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DEL II: TEORETISKE BEGREPER OG GRUNNLAG FOR ANALYSE

2.4 Sammenhengen mellom styringssystemet og hjemmekontor

Respondendo à pergunta 1.a., no contexto de aprendizagem teletandem, embora os participantes tenham aberto mão do recurso de exibição da imagem mútua, que consiste em um dos princípios do TTB, a interação por áudio adquire uma configuração muito semelhante à interação face-a-face no que diz respeito às oportunidades de modificação da produção e conseqüente revisão de hipóteses de uso da língua pelo aprendiz. Tecnicamente falando, o meio oferece oportunidades de ajustes na conversação em tempo real, de maneira que os participantes possam decidir entre solucionar problemas de uso da língua pontualmente ou não, e quais problemas procurar solucionar. No que diz respeito ao trabalho colaborativo estabelecido entre os participantes, a autonomia assegurada aos participantes reduz o grau de controle sobre a atividade, o que os impulsiona a adotarem focos pessoais, bem como a se adaptarem às

necessidades um do outro. A título de exemplo, o foco de atenção da Int1, Juliana, é explicitamente morfossintático e fonológico, o que é revelado por meio da análise de dados. O contexto in-tandem aqui descrito assegurou a Juliana oportunidades de produção e de testagem de hipóteses de uso da língua, em maior parte autonomamente e com foco na forma, mediante esforços de auto-monitoramento. Assumindo o pressuposto de que a atenção individual do aprendiz não é o único fator com força sobre a saliência perceptual de aspectos problemáticos no fluxo do diálogo, compreende-se que o foco de atenção do aprendiz pode ser avaliado e discutido entre os parceiros, especialmente durante as sub-seções de feedback, a fim de que redirecionar essa atenção sobre aspectos lingüísticos variados e, desta forma, garantir que o aprendiz se beneficie mais do processo. Um emprego de sucesso do que denominamos aqui “atenção orientada pela parceria” compreende que, após identificados os estilos de aprendizagem dos parceiros entre si e, portanto, de como cada um exerce a atenção individual, sejam tomadas decisões para que o parceiro aprendiz se atente para aspectos da linguagem a que não está predisposto, a fim de melhorar seu repertório lingüístico de maneira menos restrita aos componentes da linguagem relacionados aos seus objetivos de aprendizagem imediatos. Na experiência de teletandem contida no corpus deste estudo, a atenção individual da aprendiz, com foco na forma, é ampliada pela ação do parceiro-professor para aspectos lexicais por meio da utilização de eventos de verificação de compreensão, por parte do Int2, cada vez mais freqüentes. Alguns dados demonstram que não se trata de um exercício individual, mas que as características da colaboração entre os participantes também podem influenciar sobre esse aspecto. É notável que ao longo das interações, o Int2 torna-se mais consciente sobre as características do repertório lingüístico da Int1, quer no âmbito morfossintático ou lexical, de maneira que fica evidente a tentativa de direcionamento da atenção da aprendiz, por parte do Int2, para

informações lingüísticas novas haja vista do crescente número de tratamento de lacunas iniciadas por Phillip, com índices mais elevados no final do período.

Também é importante ressaltar que as sub-divisões a que o trabalho mostrou-se propenso têm certo grau de impacto sobre as características dessa interação.

A sub-seção em que os participantes se engajam em um feedback tende a ser baseada em seqüências de turnos do tipo “comentário-avaliação”, padrão que inibe a ocorrência de ajustes conversacionais que promovam formas modificadas da linguagem.

A organização da atividade, outra sub-seção, apresenta dados que demonstram uma distribuição de turnos mais equilibrada entre Juliana e Phillip, de maneira que a aprendiz aproveite suas oportunidades de fala com mais freqüência. Um dos aspectos que diferem esta sub-seção das outras consiste em que esta apresenta uma meta comunicativa além da discussão propriamente dita: a de alcançar um acordo prático sobre os procedimentos da atividade. Este aspecto específico tende a influenciar sobre o maior ou menor índice de aproveitamento de oportunidades de produção por parte da aprendiz.

Contudo, durante a sub-seção de maior predominância, correspondente à discussão de tópicos temáticos, a aprendiz se comporta distintamente no que diz respeito às oportunidades de produção, reduzindo sua participação em comparação à sub-seção de “organização da atividade”. Sabe-se que, em contextos formais de aprendizagem de línguas, é comum que a interação seja baseada em tarefas e que, portanto, os interagentes recebam uma meta a cumprir. Isso implica em que, em caráter experimental, os parceiros se engajassem no cumprimento de tarefas para estabelecer comunicação e resolver problemas juntos durante esta etapa predominante da interação. Um outro aspecto, ainda sobre esta subdivisão, refere-se à atenção exercida pela aprendiz sobre aspectos formais da língua, que permite a ela, de maneira autônoma,

testar hipóteses sobre o uso da língua bem como procurar por feedback sobre sua produção. No entanto, como os objetivos de aprimoramento lingüístico da aprendiz referem-se a questão de ordem formal, ela depende de feedback externo para se aprimorar em um leque de outros aspectos da língua sobre os quais sua atenção não é voltada. Pelo princípio da reciprocidade, o papel do parceiro mais proficiente, neste caso, é de grande importância: o de direcionar a atenção do aprendiz fazendo com que outros aspectos da linguagem se tornem salientes a ele, tanto por meio do tratamento pontual de sua produção como de uma administração mais abrangente das seções de feedback.

Intervenções externas de um mediador podem ser bem-vindas em vários sentidos para que a aprendiz se beneficie mais das interações, entre eles:

1) orientando a própria aprendiz a direcionar sua atenção sobre aspectos diversificados da língua e procurar por feedback;

2) orientando o parceiro mais proficiente a fornecer feedback adequado, quer pontual ou ao final das sessões. No caso do tratamento do desvio ao final das sessões, a recuperação do contexto em que o desvio ocorreu é fundamental. 3) conscientizar os parceiros sobre o grau de prioridade que algumas estratégias

detém sobre as outras em favor da aprendizagem. Por exemplo, a utilização da metalinguagem para solucionar uma lacuna antes de recorrer ao outras estratégias pode ser mais favorável tanto à comunicação quanto à aprendizagem. Ao mesmo tempo, como observado, a utilização de solicitações de esclarecimento não direcionadas tende a conduzir a um índice mais elevado de modificação da informação lingüística e da produção, o que também favorece a aprendizagem.

Com base nessas asserções, pressupomos que o exercício da atenção orientada pela parceria possa receber a contribuição de um terceiro participante – o conselheiro ou mediador.

Por se tratar de um contexto multimedial de aprendizagem, verifica-se que o teletandem pode proporcionar uma experiência de interação específica que se distingue tanto da interação em contextos formais de ensino, em que as atividades tendem a ser mais controladas e simuladas, quanto dos contextos assim chamados naturalísticos (como os de imersão) baseados em comunicação autêntica. Isso porque reúne, ao mesmo tempo, características de meios presenciais de aprendizagem no que diz respeito à oportunidade de comunicação autêntica, e recursos que ampliam as possibilidades de tratamento do significado quando os parceiros estão on-line, por meio de atalhos de garantia de compreensibilidade (como envio de imagens e vídeos, por exemplo) que não favorecem tanto à aprendizagem por constituírem substitutos de ajustes lingüísticos propriamente ditos.

Assim, tendo em vista que parceiros precisam conhecer suas necessidades de aprendizagem individuais, bem como as do outro, para exercer autonomia e reciprocidade de maneira favorável ao trabalho colaborativo, esses participantes podem requerer serem preparados para isso. Talvez resida neste ponto o papel do especialista em linguagem em contextos de aprendizagem autônoma como o teletandem: o de proporcionar ao aprendiz in-tandem um exercício consciente e eficaz de sua autonomia em benefício próprio e do outro.

Uma outra consideração importante acerca das oportunidades de modificação da interação diz respeito à relação entre ajustes conversacionais, compreensão e aprendizagem. Primordialmente, os ajustes conversacionais consistem em eventos para garantir compreensão. Contudo, a aprendizagem encontra seu espaço à medida em que

esses ajustes possam impulsionar o aprendiz a fazer uso da língua para solucionar problemas em estágio de interlíngua e obter informação lingüística, isto é, insumo de qualidade que possa ajudar a enriquecer seu repertório lingüístico. Observamos que o tipo de feedback externo que tende a conduzir a índices de modificação da produção mais altos consiste nas solicitações de esclarecimento não direcionadas. Isso porque elas apresentam um caráter aberto que deixa o interlocutor livre para fazer suas próprias escolhas ao realizar a modificação.

Respondendo à pergunta 1.b., o aspecto metodológico não longitudinal deste estudo não favorece uma apreciação sobre competências de uso da língua. Os altos índices de deficiências de compreensão registrados no início das interações seguidos de quedas e baixos índices ao final dos diálogos evidenciam que a tarefa ocorre sob forças afetivas e decorrentes da relação colaborativa, o que contempla o nível do desempenho pontual dos falantes. Desta forma, é possível afirmar que os dados coletados durante o período de três meses não são favoráveis a um estudo dirigido à competência lingüística dos participantes.

Contudo, baseando-se no pressuposto de que constituem variáveis essenciais à aprendizagem a exposição a um insumo lingüístico passível de modificações, o acesso a um ambiente de comunicação autêntica, a oportunidades de uso da língua e, ainda, de rever hipóteses sobre esse uso por meio de oportunidades de ajustes conversacionais, o contexto teletandem evidencia proporcionar uma experiência de aprendizagem que favorece a construção de competências uma vez que dispõe de todos os componentes mencionados.