DEL II: TEORETISKE BEGREPER OG GRUNNLAG FOR ANALYSE
2.2 Teoretisk rammeverk: Styringssystemet som en pakke
De acordo com a figura 5, foram registrados 35 desvios na produção do aprendiz. A figura 11 expande a valor dos dados sobre a produção mostrando como as ocorrências de desvios são tratadas pontualmente:
Figura 10: Lacunas não tratadas durante o diálogo vs lacunas apresentadas na seção de feedback 0 5 10 15 20 25 30 35 To ta l d e lac unas na in te ra ç ã o R ef or m ul aç ões Nã o ref or m ul aç ões Lac unas apr es ent adas R ef or m ul aç ões
4 0 8 1 22 35 0 5 10 15 20 25 30 35 Solicitações de Esclarecimento Pedidos de Confirmação Feedback Próprio (Percepção Autônoma) Correção Explícita Ignoradas (sem feedback pontual) Total
A figura 11 representa dados numéricos sobre as diversas formas de tratamento do desvio lingüístico cometido pelo aprendiz. Apenas 13, das 35 ocorrências de desvios foram tratadas com algum tipo de feedback. 22 delas foram ignoradas, ou seja, não houve fornecimento de evidência negativa sobre elas. A maior parte dos enunciados reprocessados pela aprendiz ocorrem mediante feedback próprio (interno). Dos tipos de feedback externos, as solicitações de esclarecimento predominam, com quatro ocorrências, ao lado de 1 ocorrência de correção explícita e nenhuma ocorrência de pedidos de confirmação.
O excerto 17 mostra uma prática de correção explícita, um tipo de feedback externo que tende a ocorrer, estatisticamente falando, entre pessoas com menos simetria hierárquica entre si e, de fato, corresponde à única ocorrência observada no corpus.
Excerto 17
Int1 no… I/ I don’t live with with my grandparent… my grand/ my grandparents Int2 uhum… you say they live by themselves?
Int1 ((pausa: 3 segundos)) yeah… my… my… my grand… fa:thers... are not married Int2 oh ok… grandparents
Int1 ah yes… but... I/ how can I say…ahm my/ my grand/ my grandparents that…. they are… parents… of my:/ my father?
O Int2 fornece a forma correta “grandparents” como alternativa à forma desviante “grandfathers”. Esse tipo de feedback tende a ser menos eficiente em termos de levar o falante a testar suas hipóteses sobre a língua e revisar suas informações lingüísticas. As solicitações de esclarecimento são responsáveis por um índice mais alto de reformulações da produção por parte do aluno, como se pode observar na figura 12:
0 0 0 0 2 0 0 3 0 0 1 0 1 0 0 3 3 0 1 6 0 1 2 3 4 5 6 Modificação Semântica Modificação Sintática Modificação Morfológica Modificação Fonológica Total
Solicitação de Esclarecimento Pedido de Confirmação Correção Explícita Feedback Próprio
Figura 12: Tipos de modificação de produção vs tipos de feedback
A maior parte das reformulações na produção são desencadeadas por feedback interno (representado pelas barras em azul claro) e despertam alterações de natureza morfológica e fonológica. Essa prática equivale a testar hipóteses sobre o uso da língua com base no exercício da atenção sobre aspectos formais. O excerto 18 consiste em uma amostra desse evento:
Excerto 18
Int1 ((10 s)) and/ and how/ ahm… when do you… are you… will you… finish this/ your course?
Int2 ahm… in may Int1 may?
Neste movimento, antes de chegar à forma correta “when will you finish your
course?”, a aprendiz coloca os seus próprios recursos lingüísticos em uso testando
formas no nível sintático e checando a adequação das mesmas no interior do enunciado. O processo da percepção da falha lingüística (feedback próprio) depende, neste caso, do exercício da atenção. A aprendiz também emprega sua atenção no monitoramento de desvios fonológicos, ou de pronúncia imprecisa, como se pode observar no excerto 19:
Excerto 19
Int2 and... do you ( ) teach english?... or you want to teach? Int1 ((2 s)) I... I want to cheat… to teach... I teach
Modificações nos níveis morfossintático e fonológico também são desencadeadas, em índices mais baixos, por solicitações de esclarecimento. As solicitações de esclarecimento constituem o único tipo de feedback negativo não explícito que resultam em modificação da produção. Os pedidos de confirmação tendem a não desencadear reformulações.
É comum, na produção da aprendiz, o uso de vocalizações ao final de certas palavras, especialmente verbos, como é observável no excerto seguinte:
Excerto 20
Int2 you see… it’s not fair… you’re already perfect… and I don’t/ I can’t do in Portuguese
Int1 ( ) but… I/ you/ you… you learne: ((vocalização)) portuguese very well Int2 did what?
Int1 ((risos)) you you… you will learn portuguese very well Int2 [[oh
Diante da incompreensibilidade causada provavelmente pela vocalização ao final de “learne:” em “you learne: portuguese very well”, o Int2 sinaliza incompreensão por meio de uma solicitação de esclarecimento, que resulta em uma forma mais precisa e sem vocalizações: “you will learn portuguese very well” por parte da Int1. Contudo, esse tipo de desvio é tratado com pouca freqüência por duas razões: i) a aprendiz não volta sua atenção para sua prática de vocalização desviante ao final de palavras, o que impede ocorrências de feedback próprio voltadas para esse aspecto; e ii) o Int2 posiciona-se desfavorável à correção pontual de desvios que não correspondem a falhas de compreensão. Assim como os eventos de incompreensibilidade no insumo, a figura 14, a seguir, mostra que os índices mais altos de desvios de produção tratados pontualmente localizam-se nos primeiros 200 turnos, quando filtros afetivos tendem a estar mais altos e os participantes fazem os primeiros ajustes:
0 1 2 3 4 5 6 7 8 0-100 101-200 201-300 301-400 401-500 501-600 601-700 701-800 801-869
Solicitações de Esclarecimento Pedidos de Confirmação
Feedback Próprio (Percepção Autônoma) Correção Explícita
Ignoradas (sem feedback pontual) Total
Figura 13: O tratamento do desvio de produção ao longo da interação
Após esse estágio, os índices caem, mas mantêm alguma constância até o final do diálogo. É pertinente destacar, porém, que os índices mais baixos ocorrem dentro das áreas correspondentes às subseções 2 e 3, em azul e vermelho.
A despeito de modificações nos níveis morfossintático, fonológico, a aprendiz não reprocessa sua produção no nível semântico mediante nenhuma forma de feedback. A reformulação semântica é muito mais comum no campo do insumo.
No próximo excerto (excerto 21), a pergunta feita pela aprendiz (d/ do you
know… any brazilian writers?) não é continente de nenhum desvio, a não ser pelo sinal
de hesitação no início da frase, que não compromete a compreensibilidade do enunciado:
Excerto 21
Int1 d/ do you know… any brazilian writers? Int2 any who?
Int1 any brazilian writer Int2 ahm… I... no
Mediante uma solicitação de esclarecimento direcionada (any who?), a aprendiz reprocessa sua produção por meio de uma repetição, garantindo compreensibilidade mesmo na ausência de uma reformulação.
Nesta seção, portanto, exploramos as relações entre categorias de dados no interior de uma única interação. Na seção seguinte, detemo-nos em discutir a evolução dessas informações ao longo do período de interações, com ênfase em uma comparação entre comportamentos interativos observados na primeira e última sessões de interação oral em que os participantes se engajaram.