5.1 F UNN FRA INTERVJUET
5.1.3 Tabell for funn angående alternativet
Nas seções anteriores foram abordados aspectos relacionados a quatro perspectivas teóricas: capacidade dinâmica, desenvolvimento de produto, estratégia como prática e abordagem institucional. Nesta seção, apresenta-se uma reflexão a respeito da maneira pela qual essas abordagens teóricas estão articuladas ao argumento de tese e aos respectivos objetivos da pesquisa expostos na seção introdutória desse trabalho.
A literatura acerca da Estratégica como Prática, na condição de abordagem que analisa as atividades que suportam e podem criar e modificar ativos organizacionais, pode ser associada aos estudos acerca das Capacidades Dinâmicas e, consequentemente, de Desenvolvimento de Produto, já que o mesmo é considerado uma capacidade dinâmica, no sentido de que os elementos de strategizing (prática, práxis e praticantes) têm potencial para explicar como ocorre o processo de desenvolvimento de capacidades dinâmicas. Afinal, sabe-se o que é, mas não se sabe como as capacidades dinâmicas são formadas (ZOLLO; WINTER, 2002).
Analogamente à contribuição da abordagem da prática na compreensão do desenvolvimento de capacidades dinâmicas, tem-se a colaboração da abordagem institucional, porém, fornecendo um entendimento extra-organizacional (WHITTINGTON, 2006; JARZABKOWSKI; SPEE, 2009; SUDDABY; SEIDL; LÊ, 2013), já que a análise da atividade estratégica se torna incompleta caso não haja o entendimento profundo do contexto institucional (WHITTINGTON, 2011).
Já a articulação entre a análise institucional e as capacidades dinâmicas é proveniente do fato de que essa perspectiva da estratégia foca no processo de adaptação das organizações a ambientes em rápida mudança tecnológica. Assim, surge a possibilidade da abordagem institucional revelar a atuação do ambiente institucional, analisado, na presente pesquisa, de acordo com o conceito de campo organizacional, sobre o processo de desenvolvimento das capacidades dinâmicas.
Essa atuação pode ser revelada de duas maneiras: (1) por meio da análise dos mecanismos isomórficos (coercitivo, mimético e normativo); (2) por meio da análise das respostas (aquiescência, acordo, evasão, desafio e manipulação) dadas pelos agentes às pressões institucionais. Nesse último caso, o fato do novo institucionalismo considerar que o ambiente é socialmente construído abre espaço para estratégias institucionais e para o empreendedor institucional, já que tira a ênfase da adaptação e da reconfiguração organizacional para atender
pressões do ambiente e acrescenta o poder de agência do indivíduo em responder às pressões ambientais. Dessa maneira, o nível de análise micro da Abordagem Institucional é revelado e permite reestabelecer ligações com o nível micro-sociológico (KIRCHBAUM, 2010), indo ao encontro também da abordagem da Estratégia como Prática. A relação entre a ECP e a abordagem institucional também pode ser revelada observando o papel de atores externos, a exemplo de consultores, como agentes isomórficos e na legitimação de estratégias (WALTER; AUGUSTO, 2011).
Assim, entende-se que, tanto em processos de homogeneização organizacional oriundos dos mecanismos isomórficos, como em processos de heterogeneidade provenientes das respostas dadas pelos agentes às pressões ambientais, pode ocorrer a adoção/transformação de novas práticas e o consequente desenvolvimento de capacidades dinâmicas, já que ao adotar/transformar uma prática, o processo de aprendizagem, considerado a origem das CD, deverá estar presente. Tal pensamento é ratificado por Crossan e Berdrow (2003) os quais afirmam que o contexto influencia a aprendizagem.
Tendo compreendido mais claramente a articulação entre as abordagens teóricas e baseando-se no o objetivo da presente pesquisa que consiste em analisar como os elementos constituintes do strategizing (prática, práxis e praticantes), em conjunto com a aprendizagem e os mecanismos isomórficos presentes no campo organizacional, explicam como ocorre o processo de desenvolvimento de produto, primeiramente, será preciso, descrever o processo
de desenvolvimento de produto (objetivo específico 1).
Em seguida, como base no fato de que a definição de capacidades dinâmicas adotada é aquela relacionada aos processos de aprendizagem (já que os mesmos são reconhecidos como a origem das capacidades dinâmicas), é preciso compreender como ocorrem os processos de
aprendizagem subjacentes ao processo de desenvolvimento de produto (objetivo específico 2).
É importante ressaltar que o avanço do conhecimento por meio da aprendizagem acontece fundamentalmente com base nas interações entre os diversos atores de uma organização. Essa interação acontece tanto na dimensão horizontal quanto na vertical, o que corresponde dizer que novos conhecimentos são gerados tanto por meio de conversações e trocas de informações entre gerentes de um mesmo nível hierárquico quanto entre gerentes de níveis organizacionais distintos. Contudo, há maior probabilidade de inovação nas interações entre gerentes de níveis hierárquicos diferentes, mesmo que esses mantenham laços mais fracos com gerentes de outro nível (MACIEL; SATO; KATO, 2012).
Sendo assim, é possível afirmar que o processo de aprendizagem ocorre tanto no nível micro da estratégia, isto é, nos episódios de práxis realizados pelos praticantes, quanto no nível organizacional das práticas e, portanto, é preciso explicar o papel das práticas, práxis e
praticantes no processo de desenvolvimento de produto (objetivo específico 3).
Outra questão importante que ratifica a necessidade de identificar o papel das práticas, práxis e praticantes no processo de desenvolvimento de produto está relacionada com o fato de que as rotinas, um dos mecanismos responsáveis pelo desenvolvimento de capacidades dinâmicas, resultam da apropriação das práticas estratégicas e da institucionalização da práxis estratégica.
Tendo em vista que a necessidade de aprendizado pode ser proveniente das pressões existentes no campo organizacional, é preciso avaliar a atuação dos mecanismos isomórficos
presentes no campo organizacional no processo de desenvolvimento de produtos (objetivo específico 4).
Dessa maneira, a tese a ser defendida nesta pesquisa é: os elementos constituintes do strategizing (prática, práxis e praticantes), em conjunto com a aprendizagem e os mecanismos isomórficos presentes no campo organizacional, explicam como ocorre o processo de desenvolvimento de produto.