros profissionais especializados deveriam ser avaliados nas consultas subsequentes (STARFIELD , 2002).
A coordenação ou integração de serviços consiste na capacidade do serviço de saúde de garantir a continuidade da atenção ao doente ao longo do sistema de saúde através da identificação de suas necessidades e do fluxo de informação que acompanha o doente ao longo de seu percurso pelo sistema de saúde (DONALDSON et al. , 1996).
Para tanto, torna-se importante o desenvolvimento de ações articuladas e integradas a outros serviços para a continuidade e integralidade da assistência aos usuários de hanseníase, independente de estarem em serviços de atenção primária ou qualquer outro nível do sistema de saúde.
2.1.2 Atributos derivados