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Tables over exhaust/flue gas heat recovery technologies (Ulhasanah & Goto,

8.2 Appendix B: Opportunity generation

8.2.4 Tables over exhaust/flue gas heat recovery technologies (Ulhasanah & Goto,

O homem, modificador da paisagem pela sua simples presença, com a intencionalidade de transformar o espaço, intensifica essas modificações provocando inúmeros impactos na superfície terrestre, provocando o desequilíbrio no meio natural ou humanizado. Para Sinhorini e Saquet (2005), a modernização da agricultura foi vista como o único caminho para o desenvolvimento, sem mesmo ter noção da amplitude dos seus impactos territoriais.

Nesse processo, a produção de grãos está atrelada a uma série de problemas de ordem socioambiental e econômica. Exemplo disso é mostrado por Guanziroli (2006, p. 48), ao afirmar que, ―além da expansão territorial, a soja comprime as áreas de floresta dos estados onde já era plantada, limitando-as a sua mínima expressão, acontecendo frequentemente o plantio até nas margens dos rios que assim são ameaçados de assoreamento‖. Ao se expandir para área próxima à região amazônica, acirram-se os questionamentos sobre o risco de agravamento do desmatamento já em curso da floresta amazônica. Se desenvolvida de forma persistente sobre o território, a monocultura aumenta a resistência das pragas aos praguicidas existentes, desenvolvendo novas pragas para as quais não existem venenos suficientemente poderosos (GUANZIROLI, 2006).

Para além dos problemas ambientais provocados por qualquer tipo de monocultura, a cana-de-açúcar ainda tem seus agravantes neste processo, merecendo destaque a quantidade de resíduos geradas do processo de transformação e o processo de queimada da palha da cana. Mesmo considerada energia limpa, a produção sucroenergética produz sérios impactos ambientais.

Piacente (2005) enumera os impactos ambientais dos processos produtivos sucroalcooleiros em duas categorias: os gerados na fase agrícola e os da fase industrial. Os impactos gerados na fase agrícola são: a redução da biodiversidade causada pelo desmatamento e pela implantação da monocultura canavieira; a contaminação das águas superficiais e do solo por intermédio da prática excessiva de adubos, corretivos minerais e aplicação de herbicidas; a compactação do solo por meio do tráfego de maquinaria pesada durante o plantio, os tratos culturais e a colheita; o assoreamento de corpos-d‘água devido à

93 erosão do solo em áreas de renovação de lavoura; e a eliminação de fuligem e gases de efeito estufa na queima durante o período de colheita. Enquanto que na fase industrial são: a geração de resíduos potencialmente poluidores como a vinhaça e a torta de filtro; a utilização intensiva de água para o processamento industrial da cana-de-açúcar; e o forte odor gerado na fase de fermentação e destilação do caldo para a produção de álcool.

Resgatando sucintamente a trajetória histórica das relações de trabalho com a tecnificação do campo, verificam-se intensos impactos das transformações tecnológicas e sociais nos processos de trabalho em áreas rurais. Nas duas últimas décadas, houve no Brasil uma crescente expansão do agronegócio sucroalcooleiro e esse, por sua vez, intensificou os impactos socioambientais e territoriais no espaço rural e urbano brasileiro. Sobre essa expansão e seus impactos socioterritoriais em Goiás, Queiroz, Meirelles Filho e Barbosa (2015, p. 4) afirmam que esse processo ocorre por meio da combinação entre incentivos públicos e privado, via incentivos fiscais.

Sobre a questão, Martine (1991) entende que a concentração da terra foi acentuada pela mudança na escala de produção trazida pelos pacotes tecnológicos e pela tendência especulativa provocada pela modernização agropecuária, afetando as relações de produção no campo. Além do aumento do êxodo rural, a mecanização também provocou a diminuição da terra pelos arrendatários, parceiros, posseiros e outros pequenos produtores, que tiveram suas áreas reduzidas em função da territorialização do capital.

A mecanização, ao dispensar trabalhadores, liberou os proprietários de pagamentos de encargos sociais e, ao mesmo tempo, aumentou o número de trabalhadores temporários. Ainda nessa mesma linha, Paulino afirma que

Na prática, esse padrão de modernização libertou os proprietários de qualquer ônus trabalhista que pudesse recair si, restando aos trabalhadores conhecidos como ―boias-frias‖ ocupações e rendimentos incertos, como se a satisfação de necessidades vitais pudessem esperar o tempo das colheitas, momento em que são chamados a vender seu trabalho (2006, p. 7).

Isso se deu muito porque os grandes proprietários passaram a não ver a necessidade de manter dentro das suas terras a mão de obra durante todo o ano ou ciclo produtivo. Assim, com a preparação do solo via mecanização, além do intenso uso de insumos, tinha-se, então, um período em que não era necessária tanta mão de obra, enquanto as fases de colheita eram mantidas como atividade manual e altamente dependente da força de trabalho (WANDERLEY, 2014).

94 Tal ação fez com que a grande propriedade monocultura instalada nos moldes da modernização agrícola expulsasse um grande número de trabalhadores residentes de seu interior, que perderam os recursos da sua produção de subsistência e passaram a viver nas periferias das cidades. Os grandes proprietários monocultores contratavam-nos apenas nos momentos de maior necessidade de trabalho e conforme o ciclo produtivo. Aqueles trabalhadores, agora sem vínculo, passavam, então, a vender sua força de trabalho nos períodos de colheitas (WANDERLEY, 2014) nas grandes propriedades, que, além de retirarem o agricultor, extraíam também o máximo de vegetação das áreas, substituindo-as pela grande lavoura.

Assim, a modernização agrícola trouxe sérias consequências ao emprego agrícola. As grandes propriedades, que, agora modernas, fazem uso de mão de obra em quantidade reduzida ao longo do ano, mas que no período de safras ainda é altamente requerente de força de trabalho, agora volantes e residentes das áreas marginais das cidades, deslocando-se diariamente à grande lavoura, agenciados por gatos – agenciador de mão de obra agrária volante – e em precárias condições de trabalho.

A intensificação da migração campo-cidade é parte da contradição do processo de expansão do agronegócio e da produção agropecuária comercial. Assim, não somente a base técnica se transforma, mas também as relações sociais de produção. As relações sociais de trabalho se modificam; ocorre praticamente o surgimento do trabalho assalariado no campo em detrimento do trabalho individual, aumentando o uso do trabalho dos boias-frias.

Campeão et al. (2009, p. 7) afirma que a migração a partir do trabalho de colheita manual é uma estratégia de diminuição de custos e realizado impacta também a cultura local.

Esta opção de mão-de-obra é uma estratégia para baixar os custos de produção do setor sucroalcooleiro, pois grande parte da admissão desta mão de obra migrante é realizada sem registro trabalhista ou por intermédio de contratantes ilegais denominados ―gatos‖. Esses trabalhadores acabam ficando longe dos familiares e sem acesso às redes locais de proteção, uma vez que são alojados em casas dentro dos canaviais ou nas periferias das cidades das regiões canavieiras [...].

A possibilidade de reduzir a poluição a partir da produção e utilização do etanol faz com que ele seja considerado um combustível limpo, título negado por Oliveira (2007), quando argumenta que esse título é um mito. Discutindo a fortuna dos usineiros a partir da apropriação da mão de obra dos trabalhadores da cana, o autor destaca que a riqueza concentrada no setor sucroalcooleiro historicamente se deu a partir dos altos faturamentos, adquirida a partir das relações de trabalho baseada na superexploração, no trabalho escravo e

95 no trabalho degradante, ou seja, relações que submetem os trabalhadores a condições desumanas de trabalho.

Grande parte dessas riquezas advêm de condições de privilégio e exploração a partir de doações de terras, força de trabalho escravo, políticas protecionistas, incentivos fiscais e doações de terras. Barros (2014) atesta que nem sempre as condições dos trabalhadores canavieiros são as boas, pois são constantemente submetidos a sérias violações trabalhistas, incluindo casos de trabalho escravo. Desde 1960, a média de extração de cana-de-açúcar por cortador deu um sobressalto assustador. Enquanto que na década de 1960 um cortador de cana-de-açúcar colhia duas toneladas/dia, no ano de 2014, colhia 12 toneladas/dia. Além disso, em um dia os cortadores de cana-de-açúcar caminham em média 8,8 km, desfere 133.332 golpes de facão, faz 36.630 flexões e giros de corpo e perde oito litros de água.

O ritmo imposto aos trabalhadores canavieiros é de competição com as máquinas. Por exemplo, uma colheitadeira realiza o trabalho de 80 a 100 pessoas. O excesso de horas-extras dos trabalhadores é um dos problemas mais comuns nas lavouras de cana-de-açúcar do país. Para Oliveira (2007, s/p), ―a origem do trabalho na cana [...] foi baseada na escravidão, e tudo indica que ela não acabou. Aliás, há ainda hoje a presença do trabalho escravo em usinas e destilarias‖, fato constatado a partir do instante em que várias usinas e destilarias estiveram na lista suja do Ministério do Trabalho.

Os preços das terras de lavouras e de arrendamentos, além de serem importantes indicadores financeiros do setor agrícola brasileiros, refletem o potencial de investimento na terra. O crescimento da agricultura brasileira nas últimas décadas elevou os preços das terras agrícolas e provocou um aumento nos negócios com terra e as opções de investimento para a produção agropecuária tanto para compradores brasileiros como para estrangeiros. As previsões é que a aquisição de terras por estrangeiras continuem aumentando no Brasil pelo fato de o País permanecer entre os poucos que ainda têm potencial de aumentar de forma significativa a área agrícola e a produtividade (GASQUES, BASTOS e VALDES, 2008).

Para Oliveira (2007, p. 68-69), a terra é transformada em mercadoria a partir do desenvolvimento capitalista de produção e a afirmação do regime da propriedade privada da terra e da produção de mercadoria na agricultura. Para esse autor, quando se afirma que uma terra é melhor que outra, está afirmando que uma produz mais renda da terra do que a outra. Dessa forma, a terra gera renda e não lucro, como faz o capital, e, com isso, no modo de produção capitalista, ―o preço da terra é, portanto, renda capitalizada da terra e não capital [...]

96 quando, pois, os capitalistas compram a terra estão convertendo o seu capital-dinheiro em renda capitalizada da terra‖ (OLIVEIRA, 2007, p. 63).

A modernização agrícola ocorrida no Brasil levou a uma supervalorização do preço da terra. De acordo com a Revista Agroanalysis (2014)28, entre os anos de 2003 a 2013, houve um aumento em um ritmo acelerado no preço médios das terras agrícolas brasileiras bem acima da inflação e com rendimentos superiores às de outras aplicações, como ouro, ações e dólar, e contribuem na continuidade do movimento de alta podendo ainda ser superior à taxa de inflação. O preço médio por hectare de terras em exploração agrícola no país em 2002 era de R$ 5.750,11, e o preço médio de terras de pastagem era de R$ 1.541,98 por hectare. Em 2013, esses preços mostraram significativo aumento: as terras agrícolas aumentaram em 244,98% e as terras de exploração pecuárias em 342,94%.

Tais informações comprovam que, com o aumento do preço da terra pela compra e também pelo arrendamento, o pequeno produtor de fato é o que mais sente os impactos nessa relação desigual, pois, com poder de compra menor do que os demais produtores e principalmente menor do que a própria agroindústria, ―são expulsos da terra e se retiram para as áreas urbanas em um processo de maior precarização da vida e das relações sociais‖ (MENDONÇA; SILVA, 2011, p. 3). Ademais, vão ocupar espaços marginais de produção, onde conseguem se reproduz, mas acompanhado de uma precarização do seu modo de vida, conforme observado com os sujeitos desta pesquisa.