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Conclusion

In document Manufacturing the platform economy (sider 98-113)

Todas as vogais orais podem ocorrer em posição acentuada, exceto a vogal [] que resulta de processos de enfraquecimento de vogais átonas (Freitas et al., 2013, p. 51). Por esta razão, não existem estímulos associados a esta vogal.

Também não foram considerados estímulos com a vogal [ɐ] em posição tónica pois, à semelhança do que acontece com a vogal [ɨ], esta vogal ocorre, maioritariamente, em posição átona (Freitas et al., 2013, p. 51). A ocorrência deste segmento em posição tónica depende do contexto (Freitas et al., 2013; Mateus et al., 2005). No dialeto padrão, falado, por exemplo, na região de Lisboa, a vogal tónica [ɐ] ocorre constantemente à esquerda de consoante nasal (por exemplo a palavra <cama> produzida como [ˈkɐmɐ]) ou de um segmento palatal (por exemplo a palavra <telha> produzida como [ˈtɐʎɐ]) (Freitas et al., 2013, p. 113).

No dialeto característico da população alvo deste estudo (região do Algarve – dialeto centro-meridional), tal como noutros dialetos, ao segmento [ɐ] produzido no dialeto de Lisboa corresponde [e] no dialeto do Algarve (por exemplo a palavra <telha> pode ser

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produzida como [] em vez de []) (Freitas et al., 2013, pp. 113–114), o que motivou a opção de não contemplar estímulos com a vogal [ɐ] em posição tónica no corpus deste estudo.

Na impossibilidade de construir um corpus de pares mínimos, a fim de se obter um conjunto de estímulos o mais equilibrado possível associado a cada uma das vogais nucleares consideradas, ponderando os vários critérios pré-definidos, sempre que possível foram escolhidos itens com apenas uma consoante líquida. Nas palavras <templário>, <rebelde>, <revolta>, <liberto> e <lagarto> não foi respeitado este critério devido à dificuldade de encontrar estímulos que satisfizessem o conjunto dos parâmetros definidos.

Com base nos critérios linguísticos acima expostos, encontram-se registadas no Quadro 21 as palavras que integram o corpus utilizado na recolha dos dados. Note-se que nem o efeito de frequência das palavras, nem o tipo de palavra (substantivo, verbos e adjetivo) foram controlados, caso contrário o corpus em análise teria resultado num conjunto muito restrito de palavras.

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Quadro 21: Estímulos selecionados142

Líquidas Vogais orais

Palavras paroxítonas |Número total de estímulos: 55 Palavras trissilábicas - Consoante líquida na sílaba medial Ataque simples Ataque ramificado Coda



// Baliza Complica Pocilgo

// Caluda Depluma Inculto

// Maleza Dupleto *

// Balofo Explodo Envolto

// Maleta Completo Rebelde

// Palato Templário Cobalto

// Galocha Simplote Revolta

 // Palhiço * * // Palhuço * * // Palheto * * // Palhoso * * // Palheta * * // Palhaço * * // Palhota * * 

// Carica Capricho Divirto

// Marujo Aprumo Encurta

// Parede Apreço Acerto

// Caroço Cuproso Conforto

// Careca Impresso Liberto

// Barata Soprado Lagarto

// Carocha Comprova Comporta

 // Barriga * * // Charrua * * // Carreto * * // Barroco * * // Marreco * * // Garrafa * * // Carroça * *

142 Com o auxílio do Portal da Língua Portuguesa:

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3.4. Participantes

Neste estudo participaram 10 adultos, com idades compreendidas entre os 20 e os 38 anos de idade e que cumpriram os seguintes critérios para inclusão na amostra:

1) Falante monolingue do PE, variante do sul do País; 2) Sem historial de alterações de fala e/ou linguagem;

3) Sem alterações auditivas (resultado do audiograma realizado previamente); 4) Sem acompanhamento prévio em Terapia da Fala;

5) Ausência de alterações orofaciais que possam influenciar a produção articulatória; 6) Ausência de alterações de articulação verbal com base na avaliação informal efetuada

a priori;

7) Sem formação na área de Fonética e/ou Terapia da Fala e sem conhecimento prévio do alvo de análise.

Tendo em conta os critérios de inclusão apresentados anteriormente, a seleção dos participantes deste estudo passará por quatro fases:

1. Preenchimento de um questionário143, com perguntas fechadas para caracterização

da amostra do estudo.

2. Realização de um audiograma, para despiste de alterações auditivas.

3. Avaliação das estruturas orofaciais dos sujeitos da amostra, a partir da utilização do Protocolo de Avaliação Orofacial - PAOF (Guimarães, 1995). Este protocolo é um instrumento utilizado por terapeutas da fala, para avaliar estruturas anatómicas e funções fisiológicas potencialmente relacionadas com perturbações da comunicação oral. O recurso à utilização deste instrumento tem como objetivo a obtenção de informação relativa a quaisquer alterações que possam interferir na correta produção articulatória dos sons da fala e, em particular, na produção das consoantes líquidas. Neste estudo, e dadas as suas características, será aplicada apenas parte do PAOF, considerando somente alguns dos parâmetros da avaliação morfológica e outros da avaliação da função (praxias)144.

Deste modo, será adotada a seguinte sequência de avaliação:

143 Anexo 1 144 Anexo 2

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· Para avaliação da morfologia da face: observação global direta da face do indivíduos, de frente e de perfil, de acordo com os diferentes planos (p. 2 e 3 do PAOF);

· Para avaliação morfológica da língua: observação da coloração, tamanho e comprimentos da língua e do freio lingual (p. 10 do PAOF)

· Para avaliação da dentição: registo da ausência de dentes, implantação dentária e oclusão dentária (p.8 e 9 do PAOF)

· Para avaliação da função facial: observação do tónus da face (p. 3 do PAOF)

· Para avaliação da função da língua: observação de seis movimentos práxicos da língua e observação do tónus lingual (p. 11 do PAOF)

Tendo em conta a variabilidade existente na função normal das articulações e a não existência de um método padronizado com o objetivo de determinar os valores exatos para cada estrutura, a validade da cotação obtida neste protocolo depende do avaliador (Guimarães, 1995). Neste sentido, a avaliação dos participantes neste estudo será sempre efetuada pela autora.

A cotação final dos itens avaliados resulta, apenas, da contabilização dos resultados adequados relativos à morfologia e função separadamente (os resultados alterados não são cotados; são apenas descritos). Cada item adequado tem a cotação de um valor (Guimarães, 1995).

Avaliação informal das produções articulatórias, de modo a garantir que os dados acústicos obtidos correspondem a produções que, perceptivamente, digam respeito às líquidas do PE. Esta avaliação também foi efetuada pela autora do estudo.

No Quadro 22 é apresentada a caracterização detalhada de cada participante no estudo, tendo sido utilizada uma amostra por conveniência (Almeida & Freire, 2008).

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Quadro 22: Características dos participantes no estudo.

Participante Género

Idade (anos)

Naturalidade Residência

Escolaridade Audiograma PAOF Articulação verbal

AB ♀ 27 Faro Licenciatura Ö Ö Ö AC ♀ 20 Faro 12º ano Ö Ö Ö AS ♀ 24 Faro Licenciatura Ö Ö Ö DS ♀ 28 Faro Licenciatura Ö Ö Ö TL ♀ 21 Faro 12º ano Ö Ö Ö FS ♂ 28 Faro Licenciatura Ö Ö Ö LP ♂ 38 Faro 12º ano Ö Ö Ö PM ♂ 21 Faro 12º ano Ö Ö Ö PO ♂ 21 Faro Licenciatura Ö Ö Ö RA ♂ 21 Faro Licenciatura Ö Ö Ö

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