7.1 Vurdering av de enkelte trusselfaktorene
7.1.8 Lakselus
Entre as primeiras fontes utilizadas como matéria prima para a música da Reforma, estão Seqüências, Tropos97, Antífonas98 e Cantos Gregorianos originais. O Erfurt Enchiridion99, publicado em 1524 por Justus Jonas100, traz três corais baseados em antigos
96Seqüência era um tipo de cantochão medieval que floresceu entre 850 a 1150 aproximadamente. Era uma peça
de canto sacro extensa, de grande âmbito, com texto latino, mas musicada silabicamente, isto é, sem melismas. Após o ano 1000 os textos foram cada vez mais se escandindo e rimando, até se transformarem finalmente em versos. Esses textos estavam associados às datas do ano litúrgico e eram cantados durante a missa imediatamente após o Aleluia, como uma acréscimo ao Ordinarium. Com o passar do tempo algumas Seqüências foram ganhando importância e autonomia, podendo subsistir mais tarde como peça musical independente. (DAHLHAUSS, 1978).
97 Tropos são acréscimos ou interpolações aos corais gregorianos, completando ou interpretando os textos
litúrgicos. Podiam servir também como introduções a esses cantos, constituindo-se de música com ou sem palavras. Nos manuscritos do século X e XI aparecem tropos introdutórios para o Intróito, Ofertório, Comunhão e outros cantos do Proprium da Missa. A prática, porem, aparece com mais freqüência a partir dos manuscritos do século XII. Um Tropo podia ganhar independência e ser cantado no lugar da liturgia onde originalmente se cantava um coral gregoriano tradicional, desde que, naturalmente, transmitisse o mesmo significado daquele coral. Há casos em que os tropos são tão apreciados que passam a substituir definitivamente o canto original ao qual foram originalmente acrescidos. (DAHLHAUSS, 1978).
98 “Antífonas” são cantos litúrgicos com texto em prosa, cantados por dois coros, ou oficiante e coro, que se
respondiam. (MICHELS, 1981).
99 Coletânea de corais luteranos, não necessariamente para uso na igreja, mas especialmente para as casas, como
expresso no próprio título. A melodia, não harmonizada, vinha anotada acima das palavras do texto, facilitando a leitura e o aprendizado da melodia por toda a família.
100 Justus Jonas (1493-1555) estudou jurisprudência e depois teologia na Universidade de Erfurt, tornando-se
hinos latinos, todos traduzidos e adaptados por Lutero: Nun komm, der Heiden Heiland (“Vem chegando o redentor dos gentios”, EG 4), Christum Wir sollen loben schon (“A Cristo devemos já louvar”, EG 539, uma canção de natal), e Komm, Gott Schöpfer, Heiliger Geist (“Vem, Deus criador, Espírito Santo”, EG 126, para o Pentecostes). Eles são traduções, respectivamente, dos hinos latinos Veni, Redemptor Genitum, atribuído a Santo Ambrósio101, A solis ortus Cardine, escrito por Sedulius102 no quinto século, e Veni, Creator Spiritus, atribuído a São Gregório (ANEXO AK).
O Kyrie alemão, Kyrie, Gott Vater in Ewigkeit (“Kyrie, Deus Pai, eternamente”) foi uma adaptação de Lutero do antigo Tropus latino Kyrie fons bonitatis (EG 178.4). Fica evidente o acréscimo de sílabas, no novo texto alemão, em todos os melismas do antigo Kyrie (ANEXO AL).
A antífona Veni sancte spiritus, do século XI, cuja primeira estrofe já vinha sendo cantada em alemão desde 1480, na região de Ebersberg, como Komm, heiliger Geist, Herre Gott (“Vem, Santo Espírito, Senhor Deus”, EG 125), ganhou mais duas estrofes de Lutero em 1524. A melodia original de Ebersberg, de 1480, foi preservada com alterações feitas em Erfurt, em 1524, prática usual para torná-la mais próxima ao estilo musical do Coral Luterano. A antífona Da pacem, Domine, in diebus nostris, do século IX, foi adaptada por Lutero em 1529, letra e música, para seu Verleih uns Frieden gnädiglich (“Dá-nos paz misericordiosamente”, EG 421). (ANEXO AM).
Tornou-se amigo e colaborador de Lutero tanto na tradução da Bíblia quanto nas discussões teológicas – acompanhou Lutero a Worms, por exemplo.
101 Ou da Liturgia Milanesa, da tradição de Ambrosio, bispo de Milão de 339 a 397.
102 Sedulius [Caelius Sedulius] (Primeira metade do século V). Poeta cristão latino, tornou-se conhecido
especialmente por seu Carmen paschale, um épico bíblico em cinco livros de textos poéticos em hexametros dáctilos (dactylic hexameter), provavelmente escritos no período entre 425–50. O Carmen paschale ainda era bem conhecido até o fim do quinto século e permaneceu popular até pelo menos o século XII; ele era freqüentemente copiado e citado, e foi a fonte para o texto introdutório da Missa Votiva à Virgem, Salve, sancta
parens, e para a Antífona de natal Genuit puerpera regem. Outros dois breves poemas são também atribuídos a
Sedulius: um texto sobre a historia da salvação, Cantemus socii Domino, e o famoso hino alfabético em metro iâmbico, A solis ortus cardine, que aqui nos referimos, e que reconta a vida de Cristo da Encarnação à Ascensão. Tanto o A solis ortus cardine quanto o Carmen paschale influenciaram significativamente os poetas medievais. (DAHLHAUSS, 1978).
Assim, alguns dos próprios cânticos da tradição gregoriana foram metrificados, traduzidos ou adaptados por Lutero e outros poetas. Seus melismas característicos foram eliminados simplesmente acrescentando-se as sílabas dos novos textos em alemão, muito mais extensos, e passaram a ser cantados por todos. O Gloria da missa Latina tornou-se, com texto adaptado por Nikolaus Decius, Allein Gott in der Höh sei Ehr (“Só a Deus, nas alturas, seja a honra”, EG 179). De uma Estrofe latina pré-reforma veio o Credo de Lutero, Wir glauben all an einen Gott (“Nós todos cremos num só Deus”, EG 183) (ANEXO AB). O Sanctus da liturgia latina foi também adaptado por Lutero, tornando-se Jesaja, dem Propheten das geschah (“Isaias, o profeta”, EG 185). O Agnus Dei tornou-se Christe, du Lamm Gottes (“Cristo, o cordeiro de Deus”, EG 190.2, que alguns consideram composição de Lutero de 1525, e não adaptação apenas). O antigo Te Deum laudamus, do século IV, em adaptação de Lutero do ano 1529, tornou-se a canção antifônica entre coro e congregação Herr Gott, dich loben wir (“Senhor Deus, a ti nós louvamos”, EG 191).
4.5.2. AS LEISEN
Outra fonte importante para a música da Reforma foram naturalmente as Leisen, aquelas antigas estrofes devocionais, espécie de refrão, que, como se disse acima, já vinham sendo cantadas pelos fiéis, particularmente no final da Idade Média, excepcionalmente até mesmo durante a liturgia. Se na celebração da missa esses cânticos estróficos concluídos por Kyrie eleison eram acrescidos ao próprio Kyrie da liturgia, fora da igreja eram cantados pelo povo em sua devoção individual como hinos independentes. Lutero utilizou algumas das Leisen que já vinham sendo cantadas pelo povo e adaptou outras: a Seqüência Grates nunc omnes, do ano c.1380, tornou-se, em 1524, pelas mãos de Lutero, a canção de natal Gelobet seist du, Jesu Christ (“Louvado sejas, Jesus Cristo”, EG 23). A Seqüência pascal Victimae
paschali laudes, composta antes do ano 1048 por Wipo de Burgund,103 tornou-se em 1524 o coral de Lutero Christ lag in Todesbanden (“Cristo jazia nas amarras da morte”, EG 101) (ANEXO AN). Para a antífona Media vita in morte sumus, do século XI, e que já no fim do século XV era cantada em alemão como Mitten wir im Leben sind (“Em meio à vida estamos”, EG 518), Lutero escreveu mais duas estrofes em 1524. A melodia, do ano 1456, veio de Salzburg e foi alterada para a forma coral em 1524 por Johann Walter.