3. Oppgavens teoretiske grunnlag
3.1. Teorier om ledelse
Em relação às escolas públicas, em geral o destaque foi dado às condições inadequadas de trabalho, ao desestímulo dos professores, tanto em relação às condições materiais das escolas, quanto aos ganhos salariais e à carreira. Em geral, o “quadro pintado” por diretores e pessoas que melhor conhecem as escolas públicas visitadas foi “pessimista”, de um ambiente pouco estimulador, pouco exigente.
As condições materiais foram relatadas como desestimulantes, pois falta tudo: de condições objetivas para qualificação e reuniões pedagógicas, a material básico como giz, mapas, retroprojetores, vídeos, “mimeógrafos,”27 livros, biblioteca.
Pudemos perceber que, efetivamente, nas escolas públicas selecionadas há problemas infra-estruturais de toda ordem. Em uma escola selecionada, por exemplo, as salas de aulas estão próximas de uma avenida bastante movimentada e não há isolamento acústico - a despeito do levantamento de custos e viabilidade que, segundo o diretor, já
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O coordenador está se referindo à matéria publicada no Boletim da UFMG, ano 30, n.1448, 22 jul. 2004, sobre o impacto das escolas para a formação dos estudantes, utilizado em nossa metodologia para seleção das escolas que compõem a amostra e discutido anteriormente.
27 Considerando-se neste caso, a ironia ao fato de estarmos numa “era digital”. E considerando, ainda, as dificuldades de elaborar e rodar provas e atividades para os alunos.
foi apresentado à prefeitura, o que não significa, evidentemente, que ele tenha sido aprovado no orçamento municipal.
A gente ainda tem um fator muito complicado que é o barulho. O barulho aqui da avenida, isso é uma coisa seriíssima. É muito, mas é muito mesmo. Isso, o que tem acarretado de licença de professor, de estresse de professor e, inclusive, falta de atenção dos alunos. O aluno se dispersa porque ele não escuta. [...] Nós temos já lá um [...] projeto que foi elaborado por um doutorado lá da UFMG, que foi aprovado já, já passou por todas as instâncias da prefeitura, mas a JUCOF, ou seja, o órgão máximo econômico barrou esse projeto. [...] É uma coisa simples, é um revestimento acústico. Não fica em 300 mi, mas [...] está barrado. (Diretor da
escola C)
Alguns professores citaram, em suas entrevistas, esses limites físico-estruturais das escolas como um “desestímulo” à sua própria atuação e interesse, e mais, como exemplo cabal do descompromisso do estado para com as escolas.
Em relação às escolas privadas, de modo geral as condições de trabalho foram caracterizadas como “boas”, tanto em relação aos salários e valorização dos profissionais, quanto às condições materiais de trabalho.
Neste caso, destaca-se o processo de formação e qualificação do corpo docente e seu envolvimento – até mesmo sentimental com a escola - como na entrevista a seguir
[Temos] muitos professores que estão aqui há muitos anos, não é. Então eu não
sou... um... privilégio não. A maioria dos professores... muitos deles estão aqui há muitos anos - daqui a pouco nós vamos ter que aposentar e passar pra outra turma que está chegando que é o mais que natural, não é? [...] Mas há essa...essa... então assim... essa forma de ver a escola, de muitos anos, que a gente é muito apegado a escola. (Coordenador da escola A)
Às condições de trabalho efetivas foram acrescidas a “boa qualidade” dos alunos e a “boa formação do corpo docente”, além de “seu envolvimento” com as instituições. Este coordenador destaca ainda a estabilidade do corpo docente, apontando para a “antiguidade” dos professores na escola. Assim, as condições de trabalho são consideradas “boas”, apesar de certos limites (no caso, o diretor destacou sobremaneira a carência de quadras esportivas maiores e cobertas, devido ao limite territorial da instituição, sem possibilidades de expansão).
Para alguns coordenadores, as escolas em que eles trabalham não colocam quaisquer limites às suas necessidades efetivas de trabalho.
Então, esse ponto material que eu preciso aqui eu não tenho limite. Precisa professora? Pode contar. Biblioteca, eu tenho, eu indico, enquanto coordenadora, enquanto professora eu posso estar indicando livros. Eh, você tem a liberdade de organizar o seu material, que nem toda escola te dá essa liberdade. E, uma escola, assim, saudável cujo ambiente interno é muito bom. Então, eu me sinto, assim, muito feliz. Eu venho trabalhar satisfeita aqui dentro. Então, eu acho que isso, assim, é importantíssimo na vida de uma pessoa. (Coordenador escola B)
Assim, oferece-se ao professor, além de “boa remuneração”, reconhecimento e condições materiais de trabalho, além de um ambiente “saudável”, a ponto de o professor sentir-se “feliz por estar trabalhando”.
Se, de um modo geral, podemos afirmar que nas escolas públicas, mesmo tendo selecionado as melhores dentre elas de acordo com os critérios arrolados na metodologia, há carência de condições materiais e objetivas de trabalho, que incidem também sobre os salários, podemos, em contrapartida, afirmar que nas escolas privadas selecionadas o quadro parece ser o oposto.28
Em relação ao controle sobre o trabalho dos professores, este parece ser maior nas escolas privadas, apesar das constantes reiterações dos diretores e pessoas que melhor conhecem estas escolas acerca da liberdade que os professores têm para trabalhar. Porém esses docentes devem estar “antenados” com a realidade atual e mais, utilizar todos os recursos que as escolas colocam à sua disposição, inclusive modernos e sofisticados equipamentos de informática presentes nas salas de aula. Então, o controle é exercido pela comunidade atendida, em geral, considerada como exigente.
Por sua vez, nas escolas públicas selecionadas pudemos constatar uma quase inexistência de controle sobre o trabalho docente. Neste caso, parece que os professores têm mais “liberdade” em propor não apenas os conteúdos, mas também as formas de avaliação. Todavia, esses docentes se deparam com quadros que dificultam sua ação, como condições materiais insuficientes, alunos desinteressados e certa “deslegitimação social” de seu trabalho.29
28 Todavia, também é fato que encontramos em algumas escolas públicas condições materiais consideradas como “boas”, como no caso a seguir: É uma escola pequena. Eu tenho uma quadra só. Tem
piscina, mas atende. [...] Eu não tenho uma sala de multimeios. Eu não tenho auditório. [...] É difícil manter uma escola estadual ainda mais de ensino médio. A verba que vem pro ensino médio é muito pouca porque o compromisso do governo é o ensino fundamental. (Diretor escola E).
29 Neste caso, ao mesmo tempo em que os professores se sentem “deslegitimados”, recentes pesquisas divulgadas inclusive pela mídia, apontam que o profissional docente é um dos mais “confiáveis”, ou seja, este é um segmento profissional em que a maioria da população “acredita e confia”.
As escolas pesquisadas não podem ser consideradas homogêneas, muito menos uniformes quando analisadas detalhadamente. Em nossa amostra, apesar de podermos traçar um quadro geral, encontramos grandes diferenças entre as diversas instituições, no que se refere à relação entre os atores escolares (professores, alunos, quadros técnicos, direção), e às condições materiais no cotidiano escolar.
Apesar de se constituir nas escolas um corpus de conhecimentos específicos (as disciplinas escolares), as escolas e suas disciplinas também se inscrevem em quadros gerais que não podem ser negligenciados, mesmo em se tratando de questões pontuais, sob pena de se cometer excessos anacrônicos.
Neste caso, nossa crítica tem uma direção clara: não se pode generalizar determinados aspectos da realidade intra-escolar; assim como, da mesma forma, não se pode desconsiderar que a escola (em especial a “escola para as massas”) surge em determinado contexto histórico, que irá afetar não apenas sua legitimidade e aceitação sociais ao longo do tempo, como também conformá-la e, concomitantemente, criar os mecanismos para sua negação e superação.
Assim, em nossa concepção, há uma relação intrínseca e dialética entre escola/sociedade, em que uma mantém, legitima e modifica a outra incessantemente. Desse modo, se há uma especificidade dos conteúdos escolares, é preciso também considerar que estes se constituem no tempo, e que, portanto, estão sujeitos àquilo que é “legítimo” em cada momento.30 Portanto, as escolas, seus atores, suas disciplinas podem e devem ser conhecidos no detalhe, mas não se pode esquecer que este “detalhe” se inclui em movimentos – sociais materiais e ideológicos – mais amplos e, por que não, determinados socialmente. Nesse sentido, as escolas, suas práticas e seus atores se inscrevem nos quadros materiais e ideológicos próprios a cada temporalidade e, por isso mesmo, estão em relação direta – de conflito, de legitimidade, ou de ambos simultaneamente – com elas.
30 Senão, como explicar que, por exemplo, os castigos físicos infligidos aos estudantes eram comuns e considerados até mesmo necessários no início do século XX no Brasil, e atualmente, estas práticas são, não apenas consideradas “politicamente incorretas”, como estão, inclusive, sujeitas às sanções penais? E este é apenas um dos aspectos mais visíveis desses processos...