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Ah, se eu pudesse eu queria ajudar bastante, mas eu não posso. Eu ajudo, a gente dá oferta, mas a gente podia ajudar mais. Mas eu dou muita coisa, móveis...muita coisa para as pessoas que precisam. Mas a gente tinha doar mais.

A senhora, na Igreja, já se sentiu discriminada? Não. Nunca aconteceu.

ENTREVISTADA 05

Eu gostaria que me contasse como foi sua experiência de conversão, quando, por quê?

A minha experiência foi ótima e está sendo muito boa até hoje. Eu me converti através do meu filho. Ele se converteu e aí ficava em cima de mim: "mãe vamos pra Jesus, vamos pra Jesus". Naquele tempo eu era espírita e não gostava muito de crente. Geralmente, todo mundo fala que esse povo evangélico é enjoado. Mas aí eu vendo o que ele fazia, o que a igreja propunha para ele e, sempre falando, lendo a Bíblia pra mim. Todas as vezes que ia na casa dele ele lia muito comigo e falava muito de Deus. Aí, eu falei: "Você sabe que eu vou passar pra ser crente, aí passei, me converti”.

Tem quanto tempo isso?

O tempo certinho eu não sei. Deve ter uns dez anos, no máximo. Aí eu me converti na Igreja Internacional da Graça. Fui para esta Igreja. Aí fui me batizar. Eu estudei um tempo, eu frequentei um cursinho para poder me batizar. Eu me batizei e, no dia do meu batizado foi muito importante porque estava um tempo assim como está hoje, um tempo calmo, um tempo tranquilo, não tinha chuva, tinha um solzinho e, quando eu afundei nas águas a hora que eu levantei, deu uma ventania tão forte e caiu tantas folhas dentro do rio que eu fiquei impressionada, parece que Deus jogou aquelas folhas. Então foi muito bom muito bonito meu batizado e, tinha mais gente batizando nesse dia também. De lá pra cá é só benção.

A senhora foi espírita por quantos anos? A senhora lembra? Eu fui bastante tempo, foi muito tempo.

O seu marido era também?

Não. O meu marido, toda vida foi católico. Não praticante. Mas ele era católico de mais, muito boa pessoa, fazia muita caridade, gostava de ajudar os outros.

Por que a senhora acha que deixou o espiritismo e foi para a Igreja evangélica? Mas foi muito bom.

E porque a senhora acha que fez isso?

Porque Deus tocou no meu coração para eu deixar aquela religião. É uma religião esquisita. Hoje é que eu vejo o tanto que eu era louca em ficar naquela religião, acompanhando aquela coisa que não era de Deus. Eu fazia coisas. Eu era muito rebelde, eu ia muito em festas, gostava de dançar, gostava de tudo que não prestava. Tinha dia em que eu tomava uma garrafa de pinga no dia e, eu não sentia nada. Eu acho que é através da religião. Eu fumava muito, dançava, ia muito em festa. Passei para ser evangélica e deixei de tudo e não senti falta de nada. Graças a Deus.

Quando foi para a Igreja evangélica a senhora se sentiu pressionada para ir?

Não. Eu fui de livre e espontânea vontade. Só o meu filho que falava: "Mãe vamos para a Igreja evangélica, é muito bom, Jesus está precisando da senhora, vamos, vamos". E lendo a Bíblia para mim e explicando. Eu via o jeito dele, as coisas que estavam acontecendo com ele.

O que mais a atraía, o que a senhora via nele, para dizer esta Igreja está certa, é isto o que eu quero? Eu achava muito bom por causa daquela paz que ele tinha. Aquela paz que ele tinha com a família. Quando ele não era evangélico, ele era muito difícil. Ele me deu muito trabalho até casar. Porque ele gostava de festas, de beber, aí ele deixou tudo isso. Eu achava aquilo muito bonito. A vida dele do jeito que estava. Aí pensei: "Você sabe que eu vou também batizar?"

A religião dele mudou a vida dele?

Muito. Mudou vida dele. A vida dele foi o seguinte, ele fazia faculdade aquele tempo, ele tem duas faculdades, ele é advogado. Mas o que ele fazia você não via. O que ele ganhava não se via. Cadê o dinheiro que ele ganhava? Sumia tudo. E ele foi indo para trás, foi até o fundo do poço. Aí não tinha mais jeito. E a mulher dele era evangélica de berço. A mulher dele falando para ele ir para a Igreja, para largar aquela vida mundana e ir para a Igreja, se converter. Mas depois que a mulher dele ia dormir, ele ia ouvir o pastor R.R.Soares. Ele fez isso um mês. Ouvindo as pregações dele, anotando e, depois ia para a Bíblia conferir e via que era do mesmo jeitinho. Ele falou: “Ah, é muito bonito aquilo que ele faz , e eu vou para a Igreja”. Um dia ele pediu para a mulher dele: " Vamos para a Igreja hoje?" Aí, ela falou: "Vamos. O que é que foi?" Ele nunca tinha ido à Igreja. Aí ele foi e já no primeiro dia passou a ser evangélico.

A senhora viu uma mudança na vida dele e, isso, de alguma forma, também inspirou a senhora? Aí ele mudou, a vida dele só foi voltando ao normal, ele foi trabalhando, a mulher ajudando ele.

Voltando um pouquinho. A senhora passou a frequentar a Igreja. O que acha que mudou na vida da senhora a partir dessa conversão?

Ah, a minha vida hoje é outra coisa. Depois que eu comecei a assistir, não depois que eu batizei não, mas depois que eu comecei a ir à Igreja. Pois, meu filho me levava para a Igreja. Eu ia para Palmas só para ir à Igreja com ele. E eu amava o pastor fazendo aquilo, falando aquelas palavras bonitas, aquelas palavras de Deus e meu filho falava: “Mãe, a senhora tem que ouvir e crer. A senhora achou bonito, então creia na palavra e se entrega para Jesus”. Assim, eu fui indo, a minha vida foi mudando, fui largando as coisas, larguei de fumar.

A senhora fumou muitos anos?

Muitos anos. Meu marido não gostava. O dia que ele morreu eu fumei três carteiras de cigarro no velório dele. A hora que enterrou ele, eu estava com um cigarro na mão. Eu joguei esse cigarro fora e até hoje parei, não fumei mais. E aí quando eu passei para a Igreja eu já não mexia mais com cigarro, larguei de beber, larguei de tudo. E a minha vida hoje é só tranquilidade. Tudo que eu peço para Deus eu sou ouvida.

Como a senhora vê Deus hoje? A imagem que a senhora tem de Deus hoje é diferente do que era antigamente?

Primeiro, eu nem pensava nEle. Nem pensava em Deus. Minha vida era aquela religião, aquelas imagens que eu via lá no templo que eram os vencedores, eles é que eram deus para mim. Hoje não. Hoje, eu tenho a Jesus comigo, o nosso Pai Celestial, ele é o meu Pai que eu amo, amo de paixão.

Como é Jesus para a senhora? Como a senhora o percebe em sua relação com Deus?

Ele é tudo para mim. Eu vejo Jesus na imagem quando ele veio aqui na Terra. É esta a imagem dele e o Pai dele. Eu sempre falo: “Jesus é meu irmão e meu Deus”. Então Jesus para mim é tudo.

A senhora tinha algum medo e deixou de ter? Como era a sua vida emocional antes e depois. Mudou alguma coisa?

Mudou. Eu era muito nervosa, eu tinha muito medo de escuro, muito medo de assombração. Agora eu não tenho mais. Eu tenho tanta fé em Deus que eu me apego com Ele. Se eu quero que aconteça alguma coisa hoje, se eu estou vendo aquela piora, aquelas coisas com meus filhos, então eu me apego com Deus e sou valida. Ele me ajuda. Ele me olha. Igual o meu outro filho, ele também era muito difícil, foi indo que até ele separou da família. E, eu me apeguei com Jesus para não deixar que aquilo acontecesse. Ele tem dois filhos e a mulher dele. Eu gosto muito dela. Eles se amam de mais. E, eu fui me apegando com Jesus para eles voltarem e, eles voltaram. Hoje eles vivem uma vida e, depois que ele voltou as coisas fez igual leite que subiu. Ele não tinha nada, só tinha o de comer. Hoje não, hoje cada um tem o seu carro, tem a casa dele. A mulher hoje é supervisora da educação do Estado.

Melhorou até financeiramente? Até financeiramente.

E como a senhora, hoje, vê o futuro? Quando olha para o futuro como a senhora se sente? Tem medo? Não. Não tenho medo, pois o amanhã a Deus pertence. O meu futuro é este que Deus está me dando agora, por isso, eu não penso nem no amanhã nem depois. O que vir é o que Deus me dá.

A senhora tem medo da morte?

Não. De jeito nenhum. Eu já criei meus filhos. Todos estão casados, bem casados. Quando Deus quiser mandar ela, eu só quero que Deus não me deixe sofrer numa cama por mãos dos outros. Mas se for preciso também, eu tenho duas filhas maravilhosas que faz isso com carinho para mim.

E a velhice? Como a senhora vê sua velhice? A senhora esperava que fosse do jeito que está sendo? Está sendo boa, ruim?

Minha velhice está sendo ótima, melhor do que quando era nova. Porque quando eu era nova eu trabalhava, hoje eu não trabalho. Meus filhos não deixam eu fazer nada. Lá na minha casa, eu não sei o que é limpar a casa. Nunca limpei minha casa.

Mas, a senhora não sente falta de alguma coisa, não se sente um pouco inútil?

Não. Porque eu sou muito criativa, eu gosto de estar fazendo crochê, eu gosto de bordado, eu ando muito, eu viajo muito.

A velhice traz alguma limitação, algum transtorno, algum desgosto que a senhora fala, “por isso eu não gosto de ser velha”?

Não. Nada?

Eu faço tudo. Eu faço hidro três vezes por semana. Eu faço caminhada. O dia que eu não faço hidro, eu faço caminhada. Eu não sou doente. Eu não tenho doença crônica. A única doença é essa asma. Então, a minha velhice está sendo ótima. Eu sou sozinha, não quis casar de novo, mas não foi porque não quis.

Em relação à Igreja, a senhora está frequentando aonde? Lá em Paraíso, Tocantins.

A Igreja está sendo útil para a senhora? Ela trata bem a senhora? Como a senhora se sente em relação à Igreja?

Muito bem. Eu fui à Igreja, mas não à minha Igreja, porque lá em Paraíso não tem. Eu estou indo à Igreja Presbiteriana.

A senhora está gostando de lá?

É diferente da minha, mas eu estou indo. Eu vou à Igreja não é para ver a Igreja é para ouvir a Palavra de Deus. O que a senhora não gosta ou não tem em sua Igreja e gostaria que tivesse?

É a pregação, o jeito deles agirem lá dentro é que eu não gosto. A senhora nunca se sentiu discriminada pelo fato de ser idosa? Não. Em lugar nenhum, fui discriminada por ser idosa.

Mas o que a senhora acha que ainda falta nesta Igreja? Para ser aquela Igreja mais perfeita? Eu acho que a pregação do pastor é diferente das outras que eu fui, o jeito deles fazerem lá dentro. Foi isso. Mas, tem pregação?

Tem.

Está faltando mais ensino? O que seria?

Eu nem sei o que falar sobre o que não tem. Eu sinto que é diferente da presbiteriana daqui. A senhora gosta mais desta daqui do que daquela de lá?

Sim. Desta daqui e da minha mesma. A de lá falta alguma coisa e, eu não sei te explicar. Eu sei que não achei muito bom.

A senhora sente que ainda pode fazer alguma coisa para a Igreja? Ou acha que está sendo deixada de lado, gostaria de ajudar, mas não estão dando chance? A senhora se sente um pouco inútil?

Inútil não. Eles não deixam eu nem pensar nisso. Eu é que não quero participar dos afazeres da Igreja, mas não porque eu não quero, mas porque eu moro longe da Igreja. Para eu ir tudo depende de carro. Eu não dirijo e se fosse para eu ir todos os dias à Igreja, como eles querem, ficaria difícil. Eu preferi ir apenas nos cultos, mas foi preferência minha.

Mas, a senhora acha que pode ajudar em quê? O que uma pessoa idosa ainda pode fazer?

Eu acho que uma pessoa idosa igual a mim que tem 73 anos, forte, sadia, pode fazer tudo lá dentro da Igreja, pode participar de tudo. Ajudar nos afazeres da Igreja. Só que eu não faço porque eu decidi que não. Mas eu dou conta de fazer qualquer coisa dentro da Igreja.

E, quando a senhora faz, o que dá alegria para a senhora? O que a senhora gosta de fazer?