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Menneskepåvirket predasjon

7.1 Vurdering av de enkelte trusselfaktorene

7.1.13 Menneskepåvirket predasjon

Com o passar do tempo, entretanto, foi ficando evidente para Lutero que, em favor das pessoas que não entendiam latim, seria necessário preparar uma Missa Alemã inteira. Algumas tentativas já haviam sido feitas, até por outros líderes religiosos, mas Lutero achava que o resultado até então não era bom o suficiente. Incomodava-se também, e especialmente, com as tentativas de traduzir as canções latinas para o alemão. Tentava demonstrar que as características e acentos tônicos da língua alemã não eram compatíveis com a latina. A mera tradução literal das palavras dos cânticos latinos para o alemão soava incorreta e forçada quando cantada. Para Lutero, os cânticos “deveriam ser totalmente germânicos em sua expressão” (BERNSDORF-ENGELBRECHT, 1980, p. 108, tradução nossa).

Lutero pôs-se a trabalhar no outono de 1525 e o fez aplicadamente pois, no início de novembro, tinha praticamente terminado o trabalho. Nas três semanas seguintes junto com seu consultor musical, Johann Walther48, foi refinando as partes litúrgicas cantadas pelo pastor, especialmente os cânticos de Epistolas e Evangelhos para o ano litúrgico. A 29 de novembro do mesmo ano, um culto todo em alemão foi oficiado na Stadtkirche em Wittenberg. Diz-nos Engelbrecht (1980, p. 33) que a Deutsche Messe em breve ganhou largo uso em toda a Saxônia e também fora dela, mesmo que tivesse sido pensada apenas para congregações onde a maioria não entendesse latim.

Parece, assim, que Lutero angariara credibilidade suficiente para convencer os fiéis e seus seguidores de que tinha algo a oferecer. Bourdieu (2001, p. 60) lembra como isso acontece:

48 Johann Walther (1496-1570), compositor e Kantor (mestre responsável por toda a vida musical de uma igreja)

alemão. Estudou na Universidade de Leipzig. Atuou em Capelas de várias cortes, especialmente as de Torgau e Dresden. Luterano rigoroso, teve seu hinário prefaciado por Lutero e o viu amplamente difundido. Ao lado de sua produção musical para o cântico congregacional, há obras mais ambiciosas para coros de quatro a sete vozes, oito Magnificats e duas Paixões. Seu trabalho ao lado de Lutero, sua atividade como músico de igreja devotado e suas composições litúrgicas alicerçadas em inabalável fé cristã, garantiram-lhe reconhecimento como músico sacro modelo da reforma protestante. (DAHLHAUSS, 1978).

A força de que dispõe o profeta (...) cuja pretensão consiste em produzir e distribuir bens de salvação de um tipo novo, e propensos a desvalorizar os antigos – (...) – depende da aptidão de seu discurso e de sua prática para mobilizar os interesses religiosos virtualmente heréticos de grupos ou classes determinados de leigos, graças ao efeito de consagração que o mero fato da simbolização e da explicitação exerce.

A distinção entre a Missa Católica Romana e a “Deutsche Messe” agora era clara e um quadro comparativo entre ambas pode ser muito interessante (ANEXO AA). Na nova Deutsche Messe, ao invés do tradicional Introitus cantava-se um hino ou salmo alemão, para o qual Lutero providenciava música. Seguia-se o Kyrie Eleison, mas apenas nas três partes simples (Kyrie, Christe, Kyrie), não com as repetições tradicionais que as transformavam em nove partes. A Kollekte era, a seguir, cantada em estilo monotônico (em uma corda de recitação), seguida da Epístola, também cantada. A seguir, um hino alemão, cantado pela congregação, substituía o tradicional Gradual. O Evangelho era cantado pelo oficiante, seguido do cântico do Credo Niceno por toda a congregação, de acordo com a composição de Lutero Wir glauben all an einen Gott (Nós todos cremos em um só Deus, ANEXO AB).

Seguia-se o sermão e uma paráfrase da Oração do Senhor49. Logo após o oficiante admoestava os que queriam participar do sacramento e passava a cantar as palavras da instituição com a mesma melodia do cântico do Evangelho. Durante a distribuição, que se seguia, os participantes recebiam o pão e o vinho enquanto um hino alemão e o novo Sanctus alemão eram cantados pela congregação e pelo coro. Lutero preferia fazer a consagração e a distribuição do pão antes de consagrar e distribuir o vinho, diferente do rito católico. O Agnus Dei era então cantado até o final da distribuição do vinho. Uma breve Kollekte de gratidão, seguida da Bênção, encerravam o serviço.

No prefácio da sua "missa alemã", Lutero defendeu o uso de diferentes tipos de culto e Bernsdorf-Engelbrecht (1980, p. 16, tradução nossa) explica:

49 Mais tarde a paráfrase, muito longa, seria substituída pela Oração do Senhor, mesma, como foi registrada no

O primeiro era a missa em latim, ou Formula Missae, para as igrejas maiores e catedrais, onde os jovens pudessem ser treinados no latim, e até em outras línguas, além da alemã. Mediante o estudo do latim, esses jovens estariam aptos a disseminarem o evangelho em diversos lugares. Em Wittenberg havia uma escola latina e um grande número de estudantes. Latim era a língua de quase todas as universidades na Europa. Entre pessoas que falavam latim o novo culto pode espalhar-se para outros países.

Mas para favorecer a membresia comum, usaria a Missa Alemã. A grande maioria do povo era analfabeta e se reunia em igrejas de pequenos centros.

Denise Cordeiro de Souza Frederico (2001, p. 135) chama atenção para o fato de que Lutero previu também liturgias mais informais, nas casas. Em pequenos ajuntamentos, mais informais, não faria sentido uma cerimônia muito elaborada. Bastava ler a Palavra de Deus, cantarem salmos e hinos alemães e repartirem suas experiências. Além disso, lembra que ele previu reuniões em horários alternativos em dias da semana e no próprio domingo, para atender gente que não tinha liberdade com seus horários, como um culto que era realizado às 5 ou 6 da manhã, para que os empregados pudessem participar.

É impressionante, neste ponto, a simetria entre o pensamento luterano e o reformado suíço, bem como sua prática. Também em Genebra, e ainda antes de Calvino, Farel organizara serviços religiosos muito simples mas em abundância: “nos dias de semana, às seis da manhã; aos domingos às quatro, ‘para a conveniência dos empregados’, e mais duas vezes durante aquele dia” (BAIRD, 2001, p. 19).

Não há, portanto em Lutero, nem em Calvino, um “culto ao culto” ou um “culto à liturgia” pois esta deve levar em conta o fiel e ser maleável para atendê-lo em seus limites: Lutero pensa na liturgia do culto considerando, além das experiências espirituais dos participantes, também sua disponibilidade e capacidade intelectual de assimilação, o que Calvino também fará.