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8. AVSLUTTENDE KOMMENTARER

8.3 T IPS TIL VIDERE FORSKNING

O crime chama vem,

Justiça funciona pra quem ta na CARAS Ou revista QUEM, anda de Mercedes-Benz A toda hora rasga cem

Sobreviver aqui é difícil, Luta sacrifício

De um lado tá o crime e de outro tá o vício Eu não me arrisco

E atento jamais pisco

Esperto ao que rola eu peço força ao Cristo

Pois é pouca a minha chance contra o seu jogo sujo Mas encaro, sou guerreiro pode crê não fujo

Acredito na vitória e desisto do meu sonho

Não desisto da minha luta e ao sistema me oponho Pois não durmo tranqüilo de barriga vazia

Pensando no amanhã, no que dar a minha família Mas você não liga, nem ao menos se importa Me vê, me despreza não suporta e bate a porta Se esquece e não se mexe, se mantém inerte Tranqüilo e sossegado, sorri se diverte

Pois tem sua mulher,casa, carro e contra-cheque Não precisa esconder sua frustração num beck Nossa vida é diferente, tenho minha, ce tem a sua a minha é deprimente,realidade nua e crua

a sua é muito fácil, dentro do seu palácio distante do fracasso, nem olha aqui pra baixo. Mas eu queria ver, você no meu lugar,

Tendo que viver, sem ter no que apoiar Sem um conto no bolso, no maior sufoco

Vendo todos os meus sonhos se escorrerem pelo esgoto Você não saberia viver como eu vivo,

Tanta dificuldade, eu esbanjo o meu sorriso

Pois tudo que eu preciso certamente não é dinheiro Sinceramente, eu busco a paz, o amor primeiro REFRÃO

Eu cansei de levar porrada Lutar, batalhar por nada,

Todo castigo pra pobre aqui é pancada A justiça é uma piada, só funciona pra quem Tá na CARAS ou revista QUEM

Anda de Mercedes-benz

A toda hora rasga uma cédula de cem Eu não tenho troco,

mó corre, mó sufoco eu vivo e sobrevivo que nem cachorro louco

É a lama, é o esgoto, é o barraco sem reboco De noite é o frio, de dia é um calor escroto! Como é que faz se a paz aqui

Ta distante, diz ai

Como fazer se o dia a dia é entediante Sem diversão, sem escola,

o aviãozinho decola

o chegado irmãozinho que o sistema devora Esse sistema que te humilha,

Que te envenena, que te joga o flagrante

e te condena...

A nossa chance é escassa A nossa chance é pequena

Mas sou guerreiro e digo que lutar vale a pena Aqui meu manifesto, muito mais que um protesto Porque o caos é indigesto

E eu não vou viver de resto

Minha dignidade não vendo, nem tão pouco empresto Direitos iguais é o que eu aprovo e atesto

Então segura ai o nosso manifesto.... REFRÃO

Eu cansei de levar porrada Lutar, batalhar por nada,

Todo castigo pra pobre aqui é pancada A justiça é uma piada, só funciona pra quem Tá na CARAS ou revista QUEM

Anda de Mercedes-benz

A toda hora rasga uma cédula de cem Eu não tenho troco,

mó corre, mó sufoco eu vivo e sobrevivo que nem cachorro louco.

Trata-se de uma forma de expressão marcada por uma linguagem coloquial, com o predomínio de gírias. Isso imprime a marca da particularidade e identidade de um grupo, neste caso, os jovens de periferia.

Um outro aspecto é o seu caráter denunciante das condições de vida desse segmento social e o potencial educativo e de fortalecimento de cidadania que possui, uma vez que também se apresenta com a função de alertar o jovem para as possíveis situações perigosas e criar uma identidade comum de proteção entre eles. Consiste num discurso de inconformidade, de denúncia da realidade e que, para os Rappers, se torna um instrumento de catarse, ou seja, uma maneira de extravasar as manifestações emocionais de ira e cólera.

Na visão do Rapper, implícita em sua narrativa, quem vive na periferia faz parte de uma classe social duplamente submetida, tanto às relações de produção

capitalista quanto, na sua forma contemporânea, às condições da globalização e do projeto neoliberal. Assim como os países da periferia do capitalismo, a periferia circunscrita em si mesmo serve aos interesses de reprodução do capital, ocupando a função de prover uma força de trabalho mal remunerada e, conseqüentemente, um exército de reserva, a quem a formação social destina muito pouco, principalmente no que diz respeito às políticas sociais. Nesta perspectiva estão implícitas questões como desemprego, sedução ao crime, a visão de uma justiça que é parcial, desigualdade social, tensão, medo e religiosidade (primeira e segunda estrofe).

Outra característica do Rap é a pretensão em assumir uma função de inserção social, trazendo um discurso que além da denúncia, propõe uma alternativa de vida possível na periferia, de convivência com a violência, com o tráfico e com o consumo de drogas. No contexto da exclusão, do desemprego, da agressão policial, da discriminação e da violência do tráfico, o Rap torna-se uma referência e cria uma identidade social, através da qual o jovem de periferia pode se reestruturar. O Rap também alude à luta e a desigualdade de classes. Entretanto, sinaliza uma contradição quando fala em ‘ acreditar na vitória e desistir do sonho’. Há um tom de carta endereçada a uma elite indiferente à miséria do autor (terceira estrofe).

Nesse sentido, o Rap, no contexto específico da periferia, contribui com o processo de emancipação social, que vai se formando pela capacidade de adquirir cidadania plena. Com isso, o jovem participa socialmente, desenvolvendo as suas potencialidades de realização de coisas novas, iniciada por essa forma de expressão, enquanto apropria-se dos bens materiais e culturais, construídos socialmente.

Para o Rapper as influências positivas ou negativas da família e dos amigos, são compreendidas como fatores preponderantes, para que o jovem

ingresse no crime e no consumo de drogas. As propostas que ficam mais evidentes no discurso do Rap são as de valorização individual e familiar. Os estudos, a prática de esportes, o bom relacionamento com as pessoas que vivem na periferia, a música, a religiosidade e a compreensão das conseqüências da vida do crime e da droga, tornam-se instrumentos potentes para a superação dos problemas, em contraposição ao poder da criminalidade.

Não obstante, uma outra questão descrita de maneira implícita na letra do Rap, é a dualidade marcante no cotidiano da periferia. A periferia aparece como lugar que valoriza talentos individuais, principalmente na música e no esporte, mas que pode se tornar um empecilho, devido à dificuldade de acesso. Pode ainda desvalorizar a condição do sujeito, tendo em vista a violência e o uso de drogas.

A periferia pode possibilitar, portanto, a ascensão individual e a destruição; a amizade e a discórdia; uma vida comum ou de criminalidade.

A polícia acaba por ter um papel discriminatório, com uma atuação confusa, que é percebida e denunciada pelo Rap. Os Rappers compreendem também que a omissão do Estado se manifesta através da ausência de infra- estrutura urbana, tornando a vida ainda mais difícil, enquanto o lazer é colocado à mercê de bares e aglomerações com tendências desviantes.

Na visão do Rapper, não é proibido sonhar na periferia, mas os sonhos de ascensão parecem passar pela mesma dualidade: a satisfação de desejos de consumo, podendo essa ascensão ser alcançada, ou pelo desenvolvimento de talentos individuais, ou pela via da criminalidade, essa última, expressa de forma subentendida na narrativa.

Outro dos aspectos marcantes na letra é a dupla possibilidade de o jovem ter uma vida comum e respeitosa, permeada por valores familiares, de amizade e

com poucos bens materiais, longe das questões negativas da periferia, ou de ter uma vida envolvida com drogas.