1. Innledning
1.1. Tema og problemstilling
Em relação aos objetivos propostos, podemos afirmar que a percepção dos profissionais de saúde sobre a atenção integral à saúde da criança ainda encontra-se revestida de uma visão permeada de conceitos moldados pela biomedicina, com ações de saúde voltadas para a parte curativa do processo saúde-doença e com uma fragmentação do trabalho em equipe.
Contudo, percebemos que os profissionais conseguem vislumbrar alguns aspectos do que seja atenção integral à saúde da criança. De acordo com as narrativas dos mesmos, as seguintes questões deveriam ser levadas em conta ao se implantar uma assistência integral à saúde da criança no referido serviço médico:
1. Uma gestão que proporcionasse políticas de saúde voltadas para a população infantil, tais como programas de acompanhamento – do crescimento, do desenvolvimento, nutricional-, adequação dos consultórios e do prontuário eletrônico, ampliação no número de consultas na fonoaudiologia e aumento do tempo de atendimento na avaliação do crescimento e desenvolvimento pela pediatria;
2. Uma melhor interação entre a equipe de profissionais de saúde, de maneira a permitir a circulação de informações sobre a criança, favorecendo a ampliação da visão sobre a mesma;
3. Educação permanente sobre a atenção integral à saúde da criança pela equipe de saúde do serviço médico, de maneira a suprir as lacunas deixadas pela formação universitária e acompanhar as mudanças ocorridas nas políticas de saúde pública;
4. Uma política no setor que favoreça a atenção integral à saúde da criança mediante uma linha de cuidado articulada com outros níveis de atenção;
5. Consideração com os aspectos da promoção, prevenção, cura e reabilitação a partir dos conceitos de processo saúde-doença, de história natural das doenças e da estratégia de integração.
Os relatos acima retratam a percepção dos profissionais sobre os aspectos relacionados à gestão do trabalho em saúde, à formação do profissional de saúde e ao modelo de assistência
à saúde, necessários a uma prática de atenção integral.
Observamos que os profissionais da área médica (psiquiatra e pediatra) demonstraram menor necessidade de apoio de outros profissionais para o exercício de sua prática profissional. Sobre essa questão, percebemos que se mantém a centralidade do trabalho médico, em torno do qual outros trabalhos especializados se agregam. Também demonstraram um menor uso de informações de redes de apoio relacionadas à criança.
Os profissionais das áreas de fonoaudiologia e nutrição foram os que demonstraram uma maior necessidade de uma atuação profissional que abarcasse as múltiplas dimensões da saúde, mediante a participação de uma equipe cujas práticas fossem além do modelo biomédico, mediante um trabalho integrado e articulado entre áreas de saber afim. Nesse sentido, constatamos que os profissionais citados foram os que mais empreenderam esforços no sentido de manter um canal aberto entre família, escola, outros profissionais que assistem a criança e os mesmos.
A enfermeira, embora demonstrasse conhecimentos teóricos mais atualizados sobre a atenção integral, foi a que mais se manteve dentro de uma postura técnico-assistencial diante da criança. Seguindo essa lógica, percebemos que as barreiras apresentadas pela organização do trabalho em saúde no departamento médico – desfavorecendo a atenção integral à saúde da criança – serviram de amarras para as suas ações em saúde em direção à integralidade da assistência.
Os participantes da pesquisa reconheceram a importância e relevância do tema atenção integral à saúde da criança, contudo, expressaram que a aplicabilidade do mesmo em seu local de trabalho implica o reconhecimento de tal importância pelos gestores do setor. Entretanto, concordamos com Campos (2006), quando o mesmo afirma que a integralidade da atenção também está associada ao saber do profissional de saúde, ao considerar as condições de vida e as concepções culturais de cada paciente, reconhecendo a influência das dimensões do social e do subjetivo na história da doença do mesmo, e, com isso, exerce suas ações em saúde com base nesse conhecimento.
Conquanto o reconhecimento da importância da família e escola na vida da criança por parte de alguns profissionais, as mesmas não foram suficientemente abordadas nas verbalizações. O mesmo ocorreu em relação aos aspectos psíquicos envolvidos no desenvolvimento infantil, como também sobre os processos de subjetivação presentes no trabalho em saúde. Tal dado sugere que a percepção dos profissionais entrevistados sobre a
atenção integral ainda encontra-se centrada no corpo e na doença da criança.
Por fim, este estudo, além de contribuir para o conhecimento da perspectiva de profissionais sobre a atenção integral à saúde da criança, busca promover uma reflexão sobre o tema pelos trabalhadores de saúde. Com isso, cremos que os mesmos poderão nortear suas ações sob o prisma do modelo biopsicossocial de atenção à saúde.
Em relação a estudos futuros, consideramos importantes aqueles em que outras áreas de atuação sejam contempladas, como a psicologia, psicopedagogia, fisioterapia e outras tantas presentes no universo do trabalho em saúde.
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