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I. Background and general framework

1. Internalizing problems: anxiety and depression

1.2. Vulnerability factors for internalizing disorders

1.2.2. Temperament and emotion regulation

A partir da organização dos elementos norteadores da pesquisa, é função deste capítulo apresentar, sob o contexto acadêmico, os aspectos que deram origem ao estudo e as indicações de pesquisa que apontam a relevância do tema. Há também as referências no contexto de gestão, já que o estudo congrega o objetivo de responder questões que auxiliam e orientam os gestores da educação superior na compreensão dos desdobramentos da regulação.

Na perspectiva acadêmica, a investigação deve ser compreendida como resultante da identidade profissional do pesquisador e de sua intimidade com o tema, que resulta em 10 anos de dedicação e advém da experiência em atividades profissionais e de pesquisa no campo da avaliação da educação superior e da gestão da educação superior. Ao longo deste período, importa destacar a participação do pesquisador em diversos projetos, exercendo funções relacionadas à realização de diagnósticos e prognósticos na área da avaliação institucional, a partir de um diálogo direto com a gestão de instituições de educação superior privada e, desde 2014, com as comunitárias.

E válido ressaltar a natureza destes aspectos, devido a configuração da pesquisa, já que ela se posiciona no plano qualitativo, mais especificamente, alinhado a uma teoria substantiva, e seus resultados se alinham à proposição de Glaser (1978), em que o autor destaca que é natural e relevante que um pesquisador possa escolher um tema vinculado a uma área de seu domínio de conhecimento, e na qual possa estudá-la sob distintas perspectivas. Isso estabelece o que o autor denominou de life cycle interest. Isso permite que a teoria substantiva se constitua sob um ambiente familiar ao pesquisador, reitera-se, para que possa revelar as explicações necessárias sobre o processo de investigação, com o potencial de estimular novas pesquisas.

Outro ponto que deve ser evidenciado é o fato do estudo integrar a linha de pesquisa em “Teoria e Prática em Gestão do Conhecimento”, que se dedica a estudar elementos que interferem diretamente na integração entre pessoas, processos e tecnologias no contexto organizacional. Além disso, há o suporte do Núcleo de Estudos e Observação de Gestão, Aprendizagem e Pessoas (NEOGAP), vinculado ao Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento (DEGC) do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (PPEGC), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em que estudos relacionados são desenvolvidos e inspiram novas pesquisas. Entre eles, cabe destacar os estudos de Pacheco (2010),

Soares (2012), Rissi (2013), Oliveira (2016) e López Torres (2017), que estudaram elementos que tangenciam a temática da gestão da educação superior e compuseram, sob a ótica do plano metodológico, teorias que se aplicaram a um contexto específico, que de acordo com Strauss e Corbin (2008) denominam-se Grounded Theory ou “teorias substantivas”.

Sob essa ótica, esta pesquisa pode contribuir para aprofundar as investigações relacionadas à gestão universitária, integrando a avaliação institucional, em sua perspectiva regulatória, com um contexto específico e complexo, tal qual o de uma universidade comunitária catarinense, a partir da Grounded Theory. Essa integração pode ser potencializada, demonstrando a capacidade de expandir estudos desta natureza, considerando a perspectiva interdisciplinar que é alinhada aos princípios do PPEGC e do NEOGAP. Nas considerações de López Torres et. al. (2014), isso é uma característica importante observada pelos estudos que utilizam a teoria substantiva como elemento metodológico e por isso pode contribuir com a continuidade dos estudos na área em que está posicionado.

Em consonância a estes aspectos, a investigação também pode colaborar para ampliar a compreensão sobre a Grounded Theory, pois considera a influência das pesquisas precedentes e as lacunas que estão abertas para os estudos relacionados com a regulação da educação superior, especialmente em universidades comunitárias que aderiram ao PROIES. Nos estudos de Rangel (2012), Dantas (2013) e Hora (2013), que caminham em consonância com os estudos de Molck (2013), demonstram-se que a regulação na educação superior ainda tem uma série de espaços que devem ser ocupados, principalmente com o advento, a partir de 2012, do PROIES. O programa, que se constituiu em um elemento regulatório para as instituições que aderem, traz impactos severos devidos a compromissos importantes pactuados entre os envolvidos, tornando, de acordo com Meira e Couto (2012) e Silva e Covac (2015) um elemento de gestão de riscos.

A importância do tema se estabelece a partir do ano de 2004, sob a orientação da Lei No.10.861, de 14 de abril de 2004, que introduz e legitima a regulação como elemento norteador do processo de prestação de contas ao MEC. O que se viu desde então foi um avanço na profissionalização da gestão na educação superior e o reordenamento dos projetos institucionais para observar os impactos e desdobramentos deste processo. Retratado nos estudos de Francisco et al. (2012), a revisão de princípios estabelecidos no PDI das instituições era uma atividade sine qua non para atender as demandas deste contexto que à

época se estabelecia, já que a regulação assumia o objetivo de legitimar a qualidade no campo da educação superior brasileira.

Ao longo da implementação do SINAES, o que se percebeu foi um contexto dicotômico em que ora prevalecia a avaliação, ora a regulação, como norteador das atividades acadêmicas e administrativas, num exercício constante de tentar dissociar os dois aspectos do sistema de avaliação. Contudo, em 2008 com o surgimento dos indicadores previstos na Portaria Normativa No. 40, de 12 de dezembro de 2007; consolidada e republicada pela Portaria Normativa No 23, de 29 de dezembro de 2010; a regulação ganha status de “eixo norteador” dos projetos pedagógicos institucionais e de curso, estabelecendo um caminho para a integração deste elemento com o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI).

Este trabalho também pode ser uma forma de continuar à reflexão promovida à época do Mestrado, já que a integração da regulação com o PDI foi consagrada nas conclusões do trabalho defendido no Programa de Pós-Graduação (Mestrado Profissional) em Administração Universitária (PPGAU) da Universidade Federal de Santa Catarina. Lá, o que se defendeu foi essa integração como elemento que sustenta um conjunto de ações que pode ampliar a profissionalização, traduzidas em desdobramentos relativos à avaliação institucional em um projeto institucionalizado. O que se vê é consoante com o que foi apresentado por Francisco (2012), que procurou relevar os desdobramentos da regulação, em articulação com o SINAES, em um ambiente complexo e competitivo, integrado com elementos relacionados com a estratégia de um conjunto de instituições.

Nos estudos de Rangel (2012), ainda é possível identificar que a regulação precisa ser compreendida como objeto interdisciplinar no ambiente da educação superior, já que envolve uma série de indicativos que tangenciam diversas disciplinas. Assim como destacam as evidências de Hora (2013), os estudos da regulação determinam a integração sistêmica dos gestores com os preceitos legitimados de qualidade, sob pena de prejuízos na condução da gestão institucional ou de curso. A função dos gestores nesse panorama, é discutir os elementos da regulação com o seu projeto institucional, compreendendo a dinâmica deste aspecto e transformando-a em eixo estruturante de suas ações estratégicas.

Para Silva e Covac (2015), a regulação apresenta um caminho a ser percorrido pelas instituições que são afeitas ao compliance, ou seja, a gestão de riscos. A regulação, introduzida na plataforma de gestão em uma instituição de educação superior, permite a identificação dos pontos

essenciais que devem ser respeitados pelas instituições para atender os indicadores máximos de qualidade. No âmbito de uma instituição em adesão ao PROIES, os autores afirmam que é válido também, pois o programa determina o respeito a um projeto de longo prazo e aplicado à recuperação da sustentabilidade dessas instituições.

Francisco et al. (2015) ainda destaca que o PROIES é um elemento norteador da estratégia das instituições que aderem ao programa devido ao profundo impacto de longo prazo que ele proporciona. O programa surge para alterar uma realidade imposta por um contexto competitivo, marcado por distorções e dissonâncias que desajustaram o ambiente de determinadas instituições, sobretudo aquelas com uma estrutura ampla, de custos elevados e de categorias administrativas complexas. As universidades comunitárias catarinenses entram nesse recorte, em virtude do cenário competitivo que se apresenta, “enviesado” por modelos “empresariais” de educação superior. Este elemento “repartiu” os recursos disponíveis e trouxe a necessidade de adaptação dos modelos maiores que, no caso de Santa Catarina, ainda guardavam problemas relacionados à discussão com a Receita Federal na matéria relacionada ao recolhimento de tributos.

No Parecer No 13/2011 da Procuradoria Jurídica da UNESC, documento que contribuiu para a origem do PROIES, identifica-se o movimento desta discussão e os encaminhamentos necessários para a construção programa e para o ajuste do recolhimento de tributos, e também a discussão sobre as competências de regulação das universidades comunitárias. Pelas considerações do documento, identifica-se que a regulação envolve uma série de elementos da gestão que devem ser congregados em uma plataforma única, de longo prazo e articulados a estratégia institucional.

Sob o prisma deste parecer, o cenário posto determina que as universidades catarinenses que aderiram ao PROIES, e mais especificamente no caso desta tese a Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), possam reajustar seu projeto institucional e articulá-lo com um conjunto de ações que possam fortalecer as ações que se aplicam ao cumprimento dos objetivos estabelecidos em seu PDI. Devido às restrições impostas pelo PROIES, urge que estas instituições possam buscar por ações que consolidem a regulação como base para a tomada de decisão e, dessa forma, possam usufruir dos benefícios do programa com uma condição de autonomia favorável em um menor tempo possível.

Por meio destas considerações sobre a origem do estudo e suas relações e contribuições, pode-se afirmar que há relevância acadêmica e

de gestão que justifica o desenvolvimento desta tese, pois apresenta avanços que contribuem para o desenvolvimento de estudos que utilizam a Grounded Theory no campo da gestão universitária e, neste mesmo contexto, contribui para fortalecer princípios de gestão que se alinham com o movimento pela busca da qualidade em instituições de educação superior.

Com o auxílio de Grounded Theory, torna-se possível realizar proposições sob óticas dos envolvidos no processo destacado, traduzindo os resultados em conhecimentos que se apliquem as demandas que serão enfrentadas pela universidade que é objeto do estudo.