Quando a senhora faz, faz o quê? Já teve alguma experiência?
Ainda não. Na Igreja ainda não.
Mas, a senhora imagina que se fizer vai se sentir feliz?
Eu acho. Nem que seja para limpar. Eu estando ajudando. Eu quero falar sobre um negócio que aconteceu agora, para o senhor ver o tanto que Deus é bom. Porque Deus toca na minha vida. Primeiro, eu tenho um negócio comigo, porque tudo acontece na minha família, uma cirurgia, uma viagem longa, um evento diferente na família eu escrevo uma cartinha para Jesus. Eu tenho dois cadernos cheinhos, são cartas que eu escrevo para Ele, como se eu estivesse escrevendo para o senhor. Minha filha fez cirurgia, aí eu escrevi para Jesus ajudar, para ele estar ali naquela hora sendo o médico dela.
Como tem sido a sua experiência neste sentido? A senhora sente que Deus ouve? Ele ouve, Ele responde.
A senhora tem algum exemplo em que viu isto muito claramente?
Tenho. Vou contar para o senhor agora. Neste Natal a minha filha falou: “Mãe, vamos à Igreja?” Ela é católica, e muito católica, praticante mesmo. Ela e o marido dela dão até cursinho bíblico. Eu não tinha para onde ir naquele dia e, falei: “Vamos, eu vou na Igreja com você”. E cheguei lá e o padre estava falando de Maria, que ela deu à luz, quando ela teve Jesus, a história do Natal. Aí quando terminou a pregação dele, ele falou assim: “Agora é tempo da gente unir a família, é tempo de reconciliar-se, quem tiver um pessoa que não goste, uma pessoa que
tem mágoa no coração, procure pedir perdão para Jesus e, se possível, para a pessoa”. E aquilo tocou no meu coração. Porque eu tenho um cunhado que, quando minha irmã morreu, há quinze anos, eu fiquei com muita raiva dele. Porque dizem que ele judiou muito da minha irmã, pois antes dele se casar ele já tinha outra mulher e já tinha dois filhos. E a minha irmã ficou sabendo e ficou muito chateada e morreu, sofreu um infarto e morreu. E falavam que ele tinha feito isso e eu fiquei com muita raiva dele, porque eu gostava de mais da minha irmã. E eu falei, “Se eu ver ele, vou xingar ele de mais, vou brigar com ele e aí vai ficar ruim”. E nesse domingo, que eu fui à Igreja e o padre pediu isso, para confraternizar para reconciliar com as pessoas, Deus me tocou no coração que era para pedir perdão para ele. Eu senti na hora. “Ah, é o meu cunhado”. Pois é a única pessoa que eu tenho raiva. Aí eu cheguei em casa, consegui o telefone dele e no outro dia liguei para ele e pedi perdão. Falei com ele e ele nem acreditou. Eu falei: “Eu estou te ligando, primeiramente, para te desejar feliz natal e te pedir perdão”. Ele falou: “Pelo quê?” “Porque eu fiquei com muita raiva de você, eu tinha tanto ódio de você, até agora mesmo eu tinha ódio de você e, agora eu não tenho mais, então, eu peço que você me perdoe”. E ele falou: “Eu não tenho nada que te perdoar, mas se você acha, está perdoado”. Quando eu desliguei o telefone eu estava tremendo, mas aquele dia para mim foi lindo, parece que estava nas nuvens, aquele dia para mim foi maravilhoso, contei para o meu genro, contei para minha filha e contei para todo mundo que eu tinha pedido perdão para ele.
Foi bom?
ENTREVISTADA 06
O que levou a senhora à Igreja? Por que a senhora resolveu ir para a Igreja dos "crentes"?
Eu estava ficando doente sofrendo de labirintite e eu não podia ir para a minha Igreja. E as minhas meninas já iam nessa Igreja. Igreja quadrangular. Eles iam lá e eu as acompanhava.
Antes a senhora era católica? Eu era católica.
Mas era praticante? Praticava.
E por que resolveu passar para outra? A senhora foi por causa da companhia das filhas? Sim, por causa da companhia. A companhia delas me animava.
A senhora não tinha companhia para ir para outra Igreja?
Não tinha. Aí, eu tinha que ir só e à pé, lá na Igreja São Sebastião. Mas estava ficando difícil e eu aí acompanhei elas. Depois minha filha Maria passou para a Igreja aqui mais perto, aí, eu estou indo até hoje.
A senhora hoje frequenta aqui? É. E batizei com ele.
Aqui é mais fácil? É, foi bom.
A senhora notou alguma diferença?
Notei. A gente tem mais força. Ano passado o meu filho morreu, o mais velho. Ele morreu de acidente. Foi dia primeiro de Janeiro. Ele vinha andando lá do amigo dele e um carro veio e bateu nele. Ele tinha descido do carro para comprar umas cervejinhas, a hora que ele vinha para entrar no carro dele, e a mulher estava esperando ele, o outro veio e bateu nele e ele caiu. Aí foi para o hospital e não amanheceu o dia. Para mim foi um impacto. Como a senhora está conseguindo força para enfrentar isto?
É como eu falo para o senhor, a Igreja dá força pra gente. Eu não deixei de ir para a Igreja, continuei. Ia na campanha de projeto de vida, continuei sem falhar.
A senhora acha que a Igreja faz diferença na vida da senhora? Faz. Porque se a gente não tiver força com Deus a gente não vence. Como a senhora está conseguindo essa força?
Esse ano agora para mim foi horrível porque chega o dia a gente tá lembrando. A gente parece que está vendo a pessoa. Também os meninos todos dando força para mim.
A igreja tem estado perto da senhora? Tem tido a ajuda da Igreja? Visita? Visita quase não. Às vezes vem alguns.
A senhora tem o hábito de ler a Bíblia ou de escutar mensagens? Tenho.
Como é que a senhora faz?
Eu leio a Bíblia todos os dias, gosto de ler. Eu não estou levando ela para a Igreja porque eu estou com o meu braço doendo, por isso parei de carregar a Bíblia. Mas eu leio ela em casa.
A senhora tem alguma passagem da Bíblia, algum versículo que a senhora que quando lê sente mais animada?
Eu não lembro.
Tem alguma passagem que a senhora gosta de ler mais, por exemplo, os Salmos, os Evangelhos, a senhora escolhe alguma passagem para ler?
Eu escolho as passagens de Mateus, mas eu não guardo. Mas na hora que eu estou lendo eu estou sentindo. A senhora tem a prática de oração?
Tenho.
A senhora ora mais em casa ou na Igreja?
É mais na igreja. Antes eles sempre vinham orar em casa, me visitar. Agora não estão vindo mais. A senhora sente que está conseguindo superar a dor?
Eu sinto.
Tem hora que senhora chega a desanimar ou não?
Quando eu começo a desanimar, quando eu penso muito, eu fico assim desanimada. Mas... Aí como a senhora recupera o ânimo de novo? O que a senhora faz nessa hora?
Esse ano me deu aquela vontade de ir lá no Cemitério onde ele está. Minha sobrinha chegou aqui, eu estava triste, chorando. Aí falei para ela que eu queria ir lá no Cemitério. Ela falou: Eu levo a senhora, então, nós fomos. Fui eu, duas sobrinhas, a Maria. Eu senti muito aliviada por ir lá. Se eu não tivesse ido lá eu ia ficar com aquele sentimento, aquela coisa na cabeça. E de lá, do Cemitério, elas me levaram lá para aquele monte para orar. Eu me senti muito bem. Eu pensava comigo: Se eu não tivesse ido lá, eu iria ficar com aquela coisa. Depois de ir ao monte orar, como a senhora se sentiu? A senhora acha que Deus tem respondido as orações da senhora?
Senti.
A senhora tem experiência de ver Deus respondendo as suas orações? Eu sinto.
Porque enfrentar este momento que a senhora passa, não é fácil. Não é mesmo?
Não é fácil. E eu fiquei preocupada com a minha nora, porque eu quase não vejo, ela ficou sozinha. Ele tinha um filho chamado Mateus e quando ele tinha completado três anos ele morreu também, de acidente nesta
E a senhora está encontrando em Deus essa força?
Deus abençoa a gente, Ele ajuda. A gente tendo fé a gente vence. Esquecer a gente não esquece. E eu peguei uma mania, eu deito durmo o primeiro sono, depois eu acordo e eu custo dormir. Tem dia que eu levanto, vou fazer chá pra tomar.
A senhora teve problemas de depressão por causa disso?
Eu tive início de depressão aí eu fui na médica e ela mandou tomar remédio. Ainda hoje eu estou tomando. A senhora teve algum problema de depressão recentemente?
Estava me dando moleza de mais, o corpo doía, estava sem ânimo. Aí a senhora foi ao médico?
Fui. E ela passou remédio para eu tomar. A senhora está se sentindo melhor? Estou, graças à Deus.
E quando a senhora vai à Igreja, sente que muda alguma coisa?
Eu sinto. Às vezes, eu fico desanimada para ir, pensando: Hoje eu não vou. Aí eu decido, eu vou. Não adianta eu ficar quieta aqui. Aí eu vou. Quando eu chego, eu consigo dormir.
A senhora volta se sentindo melhor? Eu acho que sinto.
E aqui em casa, quando a senhora abre a Bíblia e lê, acha que se edifica mais do que na Igreja?
Eu acho. A gente tem a fé da gente. Tem dia que eu vou deitar e eu lembro, eu não li a Bíblia, aí eu pego e vou ler a Bíblia primeiro. Parece que a gente não dorme se não ler.
Depois que a senhora mudou de religião, deixou a Igreja católica e foi para a Igreja evangélica, o que mudou?
Mudou a fé. A gente tem mais fé. Tenho mais confiança em Deus. Às vezes, parece que católico não tem amor na gente, diferente dos evangélicos. A gente sente mais acolhida. Eles oram pra gente.
Mudou alguma coisa na forma como a senhora vê Deus? A senhora tem hoje outra imagem de Deus? Como a senhora via Deus antes, e agora?
Agora, parece que eu sinto muito mais. Agora eu leio a Bíblia, tem uma passagem que está escrito assim: Quem fez a imagem são pessoas que trabalham com ferramentas e faz a imagem e põe ela lá, e se ajoelham lá e vão rezar para aquela imagem. Eu era assim. Mas eu não era de muita fé não. Eu via as imagens lá e eu pensava: Será que vale? Mas o que vale é a fé. Um dia eu cheguei lá na Igreja. Eu tinha ido sem ninguém saber e sem falar nada. Eu ajoelhei lá e lembrei de orar, falava rezar, né? Eu falava rezar, agora eu falo orar? Então eu estava lá orando pedindo à Deus pelo meu genro e nessa hora enquanto eu orava por ele lá no altar. Ele estava naquela loja, a Arapuã e estava tendo um assalto lá, ajoelhado, passando apuro com o assaltante. A hora que eu saí da Igreja eu fiquei sabendo que ele estava lá.
E ele saiu bem?
Saiu. Não aconteceu nada com ele. Foi o efeito da minha oração, foi válida. Porque foi sem ninguém me falar, eu tive vontade de orar por ele. E ele, graças à Deus, foi salvo.
O que a senhora tem como algo importante na vida?
A coisa importante, é que quando o meu marido morreu, eu fiquei muito doente, me deu depressão, por muito tempo fiquei com depressão, eu custei sarar. Aí eu fui ao médico, ele nem passou remédio para mim. Ele disse que era para eu passear, saí, viajar, visitar algum parente que mora longe. É bom a senhora viajar, passear, distrair. Essa doença tua é só você sair. Parece que ele não passou remédio.
E como a senhora superou a morte do marido?
Foi muito difícil, me deu esta depressão e eu tive a ajuda dos meus filhos. Eles me ajudaram com amor. A minha filha começou a me levar para a Igreja. Todo mundo é legal comigo. Todos me ajudam. Eu tenho mais dois filhos, falta pouco eles adivinhar o que eu estou precisando. Eles cuidam bem de mim. Nunca senti abandonada. Até os netos, todos preocupados comigo. Eles não podem me ver triste e dizem: Vó, o que a senhora está querendo. Eles procuram brincar. Eu sempre falo: Graças à Deus que a minha família é unida.
A senhora vai à Igreja toda a semana?
Eu vou quase todo o dia. Agora mesmo, eu estou fazendo o "projeto de vida". Eu vou na Sexta, no Domingo. Tem vez que eu vou no Sábado.
O que a senhora está querendo receber de Deus?
Saúde. Primeiramente saúde. Eu peço à Deus toda hora, me ajuda. A hora que eu estou desanimada, eu peço à Deus me força.
O que é saúde para a senhora, saúde físico, o que?
Saúde física e tirar as dores e ajudar a gente nos remédios, pois tem hora que a gente toma remédio parece que não vale.
Mas a senhora acha que está conseguindo melhora nos sentimentos? A tristeza está diminuindo, está mais animada?
Sinto. Tem hora que eu penso: Ah, Deus tá me ajudando, me dando força. Porque se a gente ficar só triste, a gente adoece.
E o que mais ajuda a recuperar a alegria? O que mais faz a senhora se sentir bem? Que lhe dá alívio, que a anima? O que a senhora gosta de fazer que provoca este bem-estar? O que?
A gente sair. Aquele ali, ele sai muito comigo. Esse dia mesmo, de final de ano, ele saiu comigo, me levou para comer fora e no final é bom pra gente, porque a gente distrai. A gente chega lá, conversa com as pessoas. A senhora tem alguma amiga, além da família, que a senhora troca umas ideias de vez em quando? Tenho.
Vocês se encontram sempre? Sempre.
Ela dá uma força para a senhora?
Dá. A irmã Ana, mãe da Paula. De vez em quando a gente se encontra e bate um papo. Também a mulher do senhor Paulo, a gente se encontra e a gente conversa, a gente distrai.
Ela sempre tem uma palavras para a senhora que lhe anima?
Sempre tem. A gente sempre se conforma com as pessoas. Conversando com uma amiga do mercadinho, ela falou: Dona Rita a gente tem que se conformar com as pessoas. É muita gente que perde, então, a gente tem que conformar.
E como a fé e a religião ajuda a senhora nestas horas? Como a senhora se conforma?
Porque se a gente parar de ir para a Igreja, fica em casa pensando, desanimada. Mas se vai para a Igreja tenta esquecer põe outras coisas na cabeça. Na Igreja a gente sente força, eles oram lá, a gente fica com fé. A senhora acha que está crescendo nesta fé?
Eu acho.
A senhora está pedindo saúde. Mas vamos imaginar que Deus por algum motivo não cure a senhora. Como vai reagir?
É a vontade de Deus.
Como a senhora vai se sentir em relação à Ele? Vai ficar com raiva? Não. Com raiva não adianta. Tem que ir na fé e esperar o dia que Deus quer.
E, em relação ao futuro, quando a senhora olha para frente, tem algum projeto, algum sonho?