FRAMSKREVET BEFOLKNING UNDER FORUTSETNING OM REDUSERTE GIFTERMALSRATER, OKTE SKILSMISSERATER OG SAMME FRUKTBARHET FOR ALLE SIVILSTANDSGRUPPER (ALTERNATIV K, LAY NUPTIALITET)
NARINGSOKONOMISKE EMNER INDUSTRIAL SUBJECT MATTERS
Os bens culturais imateriais estão ligados diretamente a seus grupos sociais. Se a comunidade não recriar suas formas de expressão, saberes, celebrações e lugares, o bem imaterial não tem continuidade. Esta foi a situação ocorrida no município de São Sebastião do Paraíso, especialmente no bairro rural Barreiro, no ano de 1998. A Festa de Reis, que ficou ativa durante muito tempo, passando por diversas gerações, veio a encerrar suas atividades. Conforme pode ser verificado na entrevista com o Sr. José Aparecido Pedroso, folião (palhaço) e antigo gerente da Festa local:
[...] No último ano que eu saí, o povo tava reunindo muito só no dia da saída, o festeiro era o Zé Francino, a casa dele tava
cheia de folião, lá na roça, e nós saímos, e ia pousar na casa do Zé Urias, chegou lá não tinha cantador. Aí tá doido né, fica ruim. Eu falei pro Colorido: “tá custoso, só que tem uma coisa, no dia da chegada vai cantar aqueles que cantaram a semana inteira” e assim eu fiz, porque assim, folião não pode só sair e chegar, ele tem que andar os dias todos, acompanhar a Bandeira, tem que assumir a responsabilidade. Aí foi meu último ano mesmo, depois eu mudei pra Jacuí, em 1998. Aí ela [Festa de Reis] ficou 2 anos parada né, depois o Seu Mané que reiniciou ela em 2001.32
Nota-se que a Festa de Reis teve uma interrupção entre os anos de 1999 e 2000, como já referido, tendo em vista as dificuldades enfrentadas pelo gerente. É comum tal acontecimento na Cultura Popular, já que ela é formada por pessoas que geralmente dedicam seu tempo em função da Festa, sem receber recursos financeiros, ou seja, promovem a Festa simplesmente pela devoção e pela tradição familiar.
As celebrações necessitam de organizadores para conduzi-las e estas pessoas assumem grandes responsabilidades, no caso da Festa de Reis, é o gerente. Conforme relato do Sr. José Pedroso, a Festa só terminou em 1998 devido à ausência de foliões no decorrer do trajeto, sendo estes extremamente necessários para prosseguir com as festividades, uma vez que não há uma Companhia de Reis sem foliões, ou sem determinados foliões que executam uma função específica no grupo. Quando o gerente enfrenta tais problemas na comunidade e não consegue solução imediata, acaba perdendo o entusiasmo de permanecer no cargo. E se por acaso não houver outra pessoa para assumir a responsabilidade, o bem imaterial encerra suas atividades, até surgir alguém para retomar. A situação se agravou ainda mais porque o gerente mudou para outro município, desligando da comunidade local.
São diversos os motivos pelos quais as Culturas Populares deixam de existir em determinadas localidades, tais como: a) as transformações ocorridas durante a execução, que levam à perda de identidade pelos grupos sociais; b) a saída ou morte dos idealizadores que fazem a Festa acontecer; c) a falta de pessoas para participar ativamente dos eventos, entre outros. Todo
bem imaterial corre esse risco, por esse motivo se faz necessário um Plano de Salvaguarda.
Buscando dados sobre a tradição da Festa de Reis no local estudado, não conseguimos chegar ao período de origem, mas de acordo com as entrevistas “ela é muito antiga”, não havendo precisão de data. O trecho da entrevista abaixo, do Sr. José Pedroso, relata o período em que ele começou a fazer parte dos festejos, e as conjunturas que levaram a Festa a ser de sua responsabilidade, juntamente com o dia a dia enfrentado pelos foliões:
Quando eu mudei pra roça, a Companhia do Barreiro era do Zé Jerônimo, toda vida teve, e as festas era na casa do festeiro. Eu comecei a andar com eles nos anos de 1980, depois que casei, foi quando o Tião Jerônimo foi festeiro, mas a
Companhia já existia. Ela andava do dia 1º a 6 de janeiro, e o
embaixador era o Zé Jerônimo. Depois de uns anos o compadre Dito Lourenço começou a tomar conta da Companhia, aí ele tomou conta uns par de tempo e parou, e eu comecei a tomar conta da mesma Companhia. Não deixei a
Companhia parar. A gente andava de trator, outra hora a pé,
pousava quase todo mundo numa casa só, o “Bastião” era obrigado a pousar junto com a Bandeira. Eu saía de casa num dia e voltava só no último dia e não trocava a roupa, andava todo dia com a mesma farda. (grifo nosso)33
Para conseguir chegar aos tempos mais remotos, procurei entrevistar os moradores mais antigos do bairro, dentre eles o Sr. Manuel Bueno da Silva, 87 anos, filho de embaixador, que me relatou:
Quando meu pai começou, eu não sei, mas eu lembro direitinho que eu tava com idade de 9 anos e meu pai me colocou pra puxar os frango e leitoa que ganhava de oferta. Eu dava duas viagem todo dia, do dia 1º ao dia 6, e no dia da festa era aqueles quartos de leitoas assados em cima da mesa pra janta, a fartura de comida era muito grande. Meu pai era embaixador e saía todo ano, mas naquele tempo era comum outras pessoas formar uma companhia, só que não andava todo ano não, já a do papai andava todo ano no Barreiro, ele
cantava muito bem. Não ia muito longe porque andava só a
pé, então ficava nas redondezas de casa mesmo. (grifo nosso)34
33 Ibidem.
34 Manuel Bueno da Silva, 87 anos, pecuarista e cafeicultor, residente no bairro Barreiro. Filho
de embaixador de Companhia de Reis. Foi responsável pelo retorno das festividades de Santos Reis em 2001. Entrevista concedida ao autor em 22/10/2015.
O pai do Sr. Manuel se chamava José Bueno da Silva, conhecido popularmente como Zé Bueno, nasceu em 1885 e sempre morou no mesmo bairro rural, foi o único nome lembrado pelos mais antigos da comunidade. Foi responsável pela realização das Festas de Reis por diversos anos, até sua morte em 1945. Logo, não podemos afirmar se existia ou não outra Companhia de Reis, no bairro Barreiro, anterior àquela de Zé Bueno.
A família Bueno, originária do casal José Bueno da Silva e Maria Amélia de Jesus, é natural de São Sebastião do Paraíso e tradicional no bairro, juntamente com a família Moreira e Caetano. Dos 11 filhos do casal, constituíram família no mesmo bairro apenas cinco, os demais foram para outros municípios. Atualmente, boa parte dos moradores locais pertence à família Bueno, que está na sexta geração.
Todavia, a figura do Sr. Zé Bueno está presente no retorno das festividades de Santos Reis em 2001, pois de acordo com seu filho Manuel: “Então, um dia eu sonhei com meu pai e ele me pedia pra voltar com a Companhia, aí conversei com o Luiz, meu filho, pra retornar a Festa. Aí soltei a Companhia em intenção ao meu pai [grifo nosso]35”. Durante a entrevista, pude perceber que o retorno da Festa foi uma homenagem ao seu antigo pai, que a manteve em atividade durante muito tempo.
Concidentemente, o sogro do Sr. Manuel fez uma promessa de realizar uma Festa de Reis, mas veio a falecer em 1952 e deixou a filha responsável para cumprir a promessa. A Sra. Maria da Penha Silva nunca comentou o caso da promessa com seu marido, e quando o Sr. Manuel contou o sonho, ela aproveitou a oportunidade e revelou a promessa do seu pai:
Meu pai tinha uma promessa de sair com uma Companhia,
mas nós como era muito pobre, pobre mesmo, morava em fazenda, nunca pude fazer. Aí eu pensava comigo, nunca vou poder fazer a Festa, mas também não contei pra ninguém não. Eu sempre sonhava com ele e pensava nessa festa. Aí quando surgiu essa oportunidade, eu contei pro Mané, e cumpri a promessa dele. Foi a maior beleza! (grifo nosso)36
35 Ibidem.
36 Maria da Penha Silva, 82 anos, aposentada, residente no bairro Barreiro. Entrevista
A família apoiou os pais a reativar a Festa de Reis, por conhecer a história e saber a representatividade dela para ambos. O mesmo fato aconteceu com a comunidade, que incentivou o Sr. Manuel, apoiando-o em todos os processos, isto é, oferecendo donativos e refeições aos foliões durante a jornada. A comunidade abriu as portas das suas casas para receber a Festa de Reis, pois sem visitação não há Festa. De acordo com Luiz Antônio da Silva, gerente da Companhia de Reis:
A comunidade recebeu bem, não tinha Companhia andando na época, todo mundo achou bom, todo mundo apoiou bem, todo mundo deu uma força bem boa pra nós, o povo aceitou bem. Engraçado, essa Companhia quem me deu força pra continuar mesmo foi o Chico Vieira37, se não fosse ele eu tinha parado.
Um dia eu falei pra ele que ia parar com a Companhia, aí ele me falou: “Ô Luiz, eu ando com Companhia faz muitos anos, se for pra você parar a Companhia, eu também paro, nunca mais eu canto Reis, você toca ela certinho, não para não”. Aquilo me deu uma força muito grande, eu senti bem com aquilo, um homem velho desse, falar isso pra gente38.
Percebemos mais uma vez, que a Cultura Popular está ligada à hereditariedade, sendo passada de geração a geração. O Sr. Manuel quis retornar com a Festa tendo em vista que o seu pai dedicou sua vida em função do evento. Quando reativou os festejos, o filho do Sr. Manuel, Luiz Antônio da Silva, assumiu o posto de gerente e permanece até a atualidade, ou seja, dando prosseguimento à cultura de seu avô, que nem mesmo conheceu. O mesmo caso acontece com os foliões que dedicam seu tempo para cantar e andar junto com a Bandeira de Santos Reis. A maioria continuou com a cultura da família:
Meu pai era “Bastião” e eu era pequenininho, aí comecei a andar com ele, eu não fazia nada, mas ele me levava junto.
Nunca tive a oportunidade de vestir nada, fui crescendo, chegou a juventude e eu esqueci daquilo, mas sempre com fé nos Três Reis Santos. Aí depois de casado vim morar no Santana [bairro rural], e passou uma Companhia de Reis lá, era do seu Amadeu, ele que era o gerente. Aí eles passaram lá em casa, mas eu não conhecia ninguém, e chamaram eu e a Valéria pra ir pra janta no Zé Crispim, aí nós foi e acabei
37 Francisco Vieira, popularmente conhecido como Chico Vieira, é folião desde criança.
Atualmente está com 85 anos e reside no bairro Barreiro.
fazendo amizade com eles lá. Aí no outro dia, fui pra lá de novo, e falei com o “Bastião”, que era o Vicentinho, que eu tinha vontade de vestir a farda, e ele pegou e me deu e eu vesti. E daquela hora em diante, fui bem recebido lá, e Deus dá o dom pra gente, andei com eles. Quando foi no outro ano eu peguei e vesti direto, fiz uma máscara de cabaça, e não parei mais de lá pra cá. (grifo nosso)39
A mesma situação pode ser verificada na fala do Sr. Osvaldo Queiroz, folião da Companhia do Barreiro:
Eu comecei a cantar Reis com meu pai, meu pai era
embaixador de Companhia de Reis, e na minha casa tinha uma Companhia, porque tinha minhas irmãs, minha mãe, meu
pai e meus irmãos, todos cantava. Então nós já começou
daí, do meu pai. Eu aprendi a cantar com meu pai. Enquanto eu puder, se Deus quiser, eu quero cantar porque eu gosto muito da Companhia. (grifo nosso)40
Outro caso relacionado com a hereditariedade se refere aos pais que participaram das Festas de Santos Reis, mas se mudaram para outro município distante, em busca de trabalho e melhores condições de vida. Quando constituem família, transmitem aos filhos a experiência de vida, levando-os a buscarem a Festa através das histórias contadas pelos pais. Depois que conhecem a cultura popular se sentem acolhidos e acabam retornando todos os anos para vivenciar o que os pais vivenciaram outrora. A entrevista a seguir, do Sr. Antônio Carlos de Souza, residente na cidade de São Paulo, é um exemplo desse fato:
A primeira vez que eu vim, foi mais pra conhecer, porque eu não conhecia e meu pai falava muito, e um pouco de curiosidade também. A segunda vez, o Roldão, meu primo, pediu pra mim segurar a Bandeira, e eu senti algo totalmente
diferente, que mexeu comigo, mexeu com minha emoção.
Depois disso, todas as vezes que eu ouço, chego a sentir uma sensação tão forte, que muitas vezes não consigo aguentar e
as lágrimas chegam a rolar. E essa sensação esse
sentimento tão gostoso e agradável é o que me traz, a certos momentos, poder me aproximar um pouquinho da Bandeira. Eu acredito muito nesse movimento, e cujo movimento não é só popular, os participantes que se fazem presentes trazem uma
39 José Aparecido Pedroso, entrevista concedida ao autor em 21/03/2015.
40 Osvaldo de Queiroz, 69 anos, folião, residente do bairro Barreiro. Entrevista concedida ao
energia e uma fé tão gloriosa, que eu também sinto essa fé, é o que me traz a São Sebastião do Paraíso todo ano, e todo ano que eu puder e ter saúde e condições de vir eu venho. (grifo nosso)41
Nota-se que não é apenas a comunidade que participa da Festa de Reis, outras pessoas saem de suas casas e trazem suas famílias para participar dos festejos, não como participantes ativos (foliões), mas como ouvintes que apoiam e fazem a Festa acontecer. O público ouvinte contribui e incentiva a comunidade a continuar com os festejos, pois não existe Festa sem pessoas para prestigiar.
A música e os rituais da Festa de Reis conseguem mexer com as pessoas, transmitindo uma mensagem de paz e fé, conforme pode ser verificado pelo trecho da entrevista da Sra. Inês Oliveira de Souza:
Eu sinto uma energia muito grande na Festa de Santos Reis, é
uma cultura que a gente recebeu de nossos pais,
principalmente do meu pai, e na cidade de São Paulo nós não temos isso, então eu faço questão, quando eu posso, de comparecer, porque é uma energia, é uma cultura, é uma fé, que envolvem muito os familiares, as nossas raízes e é muito bom, eu gosto. (grifo nosso)42
A hereditariedade e continuidade da Cultura Popular são alguns critérios necessários, para contemplar um bem como Patrimônio Cultural Imaterial na localidade de execução. Outro critério é a identidade que a comunidade agrega ao bem. De acordo com a Analista Técnica da Gerência de Patrimônio Imaterial do IEPHA, Débora Raiza Carolina Rocha e Silva:
Os critérios podem ser construídos pelos próprios municípios, mas os que devem ser estabelecidos são: o de identificação, criação de identidade e memória com o município e uma questão de tradicionalidade, porque o Patrimônio Imaterial é vivo, não tem como contemplar algo que não existe mais43.
41 Antônio Carlos de Souza, 62 anos, empresário, filho do Sr. Joaquim de Souza, 93 anos,
folião. Reside com a família na cidade de São Paulo e pertence à doutrina Espírita. Entrevista concedida ao autor em 31/10/2015.
42 Inês Oliveira de Souza, 64 anos, aposentada. Reside na cidade de São Paulo e participa
todos os anos como ouvinte. Entrevista concedida ao autor em 31/10/2015.
A analista frisou que os municípios possuem autonomia para definir seus critérios, conforme pôde ser verificado no Quadro VI, da Deliberação Normativa 02/2015. O que torna relevante é o significado do bem para a localidade, enquanto referência cultural. O Analista Técnico da Gerência de Patrimônio Imaterial do IEPHA, Breno Trindade da Silva44, disse o seguinte:
Para uma produção cultural tornar-se Patrimônio, os principais elementos são: a ressonância que ela tem enquanto identidade ao município, enquanto uma peça que constitui uma cultura do município, a gente tem, por exemplo, a Folia de Reis. A Folia é uma prática desenvolvida em todo o estado, que tem uma relação histórica com o estado e em todos os lugares tem grupos desenvolvendo essa prática, assim como o Congado. Primeiramente tem que estar ligado a uma identidade específica de uma cidade, e ao seu processo histórico. E essas categorias não são categorias rígidas que o município ou o bem de interesse devem preencher como se fossem uma tabela engessada, a gente tem que ser flexíveis de acordo com o contexto que a gente trabalha.
Relacionando as falas dos analista com a Festa de Reis do bairro rural, podemos concluir que a mesma está vinculada com a cultura local, tendo em vista a quantidade de gerações pelas quais ela foi perpetuada e a sua tendência é de continuar, envolvendo não só uma única família, mas sim toda a comunidade.
Verificamos que a identidade é um critério para reconhecer um bem enquanto Patrimônio Cultural. No caso da Festa de Reis, percebemos na fala dos organizadores que a relação ainda é maior. A Sra. Maria Carmelita Freiria da Silva, esposa do gerente da Companhia, fala sobre sua identidade com a Festa:
Tem uma coisa que puxa a gente, eu não ando muito, porque eu tenho que ficar aqui em casa pra cuidar das coisas, mas eu e o Luiz se conheceu e começou a namorar numa Festa de Reis, você entendeu?! Por mais que a gente tem dificuldade na vida, a gente tem uma vida boa, porque a gente foi conquistando aos pouquinhos, nós não tinha nada, hoje entre nós dois aqui, nós vive bem, o que dá mais força pra gente é isso, a fé que a gente tem em Santos Reis, nós acredita que Ele nos abençoou desde o começo. Eu só sei que Companhia de Reis pra nós é uma vida, Santos Reis pra nós é uma vida,
44 Breno Trindade Silva, antropólogo, analista Técnico da Gerência de Patrimônio Imaterial do
uma vida que a gente viveu na época, que Ele ajuda a gente, eu acho que pra mim no meu sentido de receber Santos Reis na minha casa, jamais vai faltar um prato de comida pra Companhia de Santos Reis, na minha casa se Deus quiser não. Pode ser qualquer hora, até pedir atrasado, não importando de ser arroz com feijão, eu sempre terei o maior prazer em fazer, eu acho que é uma fé que eu não sei nem explicar, mas que ele ajuda muito nós. É uma fé muito grande.45
A Festa de Reis significou para ela uma referência cultural, momento em que conheceu o companheiro há mais de 30 anos. Nota-se que a vida do casal é dedicada a Santos Reis, pois agradecem tudo o que têm aos padroeiros. Há uma identidade com os festejos, levando-os a oferecer donativos sempre que solicitados.
A Festa de Reis não é só reconhecida e valorizada pela comunidade local, conforme verificamos nas entrevistas. A integrante da equipe técnica do Setor de Patrimônio Cultural de São Sebastião do Paraíso, Sra. Ângela Maria Duarte, relatou sobre a proteção jurídica desse festejo:
Eu acredito que o Registro da Festa de Reis é muito importante para o nosso município, porque faz parte da nossa cultura local. Existem muitas Festas na região de São Sebastião do Paraíso, as quais são muito antigas e envolvem grande parte da nossa população. A Festa de Reis é muito forte não só
aqui, como em outras regiões, e consegue manter a tradição
por muitas gerações, então ela está ligada a nossa cultura imaterial. (grifo nosso)46
Nota-se que a Festa de Reis também ocorre em outros municípios circunvizinhos, demonstrando que essa cultura popular é comum na região, conforme vimos no projeto do IEPHA denominado “Projeto de Inventário Cultural para fins de Registro das Folias de Minas Gerais”, ou seja, o estado de Minas Gerais abriga, em sua totalidade, diversas Festas dessa modalidade.
A arquiteta da Prefeitura Municipal e integrante da equipe técnica do SEMPAC, Marília Andrade Pereira expõe sua opinião sobre a pesquisa:
45 Maria Carmelita Freiria da Silva, 50 anos, foliona, residente no bairro Barreiro. Entrevista
concedida ao autor em 02/11/2015.
46 Ângela Maria Duarte, funcionária pública, é integrante da equipe técnica do Setor de
Patrimônio Cultural. Foi responsável pela implantação da política pública cultural no município de São Sebastião do Paraíso. Atuou como chefe do Departamento de Cultura no período de 2005 a 2010. Entrevista concedida ao autor em 29/10/2015.
Eu considero importantíssimo o Registro da Festa de Reis, tendo em vista que estamos fazendo a atualização do inventário, e ainda não há nenhum levantamento sobre essa
cultura popular. Apenas a Festa da Congada e Moçambique é
registrada, a Festa Junina e a Festa de São Sebastião são inventariadas; então é importante e urgente que isso seja feito. (grifo nosso)47
A arquiteta faz referência à falta de levantamentos sobre a Festa de Reis no município, como um problema que necessita ser solucionado. A atualização do inventário por ela mencionado refere-se ao processo que o