• No results found

J USTERT LØSNINGSFORSLAG FOR SCM OG CRM

Os procedimentos metodológicos a serem utilizados neste trabalho foram definidos de acordo com o objetivo a que o mesmo se propõe: analisar como os elementos constituintes do strategizing (prática, práxis e praticantes), em conjunto com a aprendizagem e os mecanismos isomórficos presentes no campo organizacional, explicam o processo de desenvolvimento de produto.

A posição ontológica adotada na presente pesquisa é aquela localizada entre o realismo e o idealismo que considera a existência de interação sujeito-objeto, ou seja, que “existe uma interação entre as características de um determinado objeto e a compreensão que os seres humanos criam a respeito desse objeto, socialmente, por meio da intersubjetividade” (SACCOL, 2009, p. 262). Essa interação é necessária para compreender como ocorre o processo de desenvolvimento de capacidades dinâmicas.

Com relação ao posicionamento epistemológico, a presente pesquisa adota uma visão construtivista acerca do desenvolvimento das capacidades dinâmicas. A abordagem institucional, por exemplo, ao rejeitar o modelo de ator racional (SELZNICK,1996; DIMAGGIO; POWELL, 2005), passa a conceber o ambiente como socialmente construído, sendo analisado com base em fatores interpretativos utilizados pelos estrategistas (esquemas interpretativos). Fato semelhante ocorre com o campo de estudos em estratégia, pois o surgimento da ECP é acompanhado da noção de que a prática estratégica não é considerada como dada, mas como resultado de contínua (re) construção por meio das atividades de praticantes e pesquisadores envolvidos (GRAND; RÜEGG-STÜRM; VON ARX, 2011).

Ao incorporar os princípios ontológicos e epistemológicos da Estratégia como Prática e da abordagem institucional, a compreensão do desenvolvimento de Capacidades Dinâmicas converge para a adoção de uma abordagem qualitativa de paradigma interpretativo, de visão subjetiva, estando, dessa forma, alinhada às escolhas teóricas feitas na pesquisa, quanto ao fenômeno a ser analisado.

A partir do exposto, na presente pesquisa, o campo organizacional, a organização e a estratégia são considerados como construções sociais. As propriedades estruturais do campo organizacional são o meio para formação das práticas estratégicas, assim como o processo de formação reforça e altera essas propriedades estruturais.

Considerando que a perspectiva da ECP nas pesquisas envolve utilizar ferramentas metodológicas para compreender como gerentes strategize diariamente ao desempenhar suas

atividades e que, geralmente, o método biográfico atende a esse requisito (ROULEAU, 2011), o mesmo foi adotado. No método biográfico, indivíduos são chamados a relatar sua versão dos processos dinâmicos de mudança que informam as práticas gerenciais e sua trajetória de vida, sendo possível explorar completamente as práticas gerenciais por meio das quais os gerentes se definem e, ao fazer isso, compreender melhor como eles praticam gestão diariamente (ROULEAU, 2011).

O método biográfico pode tomar diferentes formas, tais como história de vida, self- portraits, narrativas de prática, autobiografias, biografias e história de vida individual ou coletiva. Dentre essas múltiplas formas, as narrativas de prática são uma das mais importantes possibilidades oferecidas pelo método biográfico para estudar como o strategizing é feito. O objetivo das narrativas de prática é trazer à tona a interpretação do narrador de parte de sua vida, seja ela profissional, política, ou outra. Às vezes, narrativas de práticas que focam no trabalho são também chamadas história de carreiras (VALKEVAARA, 2002).

Nesse sentido, nos estudos de Gordon e Patterson (2006), Balfe (2007), Watson (2007) e Rouleau (2011) é possível constatar a utilização do método das narrativas de prática, sendo o estudo de Rouleau (2011) o que mais se assemelha aos objetivos metodológicos da presente tese.

É preciso que haja um método que permita ao pesquisador encorajar autoreflexão por parte dos respondentes (BALOGUN; HUFF; JOHHNSON, 2003). Assim, Balogum, Huff e Johnson (2003, p. 200) afirmam que existem alguns critérios a serem seguidos pelos métodos utilizados para estudar o strategizing. São eles:

1. Fornecer coleta de dados ampla e profunda, porque são contextuais, longitudinais, facilitam comparação entre contextos e podem ser coletadas em níveis organizacionais múltiplos.

2. Elicitar completo e desejoso comprometimento dos informantes, porque é interessante o suficiente para engajar comprometimento organizacional e gratificante o suficiente para manter comprometimento ao longo do tempo. 3. Utilizar efetivamente o tempo do pesquisador, porque coleta, organiza e analisa

amplas e variadas quantidades de evidências.

4. Basear a maioria das questões em realidades organizacionais, por que é sensível a múltiplas definições de questões críticas, direciona problemas de interesse e relevância, envolve colaboradores organizacionais.

5. Ir além de pesquisas baseadas em feedback para contribuir com as necessidades organizacionais, fornecer aos informantes insights pessoais úteis e informar o conteúdo de colaboração futura (BALOGUM; HUFF; JOHNSON, 2003, p. 200).

Segundo Rouleau (2011), as narrativas de prática alcançam esses critérios, conforme Quadro 7:

Quadro 7 – Narrativas de Prática de acordo com os critérios de Balogum, Huff e Johnson (2003)

Critérios Maneira pela qual as narrativas de prática alcançam os critérios

Fornecer coleta de dados ampla e profunda

- dados baseados em esquema temporal - dados embrincados no contexto - dados passíveis de comparação

- dados que podem ser reunidos a partir de indivíduos pertencentes a todos os níveis hierárquicos

Elicitar completo e desejoso comprometimento dos informantes

- método que demanda muito da organização - método satisfatório para participantes

Utilizar efetivamente o tempo do pesquisador

- tempo de coleta de dados concentrado nos encontros - análise se desenvolve a cada encontro

- permite coletar ampla variedade de evidências empíricas (práticas, eventos, discursos, representações etc.)

Basear a maioria das questões em realidades organizacionais

- sensível a questões organizacionais

- leva em consideração os interesses do narrador

Fornecer resultados úteis

- permite que os participantes examinem suas ações - permite que os participantes pensem sobre sua trajetória profissional

- favorece o desenvolvimento de uma relação de confiança como o pesquisador que pode levar a colaboração subsequente

Fonte: Rouleau (2011, p.262)

Ainda de acordo com a autora, as narrativas de prática se constituem em um método de pesquisa que é: (a) focado no indivíduo, já que envolve indivíduos contando suas próprias histórias sobre a vida no trabalho, ou, no caso da presente pesquisa, sobre um processo de desenvolvimento de produto; (b) contextual, pois quando os indivíduos contam suas histórias, elas estão enraizadas, explicitamente ou não, em diferentes níveis de análise, além de que os narradores se posicionam no contexto sócio-histórico no qual atuam ; (c) baseado no conhecimento, seja ele explícito ou tácito; (d) reflexivo e transformador, já que dá voz a todos que fazem o trabalho de elaborar, moldar e executar a estratégia, promovendo o pensamento reflexivo, além se basear na construção da realidade a partir do significado que as pessoas desenvolvem ao falar (Figura 13).

Figura 13 – Características das narrativas de prática como método de pesquisa

Fonte: Rouleau (2011, p. 263)

Assim, as narrativas de prática permitiram compreender como ocorre o processo de desenvolvimento de produto, já que, por meio delas, foi possível explicar relações entre eventos em um processo, conforme explica Pentland (1999). Ao relatarem suas experiências acerca do referido processo, os entrevistados abordaram determinados temas, tais como aprendizagem, strategizing e isomorfismo, os quais contribuíram para o entendimento do desenvolvimento de produto nas organizações pesquisadas.