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Medieanalyse av debatten om NIPT: Et sted for «politisk rene hender»?

As nações surgem de variadas formas, existem diferentes pontos de origem e direções tomadas. A primeira grande diferença é entre nações formadas a partir de uma única comunidade étnica e nações originadas a partir de partes e fragmentos de uma ou mais etnias. Este segundo caso é característico de comunidades que passaram por migrações, membros que uma comunidade, uma terra mãe e se espalharam por diferentes localidades, inclusive atravessando oceanos para colonizar territórios desconhecidos ou pouco povoados.

Em casos como destes grupos migrantes, a cultura destes grupos é a mesma da terra mãe, de sua comunidade étnica, da qual se originaram. Esta identificação com sua etnia originária é gradualmente transformada pela nova localidade que habitam, o que acarreta o surgimento de uma ideologia do colono pioneiro, reforçada por critérios religiosos e diferenciação racial, bem como alguma forma de ideologia providencialista, como é o caso dos Estados Unidos da América. Mas nem todas as comunicades migrantes são semelhantes: No Canadá e Argentina, por outro lado, migração étnica e colonização foram desde o primeiro

estágio projetos estatais, não possuíam o caráter bíblico e a ideologia providencialista tão comuns como no caso dos Estados Unidos (SMITH, 2009, p. 52-53).

Várias das comunidades que receberam imigrantes atraíram mais de uma etnia. Ainda que fragmentada, há a existência de uma etnia dominante que buscou assimilar a onda de migrantes à língua e cultura desta etnia dominante. A formação da nações a partir de mais de uma etnia – uma delas exercendo a dominância – se baseia nos elementos vistos na gênese étnica. Entretanto, as nações formadas por etnias fragmentadas geraram diferentes tipos de etnias, comunidades étnicas laterais e comunidades étnicas verticais.

Etnias laterais têm fronteiras extensas e irregulares, bem como há baixa penetração social. Geralmente incluem a aristocracia e alto clero, juntamente com alguns burocratas e comerciantes ricos, e deles é muitas vezes o orgulho de uma casta à parte. Em contraste, etnias ou verticais, 'demóticas', revelam um vínculo emocional muito mais intenso entre os membros, bem como uma extensão territorial proporcionalmente menor. As barreiras à entrada (e saída) são mais elevadas, e a assimilação cultural, e muito menos o casamento com membros externos, não são comuns (SMITH, 2009, p. 53-54, tradução nossa).

Estes dois tipos de etnia permitem rotas distintas de formação da nação a partir de diferentes segmentos e instituições. No primeiro caso, etnia lateral, a formação da nação acontece a partir de um processo de incorporação burocrática, em que a forte elite estatal costuma através das gerações incluir territórios distantes e remotos e gradualmente incluir segmentos da não elite, notadamente de extratos inferiores, que acabam adquirindo características culturais da elite. Ao longo do tempo este processo engendra um senso de identidade nacional na elite atrelado à territorialização e memória. Neste momento já não se trata mais apenas de um movimento da elite, a classe média também já se envolve neste elitismo patriótico, seja pela definição de leis comuns e pelo crescimento de uma cultura pública

própria através de símbolos, rituais e pelo vernáculo. Neste ponto a cultura torna-se coesa ao ponto de envolver elementos religiosos e sua uniformização e utilizados para mobilizar a opinião pública contra opositores e agentes externos (SMITH, 2009, p. 54).

A relação entre nação e pátria aqui se confundem. O nacionalismo é uma doutrina da nação, e não do estado. Na prática, entretanto, uma nação livre necessita de um estado para proteção e manutenção de sua cultura. Os limites entre ambos são muito tênues, uma vez que algumas características da nação são compartilhadas pela pátria, como o desejo de autonomia nacional. Autores como Connor e Viroli (1995) defendem uma profunda divisão entre os conceitos de nacionalismo e patriotismo. O problema desta separação entre estas ideologias é que para muitos as duas formas de lealdade são idênticas. Isto ocorre porque na prática os dois conceitos se sobrepõem. Como coloca Viroli (1995), patriotismo também busca experiências históricas compartilhadas, bem como memórias de conquistas coletivas e sacrifício, requisitos estes muito próximos daqueles apresentados por Ernest Renan para sustentar seu conceito de nação. Além disso, existem também cultura comum e língua, o que leva o patriotismo a promover unificações culturais e linguísticas e demandar a assimilação de maiorias. Com o advento da democracia, esse exclusivismo cultural recebe um reforço, pois faz parte do “povo” apenas aqueles que pertencem ou assimilaram a cultura dominante, a cultura da etnia dominante (SMITH, 2009, p. 55). O que parece diferenciar o patriotismo é sua ênfase em memórias compartilhadas de sacrifício e os valores e símbolos de uma comunidade política e territorial (SMITH, 2009, p. 62).

O segundo tipo de etnia, vertical, que ocorre através de mobilização vernacular, que geralmente ocorre em populações étnicas menores e especialmente naquelas com um alto grau de autoconsciência. Nesta, os intelectuais desempenham importante papel, em que buscam fornecer à comunidade uma forma concreta de mobilização popular, que, em termos de nacionalismo, nunca é um evento simplesmente social e político. Para os nacionalistas trata-se de uma

questão cultural e consequentemente, de mobilização vernacular, ou seja, induzir a população designada numa cultura nacional ‘autêntica’ baseada em características comuns e herdadas. Trata-se de uma forma de induzir o povo a se apegar a esta cultura vernacular e consequentemente consolidar a formação da nação (SMITH, 2011, p. 234).

Comparando as duas rotas, o caminho da mobilização vernacular é predominante. Entretanto, ao que tudo indica, o caso da maioria dos países da América Latina, e principalmente do Brasil, é através da incorporação burocrática. Por esta razão, daremos maior atenção a esta rota nacionalista doravante.