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1. Introduction

1.3 Prevention of intestinal disease without in-feed antimicrobials

1.3.2 Feed additives

A pesquisa ora em curso se insere no campo da Linguística Funcional, corrente teórica que se interessa em compreender os princípios que governam o uso natural da língua. Convém destacar que, nessa esfera teórica, diferentes tendências podem ser demarcadas17 em

17 A delimitação de tendências no interior dos estudos de base funcionalista se dá mais em razão dos seus representantes do que pelo recorte de análise. Assim, destacam-se os estudos de Halliday, que, preocupado com o papel da linguagem na vida dos indivíduos, entende que os enunciados não resultam de uma estrutura profunda, mas das escolhas dos falantes para atender a um fim específico; os estudos de Dick, cujo interesse se centra no processo comunicativo, especificamente preocupado em descobrir o que leva os falantes a obterem

função dos seus representantes, daí a identificação dos Funcionalismos – Europeu e Norte- americano, sendo este último o que alicerça a análise do objeto de estudo em tela.

Cumpre enfatizar que a premissa de que a gramática de uma língua é reflexo dos condicionamentos semânticos e pragmáticos dos usos e a consideração do aparato cognitivo para explicar o funcionamento da linguagem constituem pontos de interseção entre as teorias funcionalista e cognitivista, ainda que cada uma siga rumos distintos. As noções de iconicidade, prototipia, metáfora, metonímia são uma confirmação de que a primeira teoria abriga determinados conceitos desta última. O fato de essas noções governarem a explicação das alterações sintático-semânticas que afetam o objeto em análise justifica a menção a esses aspectos no referencial teórico (capítulo I).

Por acolher teorias auxiliares, o funcionalismo, na visão de Castilho, poderia ser avaliado como uma confederação de teorias. Na, verdade, conforme avaliam Martelotta e Alonso (2012), estabelecer limites entre as correntes Funcionalista e Cognitivista é uma tarefa difícil, uma vez que, em sentido amplo, as teorias que postularam como função central da língua a comunicação em situações reais de interação foram acolhidas pelo Funcionalismo, em contraposição ao Formalismo. Significa que é só em sentido amplo que o Funcionalismo abriga o Cognitivismo.

Em decorrência de novos focos de observação, novas abordagens vêm sendo delineadas, a exemplo das tendências rotuladas Funcionalista-cognitivista e Cognitivo funcional. A primeira, assumida por Castilho (2010), considera a língua como um multissistema18; a segunda, que tem comoadeptos linguistas brasileiros e estrangeiros, volta- se para os estudos da língua em uso19. Não por acaso faço remissão a essas duas vertentes; por motivo de prudência, devo esclarecer dois aspectos:

êxito na comunicação, ou como se fazem entender por meio do instrumento linguístico; e os estudos de Givón, junto a outros estudiosos como Sandra Thompson e Paul Hopper, que defendem uma linguística centrada na análise da língua em uso, devendo considerar o contexto linguístico e a situação extralinguística.

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O postulado central da abordagem funcional-cognitivista é o de que a língua é formada pelos sistemas do discurso, da semântica, do léxico e da gramática, a que se agrega um dispositivo sociocognitivo, que, segundo

Castilho (2010), gerencia os sistemas. Por considerar que os sistemas são independentes, nesse novo modelo inexiste hierarquia.

19 De acordo com Martelotta e Alonso (2012, p.88), a vertente Cognitivo funcional (ou Linguística centrada no

uso) reúne “propostas do funcionalismo praticado por autores como Givón, Hopper, Bybee e Traugott, sobretudo

o conjunto de fenômenos associados à teoria da gramaticalização, com algumas tradições teóricas desenvolvidas no âmbito da linguística cognitiva [...]” (MARTELOTTA e ALONSO, 2012. p. 88). As análises dos processos de mudança, nessa perspectiva, buscam aliar aspectos teóricos vinculados à teoria sobre o processo de gramaticalização e determinados pressupostos da teoria cognitivista, especificamente os relativos à gramática de construções.

i. no capítulo destinado à análise dos elementos gramaticais em foco nesta pesquisa, sob as perspectivas sintática e semântica, reporto-me a Castilho (2008/2009), que, partindo do princípio de que o dispositivo cognitivo rege todos os sistemas (lexical, sintático, semântico, discursivo) da língua, desenvolve uma proposta de análise das preposições ancorado em uma abordagem multissêmica, o que não descaracteriza o tratamento funcionalista;

ii. no decorrer da minha exposição, refiro-me, em determinadas situações, à unidade complexa formada pela preposição sem + (SN/SAdv.) + forma infinitiva como construção; já em relação à unidade formada pelo sem + que (ou locução conjuntiva), como item conjuncional. Reitero que, no estudo ora empreendido, não utilizo o termo “construção” na acepção atribuída no quadro da “gramática de

construções”. Tomo como parâmetro a classificação proposta por Gonçalves et al.

(2007, p.103), para quem a gramaticalização atinge itens, construções e orações. Como afirmei anteriormente, trato a locução como item, em virtude de considerar o conjunto como uma unidade complexa correspondente a uma conjunção (também as gramáticas utilizam os termos locução conjuntiva e conjunção como sinônimos). Vale salientar que, na medida em que a preposição se reanalisa como conjunção nas

orações reduzidas, a gramaticalização aqui envolve a oração. Por essa razão, no capítulo I, faço menção à gramaticalização de conjunções e de orações.

Após elencar as seguintes características de uma gramática Cognitivo funcional: i) focalização da língua em uso; ii) consideração do texto e do discurso como objeto de análise e não apenas a frase; iii) concepção da língua como dinâmica, podendo ser alterada conforme a criatividade do falante; e iv) linguagem como reflexo de atividades comunicativas, sociais e

cognitivas, Martelotta (2010, p. 62) esclarece que tais características “se adaptam a escolas

como o funcionalismo (norte-americano ou europeu), a linguística sociocognitiva, a linguística textual, a sociolinguística, a linguística sociointerativa, entre outras”, ficando a cargo de cada uma delas, dados os seus objetivos peculiares, adotar algumas ou todas essas características. Nessa perspectiva, tendo em vista os pontos de aproximação das teorias Funcionalista e Cognitiva, faço um esboço, no capítulo teórico, do surgimento desta última e de como se dá a sua influência no campo do funcionalismo linguístico, apresentando conceitos dela advindos, que darão suporte à análise que aqui se propõe.

Chegando ao fim desse mapeamento teórico, considero relevante acrescentar que determinados fatos gramaticais despertam o interesse de pesquisadores vinculados a diferentes perspectivas teóricas, e o estudo das conjunções é um deles. Mudam-se os focos de abordagem, como demonstram os estudos realizados pela Semântica Argumentativa, da Linguística Textual, etc. Como a gramaticalização de conjunções é analisada tanto pelo funcionalismo europeu quanto o norte-americano, em determinados pontos da exposição resgato noções advindas das duas tendências20, além de conceitos advindos do cognitivismo; por outro lado, a explicação do percurso de gramaticalização das marcas gramaticais aqui focalizadas tem por base os critérios indicados pela vertente do Funcionalismo Norte- americano.