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Teknologi og fremtider – et teoretisk perspektiv

Este é um debate importante para os estudos de nacionalismo. Entretanto, para uma melhor compreensão desta tipologia entre nacionalismo cívico e étnico é importante nos remetermos à tipologia elaborada por Hans Kohn para diferenciar os nacionalismos europeus, em que são apresentadas as categorias de nacionalismos Ocidentais e Orientais. Esta tipologia apresenta o embrião do debate posterior entre nacionalismos cívico e étnico. Acerca da importância desta tipologia, Smith coloca que “a tipologia mais influente é a apresentada por Hans Kohn. Ele distingue uma versão de nacionalismo ‘Ocidental’, racional e associativa, de uma ‘Oriental’, orgânica e mística” (SMITH, 1991, p. 80).

Para Kohn, a forma ocidental, se caracteriza por uma forma voluntarista, que considera a nação como uma forma de associação racional de leis comuns em um dado território, criado pela classe média, enquanto que a forma oriental, caracterizada por seu caráter orgânico, místico e muitas vezes autoritário, criado pela elite. Neste sentido:

No mundo ocidental, na Inglaterra e na França, na Holanda e na Suíça, nos Estados Unidos e nos domínios britânicos, o surgimento do nacionalismo foi uma ocorrência predominantemente política, que foi precedida pela formação do futuro Estado nacional, ou, como no caso dos Estados Unidos, coincidiu com ele. Fora do mundo ocidental, na Europa Central e Oriental e na Ásia, o nacionalismo não só surgiu mais tarde, mas também geralmente numa fase mais atrasada de desenvolvimento social e político: as fronteiras de um Estado existente e a uma nacionalidade em formação raramente coincidiram; nacionalismo, nesta região, cresceu em oposição e em conflito com o padrão de Estado existente - não para transformá-lo em Estado de um povo, mas para redesenhar as fronteiras políticas em conformidade com as exigências etnográficas.

Por causa do atraso do desenvolvimento político e social, este nacionalismo em formação fora do mundo ocidental encontrou sua primeira expressão no campo cultural. Surgiu a partir do sonho e da esperança de estudiosos e poetas, sem apoio da opinião pública (KOHN, 1967, p. 329-330, tradução nossa).

Esta tipologia, como já mencionado, representa a base da tipologia cívica e étnica, que analisaremos a seguir. A concepção cívica encara a nação como unidades de população que habitam um território demarcado, possuem economia comum dentro do território com sistema de produção e de trabalho estabelecidos, leis comuns abrangendo direitos e obrigações para todos e com sistema educacional de massa, com única ideologia cívica. Esses quatro elementos, território, economia, sistema legal e educação formam o mito da nação moderna, uma vez que esses quatro elementos requerem uma base industrial e moderna (SMITH, 2004a). Para Greenfeld, a dicotomia entre nacionalismos cívico e étnico estabelece diferentes critérios de participação na coletividade nacional. A forma

cívica é relacionada à cidadania, aberta e voluntarista, em algumas ocasiões específicas podem ser adquiridas (GREENFELD, 1998, p. 21).

A segunda forma de nação, étnica ou genealógica, encara a nação como populações que buscam ancestrais e costumes comuns, um mesmo vernáculo e história nativa. Genealogia, demografia, cultura tradicional e história moldam os principais elementos de uma visão étnica da formação de nações. Como já pudemos ver ancestralidade, história, cultura comum e solidariedade, assim como um nome comum, são as características de uma comunidade que definem os conceitos de etnicidade e identidade étnica. Esses pontos definem também uma comunidade étnica, uma etnia (SMITH, 2004c). Já Greenfeld considera o nacionalismo étnico como inerente ao indivíduo, não pode ser adquirida ou modificada, independendo da vontade individual (GREENFELD, 1998, p. 21).

Para Smith, então, para se conceituar nação é preciso que se considere tanto a concepção étnica quanto a territorial ou cívica. Ele então define nação como uma nação estabelecida por um nome comum, com mesmos mitos de descendência comum, memórias históricas e cultura massificada, e possuindo território demarcado, economia comum e mesmo sistema legal de direitos e deveres (SMITH, 2004c, p. 42). Dessa forma o autor mescla ambos os conceitos, demonstrando que os elementos étnicos também são necessários para se definir plenamente uma nação.

Uma análise superficial das características dos nacionalismos cívico e étnico pode levar a ideia que o nacionalismo cívico é uma espécie de nacionalismo “bom”, enquanto que o étnico pode ser entendido como uma forma “ruim”. Esta é uma preocupação dos estudiosos que se debruçam sobre esta tipologia. Kai Nielsen demonstra que existem características boas ou ruins que afloraram historicamente nas duas tipologias (NIELSEN, 1996, p. 44).

A tipologia apresentada é constantemente enfatizada como forma ideal, e que análises de casos concretos de nacionalismos demonstram que não existem

nações que apresentem os elementos de apenas uma destas formas. Nos últimos anos esta tipologia tem sido constantemente questionada. Conforme demonstra Shulman, elementos étnicos estão presentes na Europa Ocidental, enquanto que noções de identidade cívica são facilmente perceptíveis no Leste Europeu:

O regime comunista e imperial não empurrou as nações do Leste Europeu em um sentido fortemente cultural, enfraquecendo muito os aspectos cívicos E enquanto a maioria do Ocidente tem uma longa tradição de democracia e instituições políticas relativamente fortes e estáveis, as concepções culturais de nação estão vivas e bem, enquanto que o apoio ao multiculturalismo é relativamente fraco (SHULMAN, 2002, p. 583, tradução nossa).

Ainda dominante na literatura nacionalista, esta dicotomia entre cívico e étnico tem seus críticos e propostas alternativas. Uma das mais bem elaboradas críticas é feita por Will Kymlicka, que afirma que o pertencimento não é apenas uma questão de direito ou descendência étnica, mas também de cultura, fator comumente negligenciado nos estudos de identidade e nacionalismo. A partir de exemplos da Catalunha e de Quebéc, que estão preocupados com a sobrevivência de seus elementos culturais, Kymlicka propõe três dimensões de nacionalismo, étnico, cívico e cultural (KYMLICKA, 2001, p. 243-245).

Nesta tipologia cultural oferecida a nação é dada em termos culturais, em que a necessidade de uma cultura pública difusiva. É nítida a diferença em relação ao nacionalismo cívico, cujos defensores alegam que um nacionalismo cívico é puramente uma concepção política, o que se traduz na preocupação central de compromisso comum, além do aspecto cultural, dos princípios políticos de democracia e liberdade. Mesmo em países ditos cívicos, não é necessário que um cidadão se comprometa com estes princípios políticos para manter sua cidadania (NIELSEN, 1996, p. 47).

Da mesma forma, equacionar nacionalismo étnico e cultural também é um erro, segundo Nielsen, pois o nacionalismo étnico, assim como todos os nacionalismos, são culturais, mas nem todos os nacionalismos culturais são étnicos. O nacionalismo cultural define a nação em termos de uma cultura comum e abrangente, o que pode estar presente em nacionalismos cívicos e étnicos (NIELSEN, 1996, p. 48).

Entendemos que o elemento cultural é fundamental para se definir a nação e este elemento pode estar presente em qualquer forma de nacionalismo, seja étnico ou cívico. Tampouco discordamos da visão do nacionalismo cívico que considera elementos políticos na definição e classificação da nação. Uma nação só poderá ser dita como tal a partir do momento que possuir alguns elementos políticos, envolvendo aí leis e costumes comuns, elementos ideológicos do nacionalismo, dentre outros.

A iniciativa de Kymlicka de apresentar uma terceira tipificação do nacionalismo é importante para salientar a importância dos aspectos culturais em qualquer nação e nacionalismo. A visão de um nacionalismo cultural não é oposta às noções étnicas e cívicas. Acreditamos que há um reducionismo evidente ao se considerar elementos étnicos primordialmente como herança genética ou se alisar o mito de descendência comum de forma literal. Entendemos, pois, que o nacionalismo cultural não constitui uma terceira opção e pode ser incorporado pelas formas tradicionais de nacionalismo. A sua existência foi testada, conforme estudo quantitativo de Reeskens e Hooghe (2010), que afirma que a partir de procedimentos quantitativos específicos que “não há razão empírica para se presumir de um terceiro fator, cultural, como foi apresentado por Will Kymlicka” (REESKENS e HOOGHE, 2010, p. 594, tradução nossa).

Discorreremos a seguir acerca das principais correntes teóricas e suas distintas concepções acerca da origem das nações, em que a discussão permeia o momento do surgimento da nação, bem como as condições sociopolíticas de seu surgimento.