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5. Results and general discussion

5.1 Non-antibiotic feed additives

5.1.3 Targeted use of feed additives

Na seção (3.3), destaquei a importância de um estudo das relações adverbiais que considere o contexto mais amplo para depreender informações implícitas que emergem da combinação das cláusulas. Retomei esse aspecto por entender que vem a validar uma categorização que conferi a um tipo de estrutura que me despertou a atenção quando da observação das cláusulas reduzidas - trata-se de estruturas introduzidas pela expressão sem

falar130, a que atribuo a função aditiva. A última sentença do excerto abaixo ilustra esse tipo de uso:

(141) “Época - O governo brasileiro diz que a vacinação atingiu 70% do público-alvo: 73 milhões de pessoas, 37% dos brasileiros.

Oxford - Vacinar 70% do público-alvo num país enorme como o Brasil é um porcentual altíssimo. Vocês estão melhor que muitos países da Europa e os Estados Unidos, onde, em média, só metade do público aderiu à campanha. Sem falar em dezenas de países da África, Ásia e América Latina onde quase ninguém foi imunizado”. (ÉP, E, 14/06/2010);

Nela há um dado a mais relativamente à campanha de vacinação, uma informação que, apresentada sob a forma de adendo, em uma escala de argumentatividade, exerce grande força, levando o leitor a dar crédito à tese enunciada – o altíssimo grau de adesão. Significa que a menção aos países nos quais quase ninguém foi imunizado constitui uma ressalva, vindo a fortalecer a ideia de que o Brasil está em vantagem em relação aos demais países quando o assunto é vacinação. Antes de expor outros casos evidenciados no corpus da pesquisa, cabe uma breve contextualização sobre a relação de adição.

130Um exemplo dessa natureza é apresentado em Bechara (1999, p. 506) quando da listagem de alguns valores contextuais da locução sem que, momento em que ele faz a ressalva de que em lugar da locução também se pode usar sem+infinitivo e de que a noção expressa é de MODO. Eis o exemplo: “Estes foram os melhores teatrólogos, sem falar em Machado de Assis e Franklin Távora, mais ilustres no romance e no conto”. Atribuo a esse uso a interpretação de acréscimo, e não de modo como sugerido pelo autor, pois, quando da referência aos melhores escritores, há a indicação de alguns teatrólogos, fazendo-se a inclusão de dois outros expoentes, sendo estes mais reconhecidos em outro campo – no romance e no conto.

Normalmente vinculada ao processo de coordenação, a relação aditiva se define como um mecanismo de encadeamento de orações que tanto pode se realizar pela simples

aposição de sintagmas (nominais ou oracionais) como por meio da conjunção “e”, cuja função é de entrelaçamento, sem expressar “nenhuma idéia subsidiária” (BECHARA, 1999, p. 477).

Essa característica é também mencionada por Dias de Moraes (1987, p.15, apud CASTILHO, 2010, p. 345), segundo a qual a função desse item é indicar que cada segmento do conjunto é externo ao outro, mantendo-se o segundo segmento “neutro quanto à direção relativa das informações ou argumentos enunciados”.

Sob o aspecto sintático, a equivalência estrutural dos membros da coordenação permite a reversibilidade das estruturas, que é outra característica da coordenação – nesses casos diz-se que há adição simétrica (PEZZATI e LONGHIN-THOMAZI, 2008, p. 889). Por outro lado, essa propriedade não é válida para a adição assimétrica, devendo ficar claro que não são razões sintáticas que determinam a não-reversibilidade, de modo que a inteligibilidade da combinação das orações será garantida desde que o leitor resgate informações prévias (conhecimento de mundo ou conhecimento partilhado no processo enunciativo).

Se a função de expandir posições estruturais no interior de sintagmas de diversos

tipos é o que define o “e” como protótipo da coordenação aditiva131

, há certos usos, ilustrados pelas autoras, em que esse conector promove diferentes tipos de relações, servindo para

expressar foco, marcar mudança de tópico, introduzir comentário ou modalização epistêmica, entre outros, o que dificulta o reconhecimento desse item como elemento de coordenação. Do mesmo modo, em determinados contextos, esse conectivo se reveste de matizes semânticos como os de adversidade, consequência, condição, etc. que afastam a função de estritamente aditivo132.

131

Oliveira (2012) alerta que o rótulo de adição identifica, no português, estruturas coordenadas e correlativas, não havendo menção à possibilidade de uma oração aditiva ser codificada morfossintaticamente pela subordinação; entretanto, embora, de modo geral, não haja o reconhecimento de orações subordinadas aditivas,

em estudos sobre subordinação em inglês, estruturas formadas com “além de” são incluídas nesse grupo, sendo a

presença do verbo na forma não-finita um indício de subordinação. Ao estudar orações introduzidas pela expressão além de, Oliveira (op. cit.) verifica uma forte dependência das orações iniciadas por esse conector, fato identificado a partir de traços como a correferencialidade de sujeito, ausência de marca temporal do verbo, que são evidência de baixo grau de sentencialidade. Mas, para ela, esse modelo de oração não modifica a precedente, afastando-se dos critérios que a definem como adverbial.

132 A propósito da relação de adição, Oliveira (2012) afirma que, de modo geral, os autores opõem dois tipos de adição – um, mais prototípico, que apresenta a noção de soma; e outros secundários que expressam outras noções semânticas, o que conduz a distinção entre adição pura e impura, nos termos de LenKer (2010); a autora acrescenta, citando Geis; Zwicky, 1971, que este segundo tipo pode implicar a noção de ênfase argumentativa, caso em que não expressa valores relacionados às noções de temporalidade, tal como se dá com a adição pura,

Fiz esse preâmbulo relativamente ao conector aditivo por entender que o emprego das orações encabeçadas pela unidade sem falar pode ter a mesma motivação que o de certas estruturas introduzidas pelo e, de modo que haveria dois traços convergentes: a) não obstante a unidade em estudo aponte para um elemento subordinativo, dada a presença da preposição,

do verbo na forma não finita além do uso opcional do anafórico “isso”, essa unidade expande

uma informação precedente, podendo corresponder a um ato de fala independente, tanto que, muitas vezes, vem isolado por travessão ou separado por ponto; b) do ponto de vista da função comunicativa, a informação adicionada atende não a uma necessidade estrutural, mas textual-discursiva, função também assumida pelo “e”. Não bastasse esse fato, dentre as vinte ocorrências detectadas nos dados desta pesquisa, três delas apresentam a unidade sem falar precedida da conjunção aditiva, das quais destaco duas:

(142) “[...] Ainda assim, continuará existindo uma agenda moderna de direitos humanos no Brasil. Quem são as vítimas? Aqueles a quem o Estado nega educação, saúde e segurança, por exemplo. Ou aqueles que morrem nas estradas esburacadas e nas filas dos hospitais. E isso sem falar nos que ainda são torturados nas delegacias ou amontoados nos presídios federais como lixo humano. [...] Esses, que também têm seus direitos suprimidos, não fazem parte da agenda oficial” (IÉ, A, 20/01/2010);

(143) “A algumas quadras do Coliseu, na Via Petroselli, em Roma, há um pequeno monumento à corrupção brasileira. Chama-se FortySeven. Sim, este é o nome de um hotel em Roma, que pertence a ninguém menos que Salvatore Cacciola. [...] Mas, no fim, para ele, o crime talvez tenha compensado. Aos 67 anos, Cacciola tem saúde, uma vida de cinema e parte do patrimônio que lhe foi dado pelo BC – e sem falar, é claro, nos 47 quartos do FortySeven”. (IÉ, A, 31/08/2011)

É notório que em cada um desses fragmentos o último período corresponde a um adendo, com informação adicional relativa ao tema em foco: em (142), o escritor inclui no grupo das possíveis vítimas, uma terceira categoria de indivíduos que provavelmente não seriam assim considerados – a dos presidiários que sofrem tortura nos presídios, caracterizados como lixo humano. E em (143), para provar que o crime compensa, o escritor apresenta o hotel FortySevem como mais uma fonte de renda de Cacciola. Apresento abaixo duas paráfrases para cada situação – uma com e também/ainda, que remete para noção de inclusão, um valor do “e”; e outra com além de:

mas que diferentemente desta, “implica numa relação de assimetria, em que uma proposição ganha maior relevo argumentativo”. (OLIVEIRA, op. cit., p.30)

(142‟) “[...] Ou aqueles que morrem nas estradas esburacadas e nas filas dos hospitais. E também aqueles que ainda são torturados nas delegacias ou amontoados nos presídios federais como lixo humano. [...]” (IÉ, A, 20/01/2010);

(142‟‟) “[...] Ou aqueles que morrem nas estradas esburacadas e nas filas dos hospitais. Além daqueles que ainda são torturados nas delegacias ou amontoados nos presídios federais como lixo humano. [...]” (IÉ, A, 20/01/2010);

(143‟) “[...] Aos 67 anos, Cacciola tem saúde, uma vida de cinema e parte do patrimônio que lhe foi dado pelo BC – e também, é claro, os 47 quartos do FortySeven”. (IÉ, A, 31/08/2011)

(143‟‟) “[...] Aos 67 anos, Cacciola tem saúde, uma vida de cinema e parte do patrimônio que lhe foi dado pelo BC – além, é claro, dos 47 quartos do FortySeven”. (IÉ, A, 31/08/2011)

Seguem outros excertos nos quais a conjunção “e” já não aparece, passando a função de acréscimo a ser assumida pela unidade sem + infinitivo. O verbo falar é mais recorrente, porém, outros verbos também podem ocupar essa posição:

(144) “O governo paga 12,5% de juros ao ano para financiar sua dívida, mas o BNDES cobra 6% por seus empréstimos. Isso não é subsídio? Não gosto de usar o termo subsídio. Claro que isso acarreta, sim, um custo para o Tesouro. Mas nossos estudos mostram que o retorno em forma de receitas para as empresas e mais arrecadação de impostos e empregos – sem falar no lucro que o BNDES repassa ao governo – compensam tal custo. Não estamos emprestando dinheiro de graça a ninguém. [...]” (VJ, E, 27/07/11)

(145) “[...] Também diziam que a Varig devia os tubos aos credores, sem apontar que ela também era (e ainda é) credora do governo. E que era oligopolista agindo como se

fosse uma estatal. Etc. Etc.” (ÉP, A, 16/08/2010)

(146) “Esses três casos são apenas uma pequena amostra do muito que o Japão já fez pelo Brasil, sem considerar a inestimável contribuição da colônia nipônica nos últimos 100 anos. [...]” (IÉ, A, 23/03/2011)

Em (144), a informação de que o BNDES repassa lucros ao governo aparece intercalada, tendo a função de ênfase, com o propósito de ratificar o argumento de que as vantagens citadas – retorno em forma de receitas e arrecadação de impostos compensam os custos do Tesouro. Essa estratégia argumentativa se repete nos dois últimos casos, embora sejam utilizados os verbos – apontar e considerar, e as orações não estejam separadas por ponto ou travessão, que sinalizam uma pausa maior, como em (141) e (142). Vale salientar

que é possível substituir a unidade formada por sem + verbo por outro conector de valor aditivo, a exemplo de ademais, como evidenciam as paráfrases:

(141‟) “[...] Vocês estão melhor que muitos países da Europa e os Estados Unidos, onde, em média, só metade do público aderiu à campanha. Ademais em dezenas de países da África, Ásia e América Latina quase ninguém foi imunizado. (ÉP, E, 14/06/2010); (141‟) “[...] nossos estudos mostram que o retorno em forma de receitas para as empresas e

mais arrecadação de impostos e empregos – além do lucro que o BNDES repassa ao governo– compensam tal custo.

(142) “[...] Também diziam que a Varig devia os tubos aos credores, além do que/disso, ela também era (e ainda é) credora do governo. E que era oligopolista agindo como se fosse uma estatal. Etc. Etc.” (ÉP, A, 16/08/2010)

(142‟) “Esses três casos são apenas uma pequena amostra do muito que o Japão já fez pelo

Brasil, além da inestimável contribuição da colônia nipônica nos últimos 100 anos.

[...]” (IÉ, A, 23/03/2011)

Devo lembrar que a proximidade apontada em relação ao processo de coordenação reside no fato de a informação introduzida pela unidade sem falar corresponder a uma

extensão e não modificação da oração precedente; e ser uma informação requerida da situação comunicativa, daí assumir diversas funções discursivas (aspecto a ser retomado quando da abordagem das orações parentéticas, no capítulo IV).

A partir de um estudo em torno de orações introduzidas pela expressão além de, Oliveira (2012) chega à conclusão de que esse modelo oracional se afasta das estruturas

adverbiais ou “de realce”, por não modificar a oração precedente, aproximando-se, pois, das

estruturas classificadas por Halliday (1985) como hipotaxe de extensão, um tipo de relação em que uma oração amplia o significado da outra, ou seja, acrescenta algo novo à oração precedente. Considerando a proximidade de comportamento das estruturas introduzidas pela expressão sem falar e além de (em posição posposta133), acredito que o rótulo hipotaxe de

adição, utilizado por Oliveira (op. cit.) para se referir ao segundo conector, também se adéqua

ao primeiro.

133 Nos dados analisados por Oliveira (2012), as estruturas introduzidas por alem de vêm predominantemente em posição anteposta, e no âmbito do estatuto informacional, expressam informação velha; mas é preciso esclarecer que em posição posposta o comportamento é diferente, caso em que a oração introduzida por esse conector

funciona como adendo. Por isso, conforme Thompson (1985, apud OLIVEIRA, op. cit., p. 41), “os dois tipos de

oração sequer devem ser tratados como construções idênticas ocupando posições diferentes, ao contrário, devem