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4 Empowerment i spesialpedagogisk rådgivningsarbeid – Hvordan kan

4.3 Et sammendrag av Liv Lassens pensumartikkel (2008) – min forståelse

4.3.1 Tekstanalyse og drøfting av problemstilling

Para tentar entender o que é um narrador pós-moderno e se o narrador de Memoria de mis putas tristes pode ser considerado como tal, faremos uso aqui do texto O narrador pós-moderno (1986), de Silviano Santiago, como aporte principal para esta parte da pesquisa.

O texto começa com o seguinte questionamento: quem é este narrador pós-moderno? É aquele que narra a sua própria experiência ou aquele que narra o que vê? No primeiro caso o narrador transmite sua própria vivência, no segundo, transmite a vivência de outra pessoa. No primeiro caso a narrativa expressa uma ação, que por ser a própria experiência de quem a narra, é considerada como autêntica, já o outro caso, por ser a narrativa de uma experiência alheia a quem narra, sua autenticidade se torna discutível.

A partir dessas primeiras considerações, Silviano Santiago (1986: 4) extrai uma primeira hipótese de trabalho: “o narrador pós-moderno é aquele que quer extrair a si da ação narrada, em atitude semelhante à de um repórter ou de um espectador”.

Se pensarmos no narrador de Memoria de mis putas tristes, a partir desta primeira hipótese acerca do narrador pós-moderno, nos depararíamos com um problema: o narrador desta obra narra suas próprias experiências: de como se tornou jornalista, de suas muitas noites em prostíbulos e como resolveu comemorar seu aniversário de 90 anos.

No entanto, Silviano Santiago apresenta uma segunda hipótese de trabalho:

...o narrador pós-moderno é o que transmite uma “sabedoria” que é decorrência da observação de uma vivência alheia a ele, visto que a ação que narra não foi tecida na substância viva da sua existência. Nesse sentido, ele é o puro ficcionista, pois tem de dar “autenticidade” a uma ação que, por não ter o respaldo da vivência, estaria desprovida de autenticidade. Esta advém da verossimilhança que é produto da lógica interna do relato. O narrador pós-moderno sabe que o “real” e o “autêntico” são construções de linguagem.

A partir desta segunda hipótese, ainda nos depararíamos com o problema de o narrador da obra contar sua própria história, porém, como vimos anteriormente, quando falamos dos traços que Ihab Hassan diz serem aplicáveis às artes pós-modernas, mais precisamente sobre

construcionismo, podemos perceber que o narrador de Memoria de mis putas tristes é um ficcionista e tem uma capacidade de dar autenticidade a

algo que sabemos ser ilusório, mas ele nos enlaça em seus delírios. Mesmo sabendo que são delírios, confiamos piamente no que ele expõe, principalmente quando afirma: “Hoy sé que no fue una alucinación, sino un milagro más del primer amor de mi vida a los noventa años.” (2004: 62).

Para Silviano Santiago (1986: 4), “o narrador se subtrai da ação narrada e, ao fazê-lo, cria um espaço para a ficção dramatizar a experiência de alguém que é observado e muitas vezes desprovido de palavra.”

A ficção existe para falar da incomunicabilidade de experiências: a experiência do narrador e a do personagem. A incomunicabilidade, no entanto, se recobre pelo tecido de uma relação, relação esta que se define pelo olhar. Uma ponte, feita de palavras, envolve a experiência muda do olhar e torna possível a narrativa.35

Ao pensar desta forma, Silviano Santiago faz uma constatação: sendo a ação pós-moderna jovem e inexperiente, ela é privada da palavra, por isso

não pode ser dada pelo narrador, pois se subentende que o narrador seja alguém experiente, por isso, detentor da palavra. Se o narrador tenta ser um conselheiro, surge uma incomunicabilidade entre o mais e o menos experiente. A palavra passa a não ter sentido, o que lhe traz sentido é o olhar do mais experiente sobre aquele com menos experiência.

O narrador de Memorias de mis putas tristes apenas observa a jovem adormecida, sem nunca despertá-la e com isso inicia um diálogo. Ele tem consciência de que não é possível um diálogo entre os dois, por isso se subtrai, para manter aceso o amor que sente pela jovem, amor que surgiu a partir do olhar.

O narrador pós-moderno não quer narrar o seu ontem, e sim enxergar o seu ontem em um jovem hoje e é justamente isso que o narrador da obra aqui estudada faz, apesar de contar suas peripécias, ele enxerga em sua jovem amante a possibilidade de ele se sentir jovem novamente, e são vários os exemplos que podem ser dados, de como o narrador começa a passar por situações e se vê em meio a sentimentos e confusões pelos quais os jovens passam quando se deparam com o primeiro amor:

Era tal mí desvarío, que en una manifestación estudiantil con piedras y botellas, tuve que sacar fuerzas de flaqueza para no ponerme al frente con un letrero que consagrara mi verdad: Estoy loco de amor. (p. 66-67)

La falta de sosiego acabó con el rigor de mis días. […] ¿Pensaba en mí? […] Pasé hasta una semana sin quitarme el mameluca de mecánico ni de día ni de noche, sin bañarme, sin afeitarme, sin cepillarme los dientes, porque el amor me enseñó demasiado tarde que uno se arregla para alguien, se viste y se perfuma para alguien, y yo nunca había tenido para quién. (p. 81)

No me reconocía a mí mismo en mi dolor de adolescente. No volví a salir de la casa para no descuidar el teléfono. (p. 82)

De acordo com Silviano Santiago (1986: 12), “Num conto pós- moderno, morte e amor se encontram no meio da ponte da vida. [...] pelo desejo se reinventa a vida na morte”. Pela voz do ensaísta brasileiro, podemos resumir o que ocorre com o narrador de Memoria de mis putas

tristes, quando encontra sua jovem virgem e descobre nela o primeiro amor

CONCLUSÃO

Após a análise crítica de Memoria de mis putas tristes, pudemos verificar que as histórias vividas e escutadas por Gabriel García Márquez têm uma influência significativa na realização de suas obras, o que fica claro após uma leitura de sua autobiografia Vivir para contarla (2007), que foi de suma importância para esta conclusão.

Inicialmente, foi apresentado um breve panorama do contexto cultural e literário da América Hispânica desde princípios do século XX até a narrativa contemporânea, destacando-se a prosa regionalista e o chamado

boom da literatura hispano-americana, no qual se insere García Márquez,

como forma de situar o autor colombiano num espaço e tempo bem definidos.

O segundo capítulo foi dedicado exclusivamente ao romancista, destacando sua importância e influência, tratando brevemente de suas obras mais significativas, enfatizando, sem dúvida, Cien años de soledad, seu romance ícone que o levou a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1982.

No capítulo seguinte, destacamos os pontos teóricos imprimindo maior relevo às “escritas de si”, principalmente para a autobiografia e a autoficção. Para a autobiografia empregamos, sobretudo, o Pacto

Autobiográfico (2008) de Philippe Lejeune e para a autoficção, Escritas de si, escritas do outro. O retorno do autor e a virada etnográfica (2007) de Diana

Klinger. Estas leituras foram de grande importância para entender a estratégia da escritura de García Márquez.

Os dois capítulos subsequentes já formam a segunda parte do presente trabalho e destacam-se pela análise crítica de Memoria de mis

putas tristes (2004).

No quarto capítulo, tivemos como base teórica a obra de Félix Guattari e Suely Rolnik, Micropolítica: cartografias do desejo (2007). Pudemos concluir que a relação entre desejo e corpo ainda é vista como algo que deve ser condenado, ou melhor, como Guattari afirma, disciplinado, as pessoas ainda veem tal relação com olhos de pudor. A obra de García Márquez vem nos ajudar a ver tal relação com outros olhos: desejo pode ser muito mais que uma atração sexual, como se pôde perceber no personagem principal, que nutre um desejo sentimental pela jovem virgem. O corpo não é algo que devemos nos envergonhar e sim contemplar como obra da natureza, assim como o corpo da menina é contemplado e admirado pelo personagem, como ele mesmo diz: sem os estorvos do pudor.

A obra também nos ajuda a pensar em nosso modo de vida, em como devemos tentar ser diferentes, criar nossa singularidade e não, simplesmente aceitar esta subjetividade capitalística que criam para nós. Devemos ser seres pensantes, que saibam questionar, indagar e também responder. É importante criarmos uma subjetividade própria que nos faça seres únicos, que não sejamos mais um na massa e sim que sejamos o que move a massa.

Para finalizar esse capítulo, nos demos conta de que não devemos temer a desterritorialização. Estar desterritorializado é quase um estado de

espírito, devemos sim é ser fortes o suficiente para, no temor da desterritorialização, sabermos nos reterritorializar.

No quinto e último capítulo, com o auxílio do apoio teórico, concluímos que Memoria de mis putas tristes pode ser entendida, de acordo com os gêneros aqui estudados (autobiografia, romance autobiográfico e autoficção), como um “romance autobiográfico”; no entanto, o que importa aqui não é sua classificação, e sim as mil formas pelas quais ela pode ser lida. Cada leitor tem total liberdade de leitura e interpretação.

Ainda no mesmo capítulo, passamos ao foco do narrador, tomando como teórico principal Silviano Santiago, e realizando a análise da obra de García Márquez contraposta ao texto O narrador pós-moderno (1986). Embora Silviano Santiago frise que o narrador pós-moderno é aquele que não fala de suas próprias experiências, mas sim daquelas que observa. Pudemos concluir que o narrador da obra aqui estudada, mesmo ao narrar suas experiências, deve ser considerado como um narrador pós-moderno, pois seu foco principal são os amores, conflitos e distúrbios que a jovem por quem se apaixona lhe causa. O narrador vê nesta jovem a possibilidade de se sentir jovem novamente.

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[Discurso de aceptación del Premio Nobel 1982 -Texto completo]

Gabriel García Márquez

Antonio Pigafetta, un navegante florentino que acompañó a Magallanes en el primer viaje alrededor del mundo, escribió a su paso por nuestra América meridional una crónica rigurosa que sin embargo parece una aventura de la imaginación. Contó que había visto cerdos con el ombligo en el lomo, y unos pájaros sin patas cuyas hembras empollaban en las espaldas del macho, y otros como alcatraces sin lengua cuyos picos parecían una cuchara. Contó que había visto un engendro animal con cabeza y orejas de mula, cuerpo de camello, patas de ciervo y relincho de caballo. Contó que al primer nativo que encontraron en la Patagonia le pusieron enfrente un espejo, y que aquel gigante enardecido perdió el uso de la razón por el pavor de su propia imagen.

Este libro breve y fascinante, en el cual ya se vislumbran los gérmenes de nuestras novelas de hoy, no es ni mucho menos el testimonio más asombroso de nuestra realidad de aquellos tiempos. Los Cronistas de Indias nos legaron otros incontables. Eldorado, nuestro país ilusorio tan codiciado, figuró en mapas numerosos durante largos años, cambiando de lugar y de forma según la fantasía de los cartógrafos. En busca de la fuente de la Eterna Juventud, el mítico Alvar Núñez Cabeza de Vaca exploró durante ocho años el norte de México, en una expedición venática cuyos miembros se comieron unos a otros y sólo llegaron cinco de los 600 que la emprendieron. Uno de los tantos misterios que nunca fueron descifrados, es

el de las once mil mulas cargadas con cien libras de oro cada una, que un día salieron del Cuzco para pagar el rescate de Atahualpa y nunca llegaron a su destino. Más tarde, durante la colonia, se vendían en Cartagena de Indias unas gallinas criadas en tierras de aluvión, en cuyas mollejas se encontraban piedrecitas de oro. Este delirio áureo de nuestros fundadores nos persiguió hasta hace poco tiempo. Apenas en el siglo pasado la misión alemana de estudiar la construcción de un ferrocarril interoceánico en el istmo de Panamá, concluyó que el proyecto era viable con la condición de que los rieles no se hicieran de hierro, que era un metal escaso en la región, sino que se hicieran de oro.

La independencia del dominio español no nos puso a salvo de la demencia. El general Antonio López de Santana, que fue tres veces dictador de México, hizo enterrar con funerales magníficos la pierna derecha que había perdido en la llamada Guerra de los Pasteles. El general García Moreno gobernó al Ecuador durante 16 años como un monarca absoluto, y su cadáver fue velado con su uniforme de gala y su coraza de condecoraciones sentado en la silla presidencial. El general Maximiliano Hernández Martínez, el déspota teósofo de El Salvador que hizo exterminar en una matanza bárbara a 30 mil campesinos, había inventado un péndulo para averiguar si los alimentos estaban envenenados, e hizo cubrir con papel rojo el alumbrado público para combatir una epidemia de escarlatina. El monumento al general Francisco Morazán, erigido en la plaza mayor de Tegucigalpa, es en realidad una estatua del mariscal Ney comprada en París en un depósito de esculturas usadas.

Hace once años, uno de los poetas insignes de nuestro tiempo, el chileno Pablo Neruda, iluminó este ámbito con su palabra. En las buenas conciencias de Europa, y a veces también en las malas, han irrumpido desde entonces con más ímpetus que nunca las noticias fantasmales de la América Latina, esa patria inmensa de hombres alucinados y mujeres históricas, cuya terquedad sin fin se confunde con la leyenda. No hemos tenido un instante de sosiego. Un presidente prometeico atrincherado en su palacio en llamas murió peleando solo contra todo un ejército, y dos desastres aéreos sospechosos y nunca esclarecidos segaron la vida de otro de corazón generoso, y la de un militar demócrata que había restaurado la dignidad de su pueblo. En este lapso ha habido 5 guerras y 17 golpes de estado, y surgió un dictador luciferino que en el nombre de Dios lleva a cabo el primer etnocidio de América Latina en nuestro tiempo. Mientras tanto 20 millones de niños latinoamericanos morían antes de cumplir dos años, que son más de cuantos han nacido en Europa occidental desde 1970. Los desaparecidos por motivos de la represión son casi los 120 mil, que es como si hoy no se supiera dónde están todos los habitantes de la ciudad de Upsala. Numerosas mujeres arrestadas encintas dieron a luz en cárceles argentinas, pero aún se ignora el paradero y la identidad de sus hijos, que fueron dados en adopción clandestina o internados en orfanatos por las autoridades militares. Por no querer que las cosas siguieran así han muerto cerca de 200 mil mujeres y hombres en todo el continente, y más de 100 mil perecieron en tres pequeños y voluntariosos países de la América Central, Nicaragua, El Salvador y Guatemala. Si esto fuera en los Estados Unidos, la

cifra proporcional sería de un millón 600 mil muertes violentas en cuatro años.

De Chile, país de tradiciones hospitalarias, ha huido un millón de personas: el 10 por ciento de su población. El Uruguay, una nación minúscula de dos y medio millones de habitantes que se consideraba como el país más civilizado del continente, ha perdido en el destierro a uno de cada cinco ciudadanos. La guerra civil en El Salvador ha causado desde