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In document Manufacturing the platform economy (sider 59-81)

Um aspeto interessante observado aquando da análise dos Quadro 17a e 17b está relacionado com o(s) segmento(s) alvo de estudo nos vários trabalhos. De modo geral, há uma maior propensão para o estudo separado de consoantes laterais e vibrantes. Somente oito dos 17 estudos aqui apresentados estudam laterais e vibrantes em simultâneo (coluna 2). Todos os estudos envolvem a produção de palavras ou pseudopalavras em tarefas, mais ou menos, estruturadas de modo a controlar o contexto linguístico. Oito dos 17 estudos inserem os estímulos alvo em frases de suporte (Carter & Local, 2007; Espy-Wilson, 1992; Hagiwara, 1995; Lehiste, 1964; Lindau, 1980; Punnoose, 2010; Recasens, 1991; Silva, 1996). A produção dos estímulos alvo de forma isolada é também uma realidade em quatro dos estudos (Andrade, 1999; Dalston, 1975; Proctor, 2009; Zhou, 2009) e outros três estudos analisam os seus alvos inseridos em expressões coloquiais (Marques, 2010; Recasens & Espinosa, 2005; Sproat & Fujimura, 1993). Os trabalhos de Recasens (1991) e de Recasens

et al., (1995) constituem uma exceção ao anteriormente descrito, na medida em que utilizam

sequências V1CV2 e sequências simétricas, respetivamente, para o estudo da líquida lateral.

Esta variabilidade, associada ao tipo de tarefa utilizada (produção das sequências em frases de suporte e isoladamente), constitui igualmente uma limitação quando o objetivo é comparar resultados obtidos nos diferentes estudos.

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A informação disponível nos Quadros 17a e 17b também indica a existência de contextos de ocorrência distintos para os segmentos alvo, ou seja, as consoantes líquidas em estudo surgem em diferentes ambientes linguísticos, nos diversos trabalhos listados. Assim, as líquidas são estudadas em posição inicial, medial e final de palavra (Carter & Local, 2007; Espy-Wilson, 1992; Lehiste, 1964; Marques, 2010; Punnoose, 2010; Recasens & Espinosa, 2005; Silva, 1996; Sproat & Fujimura, 1993) ou apenas em posição inicial e final (Hagiwara, 1995). É frequente observar a conjugação desta variável linguística com a variável contexto/posição silábica, como é o caso dos trabalhos de Silva (1996), Proctor (2009) e Marques (2010). Já o estudo de Andrade (1999) considera apenas diferentes complexidades silábicas (ataque simples e ramificado e coda), não fazendo referência à posição na palavra, embora seja possível aceder a essa informação a partir dos exemplos fornecidos.

O contexto acentual no domínio da palavra é outra das variáveis controladas por alguns autores. Contudo, a referência a este aspeto nem sempre é feita. Por um lado, temos trabalhos como o de Recasens (1991) que utiliza sequências dissilábicas oxítonas, em que o acento recai sobre a sílaba que contém a consoante líquida em estudo e, por outro, trabalhos como o de Recasens et al., (1995) que recorre a sequências simétricas paroxítonas, cuja sílaba que inclui a líquida é não acentuada. Também os estudos desenvolvidos por Silva (1996) e por Proctor (2009) têm em consideração o padrão acentual dos estímulos utilizados, assemelhando-se ao que acontecia no trabalho de Recasens (1991), uma vez que o acento da palavra incide também sobre a sílaba onde está a consoante líquida. Marques (2010) refere que o corpus utilizado no seu trabalho contempla a consoante em causa na sílaba tónica dos estímulos utilizados. Contudo, ao analisar o conjunto de itens que o compõem, verifica-se que para o contexto silábico ataque intervocálico o [l] não se encontra na sílaba acentuada.

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Quadro 17: Características dos estímulos utilizados nos estudos.

Quadro 17a: Características dos estímulos utilizados nos estudos.

Autores

Estímulos Segmento(s)

alvo Posição/contextos Tarefa

Nr repetições

Lehiste (1964) //, // Posição inicial, medial e final de palavra

Contexto vocálico – todas as consoantes e ditongos do Inglês Americano Palavras-alvo inseridas numa frase de suporte NR

Dalston (1975) / , , /

- 29 Palavras

- Posição inicial de palavra, em cada um dos seguintes contextos: /, , /

Adultos: leitura de palavras isoladas

Crianças: nomeação de imagens (representativas de palavras isoladas)

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Lindau (1980) // Palavras com o // no mesmo ambiente vocálico, geralmente entre duas vogais abertas (mas nem

sempre foi possível Palavras-alvo inseridas numa frase de suporte NR

Recasens (1991b)* /, / - Pseudopalavras

- Sequências V1CV2 (dissílabos oxítonos), em que V1 e V2 alternam entre as vogais [, , ] e C é o

“tap” [] ou o “trill” []

Estimulos-alvo inseridos numa frase de suporte 10

Espy-Wilson (1992) /, , , /

- 233 Palavras polissilábicas

- Posição inicial, média e final de palavra

- O contexto vocálico adjacente varia entre vogais acentuadas e não acentuadas, altas e baixas, recuadas e não recuadas

- Diferentes complexidades silábicas

Palavras-alvo inseridas numa frase de suporte 1

Sproat & Fujimura

(1993)* //

- 17 frases

- Palavras e pseudopalavras paroxítonas; - Posição inicial, média e final; - Contexto segmental era //-//.

- O Ataque silábico que precede o [l] e a consoante final da sílaba seguinte ao [l] eram sempre /b/ e /k/, respetivamente

Frases com estímulos-alvo NR

Recasens, Fontdevila

& Pallarès (1995)* // - Sequências simétricas [] e [], acentuadas nas primeira sílaba. 5

Hagiwara (1995) Três alofones do

//

- Posição inicial e final

- Variação do contexto vocálico entre as vogais do inglês da Carolina do Sul Palavras-alvo inseridas numa frase de suporte 3

Silva (1996) /, , , / - 77 Pseudopalavras

- Posição inicial, média e final

- Ataque simples; Ataque ramificado e Coda

- Mono e dissílabos oxítonos (cujo acento recai sobre a sílaba que contém a líquida) - As vogais tónica alternam entre as 7 vogais orais do PB

- Fixou-se a sílaba inicial dos dissílabos

Estímulos-alvo inseridos numa frase de suporte 5

Andrade (1999) // - Sequências /´/ e /´/ inseridas em palavras

- Sequências lateral-vogal, cujas vogais variam entre [, , ] -Palavras: cela, celta, seta (ataque simples e ramificado e coda) - Pseudopalavras: séli, selí

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Espy-Wilson et al,

(2000)* //

- Palavras reais contento o /r/ silábico e consonântico (9 palavras para um informante e 10 para o outro informante) - Posição inicial de palavra (reed, rod, rude)

- Posição média de palavra (kirk, perk, turd, turk) - Posição final de palavra (beaker, beeper, beater)

Palavras-alvo inseridas numa frase de suporte 4

Recasens & Espinosa

(2005)* // - Os estímulos continham o [l] ao lado das vogais /, , / - Sequências simétricas (// em posição intervocálica de palavra) - Ataque simples (posição incial e intervocálica de palavra) - Coda (palavras monossilábicas; posição final de palavra)

Palavras-alvo inseridas em expressões coloquiais 7

Carter & Local

(2007) /, /

- 20 Palavras

- Posição inicial de palavra (início de sílaba – Ataque simples)

- Posição média de palavra (todas as líquidas em posição média de palavra estão em contexto intervocálico – Ataque simples)

- Posição final de palavra (final de sílaba – Coda)

- Pares mínimos que divergiam apenas na consoante líquida e cada palavra tinha apenas uma líquida - Variava o contexto vocálico (avanço, recuo e altura)

- Variava a estrutura prosódica

Palavras-alvo inseridas numa frase de suporte 5

Zhou (2009)* /, / - Palavras com segmentos alvo em posição inicial, média e final (pour, pole, right, read, role, feel, light e

lee)

- Pseudopalavras acentuadas na primeira ou na segunda sílaba

Sons sustentados e palavras e pseudopalavras isoladas NR

Proctor (2009)* /, / - Sílaba que contém a líquida é acentuada (sempre que possível)

- 5 contextos vocálicos diferentes - Posição intervocálica (Ataque simples)

- Posição Coda medial de palavra e Coda final de palavra

Listas de palavras isoladas 3

Marques (2010) // - 18 Palavras

- Ataque Simples; Ataque Ramificado; Ataque Intervocálico; Ataque em Fronteira de Palavras; Coda e Coda em Final de Palavra – e inserida na sílaba tónica.

- Sempre que possível foi mantido o contexto vocálico antes e depois da lateral ([, , ])

Palavras-alvo inseridas em expressões coloquiais 3

Punnoose (2010) /, , , , / - Palavras com os vários sons em estudo, em todas as posições possíveis:

Líquidas ocorrem em posição medial – precedidas por uma vogal e seguidas por uma consoante. Em posição final eram precedidas por uma vogal.

- Os contextos vocálicos variarem entre vogais anteriores e recuadas. - Foram inseridas palavras distractoras.

- Total de 238 produções

Palavras-alvo inseridas numa frase de suporte 3

*Dados acústicos e articulatórios NR: não referido

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A seleção do contexto vocálico adjacente às líquidas revela-se como outro fator relevante considerado pelos diferentes autores dos estudos neste domínio. Em alguns estudos é controlada a vogal antecedente à líquida (habitualmente pré-tónica), na medida em que consideram ser mais fácil identificar um possível efeito coarticulatório, e a sua direccionalidade (Silva, 1996). No caso em que a opção recai pela utilização de sequências simétricas (em que o contexto vocálico é mantido antes e depois da consoantes líquida) é introduzida mais uma fonte de variação, por não existir controlo sobre o contexto pré- tónico.

A vogal nuclear da sílaba que contém a líquida é outro aspeto que pode introduzir variação quando se analisam e comparam diferentes estudos. Assim, alguns autores optam por fazer variar as vogais tónicas entre as vogais orais existentes na língua em estudo (Espy-Wilson, 1992; Hagiwara, 1995; Lehiste, 1964; Silva, 1996), outros escolhem apenas três das vogais contempladas no seu sistema vocálico (Dalston, 1975; Marques, 2010; Recasens & Espinosa, 2005; Recasens, 1991) e outros selecionam as vogais adjacentes com base em outros critérios que, muitas vezes, não são explicitados. Também aqui fica patente a existência de uma diversidade de possibilidades relativamente ao contexto vocálico adjacente no estudo das líquidas.

O número de repetições dos estímulos em estudo é outra diferença a registar neste tipo de trabalhos, principalmente se considerarmos a variabilidade inter, mas principalmente, intrassujeito descrita por vários autores. Contudo, parece importante referir que quando se estipula o número de repetições para cada trabalho, aspetos como objetivos, perguntas de investigação e até os testes estatísticos a aplicar devem ser considerados (Gibbon et al., 1998; Lawson et al., 2011). É importante destacar que os dados analisados nos estudos aqui apresentados correspondem a valores médios obtidos a partir do número de repetições solicitadas em cada trabalho.

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