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Mapa 1: Estado de Minas Gerais, localização da cidade de São Sebastião do Paraíso. Fonte: www.paraiso.mg.gov.br
São Sebastião do Paraíso está localizado no centro de uma microrregião (de mesmo nome), que compreende o sudoeste do estado de Minas Gerais e o nordeste do estado de São Paulo, a 403 km da capital Belo Horizonte e a 335 Km da cidade de São Paulo. Pertencente à mesorregião Sul e Sudoeste de Minas, a microrregião de São Sebastião do Paraíso conta ainda com outros 13 municípios circunvizinhos, são eles: Jacuí, Monte Santo de Minas, Itamogi, Juruaia, São Pedro da União, Guaxupé, Muzambinho, São Tomás de Aquino, Arceburgo, Monte Belo, Cabo Verde, Guaranésia e Nova Resende. Segundo o IBGE, o maior território geográfico e populacional destes municípios pertence a São Sebastião do Paraíso. A economia da região é voltada para a agricultura e pecuária, seguida pelo comércio e indústria, com destaque para a cafeicultura, gado de corte e leiteiro. Destacam-se: a cidade de Guaxupé, por conter a maior cooperativa de café brasileira (Cooxupé), a cidade de Juruaia, por conter fortes indústrias de lingerie, e São Sebastião do Paraíso, pelos laticínios, curtumes, entre outros produtos. Em se tratando da Educação, somente duas delas oferecem ensino superior (São Sebastião do Paraíso e Guaxupé), ambas com instituições privadas. Entre as festas
populares destacam-se: Congada e Moçambique, Folia de Reis, Festas Juninas, Queima do Alho, Cavalgada e Festa de Peão.
Passemos agora para as especificidades do município de São Sebastião do Paraíso. Conforme suas documentações históricas, foi fundado em 25 de outubro 1821, a partir de uma doação de terras da família Antunes Maciel à igreja católica. O arraial se constituiu em seguida, ao redor de uma capela destinada ao padroeiro São Sebastião, sendo esta curada8
em 04/01/1853, culminando na vinda do padre “administrador público” encaminhado pela arquidiocese de São Paulo para residir no local. Vale ressaltar que desde o primeiro momento o arraial se chamou São Sebastião do Paraíso por dois motivos simples: primeiramente, por São Sebastião ser o padroeiro do local, devido à devoção do doador das terras; em segundo lugar, pela paisagem representar um “Paraíso” para aquelas pessoas, ou seja, um lugar muito bonito e verde, com diversas árvores de ipê amarelo e muita água doce.
Pouco tempo depois, o arraial passa a ser freguesia, estabelecendo uma expansão geográfica firmada em 18/05/1855, pela lei nº 714, pertencente até então ao município de Jacuí. Com o passar dos anos foi elevado à categoria de Vila em 13/09/1870, através da Lei nº 1641 e logo mais em 1873 elevada à categoria de cidade pela Lei nº 2042 (SOARES, 1922; CALAFIORI, 2005).
A partir da antiga Praça da Independência, posteriormente Praça Cezário Alvim e atual Praça Com. José Honório (Praça da Matriz), o pequeno arraial se desenvolveu. Ao redor da Igreja de São Sebastião, a precária vida “urbana” começava a ser marcada pela circulação das pessoas, e o lugar tornava-se ponto de encontro, de trocas comerciais e de referência, sendo também marcado pela fé. Próximo a esse local foi construída a antiga Igreja de N. Sra. do Rosário, protagonista das manifestações populares negras, como a Congada e o Moçambique em homenagem aos santos negros N.Sra. do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia. Era somente nesta capela que os grupos negros realizavam suas festas, uma vez que não havia outra em homenagem ao santo padroeiro de sua devoção (SOARES, 1922).
8 Termo utilizado para reconhecer oficialmente uma capela, que ganha autonomia religiosa e
administrativa. A partir do momento em que uma capela é curada, um padre é designado para residir no local, além de ser autorizado pelo Bispo a celebrar os sacramentos na mesma, devendo-se lavrar um Livro de Tombo (livro no qual são registrados todos os sacramentos concedidos).
Nos primórdios, o povo do arraial era de ascendência portuguesa e o principal setor econômico, a pecuária. Destaca-se ainda a produção de rapaduras e aguardente produzidas pelos engenhos de cana de açúcar, e algumas olarias com a fabricação de tijolos e telhas comuns. Com o passar dos anos, a vinda de escravos do nordeste e a imigração italiana, devido às grandes lavouras cafeeiras, reconfigurou o cenário. O café conquistou o setor econômico e, em 1911, foi fundada a primeira estação ferroviária da região pela Companhia São Paulo e Minas. A partir da vinda da estação, o município se desenvolveu e aumentou gradativamente a população, atraída pelos cafezais. Em 1914 foi fundada uma nova estação ferroviária em São Sebastião do Paraíso, pela Companhia de Estradas de Ferro Mogyana. Desse modo, a pequena comarca contava com duas estações ferroviárias para escoar sua produção de café. As estações contribuíram ainda para a chegada de novos compradores de terras, que objetivavam a produção cafeeira e a criação de gado, uma vez que o clima e o relevo proporcionavam boa qualidade para o plantio.
Em 1960 foi fundada a Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso), uma das maiores cooperativas de café do Brasil. De acordo com o site oficial da Cooparaíso, na cooperativa, no ano de 2014, havia cerca de 5.970 associados, com 10 filiais (sendo nove no estado de Minas Gerais e uma no estado de São Paulo) e uma área cafeeira de 165.285 ha. Produzindo mais de três milhões de sacas de café com 60 Kg por ano. Em agosto de 2015, com sérios problemas financeiros, a Cooparaíso firmou contrato de arrendamento com a Coopercitrus (Cooperativa de Produtores Rurais) com matriz em Bebedouro-SP. Pelo contrato, esta empresa assume todas as atividades da Cooparaíso, tais como, beneficiamento, armazenagem e comercialização de café, prestação de serviços de assistência técnica, fornecimento de insumos e máquinas agrícolas.
A pecuária continua se destacando no setor econômico do município, através da preparação de couro pelos 10 curtumes existentes, frigoríficos e laticínios. Entre os curtumes, destaca-se o Curtume Santo Antônio, fundado em 1958, destinado à exportação de couro tratado para aplicação em calçados, bolsas e artefatos. A empresa Cacique, fundada em 1967, é uma das maiores empresas do município em relação à oferta de empregos, e compreende o
curtume, artefatos de couro (Andacco) e estofados em couro (Móveis Cacique). A empresa Laticínios Aviação (Gonçalves Salles S.A. Indústria e Comércio), fundada em 1920, conta atualmente com diversos produtos, distribuídos nacionalmente, dentre eles a manteiga, requeijão, doce de leite, queijos, café e creme de leite. Outro ramo que vem conquistando espaço é o de lingerie, por intermédio de empresas com amplo mercado nacional, como a Jugley, fundada em 1989, e a Duzani. Temos ainda forte produção de fruticultura (banana, manga, goiaba); citricultura (laranja); raízes (mandioca); hortaliças; têxtil e produtos hospitalares.
A Educação se destaca pelo bom índice que o município ocupa no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), quando comparado às outras regiões de Minas Gerais. A primeira Escola pública foi fundada em 1912 através do Decreto Estadual nº 3631 de 16 de julho de 1912, denominada “Grupo Escolar de São Sebastião do Paraíso”, atualmente Escola Municipal Campos do Amaral. Hoje o município conta com 33 unidades de ensino fundamental, médio e superior, subdivididas em 14 municipais, 11 estaduais, 06 privadas e 02 faculdades privadas. Além de vários centros de educação infantil públicos e particulares.
Na área do Lazer e Turismo, destaca-se a Estância Balneária Termópolis, fundada em 1921, que atrai um quantitativo considerável de turistas ao município por oferecer um contato direto com a natureza, além de instalações em estilo colonial e nascentes de águas minerais termais de 30ºC a uma altitude de 825 metros. A estância é procurada também como tratamento terapêutico (imersão nas nascentes), muito indicado pela medicina local. Outro destaque é a Estância Lobo da Montanha que reúne a paisagem rústica e simples do cerrado de Minas Gerais, proporcionando ao turista o aconchego da vida no campo a uma altitude de 1.000 metros. Temos ainda outros clubes e hotéis fazenda que são procurados durante os feriados prolongados e período de férias, movimentando a economia paraisense.
O município é referência regional no Esporte, principalmente após a inauguração da Arena Olímpica “João Mambrini”, em 2010. A Arena oferece um espaço com quadra poliesportiva com dimensões oficiais, comportando 3.500 pessoas sentadas nas arquibancadas, além de alojamento para 600 atletas, restaurante, lanchonete, academia equipada, vestiários com duchas e
salas de massagem, aquecimento, consultórios médicos, sala de imprensa e sala para convenções. No ano de 2012 foi palco das competições da “Copa América de Basquete Masculino” categoria sub-18, contando com a participação de diversos países, entre eles: Brasil, Argentina, Canadá, Estados Unidos, Colômbia, México, Porto Rico. O município se destaca ainda nas modalidades de natação, futsal, vôlei e futebol.
Em relação à Cultura, tivemos grande influência dos africanos, pois como a lavoura cafeeira predominou durante muito tempo nas fazendas do município, juntamente com a pecuária, a mão de obra africana foi bastante utilizada nas colheitas e demais processos do café. No arquivo histórico municipal encontram-se diversos documentos que comprovam a vinda de escravos de variados estados nordestinos para as fazendas de São Sebastião do Paraíso. O grandes legado dos africanos para a cultura paraisense foram a Congada e o Moçambique, juntamente com a culinária, dança, música, ritmos, termos, costumes e crenças, podendo ser conceituado como circularidade, se comparados com os fazendeiros, uma vez que a aproximação de culturas no interior de Minas Gerais foi forte e constante. Todavia, esse contato não estava vinculado somente ao meio rural, tendo em vista que no perímetro urbano os africanos também estavam presentes, tanto que cerca de 100 metros à frente da Igreja Matriz de São Sebastião foi erguida a capela de Nossa Senhora do Rosário, local onde ocorriam as apresentações dos congadeiros e moçambiqueiros. Entretanto, o convívio social entre grupos negros e grupos brancos não foi harmonioso e cheio de paz, até a capela não foi perdoada, pois estava também localizada no centro da cidade junto à elite local. Mesmo sendo uma Capela contemporânea à Matriz, foi organizado um motim para demoli-la e tal fato ocorreu em 1952, sendo erguida uma nova em devoção a Nossa Senhora do Rosário em um bairro afastado (periferia) com o mesmo estilo arquitetônico. O motivo para a barbárie foi que os grupos negros faziam muito barulho no centro da cidade por ocasião da Festa da Congada e Moçambique no final de ano, tumultuando o local. Como sinal de resistência os grupos se negaram a dançar na nova Capela, e começaram a realizar seus festejos na Igreja Matriz de São Sebastião, lugar em que permanecem até hoje.
Dos portugueses herdamos a Folia de Reis, concomitantemente com a religião, vestuário, língua, dentre tantos outros aspectos culturais que nos
identificam. Tanto da África quanto de Portugal, manifestações populares que constituem o Patrimônio Imaterial enraizado até hoje na cultura paraisense. Vale ressaltar que a cultura é influenciada pelo meio, logo se torna representante de diversas outras culturas em um verdadeiro aglomerado cultural. Uma determinada região não detém uma cultura homogênea, pura, sem interferência alheia, como se fosse uma ilha perdida no oceano sem contato algum, ou seja, “não existe uma ‘cultura popular’ íntegra, autêntica e autônoma, situada fora do campo de força das relações de poder e de dominação culturais” (HALL, 2003, p. 254).
De acordo com o IBGE (2014), o município conta com uma área geográfica de 814,925 km², distribuídos em perímetro urbano e rural; uma população de 69057 habitantes, densidade demográfica de 79,74 hab/km² e com 92% da população residindo no perímetro urbano. O perímetro rural está dividido em nove áreas geográficas (mapa geoturístico do município – edição 2011) sendo elas: Barreiro; Morro Vermelho; Mercês; Faxina; Pimentas; Volpes; Itaguaba; Queimada Velha e Guardinha. Cada área se subdivide em diversos bairros rurais. Fazem fronteira os seguintes municípios circunvizinhos: Jacuí, Fortaleza de Minas, Pratápolis, Capetinga, São Tomás de Aquino, Itamogi, Monte Santo de Minas e Santo Antônio da Alegria (estado de São Paulo). Compreende rodovias federais, estaduais e de ligação, tais como: BR 265, BR 491, MG 050, L 836.
Da população total, 67,32% (46491) pertencem à religião Católica Apostólica Romana. Nota-se que a maioria da população é originária de uma cultura com preceitos religiosos católicos, que acaba influenciando nos modos de vida. Essa influência refere-se às manifestações culturais que acontecem nas comunidades, dando continuidade e perseverança, além de serem apoiadas por um público que comparece efetivamente.
Tais práticas se confirmam se analisarmos o calendário oficial de eventos culturais de São Sebastião do Paraíso, disponibilizado pelo Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal, que destaca os seguintes: Janeiro – Festas de Reis, Festa de São Sebastião (quermesse); Fevereiro – Carnaval; Março – Dia da Mulher, Cavalgada da Paz; Abril – Semana Santa, Caminhadas na Sexta-feira da Paixão; Maio – Dia do Trabalhador, Festa da Congada e Moçambique (distrito de Guardinha), Festa de Nossa Senhora de
Sion; Junho – Festas Juninas; Julho – Festa do Peão, Festa do Asilo de São Vicente de Paulo; Agosto – Dia dos Pais, Festa de Nossa Senhora da Abadia, Festa do Senhor Bom Jesus (distrito de Guardinha), Caminhada em louvor ao Senhor Bom Jesus; Setembro – Desfile Cívico Militar em comemoração à Independência do Brasil, Encontro de Carros de Boi, Queima do Alho; Outubro (mês do Aniversário da Cidade) – Feira de Artesanato Balaio Mineiro, Exposição Nacional de Orquídeas, Festas de Nossa Senhora Aparecida (quermesse), Desfile cívico militar em comemoração ao aniversário da cidade, Encontro de Carros Antigos; Novembro – Desfile cívico militar em comemoração ao aniversário do distrito de Guardinha, Semana da Consciência Negra; Dezembro – programação de natal com apresentações culturais na Praça Com. José Honório (Matriz), Levantamento das Bandeiras dos Santos padroeiros da Festa da Congada e Moçambique, Festa da Congada e Moçambique. Durante o ano todo acontecem exposições no Museu Histórico Municipal “Napoleão Joele”, situado na Casa da Cultura, com saraus, teatros e apresentações musicais. Acontecem ainda alguns shows sertanejos renomados nos clubes e parque de exposição no decorrer do ano.
A partir dos eventos culturais relacionados acima, fica clara a tendência aos de cunho religioso. As quermesses acontecem em todas as capelas e paróquias do município, com poucas exceções, movimentando os grupos sociais no decorrer do ano. Geralmente acontecem em dois planos: o religioso e o social. O primeiro com missas, procissões e novenas, já o segundo com leilão de prendas (ofertadas pela própria comunidade) com destaque para os cartuchos de doce e frangos assados, além de rosca, queijos, leitoas etc. Envolve ainda música sertaneja ao vivo, com cantores locais, bingo, serviços de bar (bebidas em geral, porções de batata ou carne).
A festa mais famosa do município acontece no centro da cidade, no período de 26 a 30 de dezembro, com registros históricos que datam do ano de 1900. É considerada famosa por ser referência cultural no município; quando se questiona algum paraisense sobre a cultura local, se lembram sempre desse festejo. Denominada Festa da Congada e Moçambique reúne em torno de 10 mil pessoas, entre comunidade e turistas, para assistir os desfiles noturnos dos
ternos9 que passam em uma das principais ruas que cortam a Praça Com.
José Honório. Conta com a participação de nove ternos de Congo sendo eles, Ipiranga, Chambá, Bela Vista, União, Sabiá, As filhas de Paraíso, Os Anjos de São Benedito, Os Veteranos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, Canários Paraisenses, juntamente com cinco ternos de Moçambique, Santos Dumont, Nossa Senhora do Rosário, Diamante, Zambiê de Angola e São Benedito. Cada terno de Congo tem em torno de 200 pessoas e os de Moçambique cerca de 50 integrantes, ou seja, envolve grande parte da comunidade paraisense. A partir dos anos de 1990, houve a aderência das mulheres aos ternos de congo e Moçambique, aumentando assim o número de integrantes. Apenas um terno de congo “União” não permite a presença de mulheres entre seus dançantes. Estas participam na organização do desfile e algumas acompanham os filhos na passarela de desfile, porém sem uniforme, vão apenas com roupas brancas. O presidente do terno justifica que não tem nenhum preconceito em relação às mulheres, mas que quer manter o terno da mesma forma que seu pai (falecido) o entregou, mantendo o costume.
A Festa da Congada e Moçambique recebe apoio financeiro da Prefeitura Municipal de São Sebastião do Paraíso, através de subvenção social, ficando a cargo da municipalidade a infraestrutura necessária para a realização do evento, que inclui as arquibancadas para o público, o palanque para as autoridades, reis, rainhas e princesas, a energia elétrica, a decoração da praça, a decoração da passarela, os fogos de artifícios, a instalação de sanitários químicos, a contratação de locutores, a instalação de equipamentos de som, a iluminação, o cronômetro, as grades de isolamento, a compra de troféus, a confecção de folders, os crachás, a equipe de apoio, o oferecimento de ambulância de plantão no local durante os desfiles noturnos, a organização de os seguranças, o trânsito, além da documentação para liberação do Alvará Judicial e Laudo do Corpo de Bombeiros. Os coordenadores gerais e a diretoria
9 Termo utilizado para designar um grupo de pessoas que saem às ruas vestidos com roupas
semelhantes (uniformes) portando um instrumento musical, dançando, cantando e expondo sua fé ao santo padroeiro. Cada terno pertence a um bairro da cidade, envolvendo assim a comunidade local. Não necessariamente, os participantes dos ternos correspondem somente ao bairro onde a sede está localizada, pois podem vir pessoas de outros lugares, inclusive outras cidades e estados. Alguns possuem sedes próprias (salão) utilizadas para ensaios, almoços, bingos beneficentes, velórios dos congadeiros mais experientes, festas em geral. As sedes também são emprestadas para os moradores do bairro realizarem suas confraternizações, são referências culturais para a comunidade participante.
da Festa são responsáveis pela condução dos acontecimentos no momento festivo. A partir desses dados, nota-se uma organização dentro dos padrões jurídicos e legislativos vigentes, por envolver diretamente os órgãos públicos.
O evento tem início no dia 08 de dezembro de cada ano, dia da Imaculada Conceição, com a celebração da Missa das Bandeiras em louvor aos santos padroeiros da Congada, no interior da Igreja Matriz de São Sebastião, com a presença dos Reis, Rainhas e Princesas do Congo, dos Ternos de Congo e de Moçambique comandados por seus respectivos capitães. Conta ainda com os membros da Associação Paraisense de Defesa do Folclore Brasileiro, dos membros da Comissão Organizadora da Congada e Moçambique e da comunidade em geral.
Os santos padroeiros recebem as homenagens na Festa em dias específicos, ou seja, dia 26: Nossa Senhora do Rosário; dia 27: São Benedito; dia 28: Santa Efigênia; dia 29: São Domingos; dia 30: Santa Catarina e São Jerônimo. Os dias dedicados aos santos padroeiros correspondem aos dias de festejos, não sendo os oficiais determinados pela Igreja Católica. De acordo com fotografias disponíveis no Arquivo Histórico Municipal, a Festa contava com apenas três padroeiros, pois havia apenas três bandeiras hasteadas em frente à Igreja de N. Sra. do Rosário no ano de 1950. Com o passar do tempo e a grandiosidade da festa, os congadeiros decidiram aumentar o número de dias, justificando que três dias era muito pouco, tendo em vista o apoio recebido pela comunidade. Primeiramente a festa se estendeu para quatro dias e pouco tempo depois chegou aos cinco dias, os quais permanecem. A escolha dos santos padroeiros ficou por conta da “corte real” juntamente com alguns capitães mais experientes. Em cada região são escolhidos santos padroeiros diferentes, mas costuma-se repetir São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia. Um fato interessante é o dia 30 de dezembro em que se comemora Santa Catarina e São Jerônimo, este último incluído devido ao pedido do padre da Igreja Matriz de São Sebastião, à época Mons. Jerônimo Madureira Mancini. Dessa forma, o santo foi aceito em homenagem ao nome do padre, sem outro significado ou explicação.
Todos os anos, no dia 26 de dezembro, acontece a procissão das imagens dos santos de devoção saindo da nova Igreja de Nossa Senhora do Rosário dirigindo-se, em procissão, até a Igreja Matriz de São Sebastião. A
festa é dividida em dois momentos: a parte religiosa concentra-se durante o período vespertino envolvendo a comunidade e todos os ternos de Congo e Moçambique, que seguem uma escala de apresentação. A participação dos ternos, em geral, acontece durante os cinco dias de festa, por cada dia ser dedicado a um santo padroeiro, da mesma forma ocorre com o período noturno. Todas as noites, os desfiles são iniciados após a celebração da missa