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4. Hyperreelle miljøer

4.1 Tegnsystemer

A atividade farmacêutica é, por excelência, uma atividade dirigida para o público, onde a manutenção e prevenção da saúde e bem-estar do utente constituem o principal objetivo de todos os profissionais que diariamente trabalham numa farmácia de oficina (1). No exercício diário da sua profissão, o farmacêutico deve pautar-se por valores éticos e morais que lhe permitam agir em conformidade com as situações com as quais se depara, procurando transmitir informação fidedigna, útil e segura a todos os utentes, sendo um elo de ligação importante na equação utente – medicamento (11).

O avanço tecnológico e a existência de informação acessível a toda a população originam utentes mais informados, exigentes e participativos o que requer a existência de um farmacêutico cada vez mais atualizado nos seus conhecimentos e com capacidade de atuar em todas as vertentes da farmácia de oficina, sendo muitas vezes a farmácia o primeiro local a que o doente se dirige antes de ir ao médico. A informação transmitida ao utente deve ser feita de forma credível e honesta, garantindo sempre que foi totalmente compreendida pelo doente, devendo esta ser repetida as vezes que forem necessárias, uma vez que um utente com dúvidas é um utente que não vai fazer uma correta adesão à terapêutica. Muitas vezes cabe ao farmacêutico adquirir as estratégias necessárias para que todas as dúvidas do utente sejam dissipadas quer pela escrita nas caixas da posologia e forma de administração dos medicamentos, quer pela utilização de pictogramas, ou até pela disponibilização do número de telefone da farmácia para que o utente entre em contacto caso surjam dúvidas. Para além de fornecer todas as informações sobre a posologia e indicação terapêutica do medicamento o farmacêutico adquire um papel fundamental na explicação da forma de administração/utilização dos medicamentos (como no caso dos dispositivos inaladores para a asma), na correta forma de conservação dos medicamentos e ainda na transmissão de medidas não farmacológicas (como por exemplo a importância da alimentação equilibrada, mas regrada no caso dos síndromes metabólicos).

Assim a relação de confiança entre o utente e o farmacêutico é essencial para que haja uma adesão eficaz à terapêutica, de muita importância nas patologias crónicas, e para que o utente comece a considerar a farmácia como um serviço de saúde primário.

Durante o período de estágio foram várias a situações em que percecionei a importância da comunicação com o utente e a necessidade de lhe transmitir segurança quando a informação é passada, pois muitas vezes são os farmacêuticos que detetam as

equipa da Farmácia Montezelos foi fundamental para me elucidar e transmitir que o farmacêutico tem que ter muito mais que os conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do MICF. É, pois, essencial que o farmacêutico seja dotado de formação ética e deontológica quando contacta com o utente, relembrando-se sempre da importância do Código Deontológico da Ordem dos Farmacêuticos (OF).

5.1 Farmacovigilância

Conforme definido nas “Boas Práticas Farmacêuticas para a Farmácia Comunitária”, a Farmacovigilância é “a atividade de saúde pública que tem por objetivo a identificação,

quantificação, avaliação e prevenção dos riscos associados ao uso dos medicamentos em comercialização, permitindo o seguimento dos possíveis efeitos adversos dos medicamentos”

(1). Assim, a responsabilidade do farmacêutico não se resume à simples dispensa do medicamento, mas também à deteção e notificação de qualquer reação adversa que possa surgir com o consumo do medicamento ao Sistema Nacional de Farmacovigilância. Uma relação de proximidade e confiança entre o utente e o farmacêutico permite a deteção precoce das reações adversas a medicamentos (RAM) constituindo ganhos em saúde. O farmacêutico deve notificar, celeremente, todas as suspeitas de RAM não descritas, independentemente da sua gravidade, e todas as suspeitas de RAM graves mesmo que estejam descritas na bibliografia do medicamento (1).

Aquando da deteção de uma RAM, o farmacêutico procede ao seu registo mediante o preenchimento de um formulário online no “Portal RAM” ou imprimindo e preenchendo o formulário de notificação em papel, e posteriormente, remete-o à Direção de Gestão do Risco de Medicamento do INFARMED, I.P ou às Unidades Regionais de Farmacovigilância (URF). Uma vez que estes formulários de notificação de RAM podem ser preenchidos também pelos utentes, o farmacêutico tem uma atitude proativa na sensibilização referente à importância da notificação de RAM pelo próprio consumidor do medicamento (12). É de salientar que os suplementos alimentares também carecem de uma vigilância apertada sendo que qualquer reação adversa deve ser comunicada à Direção de Serviços de Nutrição e Alimentação (DSNA) da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) (13).

Assim a Farmacovigilância constitui uma atividade vital para garantir a continua monitorização dos medicamentos existentes no mercado, permitindo identificar potenciais reações adversas novas, quantificar/caracterizar melhor reações adversas já identificadas e implementar medidas que permitam minimizar o risco da sua ocorrência.

No decorrer do estágio curricular na Farmácia Montezelos não presenciei a deteção de nenhuma RAM que necessitasse de notificação, no entanto fui alertada para a importância da Farmacovigilância e do estabelecimento de uma relação de proximidade com o utente que permitisse que este relatasse possíveis RAM na ida à farmácia.

5.2 VALORMED

De modo a assegurar a gestão dos resíduos de embalagens vazias e medicamentos fora de uso, na Farmácia Montezelos existe um Sistema Integrado de Recolha de Embalagens e Medicamentos fora de uso, a VALORMED. A VALORMED resulta da colaboração entre a Industria Farmacêutica, Distribuidores e Farmácias como resultado da consciencialização do medicamento como um tipo de resíduo específico (14). Cabe ao farmacêutico, enquanto entidade de destaque na comunidade, sensibilizar a população para a adesão a este programa, contribuindo para a preservação do meio ambiente, bem como para a correta utilização dos medicamentos dentro do prazo de validade indicado na cartonagem.

Assim, cabe aos utentes depositarem os medicamentos e embalagens num contentor próprio identificado com o símbolo da VALORMED, localizado à entrada da farmácia. Quando o contentor estiver cheio, é pesado e selado. O contentor é encaminhado com uma ficha preenchida em triplicado onde se pode consultar o número de registo, a identificação da farmácia, o peso do contentor, a rúbrica do operador e do responsável pelo transporte. Um dos triplicados é arquivado na farmácia, sendo os restantes enviados juntamente com o contentor.

Durante a realização do estágio na Farmácia Montezelos, pude constatar que são muitos os utentes que aderem a este programa, mostrando que a população adota medidas conscientes de sustentabilidade ambiental.