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É importante lembrar que os temas transversais propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2000) dizem respeito a conteúdos de caráter social, que devem ser incluídos no currículo do ensino, de forma “transversal”, ou seja, não como uma área de conhecimento específica, mas como conteúdo a ser ministrado no interior das várias áreas estabelecidas.

103 Por outro lado, entendemos que as questões mais facilmente aprendidas serão aquelas com maior significado para as crianças, ou seja, as questões que se referem à sexualidade. Nesse sentido, as estratégias pedagógicas são um instrumento valioso para abordar a sexualidade de forma criativa, sem estar acoplada a um conteúdo específico.

E, por isso, é necessário que o professor reflita sobre sua prática, assumindo seu papel de crítico ao modelo repressivo/permissivo para que se possa construir uma sexualidade humanizada, lúdica e erótica o que só é possível mediante uma relação de afeto e confiança. Além do que, é necessário que o professor tenha em mente que ele não vai ensinar a sexualidade. Como argumenta Vasconcellos (apud NUNES e SILVA, 2000), não se ensina a sexualidade, mas, sim, preparam-se condições para que o aluno venha a desenvolvê-la de forma responsável no momento oportuno.

Eu penso que é algo necessário que vem ao encontro com as situações do dia-a-dia, com os conflitos da idade “normal” da adolescência. Que cabe, além da família ajudar os jovens a terem uma vida mais segura, saudável, nas suas atitudes e com mais competências em relação ao comportamento. (P5)

É nesse tempo de 5º ano a gente sempre ouve falar, mas eu nunca tive nenhum problema que me chocasse, que eu tivesse que resolver. Quando eu entro na parte de sexualidade eu faço uma caixinha de perguntas, então eu falo não precisa por o nome, só que eu vou responder a verdade, então tem coisas que você jamais sonhava que estava escrito ali, mas eu falo, eu prezo sempre a verdade e faço isso em casa com minha filha. Quando ela me pergunta, por exemplo, O que é camisinha? É isso, serve pra isto e tá ok! (P2)

Os alunos são muito curiosos, eles esperam momentos individualizados pra fazer estas questões pra gente e eu quando posso respondo individualmente ou quando eles estão sós e então abro pra sala a questão e respondo pra todos. (P4) Nós esperamos entrar no sistema reprodutor, certo; Mas assim que eles começam a ler os livros, eles já parecem que vêm mais calmos para a escola. Pelo menos foi essa a minha experiência. Assim eles (os pais) tiraram um tabu; Sabe, eles sabem da verdade do jeito que ela é; porque muitos alunos do ano passado; Quando a mãe começava ler os livros que mandávamos. Eles (alunos) diziam: Mãe mas isso eu já sabia. Então desde há muito tempo eu já tratava o assunto com naturalidade. Porque a partir do momento que você começa a trabalhar com eles com o tema propriamente dito do sistema reprodutor, a sexualidade vem junto e aí, então, e você tem

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que estar assim preparada. Quando eles nos perguntam, tia o que é uma camisinha. Eu vou ter que mostrar uma camisinha pra vocês. E é aí que exatamente você tem que ter amor, religião, ter Deus, mas independente de uma religião específica. Mas tem que estar juntos, porque senão fica uma coisa muito banal. (P9)

Os alunos são muito curiosos, eles esperam momentos individualizados pra fazer estas questões pra gente e eu quando posso respondo individualmente ou quando eles estão sós e então abro pra sala a questão e respondo pra todos. (P4)

Entre tantas perguntas que surgem em busca de orientação e esclarecimento, vale a regra das respostas verdadeiras, claras, objetivas e pontuais, de acordo com a maturidade e curiosidade expressada pela criança. A falta ou erro de informação (vindas de dentro ou de fora de casa) acabam por inibir a busca de conhecimento saudável vivido pelas crianças e adolescentes. Isto não significa que devemos responder a elas absolutamente tudo sobre o assunto questionado, nem de imediato (quando não é possível). Informação em excesso pode “confundir” a cabeça da criança. É importante estar atento para identificar aquilo que ela realmente quer saber. Procure responder somente o que lhe foi perguntado; caso ela se interesse mais pelo assunto, ou não tenha compreendido a explicação, não se preocupe, ela fará uma nova pergunta. Acolher o interesse da criança, além de saudável, propicia o fortalecimento da relação de confiança mútua entre os pais, educadores e a criança e ou adolescente.

Olha! Esse ano a gente ainda não chegou ao tema, mas a gente sempre se depara com um comentário, perguntas que eles fazem. Este ano eu tive uma situação na minha sala, foi o seguinte: uma aluna passou por uma cirurgia complicada. e a gente começou a falar sobre cirurgia. a cirurgia da menina era na boca e daí você já imaginou da boca foi pra outro lugar. Daí um aluno virou pra mim e disse: “Tia eu também preciso fazer três cirurgia”. Uma é uma hérnia no umbigo, a outra é uma cirurgia que eu não lembro e terceira, então tia, é lá (se referindo ao pênis)”. Ele mostrou a região. Eu falei ah! Tá no pênis. E a classe toda Oh! Oh! Eu usei a palavra pênis, então foi chocante. Não tem como a gente fugir disso. Eu achei a situação engraçada e ao mesmo tempo interessante, porque eles não esperavam que eu fosse usar a palavra pênis. “É uma cirurgia de fimose eu falei pra ele”. Ele respondeu: “Isso tia, mas ele não esperava que ia dar está resposta”. E a classe parou porque não esperavam que eu ia dar está resposta. Mas eu achei que assim foi bem interessante.(P10)

105 Aproveitando as oportunidades emergentes em sala de aula, cada vez mais a criança vai expressando a sua sexualidade como também seu ímpeto de saber. É relevante dizer ainda que, segundo Nunes e Silva (2000, p. 33) “a postura assumida diante da sexualidade varia muito de acordo com a sociedade, sua cultura, seu contexto histórico e ideológico”. Dessa forma, ressaltamos a importância do professor em abandonar posturas conservadoras acerca deste assunto e procurar mudar suas atitudes diante da expressão da sexualidade porque, com base nas pesquisas, todos os entrevistados ainda apontam a dificuldade em lidar com a sexualidade infantil devido à própria dificuldade pessoal do professor em compreender a sexualidade humana.

Nesse processo, o professor exerce um papel importante como mediador dos afetos, crenças e valores dos alunos. As mediações estabelecidas pelos docentes envolvem a construção e reconstituição das identidades dos alunos, em última instância influindo em seus comportamentos sexuais.