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1. Introduction

1.2 Antimicrobials in broiler production

Uma vez determinado o objeto de estudo da pesquisa, cujo ponta-pé inicial foi, repito, a observação de casos intrigantes, tanto do ponto de vista sintático quanto semântico- discursivo, em textos jornalísticos, tomei decisões em relação aos gêneros de texto que seriam selecionados para a constituição do corpus.

Considerando a hipótese de que conectores de natureza adverbial têm maior incidência em textos argumentativos, dada a intenção dos usuários – falantes/escreventes11 – de defenderem pontos de vista, usando, para isso, estruturas linguísticas que conduzam ao convencimento12, parti para a averiguação das formas gramaticais em estudo em gêneros diversificados cujo ponto comum fosse a trama argumentativa. É oportuno lembrar que o plano inicial era coletar os dados em artigos de opinião. Como a estrutura iniciada pela perífrase sem que, em comparação à iniciada pela preposição sem seguida de infinitivo, ou seja, a estrutura reduzida, teve baixa frequência nesse gênero, decidi estender a coleta a outros gêneros, desde que da mesma esfera, já que não há o intuito de confrontar o comportamento das formas gramaticais em estudo conforme os diferentes gêneros da esfera argumentativa, mas apenas de obter uma amostra mais consistente.

Nesse sentido, o corpus desta pesquisa compreende um conjunto de textos dos gêneros artigos de opinião, editoriais/carta ao leitor e entrevista, tendo como suporte os periódicos semanais VEJA, ISTO É e ÉPOCA, dos anos – 2010 e 2011, a partir dos quais realizo o recorte do objeto de estudo: estruturas encabeçadas pela perífrase conjuntiva sem

que + verbo finito e também pelo item sem + (SN/SAdv.) + infinitivo. Devo esclarecer que

a quantidade de edições consultadas não é a mesma para as três revistas, porque tive dificuldade de acesso aos exemplares da revista Isto É referentes ao ano de 2010; mas não considerei ser esse um problema para a quantificação dos dados, uma vez que essa revista traz um número maior de artigos e de entrevistas, de modo que a quantidade de textos se aproxima, embora não os tenha quantificado.

O corpus, então, constitui-se de 158 revistas, das quais coletei 388 estruturas oracionais introduzidas pelo sem. Apenas 50 dessas ocorrências correspondem às estruturas

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Devo esclarecer que, quando da análise das sentenças que compõem o corpus, emprego a expressão escritor para me referir aos articulistas das revistas, ou seja, autores responsáveis pela elaboração das sentenças tomadas como objeto de estudo. Embora esse escritor possa também ser referido como o autor do texto, opto pelo primeiro termo, para marcar uma diferença quando da remissão aos autores responsáveis pelo suporte teórico. 12 Conforme Bakhtin (1992), a base da comunicação verbal são os gêneros do discurso, cuja compreensão depende de que se conheça a natureza do enunciado. A alternância dos locutores, o conteúdo e a composição são os traços caracterizadores da unidade de comunicação verbal. Em relação ao segundo traço, pressupõe-se que o locutor diz ou escreve tudo o que quer dizer no ato da comunicação, atendendo às condições previstas, de modo que a totalidade do enunciado resulta de três fatores interligados: a) a abordagem do objeto do sentido, que é variável dependendo do propósito do autor, da resposta que visa obter; b) a intenção, o propósito do dizer; e c) os modos de estruturação do gênero, que unem os planos subjetivo (intenção) e objetivo (tema) para formar o todo, estabelecendo a ligação com os enunciados anteriores. Sobre o terceiro traço,afirma o autor queas esferas da comunicação verbal, em suas especificidades, por exemplo, a necessidade de explorar um tema, (objeto do sentido), os interlocutores envolvidos, determinam a escolha do gênero.

iniciadas pela locução conjuntiva13, sendo o restante referente à estrutura reduzida de infinitivo.

No quadro abaixo, discrimino o número de edições14 em que foram registradas as duas formas linguísticas em estudo, seguindo-se a especificação do número de ocorrências.

Quadro (1): Constituição do corpus: ocorrências de sem que + verbo no subjuntivo e sem + (SN/SAdv) + infinitivo

Corpus coletado SEM QUE + verbo finito no subjuntivo

SEM + (SN/SAdv.) + INFINITIVO

158 exemplares 50 ocorrências 338 ocorrências

2010 2011 2010 2011 2010 2011

VEJA(27) VEJA (30) 10 10 56 76

ÉPOCA (23) ÉPOCA (32) 9 7 58 65

ISTO É (18) ISTO É (28) 4 10 34 49

68 90 23 27 148 190

É importante esclarecer que, apesar de o tema dominante desta pesquisa ser a gramaticalização do sem nas estruturas hipotáticas, a discussão espraia-se para outros pontos, em razão do que os dados revelam. No conjunto dos dados coletados, há algumas estruturas introduzidas pelo transpositor sem seguido de verbo na forma infinitiva cuja classificação expõe a fronteira entre a função adjetiva/predicativa e a adverbial, característica que é

13 Convém esclarecer que, apesar da baixa ocorrência das estruturas introduzidas pela locução conjuntiva, não as descartei porque pretendia analisar o comportamento dos dois modelos estruturais em gêneros da mesma esfera. Por outro lado, pude observar, em uma pequena amostra de textos acadêmicos, a recorrência de estruturas introduzidas pela perífrase conjuntiva, de modo que o confronto entre gêneros de esfera distintas provavelmente sinalizará diferença de comportamento entre os dois tipos de estrutura, o que conduz à visão de que cada gênero determina não só os modos de organização, como afirma Bakthin (1992), mas as marcas linguísticas que fazem parte de sua composição.

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Ressalto que o processo de construção do corpus envolveu um número significativo de edições: no ano 2010, a consulta dos dados foi feita em 90 (noventa) exemplares e, no de 2011, em 113 (cento e treze); mas as expressões que são objeto de estudo só apareceram, no primeiro ano citado, em 68 (sessenta e oito) exemplares, e, no segundo, em 90 (noventa). O corpus selecionado consta de 257 (duzentos e cinquenta e sete) textos dos quais 116 (cento e dezesseis) são entrevistas; 124 (cento e vinte quatro) são artigos e os editoriais/carta ao leitor/Da Redação somam 17 (dezessete). Em se tratando da extensão dos textos, todos os artigos têm uma lauda e os editoriais/carta ao leitor/Da Redação, meia lauda; as entrevistas têm entre duas e quatro laudas. Apesar disso, considero que há um equilíbrio na quantidade de dados selecionados para análise, pois, além de a soma dos outros gêneros resultar em 25 textos a mais que entrevistas, não se encontram ocorrências em cada uma das laudas da entrevista – em algumas delas há apenas uma ocorrência. Acredito que esse aspecto teria grande peso, caso o interesse da pesquisa fosse a comparação do comportamento dessas marcas em gêneros de esferas muito distintas (isto pode ser investigado); mas, neste estudo, os gêneros têm características muito próximas.

discutida mais adiante. Significa que 17 (dezessete) estruturas apresentam o verbo estar na oração principal, de modo que a oração complementar tem a função de predicativo, correspondendo, semanticamente, ao valor modal; há outros 4 (quatro) contextos a que se poderia atribuir a classificação de aposto, de oração adjetiva15, etc. De antemão, afirmo que, por envolver verbo relacional e o valor modal não ser reconhecido unanimemente pelos gramáticos, optei por não incluir as 21 (vinte e uma) estruturas referidas no rol das adverbiais, embora não desconsidere o fato de um advérbio representar predicativo. Dessa forma, o

corpus ampliado consta de 388 (trezentos e oitenta e oito) estruturas, das quais 50 (cinquenta) se apresentam sob a forma desenvolvida, e dentre as 338 (trezentos e trinta e oito) estruturas reduzidas, são objeto de estudo 317 (trezentos e dezessete) ocorrências que representam orações adverbiais.

Realizada a coleta dos dados, passei à categorização das ocorrências, que obedece a duas etapas: primeiramente identifico os contextos estruturais de que ambas as marcas fazem parte; depois, especifico os valores semânticos de que se revestem tais marcas. No decorrer da análise, refiro-me aos textos fazendo a indicação da fonte e do gênero através das letras iniciais, seguindo-se a data. Nesse caso, as fontes são assim especificadas (Veja – VJ; Época –

ÉP; Isto É – IÉ) e os gêneros (Artigo – A; Entrevista – E; Carta ao leitor – CL; Da redação;

Editorial – Ed.) Convém esclarecer que, sob o ponto de vista semântico, determinadas situações permitem a inferência de mais de um sentido, de modo que a quantificação das ocorrências leva em conta o valor que se sobrepõe, embora reconheça que, sendo a interpretação um processo subjetivo, poderá o leitor discordar da leitura realizada.

A análise dos dados é de natureza quantitativa e qualitativa, tendo um caráter descritivo-interpretativista. Quantitativa, tendo em vista o compromisso de indicar padrões regulares de usos, o que implica o estabelecimento dos critérios16: categorização do contexto estrutural, indicação do valor semântico e da ordem preferencial, tanto das orações principiadas pela locução conjuntiva, seguida de verbo finito, quanto daquelas introduzidas por sem junto a infinitivo, com a devida especificação numérica das ocorrências.

15 Representando a função predicativa, observem-se as seguintes orações: “Fiquei dias sem saber onde estava ou o que tinha acontecido comigo.”; “Foi difícil ficar sem correr”. Quanto ao tipo de funcionamento que corresponderia à função de oração adjetiva, veja-se: “De um lado temos o Executivo mandando por meio de medidas provisórias, e de outro o Congresso sem cumprir sua obrigação.” (=... um congresso que não...) 16 Ressalto que o gênero não é tomado como categoria de análise; poderia ser um critério relevante se os dados sob análise pertencessem a modalidades distintas (jornalísticos x acadêmicos) ou a registros distintos (informal/formal) e houvesse a pretensão de comparar os usos considerando esses parâmetros. O interesse aqui recai na identificação de regularidades dos dois modelos de uso, seja quanto à organização dos constituintes, seja quanto aos valores expressos.

Com base na descrição dos contextos de uso das duas marcas linguísticas, procuro confirmar uma das hipóteses pensadas – a de que maior recorrência da estrutura reduzida seria motivada pela menor complexidade estrutural. Por isso, realizo a categorização, que perfaz um total de 10 (dez) categorias para as estruturas iniciadas pela locução, ou seja, as desenvolvidas, e 10 (dez) para as estruturas reduzidas. Em se tratando da descrição dos matizes semânticos, a análise do comportamento das duas marcas teve como ponto de partida a categorização fixada pela tradição. Mas, como já afirmado, as nuances de sentido evidenciadas nos dados coletados ultrapassam a classificação proposta pela tradição, daí ser interessante descobrir se o valor mais produtivo neste corpus corresponde ao que é proposto pela tradição. Quanto à ordem, é interessante saber qual a contribuição desse aspecto para o plano textual. A categorização de todos os dados consta nos anexos; no interior dos capítulos são elencados vários casos, seguindo-se os comentários, finalizando com a quantificação. A partir do confronto das estruturas é possível vislumbrar como se refletem os princípios de prototipicidade e iconicidade nos dados em foco.

O caráter qualitativo fica patente na medida em que arrisco explicações para o uso de uma determinada estrutura ou para a preferência por uma delas - a reduzida; como também busco justificar os múltiplos sentidos que essas formas encerram, utilizando como estratégia a permuta de conector, paráfrases, além da procura de indícios que venham a confirmar os argumentos.

Parto do princípio de que a observação do funcionamento dessas marcas linguísticas no processo de construção e interpretação textuais poderá denunciar a interveniência de fatores discursivos na gramática, provocando uma reflexão sobre a adequação das abordagens dos mecanismos de articulação oracional.