Para Xiao and Smith (2006) o campo do desenvolvimento e impactos adquiriu uma grande importância e assenta nas seguintes áreas: capacidade de carga; limites de aceitação de mudança; oportunidades de recreação; experiências dos visitantes; protecção de recursos; ciclo de vida dos destinos; desenvolvimento dos destinos; modelos de destruição criativa; teorias de periferia; desenvolvimentos urbano e rural; estádios de desenvolvimento; teoria da dependência; neocolonialismo e paradigmas de difusão, entre outros. Por outro lado, Prideaux (2000) refere que o desenvolvimento dos destinos, tem sido estudado segundo várias perspectivas:
• Mudanças nas relações espaciais;
• Mudanças nas necessidades psicológicas dos visitantes;
• Ciclos evolutivos.
Este autor propõe uma nova abordagem: a do “Espectro do Desenvolvimento”.
Está também assumido que a competitividade promove o desenvolvimento dos destinos turísticos, através das dinâmicas que provoca nos diferentes stakeholders e consequente incremento das suas actividades económicas. A teoria económica também é clara quando sugere que a Qualidade de Vida das populações é um corolário do desenvolvimento. Tendo a actividade turística uma relação e influência inegável nas actividades económicas, facilmente entendemos que abordar, hoje em dia, as questões associadas ao desenvolvimento, não devem estas estar dissociadas do próprio turismo. Por outras palavras, parece-nos evidente que, se por um lado, o turismo influencia a Qualidade de Vida das populações locais, por outro lado, é esta mesma Qualidade de Vida local que atrai os turistas. Perante isto, convém apreciarmos alguns aspectos relacionados, quer com o desenvolvimento, quer com a própria Qualidade de Vida.
Segundo Andriotis (2006) existem dois tipos de pré-condições para o desenvolvimento:
• Os necessários;
• Os suficientes.
Para Milne (1998) (in Milne and Ateljevic, 2001), há duas abordagens teóricas sobre a análise do desenvolvimento, que devem existir em equilíbrio:
• Abordagem da Regulação: o mercado auto-regula-se, ou então o Estado regula, numa perspectiva de grande escala;
• Abordagem da Especialização Flexível: capacidade de rápida adaptação ao mercado, por parte dos agentes locais.
Como o desenvolvimento depende de factores económicos, socioculturais e ambientais, então qualquer investigação sobre o desenvolvimento do turismo, deve considerar esses mesmos factores, pois um modelo que utilize todas as variáveis é virtualmente impossível de criar (Karplus and Krakover, 2004).
Já vimos anteriormente que o desenvolvimento dos destinos deve ser entendido, em termos da sua operacionalização, de forma agregada, ou seja, como um destino não é auto-suficiente, dependerá sempre das complementaridades de outros destinos. Ora, no turismo, esta partilha de interesses é ainda mais acentuada, pois sabendo nós que os turistas aproveitam as suas visitas para conhecerem e terem experiências diversificadas, estas serão tanto mais completas, quanto mais abrangentes forem, do ponto de vista geográfico. Entramos assim, num contexto de cluster territorial, onde os diferentes agentes e entidades dependem uns dos outros, para melhor agradarem aos visitantes. Já Urtasun and Gutierréz (2006) destacam a importância dos clusters como forma de catapultar os níveis de desenvolvimeno das regiões.
Pelo ponto 2.1 do presente capítulo, verificamos que falar em “Desenvolvimento Turístico de um Destino” é diferente de falar de “Desenvolvimento de um Destino Turístico”. Enquanto o primeiro procura apelar ao incremento qualitativo e quantitativo das actividades turísticas existentes num determinado destino, já o segundo centra-se no incremento geral de um destino que, em determinado momento, é local de atracção de turistas. A diferença não é apenas semântica, pois no primeiro caso, pode ficar subjacente o apelo ao desenvolvimento exclusivo das actividades mais directamente turísticas, fazendo com que as populações locais, possam não sentir os benefícios desses efeitos. Já no segundo caso, fica claramente a ideia que o que deve prevalecer é a melhoria quantitativa e qualitativa das condições gerais das populações, sejam elas locais ou não locais ou visitantes. Pois, como diz Kelly (1993), a sustentabilidade de uma economia regional, onde o turismo seja uma importante base da sua economia, pode depender do reconhecimento geral, de que o bem-estar da comunidade local e dos
visitantes não são mutuamente exclusivos, mas sim fortemente interligados. Também Getz (1993) é claro nesta matéria ao dizer que se um destino for construído e gerido com os residentes em mente, a sua evolução e impactos seguramente serão diferentes, do que não o sendo. Mais, isto é reforçado com a ideia de que a harmonia social apenas será alcançada se as pessoas se encaixarem num contexto comunitário socioecológico (Fennell and Butler, 2003).
Considerando, portanto, que um destino necessita de outras para se potenciar, julgamos que o “desenvolvimento” é cada vez mais um conceito multipolar, ou seja, dificilmente um destino poderá aspirar a atingir níveis de desenvolvimento aceitáveis, independentemente da sua natureza, se os destinos vizinhos não o conseguirem acompanhar (aqui é necessário verificar a escala geográfica das inter-influências). Por outro lado, sendo o desenvolvimento um conceito relativo (opinião também defendida por Butler (2008), em conversa pessoal), não existindo portanto padrões absolutos, mas sim padrões comparativos, o nível de desenvolvimento dependerá sempre de um termo comparativo. Apesar da relação genérica entre turismo e desenvolvimento, ser muito estudada, num contexto de globalização, pobreza e marketing de destinos (Hannam, 2002, 2004) (in Xiao and Smith, 2006), o crescente interesse pelo desenvolvimento sustentável tem levado a um novo interesse pelos impactos do turismo no ambiente, sociedade e cultura (Northcote and Macbeth, 2006). Contudo, reconhece-se que o planeamento e o desenvolvimento sustentado do turismo requerem uma abordagem integrada (Echtner and Jamal, 1997).
Sendo consensual que as dimensões do turismo são a dimensão económica, a ambiental e a sociocultural, já os modelos explicativos do desenvolvimento do turismo, suscitam maior discussão e diferentes abordagens. Mowforth and Munt (1998) (in Echtner and Jamal, 1997) agruparam essa diversidade em três grupos: os que explicam as motivações dos turistas; os que explicam o papel do sector e os que explicam o desenvolvimento da comunidade. A estes, há que juntar os que explicam o comportamento simultâneo do sector e da comunidade local (teoria do ciclo de vida de um destino) (in Moniz, 2006, p.68). Por seu lado, Oppermann (1993) (in Moniz, 2006) sugere que as teorias explicativas do desenvolvimento do turismo assentam, ora na teoria do desenvolvimento por fases (alterações unidireccionais de menos para mais), ora na teoria da difusão (efeito multiplicador sobre o restante sistema económico), ou
ainda na teoria da dependência (relação “centro/periferia” – podendo levar ao acentuar das dependências e assimetrias). Também Milne and Ateljevic (2001) referem que existem três abordagens sobre a relação do turismo com o desenvolvimento:
• Perspectiva da Dependência;
• Modelo do Ciclo de Vida (Butler, 1980);
• Envolvimento e participação dos locais.
Uma questão directamente associada ao desenvolvimento é o da “Qualidade de Vida”. Consequentemente, este conceito também está subjacente ao do desenvolvimento de um destino turístico. Considerando que, para Massam (2002), a Qualidade de Vida pode ser vista como atracção ou como desejo e expectativa dos indivíduos, sendo objectivo das políticas públicas e da vida privada e que deve conter duas dimensões, uma psicológica (interna), outra, envolvente (externa), entendemos que a qualidade de vida deve repercutir-se simultaneamente no turista e no residente. Se em relação aos turistas não há dúvidas, quanto ao facto de usufruirem da qualidade de vida local, já em relação aos residentes parece assumir-se a mesma preocupação, pois Crouch (2006) refere que o desenvolvimento turístico de um destino promove a competitividade e sustentabilidade do destino, na procura da Qualidade de Vida das populações residentes. Também Kim (2002) refere que a qualidade de vida das populações residentes deve ser a principal preocupação dos líderes das comunidades, pois se o turismo resultar em degradação dessa qualidade de vida, os residentes podem ficar renitentes quanto à presença de turistas. Isto em cada uma das fases em que se encontre esse mesmo destino, ou seja: em cada uma das fases de desenvolvimento haverá condicionantes diferentes para os residentes.
Portanto, para cada nível de desenvolvimento haverá influências diferentes quanto ao nível de qualidade de vida percepcionado pela população residente. Esta questão assume uma importância especial, pois reforça a ideia de que, consoante o nível de desenvolvimento, assim teremos sentimentos diferenciados de qualidade de vida.
Para Argyle (1996) (in Kim, 2002) que a Qualidade de Vida deve ser medida pela influência da:
• Satisfação pela vida;
• Ausência de problemas de saúde.
Considerando que a felicidade pode ser de natureza efectiva ou emocional e a satisfação de natureza cognitiva (Kim, 2002), e por outro lado, considerando que a felicidade pode ser definida como o grau que um indivíduo atribui como favorável à qualidade da sua vida, como um sentir sobre a questão (Veenhoven, 1991) (in Kim, 2002) então verificamos que, quer numa óptica dos elementos humanos que compõem o turismo (turistas e residentes), quer numa óptica das sensações desses elementos (felicidade e satisfação), assistimos à influência do turismo na Qualidade de Vida, considerando que consoante a fase em que se encontra, assim teremos formas diferentes desse sentir.
Posto isto, podemos esquematizar os ganhos de uma área, seguindo a metodologia de Porter (1990) numa óptica de cluster.
Figura 2.9 - A Cadeia de Valor de Um Destino Turístico
Fonte: Elaboração própria
Os itens transversais, procura, instituições públicas e privadas, recursos naturais e artificiais e infra-estruturas turísticas e não turísticas, representam o que está presente para todos od destinos e consequentemente deve ser cuidado e potenciado por todos. As empresas, que naturalmente defendem interesses próprios e separados entre si, ou seja, dos concorrentes, devem contudo perceber que existem um conjunto de intervenções e
CLIENTES/TURISTAS (PROCURA)
INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS RECURSOS NATURAIS E ARTIFICIAIS
INFRAESTRUTURAS TURÍSTICAS E NÃO TURÍSTICAS
EFEITO CLUSTER EMPRESA SECTOR A EMPRESA SECTOR (i) EMPRESA SECTOR B EMPRESA SECTOR (i)
DESTINO X
DESTINO (i)
DESENVOLVIMENTO DO DESTINO TURÍSTICO
acções que devem ser comuns e devem proporcionar a repetição da vinda do turista e a captação de novos. Estas, muitas vezes, estão conectadas com outras de outros destinos ou locais vizinhos. Devem também ter consciência que a vinda de um turista (ou excursionista) acaba por proporcionar um conjunto variado de consumos, levando a um efeito em cadeia, entre diferentes actividades. O turista deve reter as boas experiências, que são potenciadas se forem “bem” recebidos pelos locais, pois está provado que a divulgação e promoção dos lugares, é altamente positivo se for feito pessoalmente por quem já passou por essas experiências (“boca-a-boca” ou “boca-ouvido”).
Contudo há um aspecto que Russo and Borg (2002) sublinham que assume especial relevância, aquando do tratamento de questões relacionadas com o turismo, pois referem que nem todas as cidades (destinos) possuem condições e características culturais (ou outras), nas quais possam assentar o seu modelo de desenvolvimento no turismo. Ora, esta questão reforça a ideia de que, se por um lado, devem existir relações de complementaridade, por outro, não basta querer suportar o desenvolvimento no turismo, mas sim ter condições para o efeito. Uma condição, segundo Urtasun and Gutiérrez (2006), é a existência de aglomeração, pois esta apresenta-se como uma característica do desenvolvimento turístico. Há também os que sugerem a existência de regulamentação apropriada, pois a sua falta ou o seu desajustamento pode levar à saturação e degradação ambiental e sociocultural, dado que as fases iniciais dependem muito dos recursos naturais e culturais (Weaver, 2001; Saveriades, 2000).
Outros, referem que se deve reforçar a preocupação com a qualidade em detrimento da quantidade, como estratégia de controlo dos impactos, na maioria dos destinos já penetrados, McElroy and De Albuquerque (1998). Isto porque, quando se fala em impactos do turismo, normalmente está subjacente a ideia que o “turismo”, e o “turista” são causadores desses mesmos efeitos, em particular o “turismo de massas” (Butler, 1980; McElroy and De Albuquerque, 1998; Saveriades, 2000; Simpson, 2001; Butler, 1994) (in Simpson, 2001). Contudo, as decisões de investimento de longo prazo, baseadas em previsões de procura (Eadington and Redman, 1991) e até em procura desejada, fundamentam a “ideia” dos benefícios do turismo, ou seja, a vontade de captar o turismo potencial, cataliza um conjunto de acções por parte dos agentes privados e públicos, no sentido de criação de condições de receptividade e fixação dos visitantes, as quais se podem também reflectir na melhoria da qualidade de vida dos próprios
residentes. Até porque, como dizem Formica and Uysal (2006), a pressão competitiva internacional e nacional, exercida sobre os governos locais, obriga-os a capitalizar os seus recursos, para um reposicionamento de atracção de visitantes.
Há ainda quem entenda que qualquer destino pode aspirar ao desenvolvimento sustentável, até porque, segundo Tooman (1997a), estudos anteriores apontam nesse sentido, sendo que para tal o turismo pode dar um forte contributo. Este autor indica também que o desenvolvimento se considera alcançável mesmo quando as comunidades possuem escassos recursos públicos. Outros, não estão assim tão convencidos. Por exemplo Getz (1983) utiliza a expressão de “zonas de elevado potencial de desenvolvimento turístico”, assumindo que haverá outras que não o terão. Por outro lado, Milne and Ateljevic (2001) sugerem que as comunidades urbanas e rurais são todas influenciadas por algum grau de turismo.
Também está reconhecido que a “monocultura” do turismo trará consequências negativas, pois o desenvolvimento sustentável ficará fragilizado (Farsari et al., 2007). Há autores que propõem a diversidade de actividades económicas nos destinos turísticos, desde a produção agrícola, industrial e de oficinas locais, que estejam relacionadas com os consumos dos turistas (Williams, 1993; Shaw and Williams, 1998; Buhalis, 1999) (in Farsari et al., 2007). A “moda” do turismo deve ser acautelada e ponderada, pois pode não ser a panaceia para a resolução de todos os problemas e pode até ser entendida como uma fase do desenvolvimento de algumas comunidades. Há um conjunto de estudos que apontam para esta questão: Pearce (1987) (in Butler, 1993) identificou características comuns existentes em ilhas com forte dependência do turismo, como sejam os cluster de alojamento, zonas costeiras com muitas condições e desenvolvimento em enclaves; ou, por exemplo, em termos históricos o turismo surge nas Caraíbas como actividade económica alternativa ao açúcar (Husbands, 1983; Weaver, 1988) (in Butler, 1993). Isto significa que expressões como “apresenta um rápido desenvolvimento, mas ainda possui uma grande margem de progressão” e “apresenta um menor desenvolvimento, logo, ainda se encontra na fase inicial do ciclo”, devem ser apreciadas com algum cuidado.
Em termos turísticos, ou seja, em termos de atracção e fixação de turistas, tudo indica que no futuro serão as unicidades e a sua gestão, a marcar o ritmo de desenvolvimento,
pois como refere Butler (1993), no futuro, a herança passada será menos importante para assegurar a competitividade e sobrevivência do turismo que o controlo e gestão da qualidade do produto turístico, conjuntamente com o rigor e realismo do marketing, sobre as “unicidades” desse destino.
Actualmente, está assumido que falar-se em desenvolvimento é falar-se de “desenvolvimento sustentável”. Como diz Butler (1999), não é apropriado, nos dias de hoje, desenvolver destinos que não queiram ser social e ambientalmente agradáveis quanto possível e, consequentemente, tão próximos da sustentabilidade quanto possível, quando até os próprios residentes assim o desejam. Contudo, susbsistem ainda algumas dúvidas: A questão de se saber para onde vai o dinheiro gasto pelos turistas, mantém-se em aberto, pois geralmente os impactos económicos analisam as despesas dos turistas e os efeitos multiplicadores agregados (Oppermann, 1992); como pode o turismo ajudar a reduzir as desigualdades regionais? (Oppermann, 1992); como pode o turismo desenvolver-se e garantir a manutenção da Qualidade de Vida local? (Milne and Ateljevic, 2001).
Entende-se também que o “desenvolvimento sustentável” é bom e apropriado para resolver os problemas do turismo, levando ao seu desenvolvimento (Butler, 1999) e que o turismo melhora a “Qualidade de Vida” das populações locais (Gu and Wong, 2006). Portanto, o desenvolvimento desenhado para atrair visitantes deve preocupar-se com a prosperidade económica e, consequentemente, dar prioridade à prosperidade económica dos residentes (Dwyer and Kim, 2003). Logo, todos os governos devem assumir o compromisso de ajudar e incrementar o turismo, tanto quanto possível, e ao mesmo tempo preocuparem-se com as políticas de longo prazo (Lee and Chang, 2007).
O conceito de “desenvolvimento” aplicado ao turismo tem subjacente um comportamento evolutivo, onde há um determinado início, ou pelo menos, um momento inicial e haverá um determinado final, ou pelo menos, uma fase de menor fulgor, podendo repetir-se tal comportamento ao longo do tempo. Como disse Tooman (1997a) a evolução natural do turismo é marcada por distintas fases de desenvolvimento. Ainda segundo o mesmo autor, um método que permite avaliar a distribuição desigual dos custos e benefícios é o modelo do ciclo de vida de um destino. Assim, mudanças nas características do turismo nas diferentes fases permitem uma antecipação dos impactos
económicos e sociais. Já Butler (1980) tinha essa noção ao reclamar que “naturalmente a forma da curva é expectável que varie para diferentes áreas, reflectindo variações nos factores, tais como a taxa de crescimento, o número de visitantes, as acessibilidades, as políticas governamentais e o número de locais concorrentes”.
Se o desenvolvimento determina a qualidade de vida e esta o bem-estar das populações locais e dos visitantes, é importante atendermos ao facto de que o percurso ao longo da curva de bem-estar corresponde ao desenvolvimento histórico da tecnologia, acumulação de capital e melhoria das estruturas sociais, levando à eficiência económica. Consequentemente, com frequência, há quem coloque a hipótese de se voltar para trás no movimento, dessa mesma curva. Ora, nada mais errado, pois não existem razões para se acreditar que se desiste do desenvolvimento adquirido, como resultado de restrições e contracções (exceptuando-se cenários de episódios dramáticos). Depois, mesmo considerando que a economia se mantenha constante, qualquer melhoria de produto, descoberta científica ou inovação tecnológica pode melhorar a qualidade dessa economia (Wetzel and Wetzel, 1995). Apenas quando os custos de reposição e manutenção dos recursos forem superiores aos benefícios obtidos com o uso desses mesmos recursos, então entraremos em decrescimento económico, ou empobrecimento (Daly and Cobb, 1989) (in Wetzel and Wetzel, 1995). Nesta óptica, poder-se-á compreender Prideaux (2000), quando refere que “o crescimento não é necessariamente um processo infinito”.
Ora, se o declínio acontece com quebras no bem-estar, em termos de :
• Relação qualidade/preço;
• Falta de segurança de pessoas e bens;
• Falta de garantias de tratamento médico;
• Deterioração nas relações humanas;
• Deficiência nas infra-estruturas (qualidade da água de consumo, excesso de águas residuais não tratadas, acessibilidades, etc.);
• Alojamento antiquado e obsoleto;
• Construção urbana desordenada;
• Inexistência ou deficiente planeamento territorial;
• Recursos culturais e históricos deteriorados por falta de recuperação e manutenção,
então, julgamos poder avaliar o equilíbrio, desse mesmo bem-estar, através de uma distribuição média, destes e outros itens, pois, quanto menor for a sua distribuição média, quer pela população, quer pelos turistas, menor será o bem-estar médio proporcionado por estas variáveis, podendo-se desta forma avaliar o nível de desenvolvimento das comunidades, em determinado momento.
Capítulo 3
O comportamento do consumidor
turístico
É de todo impossível falar-se em turismo sem que se fale em “turista”. Este, seja qual for o entendimento dado, é a essência do turismo. Assumindo-se isto, abordaremos o conceito de turista de modo a podermos perceber melhor, não só como evoluiu, mas também como pode ser entendido nos dias de hoje, considerando que as sociedades evoluíram e os comportamentos, sociais e individuais do homem, mudaram e continuarão a mudar.
É frequente encontrar-se na literatura, alguma falta de precisão do conceito de “turista”, ora surgindo como entidade com espírito e consequente comportamento humano, ora surgindo como um ser “estranho”, como alguém pertencendo a “outro mundo”, ao “mundo dos turistas”. É frequente esquecermo-nos que afinal “turistas somos todos e cada um de nós”.