5 Strukturell og geologisk diskusjon
5.3 Tektonisk strukturering i trias
As formas superiores de relação do homem com o ambiente ocorrem por intermédio do pensamento, da linguagem e das relações lógicas. Implicam a intervenção de um terceiro elemento, ou seja, dos signos. A significação, enquanto processo de atribuir e internalizar sentidos e significados, pressupõe a criação e o uso de signos através dos quais se constroem novas conexões mentais.
Vygotsky (1996) preconiza que a relação do homem com o meio, ancora-se nos processos mentais elementares que constituem o substrato biológico. O desenvolvimento mental superior é constituído por meio da mediação semiótica, ou seja, a relação entre o sujeito e o objeto de conhecimento é interceptada por elementos simbólicos, denominados signos.
Na medida em que este estímulo auxiliar possui a função específica de ação reversa, ele confere à operação psicológica formas qualitativamente novas e superiores, permitindo aos seres humanos, com auxílio de estímulos extrínsecos, controlarem seu próprio comportamento. O uso de signos conduz os seres humanos a uma estrutura específica de comportamento que se destaca do desenvolvimento biológico e cria novas formas de processos psicológicos enraizados na cultura.
Os signos medeiam estímulos imediatos e o comportamento manifesto, promovendo tipos de mediação. Ratner (1995) enuncia três espécies de mediação: a consciência – ou atividade mental; a cooperação social – socialidade, e, os instrumentos – tecnologia. A consciência é uma percepção relativamente abrangente das coisas e processa a informação. A socialidade é a atividade conjunta, coordenada com outros indivíduos, que envolve cooperação, partilha e cuidado com os outros indivíduos. Os instrumentos são implementos físicos utilizados para aumentar os poderes naturais do organismo físico.
Mediação é um conceito genérico que diz respeito ao processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação. A relação deixa de ser direta e passa a ser mediada por esse elemento. A presença de elementos mediadores introduz um elo a mais nas relações
organismo e meio, tornando-as mais complexas. A relação do homem com o mundo não é uma relação direta, mas uma relação mediada (Oliveira, 1997). As funções psicológicas superiores apresentam uma estrutura tal que entre o homem e o mundo real existem mediadores, ferramentas auxiliares da atividade humana. Estas ferramentas admitem dois estímulos: o signo e o instrumento, que envolvem uma atividade mediada.
Esclarecendo as bases epistemológicas do conceito de mediação, Coutinho (1997) afirma que essa idéia está fundamentada na teoria marxista da produção segundo a qual o desenvolvimento humano é o resultado da atividade do trabalho. De acordo com Marx, o trabalho é um ato que se passa entre o homem e a natureza: o homem age sobre a natureza modificando-a com a força motriz de seu corpo. Para realizar essa atividade frente ao mundo da natureza externa, o homem cria instrumentos, ou seja, ferramentas mediadoras. O machado, por exemplo, é uma ferramenta mediadora, melhor do que a mão humana, para cortar madeira. Este instrumento mediador é também um objeto social, porque carrega consigo a função e o modo de utilização para o qual foi criado.
Ao mesmo tempo em que o homem atua no mundo material modificando-o, ele se modifica intrinsecamente pelo desenvolvimento de seu funcionamento mental. O materialismo dialético defende a tese de que o conhecimento está enquadrado na filosofia da práxis: os sentimentos, o entendimento, a consciência, o pensamento, enfim, todo o psiquismo humano dependem da atividade material do trabalho. Por isso, tais fenômenos psíquicos passam por um processo sócio-histórico de construção.
A partir da constatação de que os instrumentos ou ferramentas são mediadores, orientados externamente para regular a ação do homem frente à natureza, Vygotsky (1996) estende este conceito mediacional para os signos (como por exemplo, a palavra machado), que passam a ser considerados instrumentos psicológicos ou mediadores internos para a interação entre o psiquismo das pessoas. Mediação semiótica significa, assim, a intervenção de signos na relação do homem com o psiquismo dos outros homens e é responsável pelo desenvolvimento das funções psicológicas superiores, que distinguem o homem dos outros animais.
A mediação é um processo essencial para tornar possíveis atividades psicológicas voluntárias, intencionais, controladas pelo próprio indivíduo. Contudo, esse processo de mediação sofre transformações na medida em que o indivíduo se desenvolve. Isso se justifica
pelo fato de que as funções psicológicas mais sofisticadas não estão presentes nas crianças pequenas, pois essas serão construídas ao longo do processo de desenvolvimento.
As origens das funções superiores devem ser buscadas nas relações sociais entre o indivíduo e os outros homens, pois o fundamento humano é social e, portanto, histórico. Os elementos mediadores na relação entre homem e mundo são fornecidos pelas relações entre os homens. Os sistemas simbólicos, especificamente, a linguagem, exercem um papel fundamental na comunicação entre os indivíduos e no estabelecimento de significados compartilhados que permitem interpretações dos objetos, eventos e situações do mundo real.
Bruner (1976) reitera as formulações de Vygotsky sobre o sistema semiótico de comunicação humana de que a linguagem é, no conhecimento, o meio mais poderoso de que dispomos para efetuar transformações no mundo, para mudar sua forma, através de recombinações, sob o ponto de vista da possibilidade.
Ripper (1994), em seu estudo sobre o processo ensino-aprendizagem numa perspectiva sócio-histórica, salienta a relevância da atividade mediada na internalização das funções psicológicas, dando origem ao chamado comportamento superior. Refere-se, a autora, a Vygotsky (1978) que caracteriza o uso de signos e de instrumentos como atividade mediada, que irá orientar o comportamento humano na internalização dessas funções. Mas, a mediação por signo e instrumento é de natureza diversa, enquanto o signo constitui uma atividade interna dirigida para o controle do próprio sujeito, o instrumento é orientado para o exterior, a fim de controlar a natureza.
Tanto o controle do comportamento como o da natureza acarreta mudanças no funcionamento cognitivo, o primeiro ocasionando a emergência das funções superiores e o segundo, a relação do homem com seu ambiente: o homem muda a natureza e essa mudança altera sua própria natureza. Ocorre um movimento dialético, entre o homem e seu artefato.
Vygotsky (1996), ao admitir que a relação do indivíduo com ambiente é mediada, pois este, enquanto sujeito de conhecimento, não tem acesso imediato aos objetos e sim a sistemas simbólicos que representam a realidade, atribui papel de destaque à linguagem, como sistema simbólico principal de todos os grupos humanos, que se interpõe entre sujeito e objeto de conhecimento. As crianças, quando nascem, interagem com o ambiente extra-uterino de maneira típica e peculiar. As formas mais elementares de relação do homem com esse
ambiente pressupõem uma relação direta com um estímulo do meio, representada pela fórmula E ---> R (estímulo-resposta), como por exemplo, a sucção do seio materno ou a retirada repentina da mão de uma superfície quente. Estes reflexos automáticos são considerados atividades de sinalização.
Por intermédio da mediação semiótica, que atua na construção de processos mentais superiores, ocorre uma construção prolongada e complexa decorrente de uma série de transformações qualitativas em que um estágio é precondição para um estágio posterior. Estas transformações, ligadas, entre si, por processos evolutivos e dialéticos são o resultado da apropriação das produções culturais de uma sociedade através de relações com os membros desta sociedade.
Assim, por meio da mediação de instrumentos e de signos o homem atua no mundo físico e social, conhecendo-o, modificando-o, interagindo, aprendendo, comunicando aos outros suas experiências e construindo sua própria consciência, além de desenvolver esforços de adaptação e solução de problemas. A escola representa o lócus potencial onde se planejam e se desenvolvem atividades sistemáticas, semioticamente mediadas, com o objetivo de gerar aprendizado.