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Como se verificou, a questão do “comportamento turístico” tem assumido bastante interesse na comunidade científica, pois entende-se que a sua modelação poderá facilitar a sua compreensão e tornar possível a identificação das suas variáveis mais determinantes. Contudo, temos assistido a demonstrações de partes da questão. Uns têm procurado encontrar explicações para a relação entre o residente e o turista (Ko and Steward, 2002), outros estudaram os motivos de escolha dos destinos, por parte dos turistas (Seddighi and Theocharous, 2002; Nicolau and Más, 2006; Jang and Feng, 2007), houve também quem avaliasse a importância do comportamento passado nas intenções comportamentais (Lam and Hsu, 2006).

Ao nível das motivações turísticas (estímulos), aquelas que levam à concretização da visita (independentemente de ser ou não física), os estudos sobre as escolhas dos turistas têm sido efectuados sobre múltiplas perspectivas, em consequência das várias subdivisões que envolvem o processo de decisão. A literatura do comportamento do consumidor considera que as motivações representam forças individuais internas que levam à acção. Neste sentido, as motivações dos turistas são características individuais, com múltiplas influências e que determinam as escolhas dos destinos, e tanto funcionam como factores push e/ou como factores pull, levando à realização da viagem turística. É importante referir que a selecção de um destino de férias pressupõe alguma forma de benefício. Contudo, também há variáveis que moderam as motivações. Por exemplo, as variáveis como os preços e a distância, moderam as motivações pela escolha dos destinos, no sentido que estas possuem um efeito moderado directo ou inverso (Nicolau and Más, 2006). Um destino pode ser competitivo para um determinado grupo de visitantes e não para outro grupo de visitantes, dependendo das suas motivações de viagem, as quais são determinadas pelos factores pull e push (Dwyer and Kim, 2003).

Outros estudos, abordam aspectos mais específicos das motivações. Baker and Crompton (2000) sugerem que a satisfação se refere ao estado emocional do turista, após a exposição à oportunidade. A teoria que justifica a acção tem como postulados que o comportamento pode ser previsto pelas intenções que correspondem directamente a esse comportamento (Ajzen and Fishbein, 1980) (in Lam and Hsu, 2006). Assim, por

exemplo, a percepção de alta qualidade afecta positivamente a intenção do comportamento (Baker and Crompton, 2000).

Segundo Seddighi and Theocharous (2002) a qualidade de serviço, a publicidade e a instabilidade política são combinadas para gerar a percepção/sentimento sobre o destino turístico nas mentes do turista. Desta forma, a escolha de um destino é um processo de multi-passos, que se desenvolve em volta de duas dimensões. Começa nos próprios turistas (características intrínsecas culturais e sócio-económicas, tempo disponível, percepções e experiências passadas), depois passa para o nível do destino (características próprias de atracção e fixação). Será da combinação destas dimensões, no tempo e no lugar, que determinam as escolhas.

Contudo, há fenómenos contraditórios, pois como referem Hillery et al. (2001), os turistas de natureza apresentam-se como um paradoxo, pois se por um lado vêem o turismo como uma ameaça, ao mesmo tempo querem ter o privilégio de visitar tais regiões. Ou seja, o que motiva é simultaneamente inibidor. Havendo, portanto, influências restritivas na tomada de decisão das escolhas.

Após todos estes considerandos, julgamos que nem podemos conotar o turista com o “lugar”, nem com o seu “comportamento”, mas sim com a concepção subjectiva que cada um de nós atribui à conjugação dos dois conceitos anteriores. Cada um de nós, deve entender se está ou não a fazer “turismo”, e logo, se é ou não “turista”, independentemente do lugar onde esteja e de acordo com o comportamento que esteja a ter no momento. Assim, o próprio conceito de “viagem” carece de melhor entendimento, pois os comportamentos de um cidadão “comum”, dentro do seu contexto residencial habitual, é frequentemente igual ao de um cidadão “turista”, só que em contextos existenciais diferentes (“autenticidade existencial”). Desta forma, caímos num conceito que não ajudando a clarificar, pelo menos ajudará a pensar. Um “comportamento turístico” é aquele que cada um de nós entende como estando, num determinado momento a fazer turismo. Independentemente desta proposta, e na falta de melhor apuramento estatístico, julgamos que para esse efeito, podemos adoptar o conceito de “turista” proposto pela WTO.

Assim, parece-nos ser possível modelar o comportamento turístico, de acordo com as diferentes abordagens e estudos já efectuados, da seguinte forma (figura 3.3):

Figura 3.3 – Comportamento Turístico

Fonte: Elaboração própria

Pelo modelo apresentado podemos verificar que existem políticas que interferem directamente no “comportamento turístico” e consequentemente influenciam alguns sectores económicos. Por exemplo, as políticas relacionadas com o trabalho interferem na questão do “tempo disponível” e seguramente terão diferentes consequências de acordo com as diferentes políticas adoptadas (mais trabalho - menos tempo disponível, versus menos trabalho - mais tempo disponível). As políticas sociais e as relacionadas com o rendimento interferirão no “enquadramento socioeconómico” o que levará a mais ou menos limitações, quanto ao poder de compra dos “turistas” e estabilidade política e

ATITUDE Dimensão Comportamento (ACÇÃO) Dimensão COGNITIVA Dimensão AFECTIVA D E S T IN O T U R ÍS T IC O TEMPO DISPONÍVEL ENQUADRAMENTO SOCIOECONÓMICO MOTIVAÇÕES À VISITA (PULL & PUSH)

(FACTORES PUSH) (FACTORES PULL)

POSITIVOS NEGATIVOS (INIBIDORES)

social dos lugares. Depois, há todo um conjunto de estratégias de Marketing para “vender” um destino, enquanto “destino turístico”, através das motivações (estímulos) à visita, onde considera tanto os factores push, como os factores pull. Em suma, este modelo permite-nos ter uma visão de conjunto e do posicionamento do “comportamento turístico” perante o “lugar” (destino e origem) e perante algumas políticas que com ele interferem.

Capítulo 4

O Modelo do Ciclo de Vida como uma

ferramenta para o planeamento