I. Background and general framework
3. Application of the dynamic systems theory to the study of vulnerability factors for
3.1. Cardiac complexity
Em consonância com as diretrizes estabelecidas para o desenvolvimento de uma teoria substantiva, nesta seção são descritas as bases observadas para a identificação dos participantes, os instrumentos utilizados e dos demais elementos que subsidiaram o caminho do pesquisador no campo. Seguindo a sequência proposta por Oliveira (2016), a definição dos participantes se deu a partir da atuação dos gestores da UNESC responsáveis pelo processo de adesão ao PROIES, denominados, portanto, de “Gestores do Processo de Adesão”. Para esclarecer, a adesão ao PROIES foi um movimento que se desencadeou na Universidade a partir do ano de 2012, determinada por uma perspectiva econômica e financeira desfavorável à Universidade que impedia a continuidade de seu processo de expansão. Entre as consequências, a principal talvez tenha sido a restrição da autonomia institucional imposta pelos órgãos reguladores da educação superior brasileira até o ano de 2017, momento em que a Universidade consegue cumprir todos os seus compromissos pactuados à época da adesão.
Os entrevistados, em um total de cinco, foram assim escolhidos em função da atuação ao longo do processo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), registrado no Apêndice A. Como forma de justificar a seleção, destaca-se que os entrevistados foram escolhidos devido aos seus papéis de “tomadores de decisão” ou “indutores de decisão” ao longo do fluxo da adesão, com atuação estratégica para a consolidação deste desafio assumido pela Universidade. Dessa forma, para cada um deles o Instrumento A (Apêndice B) foi apresentado para que os dados iniciais pudessem ser gerados.
Devido a própria concepção do método, seguindo as orientações de Oliveira (2016), posicionadas sob a plataforma de Strauss e Corbin (2008), é salutar destacar que o processo foi sendo ampliado na medida em que novas informações eram agrupadas no intuito de gerar a saturação teórica. O que ocorreu por meio da segunda etapa das
entrevistas (Apêndice C), a partir de dados agregados por meio da análise documental e pela contribuição dos memorandos (Apêndice D), que registraram o transito do pesquisador no campo. Posterior, os resultados foram transcritos e validados pelos participantes, por meio do termo que se apresenta no Apêndice F.
Ancorados a problemática da pesquisa, destaca-se que a construção da teoria substantiva aqui proposta é pertinente a um recorte temporal delimitado e que considera o período em que a Universidade esteve em adesão ao PROIES, já que no ano de 2017; considerado um tempo bem inferior aos 15 anos previstos nas orientações da adesão; ela consegue reverter o quadro até então estabelecido e retomar sua autonomia universitária.
Nesse sentido, e considerando a Grounded Theory como uma estratégia metodológica, esta pesquisa utilizou a entrevista e a análise documental como bases para as coletas de dados.
Sobre a entrevista, para além das diversas definições estabelecidas, o trabalho considerou as proposições de Strauss e Corbin (2008) como base, já que o movimento de conversação focada que dá sentido a uma determinada experiência deve utilizar perguntas sensíveis e teóricas que conectam o pesquisador aos dados e aos processos. EM resumo, o processo promove perguntas que garantem a direção da amostragem e que permitem a evolução da teoria.
Na perspectiva da análise documental, principalmente em estudos que envolvem a Gestão Universitária como pano de fundo, os documentos cumprem um papel primordial no processo de gestão deste tipo de instituição e são uteis para identificar as convergências e divergências entre as práticas implícitas e que são, de fato, realizadas. No caso específico da adesão ao PROIES os documentos cumprem uma função ainda maior, já que foram eles que determinaram a eficácia da adesão e que conduziram, ao longo dos anos, a relação com os órgãos reguladores da educação superior.
Como instrumentos complementares, os memorandos também foram importantes para permitir uma visão ampliada do processo bem como de sua evolução, na medida em que as fases iniciais foram se consolidando. Dessa forma, o fluxo da pesquisa se consolida na figura 5, apresentada inicialmente por Oliveira (2016) e que guarda todos os princípios estabelecidos para o uso e desenvolvimento de uma Grounded Theory:
Figura 5: Fluxo adotado para o processo de pesquisa Fonte: Oliveira (2016, p.81).
3.4 LIMITAÇÕES E DESAFIOS DO MÉTODO
Assim como toda investigação que guarda ritos processuais específicos ou etapas pré-determinadas, há desafios e limitações no desenvolvimento da pesquisa. Com a Grounded Theory não é diferente, já que a estratégia deve ser desenvolvida de maneira eficiente e robusta para que seus resultados possam ser avaliados de maneira adequada e coerente. Destarte, é fundamental compreender as limitações e os desafios que se apresentam, para que em pesquisas futuras estes possam vir a ser superados.
Alguns autores refletem sobre esse aspecto e apresentam questionamentos sobre o uso e a eficácia de uma Grounded Theory, entre eles há o destaque para Bianchi e Ikeda (2008), Schröeder (2009) e
Jacobus, Souza e Bitencourt (2012). Em comum, todos destacam o fato de que a estratégia metodológica é complexa e de difícil operacionalização, que muitas vezes requer um alto nível de engajamento do pesquisador. Além disso, os autores também destacam que a utilização da Grounded Theory só deve ocorrer quando há um suporte disponível de pessoas experientes na utilização do método, fato que interfere na postura do pesquisador no campo oferecendo-lhe mais segurança ao operacionalizar as etapas propostas.
Ainda nessa perspectiva, Oliveira (2016), que cita Hopper e Maciel-Lima (2008), e Jacobus, Souza e Bitencourt (2012), afirmam que a estratégia é de difícil compreensão, principalmente quando o processo escolhido para o estudo é de alta complexidade. Dessa forma, a objetividade, o processo de análise e a atribuição de limites são elementos que se configuram em grandes desafios para a utilização da Grounded,
No que se refere à objetividade, o método parte do pressuposto de que o pesquisador entra no campo “vazio” de suas convicções sobre o objeto de estudo e apto a receber um grande conjunto de informações. Esta visão, demanda uma capacidade de síntese importante para que seja possível observar as questões relevantes e extraí-las, de modo que seja viável a organização dos dados que emergem no estudo e que eles sejam baseados em evidências e não na subjetividade do pesquisador.
Ao que se aponta para o processo de análise, destacando as considerações de Oliveira (2016), o desafio está na utilização da codificação como base para o processo, já que é neste momento em que os dados serão extraídos e organizados sob a ótica de significados reais e dos pontos principais da proposição da pesquisa. É importante evitar o “duplo sentido” para que a teoria possa emergir em suas propriedades, categorias e dimensões, adequadas ao fluxo da investigação.
Já no que se refere aos limites da investigação, é importante que o pesquisador desenvolva a sensibilidade necessária para atingir a saturação teórica, garantindo que os conceitos fundamentais possam surgir alinhados ao processo destacado por Strauss e Corbin (2008) como sendo os ideais para o desenvolvimento de uma Grounded Theory. Nesse sentido, para Oliveira (2016), ancorado na perspectiva de Bandeira-de-Mello e Cunha (2003), é possível perceber que a validade interna do método é determinada pela visão dos sujeitos envolvidos na realidade socialmente discutida pela pesquisa, que deve ser extraída a partir dos dados coletados e tratados pelo pesquisador, o que induz a definição de critérios que promovem a confiabilidade e a consistência da teoria, já que é fundamental que as condições e consequências
estabelecidas na proposta possam ser coerentes com os dados e com o movimento previsto nos dados, análogo ao que Bandeira-de-Mello e Cunha (2003) determinam, já que as categorias produzidas devem ser fiéis aos dados.
Neste pano de fundo, a generalização aparece como um desafio a ser superado na medida em que técnicas devem ser utilizadas para que a qualidade da teoria possa se estabelecer e seu refinamento possa gerar algo consistente. Alinhado a este movimento, a triangulação, também destacada por Oliveira (2016) permite com que os códigos sejam analisados sob diferentes perspectivas e instrumentos complementares, como no caso do ATLAS T.I. e do XMIND, utilizados nesta pesquisa como elementos de suporte à coleta de dados.
Sob a ótica de Glaser e Strauss (1967), Dey (1999), Charmaz (2001), Strauss e Corbin (2008), Bianchi e Ikeda (2008), El Hussein et al. (2014) e Roman (2015), outros pontos se apresentam como limitações e desafios, onde se destacam o fator tempo, o fator teoria substantiva e a coleta de dados, o que é decorrente de um processo exaustivo que conta com grande quantidade de informações que pode ser desproporcional ao tempo designado para a investigação.
No que se refere à teoria substantiva, o fato de ser especifico a uma conjuntura, e, portanto, não se configurando em uma teoria formal, pode trazer diversas e distintas interpretações do fenômeno em estudo por aqueles que não compreendem o contexto em que ele foi desenvolvido. Já à coleta de dados, predominantemente realizada por meio da entrevista, destaca-se que ela pode refletir a visão de mundo dos sujeitos que, em alguns casos, pode não ser aderente ao movimento do processo em investigação.
Após tais considerações, a seguir são descritos os fundamentos da construção da teoria, elencando os processos observados ao longo dos períodos de campo da pesquisa.