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TCP congestion control

2.2 TCP

2.2.1 TCP congestion control

O Brasil mostra-se como um dos países com maior número de homicídios no mundo, o que demonstra todo o processo de (in)segurança vivenciado no país, impactando a população por meio do caráter mais perverso das manifestações da (in)segurança: a violência letal. O mapa da violência 2013: mortes matadas por arma de fogo aponta que o Brasil consegue exterminar mais cidadãos pelo uso de armas de fogo do que em muitos dos conflitos armados contemporâneos, como a guerra da Chechênia, a do Golfo, as guerrilhas colombianas ou a guerra de liberação de Angola e Moçambique (WAISELFISZ, 2013); destas mortes, os jovens representam o segmento população mais atingido.

Em 2013, é lançado pela Secretaria Nacional de Juventude o Mapa da violência: homicídios e juventude no Brasil que analisa especialmente o contexto da mortalidade juvenil. Segundo este documento, a taxa total de mortalidade da população brasileira caiu de 631 por 100 mil habitantes em 1980, para 608 em 2011, porém, a taxa de mortalidade juvenil aumentou, passando de 127 em 1980, para 136 por 100 mil jovens em 2011, sendo que na população não jovem 9,9% do total de óbitos corresponde às causas externas, e entre os jovens essas causas são responsáveis por 73,2% das mortes (WAISELFISZ, 2013).

O gráfico abaixo revela de modo claro a realidade a respeito do contexto de mortalidade juvenil.

Gráfico 3 - Participação % das Causas de Mortalidade na População Jovem e Não Jovem no Brasil em 2011

Fonte: Waiselfisz (2013)

Percebe-se a grande interrupção das trajetórias juvenis, especialmente por causas externas, ou seja, não por meio de morte natural e outras causas não biológicas, provocadas por causas violentas50 entre os jovens. Segundo o Mapa da Violência 2013, entre os jovens, a AIDS foi responsável por 1.643 óbitos; já as armas de fogo mataram 22.694 jovens, representando 14 vezes mais.

Diante deste contexto, ao analisar de modo longitudinal as taxas de mortalidade juvenil, é possível afirmar que suas características não permaneceram congeladas ao longo do tempo, mudando radicalmente sua configuração, uma vez que as epidemias e as doenças infecciosas, que eram as principais causas de morte entre os jovens cinco ou seis décadas atrás, foram sendo progressivamente substituídas pelas causas externas, principalmente os homicídios (WAISELFISZ, 2013).

Sendo assim, observa-se claramente o grande impacto real das manifestações da (in)segurança para as juventudes, sendo o segmento social que mais sofre com a violência em um dos países do mundo que mais mata seus membros. Esta relação se evidencia no Mapa da violência: homicídios e juventude no Brasil, de 2013:

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Segundo o Mapa da violência 2013: homicídios e juventudes no Brasil são consideradas causas violentas todos os fatores que, independente do organismo humano, provocam lesões ou agravos à saúde que levam à morte do indivíduo, sendo agrupados entre homicídios, suicídios e acidentes de trânsito.

Em primeiro lugar, podemos observar que o número de homicídios juvenis não é proporcional ao peso demográfico deste grupo. Apesar de os jovens representarem aproximadamente 18% da população total, o número de assassinatos nessa faixa gira em torno de 36% do total, praticamente o dobro do que seria esperado em função de seu peso. [...] Vemos assim que, com uma taxa de 27,4 homicídios por 100 mil habitantes e 54,8 por 100 mil jovens, o Brasil ocupa a sétima posição no conjunto dos 95 países do mundo com dados homogêneos, fornecidos pela Organização Mundial da Saúde sobre o tema, dados compreendidos entre 2007 e 2011 (WAISELFISZ, 2013, p.38).

A violência letal no país afeta principalmente os homens jovens, uma vez que as mulheres representam 8% do total de homicídios, porém, observa-se um crescimento nesses dados, pois, de 1980 a 2011 morreram assassinadas 96.612 mulheres, sendo que só no presente século morreram praticamente a metade deste total (WAISELFISZ, 2013).

Desse modo, apesar da necessidade de considerar o grande número de homicídios entre os homens, o crescimento desta realidade para as mulheres aponta uma preocupante realidade, muitas vezes invisibilizada nos estudos sobre a violência nas juventudes. Isso se dá, especialmente, por chamarem a atenção os exponenciais dados sobre a violência letal entre homens jovens. Segundo Soares (2007), o problema da violência chegou a tal ponto que se pode observar atualmente um déficit de jovens do sexo masculino na estrutura demográfica brasileira.

Outra característica marcante ao analisar os dados sobre a mortalidade juvenil brasileira se caracteriza pelo recorte étnico-racial. Os jovens negros, que são mais afetados pelo desemprego e pela pobreza, são os que mais sofrem com a violência letal no Brasil. Dados do Mapa da violência (2013) demonstram que a vitimização de jovens negros passa de 71,6% em 2002, (neste ano morreram proporcionalmente 71,6% mais jovens negros que brancos); para 237,4% em 2011, representando um crescimento exponencial que demonstra um gigantesco massacre de jovens negros no país.

Observa-se uma preocupante realidade para a juventude brasileira: se o Brasil é um dos países com maiores índices de mortalidade no mundo, o jovem do sexo masculino e negro é quem mais sofre com a maior de todas as violações de direitos humanos: o direito à vida. Sendo assim, o contexto de (in)segurança, que possui suas raízes na dimensão estrutural do capital, vem tirando de cena, por meio das mais diversas dinâmicas perversas, as juventudes que, pelo ciclo natural, estariam mais distantes do contexto de mortalidade.

Os diversos dados sobre as juventudes brasileiras evidenciam que este segmento social é o mais atingido pelas manifestações da (in)segurança, com destaque para as questões étnico- raciais, pois em todos os dados analisados a juventude negra se caracteriza como o segmento

juvenil que mais sofre violações de direitos. As múltiplas faces da exploração e da precarização do trabalho fomentam a desigualdade social e criam formas informais e não legais de venda da força de trabalho, representando um dos elementos catalisadores das diversas formas de violências, e, consequentemente, acarretando processos de (in)segurança. Os dados evidenciam que essas manifestações da (in)segurança não se caracterizam somente por uma sensação da pós-modernidade, como defendem algumas correntes teóricas de viés pós-moderno, mas representam um elemento real que vem ocasionando a potencialização das múltiplas formas de violação de direitos humanos vivenciadas por todos os sujeitos, mas com destaque, na conjuntura atual, para as juventudes.

Nesse passo, torna-se fundamental analisar como as juventudes percebem as manifestações da (in)segurança, pois, conforme o IPEA (2013), não basta contar as juventudes, mas propiciar que os jovens contem mais, ou seja, vocalizem o que pensam e o que desejam. Na perspectiva de perceber como se constituem as demandas das juventudes por segurança, no próximo capítulo, busca-se mapear as percepções das juventudes no contexto atual.

3.3 AS JUVENTUDES DE FRENTE PARA O ESPELHO: A VOCALIZAÇÃO DAS